Fire Keeper
22 Capitulo 21 - About Soulmates
Notas iniciais

A madrugada estava com uma temperatura agradável para Robin. Ele bebericou o chá que Henry tinha o trago, sentindo o gosto de maçã descer quente por sua garganta. A família Mills tinha uma obsessão com esse fruto, ele concluiu, tomando mais um gole logo em seguida.
Roland permanecia calmo em seu sono, embora Robin soubesse que aquilo deveria ser apenas um efeito da mistura de ervas que ele tinha tomado na véspera. Pelo menos o sangramento já tinha parado. Henry tinha feito um bom trabalho, mas insistia em dizer que chamaria um médico pela manhã, para que não houvessem mais complicações com o filho do ladrão
Robin já estava calmo o suficiente para conseguir olhar para outro canto que não fosse seu filho. Ele observou o quarto aconchegante de Regina, que lembrava muito uma casa de bonecas, diferente de seu quarto atual no castelo.
Depois de uma breve conversa com Henry, ele aprendeu que Regina era uma menina doce na infância. Ela continuava doce, para ele, mas com um belo toque amargo que faziam as coisas se tornarem mais interessantes.
Robin varreu os olhos pelas pequenas pinturas emolduradas em madeira que estavam postas sobre uma penteadeira. Pareciam ser representações de Regina ao passar dos anos, começando por ela ainda bebê. Ele se surpreendeu ao ver um tufo de cabelo claro coroando a cabeça da pequena Regina, bem diferentes dos longos fios castanhos escuros que ela ostentava agora. Em todas as pinturas seu sorriso brilhava de maneira que tirava o fôlego do ladrão, as bochechas rosadas dela fazendo suspiros surgir em seus lábios.
Inegavelmente linda, era o que ele pensava. Tão doce em seus vestidos rodados e tão sexy em suas calças de couro emoldurando as curvas de seu corpo, linda de todas as formas.
Robin caiu em si lembrando de sua gravidez novamente, e planejando colocar naquela penteadeira mais molduras com as fases de Regina, talvez uma série de desenhos totalmente destina dos a sua gravidez e quando sua filha nascesse ele faria o mesmo procedimento com a criança. A próxima moldura seria uma de Regina com sua barriga inchada indicando a gravidez, ele concluiu.
Robin ouviu a porta sendo lentamente aberta, e demorou para virar-se pensando ser Henry vindo checar se estava tudo bem mais uma vez, como já tinha feito pelo menos cinco outras. O homem parecia realmente preocupado coma condição de Roland e não fez questão de esconder isso. Ele era bom, afinal.
–Regina? — Ele perguntou, ao se surpreender com a rainha espiando para dentro do quarto. Ela sorriu fracamente.
–Como ele está?
–Bem, eu acho. Ainda tem um buraco atravessando seu corpo, mas não esta ruim como antes. — Robin a respondeu não conseguindo evitar seu repentino mau humor. Ele queria apontar o dedo para ela e dizer para nunca mais o separá-los daquela forma ou arriscar-se tanto. Mas em vez disso, apenas caminhou vagarosamente ate ela e a puxou para um abraço. — Sua rainha teimosa e cabeça dura! — Ele xingou com seriedade em sua voz, mas totalmente aliviado. Robin espalhou beijos pela pele pálida de Regina, feliz por ela estar bem e por estarem finalmente juntos.
–Eu sinto muito. — Ela lamentou em seus braços, se culpando pelo que tinha acontecido a Roland. -Ele está dormindo a muito tempo?
–Uma hora ou duas, desde que seu pai deu a ele um remédio. — Robin respondeu acompanhando o olhar de Regina até a cama. A rainha desgrudou de seu corpo para se por mais perto do menino, que respirava lenta e profundamente.
–Eu posso o curar com magia. — Ela disse, esperando que Robin a desse tal aprovação. Ela não sabia de certo qual era a opinião do ladrão sobre o assunto.
–Eles dizem que toda magia vem com um preço.
–Não será Roland a pagar. — Ela respondeu e era verdade. Regina estava tão ligada a criança como a mãe dele estaria e isso significava que ela faria de tudo para vê-lo bem.
Robin apertou os lábios em uma linha fina, estava receoso. Tinha usado magia para curar Marian da morte uma vez e isso não fez nada além de estender sua vida por mais uns meses, até que ela teve Roland de forma segura antes de partir para seu eterno descanso. Seu destino era morrer de toda forma, e não que ele acreditasse que aquilo fosse acontecer a Roland, mas algo além de sua compreensão premeditava tudo que acontecia no universo e ele não queria irritar aquela força mais do que já tinha feito ao longo de sua vida, não quando era de seu filho que estavam tratando.
–Talvez só devesse me ajudar a fazer uma pomada de barbatimão e um chá de camomila. Ajudam na cicatrização, você deve saber. — Ele pediu e Regina entendeu que ele não queria envolver magia naquilo.
Uma pequena parte sua se sentiu ofendida, mas ela também o entendia. Afinal, apesar de poder realizar coisas maravilhosas, sua magia negra. Agora ainda mais. Lembrar-se da cor escura qual a envolvera no castelo a fez estremecer.
–Quer me contar o que aconteceu? — Ele continuou, tendo de segurar Regina pelo queixo para obter sua atenção. Robin não tinha deixado de reparar na aparência desajeitada de Regina, seus cabelos estavam desgrenhados e ele tentou não ficar encarando no líquido vermelho que estava em uma de suas botas.
–Eu quero. Mas não agora. — Ela respondeu o encarando com os olhos vermelhos e irritados pelo choro que a assolou mais cedo. — Temos que cuidar de Roland primeiro.
Robin concordou com ela e decidiram que procurariam pela barbatimão na floresta nos arredores já que era mais próximo do que a vila de comerciantes no pé da montanha. Eles teriam de fazer um bom caminho até a floresta, de todo jeito, já que a casa era cercada por uma enorme clareira de mato raso e baixo.
Regina tomou um banho rápido antes de saírem, querendo se livrar daquele peso que forçava seu corpo para baixo. Era a culpa, que parecia querer esmagá-la dentro de si própria ate que não restasse nada além de uma Regina fina como papel, fácil de amassar e jogar para o canto. A rainha se arrastou pelo seu closet coberto de poeira, escolhendo uma roupa confortável para montar a cavalo e soltou seus cabelos escuros os deixando soltos espalhados por suas costas.
Decidiu que aquilo era suficiente e voltou para a companhia de Robin, sendo forçada por ele a comer algo antes de saírem. Ela fez uma careta, mas acabou cedendo. Regina não queria gastar nem mais um segundo fazendo qualquer coisa que não fosse ajudar Roland, mas sabia que ele estava certo, afinal tinha outra criança precisando dela, e se alimentar era só o passo mais básico que ela tinha de fazer.
–Apenas me dê esses amendoins. — Ela pediu, apontando para o pequeno saco de papel que Robin carregava.
Regina não gostava de amendoins, mas os comeu de qualquer forma, sabendo que aquilo não iria segurar sua fome por muito tempo, mas por enquanto ela estava bem.
Robin observou-a fazendo caretas enquanto mastigavam ruidosamente os grãos doces e teve de sorrir. Ela estava angelical vestindo um casaco branco e calças bege de montaria, seu cabelo caia em ondas em volta de seus ombros completando sua pintura de perfeição.
O ladrão ergueu uma de suas mãos para afastar um dos cachos de Regina de seu rosto e colocá-lo atrás de sua orelha, antes de terminar o caminho de dedos em seu queixo macio. O rosto bonito estava livre de qualquer maquiagem que o desviasse de ver sua verdadeira delicadeza e maciez. Ele sorriu, inclinando-se para beijá-la suavemente. Regina recebeu seus lábios sentindo algo cair dentro dela e desestabilizar seu equilíbrio, como seus beijos costumavam fazer. Ela abriu sua boca apenas o suficiente para que Robin pudesse deslizar sua língua sobre ela e aprofundar o beijo.
Robin a apertou pela cintura e a trouxe para mais perto, se deliciando com a sensação de sentir o gosto doce de sua boca. Seu corpo rapidamente se aqueceu, reagindo de maneira maravilhosa ao contato que Regina causava. Ele queria poder continuar ali até que seus lábios estivessem cansados e seu fôlego se extinguisse, mas separou o beijo e acariciou o nariz de Regin a com o seu próprio. Eles tinham que sair e quanto mais rápido voltassem melhor seria.
O sol estava nascendo quando os dois fizeram seu caminho para fora, pegando os cavalos que Henry já tinha os preparado. Regina estava alerta mesmo não tendo dormido durante a noite. As lembranças do dia anterior corriam frescas por sua mente perturbada, mas ela tentava desviá-las, para se concentrar em Roland.
–Vamos ir pelo leste. — Ela comunicou a Robin assim que estavam devidamente montados. — Vive um curandeiro nessa parte da floresta, talvez ele possa nos ajudar.
Regina cavalgava com uma facilidade invejável, seus cabelos esvoaçam ao redor de seu rosto com o vento frio varrendo sua pele. Ela sentiu falta dessa simples sensação de liberdade que andar a cavalo causava em seu corpo.
Na entrada da floresta, Robin e Regina desmontaram dos cavalos, para os deixar amarrados a uma árvore na encosta.
–Aqui, garotos — Regina sorriu para os animais, tirando cenouras da bolsa que carregava ao lado do corpo. Ela alimentou os cavalos e se virou para Robin.
–Não sabia que gostava tanto de cavalos — Ele sorriu, a segurando pela cintura e se perdendo em seus olhos castanhos. Sua respiração falhou no processo. Robin as vezes esquecia do efeito que aquela mulher tinha em seu corpo, causados mesmos por gestos simples como aquele.
–Eles me trazem boas lembranças — Ela o respondeu simplesmente, se sentindo acolhida por s uas mãos quentes que pairavam acima de seu quadril.
Regina se colocou nas pontas de seus pés para alcançar os lábios de Robin em um beijo rápido, porém tão delicioso quanto todos os outros. Ela suspirou, subitamente desanimada. Se Robin tivesse a deixado usar magia, essa hora Roland já estaria perfeitamente curado e eles poderiam aproveitar seu tempo juntos.
Regina tentou ignorar as preocupações que surgiram em sua mente como um turbilhão, ela não queria pensar no que teria que fazer no dia seguinte ou no próximo. Queria esquecer que ela tinha uma vida além dos braços de Robin e do conforto de sua casa. Queria ser Regina Mills, e não a Rainha Regina. Pelo menos por alguns dias.
–Vamos achar aquela planta logo — Ela disse, forçando um sorriso.
–Estou bem atrás de você — Robin lhe devolveu um sorriso e apontou para as árvores.
Apesar do sol já ter nascido, a floresta continuava escura. Regina olhou para cima, vendo que as copas das árvores bloqueavam o sol fraco da manhã. Ela preferia assim. Tinha algo interessante e misterioso sobre a escuridão. Talvez porque fosse mais fácil se esconder de seus próprios fantasmas quando nada se enxergava.
Ela percebeu que Robin dava passos furtivos, ela mal conseguia ouvir sua respiração, mesmo no silêncio e calmaria da floresta. Enquanto isso, ela própria fazia barulho demais pisando nas folhas secas e galhos finos. Mesmo sua graciosidade de Rainha não era tão delicada quanto a graciosidade de felino de Robin. Regina se perguntou se aquilo era algo natural dele ou se ele estava realmente tentando ser silencioso, e decidiu que era natural, já que ao olhar para sua postura, ele parecia muito calmo e relaxado, diferente dela, que se mantinha ereta e com queixo erguido.
Eles eram tão diferentes e mesmo assim se entendiam como ninguém. Regina sorriu com o pensamento.
–O que estava pensando? — Ela perguntou, de repente, se lembrando de como tinham se conhecido. — Quando invadiu meu castelo, eu digo.
–Eu estava pensando que precisava manter Sherwood próspera mesmo durante o inverno, precisava conseguir a maior quantidade de ouro possível... Mas na verdade, eu já tinha o suficiente para manter o vilarejo antes de sequer pensar em roubá-la. Minha ida ao seu castelo foi um salto de pura ganância. Eu não costumo fazer isso, mas aquela noite...
–Talvez você devesse mesmo ir. Como destino — Ela suspirou, pensando nas palavras alma gêmea.
Eles estavam ligados de uma forma incorrigível e desconhecida. Regina imaginou uma linha brilhante, que só poderia ser vista aos olhos do destino, os unindo; cravadas em seus peitos e o s puxando um para o outro como se dependessem disso. Quanto mais longe estivessem, quanto mais separados a vida os mantinha, mais a pressão em seus peitos aumentava e mais forte doía.
Regina tocou seu peito, repentinamente incomodada com o pensamento. Ela se perguntou se tudo o que ela passou em sua vida realmente tinha que acontecer, apenas para ela estar ali com Robin naquele momento. O destino é um filho da puta, ela pensou.
–Foi uma forma inusitada de conhecer a mulher da minha vida — Robin mordeu seu lábio inferior, se lembrando de Regina poderosa e imponente quando veio o ameaçar em sua cela.
Apesar dela estar irradiando raiva naquele dia assustador, ele tinha de admitir que nunca vira algo mais sexy do que Regina em uma de suas calças de couro. Se ela não tivesse sido tão rude e o ameaçado, ele provavelmente faria tudo de bom grado apenas por mais alguns minutos daquela visão.
Ele a olhou de soslaio, vendo o quanto ela ficava surpreendentemente diferente nas roupas que usava hoje. Eram tecidos de cores claras e menos sofisticados que suas roupas habituais, mas ela continuava tão linda como sempre estivera. Ela estava alguns centímetros mais baixa e a falta de maquiagem em seu rosto permitia a Robin ver o corado em suas bochechas causadas pela caminhada. Era adorável.
Regina caminhava com uma de suas mãos pousada suavemente em cima do ventre. Ela não tinha ideia de como se parecia um barbatimão, então apenas se mantinha perto de Robin, acompanhando seus passos.
–Vê ali? — Ele perguntou de repente, parando sua caminhada. — É o que estamos procurando. Robin tirou uma de suas facas de caça do cinto de couro e caminhou para a direção que estava apontando.
Regina o seguiu, sem ver nada de diferente no lugar para onde ele estava indo. Era apenas mais um monte de folhas verdes e galhos traiçoeiros.
O ladrão se aproximou de uma árvore pequena e usou a faca pequena para cortar algo que Regina pensou serem cascas.
–É...marrom — Ela disse, tentando encontrar algo de especial que pudesse ajudar Roland naquelas cascas.
–Não as subestime — Robin riu — Elas tem um poder de cura incrível. Não tem efeito tão rápido quanto mágica, claro... Vai demorar alguns dias para a dor passar e alguns meses para a ferida se curar completamente. Mas Roland é um menino forte.
–Pode as colocar aqui em minha bolsa — Regina ofereceu, abrindo sua bolsa de couro marrom. — Agora podemos procurar aquele curandeiro.
–Ah, sim — Regina respirou profundamente, olhando em volta e se dando conta de que não tinha ideia de onde estava. — Quanto nos andamos, Robin?
–Não mais que quinze minutos. Estamos perto da saída da floresta.
–Então ainda temos algum caminho pela frente. A cabana dele fica mais ao centro na floresta, em uma clareira cheia se violetas. Pelo menos costumava ser assim quando eu era mais nova.
Assim que terminou de fechar e ajeitar sua bolsa para o lado do corpo novamente, Regina repetiu seu movimento de levar uma de suas mãos ao ventre. Robin sorriu para o gesto e fez o mesmo, colocando sua própria mão em cima da dela.
–Mantendo ele quente? — O ladrão perguntou suavemente, se referindo ao bebê.
–Ah, não, é só um costume que adquiri. Porque? Ele já pode sentir frio? — Ela brincou, achando aquela possibilidade impossível, apesar de não ter nenhum conhecimento sobre gravidez. Robin riu de sua pergunta e envolveu seus ombros com um de seus braços, eles voltaram a caminhar.
–Não vai sentir frio até nascer. Não existe lugar mais seguro e quente do que esse que ele está agora.
–Como foi com Roland e mãe dele?
–Marian... Ela teve uma gravidez conturbada, infelizmente. A gravidez a tirou muita energia e ela acabou ficando doente. Nada que impediu Roland de nascer saudável, claro. Mas quase custou a vida dela.
–Será que vai acontecer o mesmo comigo?
–Acredito que não. Marian e eu não vivíamos em condições agradáveis para o bebê, mas você... Você tem tudo. Você é a Rainha.
–Nós temos tudo — Ela o corrigiu, incomodada por Robin colocá-la como um ser superior a ele. — E além do mais, eu não sei se ainda sou a rainha. — Ela confessou em voz alta o que estava relutante em admitir para si mesma. — Tudo o que eu tenho é um castelo vazio e um exército formado apenas por mim.
Após ver que Robin não tinha uma resposta, Regina continuou:
–Terei de encarar Branca de Neve uma hora. E mais um monte de outros problemas — ela fez uma careta, se lembrando de Belle.
–Eu sei. Mas agora vamos fazer isso juntos — Robin sorriu, apertando Regina contra seu corpo. — Depois de ontem, quando me tirou daquele castelo e eu forçado a deixá-la lá... Foi horrível. Eu não sabia no que pensar, já que também tinha Roland precisando de mim. Não vou a deixar sozinha nisso Regina, não mais. Vou estar ao seu lado, não importa a situação.
Regina abriu a boca para dizer algo, mas Robin prontamente a calou com um beijo calmo. Ele não queria que ela tivesse a oportunidade opor, porque mesmo que ela o fizesse, ele não seria capaz de respeitar seu desejo. Já fora ruim o suficiente para uma vida inteira ter a deixado sozinha uma única vez.
A floresta começava a se tornar mais clara, indicando que uma clareira estava próxima. Robin e Regina aceleraram sua caminhada, ansiosos para chegar ao curandeiro que poderia ajudar Roland.
Quando chegaram a clareira, Robin se surpreendeu com a vista. Um casebre simples e de madeira estava bem ao centro, rodeado de grama e violetas azuis. Era o tipo de lugar que ele adoraria morar, mesmo sendo longe da civilização.
Era cedo da manhã, mas o casal não hesitou em bater na porta do curandeiro.
–Ele deve estar acostumado a ter pessoas em sua casa nas horas mais importunas. — Regina deu de ombros, batendo mais uma vez na porta, ansiosa.
Ela se lembrava que costumava ter medo do homem quando era pequena, afinal ele tinha um a aparência um tanto peculiar, mas seu pai, Henry, sempre a tranquilizava quanto as intenções dele. Assim como Robin, Henry não gostava de resolver tudo em sua vida com um toque de magia, então ele sempre dispensara os cuidados dos feitiços Cora para com sua saúde e fora muitas vezes consultar esse curandeiro durante a infância de Regina.
Quando a porta finalmente se abriu, uma figura peculiar apareceu esfregando os olhos. Robin fez uma careta, observando o homem de cabelos brancos, que não era muito mais alto que Roland, deixando escapar um bocejo. Regina esfregou as mãos, ansiosa, e Robin estava um tanto atordoado, mas podia jurar que a vira dar um pequeno pulo de animação.
–Sr. Alexandre Pequeno. — Regina saudou, fazendo o homem a olhar com a sobrancelhas arqueadas. Robin quis rir. Ele não era do tipo que fazia piadas de pré julgamento, mas não estavam o ajudando. Alexandre Pequeno? Ele até pensaria que era uma brincadeira de mau gosto de Regina se ela não estivessem olhando para o anão de maneira tão animada.
–Menina Regina. — Ele saudou de volta, sacudindo sua pequena mão no ar, como uma reverência mal feita. Robin não pode deixar de reparar em sua camisola branca que estava furada bem na barriga, revelando um pedaço de sua pele enrugada e peluda.
O curandeiro baixinho tinha as costas curvadas, o que fazia parecer que ele iria se deitar ali mesmo na soleira da porta e voltar a dormir, ou, morrer. Mas algo em seu olhar fazia Robin pensar que ele estava era muito vivo. O velho parecia ter vivido centenas de vidas, com aquel es olhos azuis sonolentos, porém, inteligentes. Robin estremeceu.
–Então? — Ele pediu, ansioso, e só então Regina percebeu que não dissera mais nenhuma uma palavra. Ela estava tão aliviada por encontrá-lo ali, naquela mesma pequena cabana que ela costumava visitar quando era uma pequena garota, e tão surpresa pelo curandeiro se lembrar quem ela era. Era uma memória tão distante que quase parecia não ter existido. Ela suspirou, antes de retomar sua fala.
–Estamos com um garoto ferido em minha casa. Já tomamos alguns cuidados, mas, ainda assim, queríamos um olhar mais... Profissional. — Ela disse rápido e se surpreendeu por soar tão desesperada. Sua voz não era rude ou intimidadora, coisa que não era normal acontecer quando ela falava com qualquer outra pessoa que não fossem Robin, Roland ou Henry.
Ela mordeu o lábio inferior; não tinha tempo para ser a Rainha Má agora, Roland precisava de Regina.
–Oh, porque não disse logo? — Alexandre se espreguiçou e Robin ouviu um osso ou dois estralarem.
– Só preciso me trocar. — Ele disse antes de sumir rapidamente para dentro da cabana.
–Regina — Robin sussurrou, cutucando a cintura da mulher. — Tem certeza sobre isso?
–Ele é um pouco assustador — Regina sussurrou de volta, confessando seu medo de infância. — Mas é competente.
Assim que terminaram sua pequena conversa de sussurros, o pequeno homem voltou, já vesti do e penteado. Com um terno cinza e um relógio de bolso pendurado para fora da roupa, que parecia grande demais para seu corpo pequeno e uma bolsa de couro negro pendurada no ombro.
–Estou pronto.
Regina olhou para cima e o sol queimou seus olhos. Ela não sabia dizer que horas eram, mas parecia uma eternidade desde que saíra de casa. Ela abaixou seu rosto, vendo pontos brancos atrapalharem sua visão. Demoraria outra eternidade para chegarem até os cavalos com aquele homem de pernas curtas.
–Aguente firme ai, criança — Ela sussurrou e executou sua magia, envolvendo a todos em uma nuvem escura e pesada. Ela não se esqueceu de seus cavalos que esperavam na entrada da floresta, mesmo que magia realizada daquela distância fosse muito cansativa.
Um segundo depois, estavam todos na grande sala da mansão dos Mills. Robin e Alexandre a olhavam aturdidos e de olhos arregalados. Ela não se desculpou pelo susto.
–Roland está em meu quarto. — Ela guiou o curandeiro rapidamente, a ansiosidade corroendo seu estômago.
Roland estava como Regina se lembrava. Deitado de costas para a cama, com a testa molhada de suor e Henry a seu lado. O sono do menino era leve, ela sabia. Por isso apenas caminho u até a beira da cama e soprou o ouvido dele, o que o fez tremer no mesmo instante. Ela costumava fazer isso no castelo e o pequeno fingia não gostar, mas ela sempre via um sorriso divertido em seu rosto toda vez que ela o fazia. Ele gostava de sentir cócegas, e sentia nos lugares mais estranhos. Como os ouvidos, os joelhos e o lado esquerdo do quadril. Ela aprendeu isso quando ele insistiu que ela o desse banho no lugar de seu pai.
Um sorriso triste surgiu nos lábios de Regina, enquanto ela assistia o menino acordar, mas não com o sorriso travesso de sempre e sim com um curto gemido de dor. Ela beijou seu rosto suado e sussurrou um pedido de desculpas.
–Vamos cuidar do seu ferimento agora, pequeno. Precisa se levantar.
–Mas doi, Gina. — Ele reclamou, com a voz rouca e fraca.
–Vamos lá, garoto. — Robin apareceu ao lado da Rainha para dar apoio, forçando um sorriso.- Quanto mais rápido fizermos isso, mais rápido a dor vai passar.
Roland choramingou, mas abriu os olhos e tentou se sentar.
–O que aconteceu com ele? — O curandeiro finalmente se pronunciou, abrindo caminho entre Regina e Robin. Seus olhos azuis curiosos viajavam por cada canto do corpo de Roland. Ele era tão pequeno, que teve de subir na cama para conseguir ver Roland.
Robin revirou os olhos. Talvez ele tivesse algo contra pessoas minúsculas.
–Uma flechada, bem no ombro. Eu consegui removê-la sem complicações, mas ele perdeu muito sangue. — Henry se apressou em dizer. Ele estava suficientemente próximo de Roland, para conseguir levantá-lo gentilmente, sabendo em que lugares pegar para no ferir ainda mais o menino.
Regina sentiu o braço de Roland o puxando para perto dele, a afastando de Roland para que o curandeiro pudesse fazer seu trabalho. Ela se aconchegou no abraço, sentindo as curvas de seu corpo se adaptarem perfeitamente as de Robin.
Mas ela não podia aproveitar o momento. Não quando Roland gemia baixinho enquanto mãos adultas trabalhavam em seu pequeno corpo machucado. Ele olhava para Regina e ela tentou sorrir para o encorajar, mas sentia suas próprias mãos tremerem, deixando fagulhas de brilho mágico escaparem entre seus dedos. Ela poderia acabar com a dor dele tão facilmente, se Robin apenas a deixasse...
–A flecha não atingiu nenhum órgão, o que é uma notícia maravilhosa. Mas como ela atravessou por todo o ombro, vai demorar alguns meses para se curar completamente e não temos garantia de que não vá deixar alguma sequela. — O curandeiro disse finalmente. Ele e Henry tinham tirado toda a bandagem que estava lá desde a noite anterior e deixado a ferida exposta.
Robin suspirou e apertou seus braços ao redor do corpo fino de Regina. Sequelas. Ele não gostava daquela palavra.
–Mas ele vai ficar bem? — Robin insistiu.
–Tudo que podemos fazer é lavar bem essa ferida e usar remédio para acelerar a cicatrização. Eu tenho algo aqui. — Ele disse, abrindo sua bolsa pequena e tirando um pote que não dever ia caber naquele espaço minúsculo. — Segure-o assim, Henry... Isso mesmo. — Ele gesticulou par a seu antigo cliente. Roland reprimiu um soluço quando seu corpo foi virado, embora não conseguisse conter as lágrimas que faziam seus olhos arderem.
Alexandre abriu seu pote habilmente e tirou de lá uma pasta cintilante. O cheiro da substância era horrível e fora capaz de encher todo o quarto rapidamente.
–Oh, não me acostumo com esse cheiro. — O próprio curandeiro reclamou. — Cheiro de peixe estragado. Mas está bem conservado, eu juro.
–Você está... passando peixe no meu menino? — Regina se desvencilhou do abraço de Robin, dando um passo para frente, enquanto torcia o nariz.
–Metade peixe, metade humana... É calda de sereia, na verdade. — Alexandre a olhou de soslaio e continuou seu trabalho nas costas de Roland, esfregando a pasta suavemente ao redor do ferimento que a flecha deixara. — Elas tem uma capacidade de regeneração incrível, principalmente as imortais.... Bem, não tão imortais assim. — Ele disse, olhando com ar divertido para o pote. — Isso vai diminuir pela metade o tempo de cicatrização, além de ser bom para a dor. Po de intercalar com o barbatimão que está em sua bolsa, ele dá uma boa pomada cicatrizante também.- Ele apontou para Regina.
–Como sabe o que tenho na bolsa? — Ela cruzou os braços, desconfiada.
–Eu senti o cheiro. — Alexandre deu de ombros e começou a passar a pomada do outro lado do corpo de Roland, por onde a flecha saíra.
–Ele tem um bom nariz. — Henry disse para a filha, mas ela já sabia disso, de toda maneira. Era uma das características que mais a assustava sobre ele quando era criança. Ele conseguia saber o que estava errado no corpo de alguém apenas por cheirá-lo.
Quando Alexandre finalmente terminou, Regina invocou sua magia para fazer aquele cheio horroroso sumir. Roland já parecia um pouco melhor e conseguiu se sentar sem precisar de ajuda.
Robin olhava para seu filho, tão miúdo e corajoso, e as batidas de seu coração perdiam o ritmo. Ele queria poder tomar toda a dor que o pequeno estava sentindo para si. Porque a flecha não poderia acertá-lo, em vez de seu filho pequeno?
Seus olhos arderam quando Roland lhe lançou um sorriso fraco, ele parecia melhor. Robin tentou conter sua emoção e foi para o lado do filho.
–Como você está, Roland?
–Com fome. — O menino respondeu timidamente. Alexandre pulou para fora da cama e entregou o pote de conteúdo duvidoso para Henry.
–Meu trabalho está feito. — Ele disse, deixando escapar um bocejo.
–Sinto muito por ter que te tirar da cama, Alex. — Henry sorriu. — E obrigado por vir.
–Não há de que. — O pequeno homem sorriu de volta e acompanhou Henry para fora do quarto.
Robin encarou Regina, com dúvida em seu olhar.
–Eu não tenho dinheiro para pagá-lo. — Ele sussurrou, se dando conta disso pela primeira vez. Ele estava tão entusiasmado para ajudar Roland que nem mesmo tinha pensado naquilo. Regina balançou a cabeça, estalando a língua.
–Você não precisa. Isso é por minha conta. — Ela disse, sincera. Roland tinha se ferido por culpa dela, por isso se sentia responsável, mas, mesmo que não fosse, ela pagaria seu tratamento, não importa qual fosse o preço. -Aposto que Henry já resolveu tudo, de qualquer maneira.
Ela se sentou na cama, ao lado de Robin e Roland, acariciando o rosto do menino.
–O que meu pequeno príncipe gostaria de comer?
–--
O pôr do sol chegava quente e Regina sorriu pra o horizonte. Ela se perguntava se o fim do inverno já tinha chegado oficialmente e percebeu que o tempo tinha passado rápido para ela desde que Robin aparecera em sua vida. Dizem que os dias bons são assim, acabam rápido demais. Mas ela estava feliz por saber que no dia seguinte ele ainda estaria lá com ela.
Depois que Roland estava bem alimentado, seus olhos pesaram de sono novamente e mesmo que Robin insistia em o dar um banho, o pequeno não conseguia se manter acordado. Regina riu para a cena e foi ajudar com o menino.
Ela não tinha nenhuma experiência com crianças antes de Roland, até Branca de Neve já era velha o suficiente para fazer um monte de coisas sozinha quando Regina se casou com o rei. E la era apenas sete anos mais velha que sua enteada. Se dando conta disso, ela mordeu o interior de suas bochechas, perguntando a si mesma como Leopold pensou que uma adolescente conseguiria ser como uma mãe para outra adolescente. Branca tinha dez anos e ela tinha dezessete. Elas poderiam ser irmãs, mas nunca mãe e filha.
Leopold tinha a idade de seu pai.
Regina estremeceu, sentindo vontade de arrancar sua própria pele para se livrar do nojo que sentia por aquele homem.
Ela se concentrou em Roland, ele precisava tomar banho.
Regina guiou Robin para o lavabo e invocou um pouco de água quente para dentro da banheira de mármore amarelo. Ela tinha vários óleos e perfumes antigos naquele lugar, mas preferi u ignorá-los e usar apenas água, afinal não sabia que efeito poderiam ter em ferimentos.
Roland parou de resistir e abriu seus olhinhos preguiçosos, fazendo uma cara emburrada. Robin o beliscou no nariz e despiu-o rapidamente.
Assim que foi colocado na água, Roland mudou seu humor. Ele não conseguia mexer seu braço direito como antes, mas, mesmo assim, arranjou um jeito de molhar Robin e Regina como s e eles quem precisassem de um banho.
Robin lançava olhares de desculpas para Regina, mas ela não se importava, gostava de o ver se divertir. Ela riu quando ele bateu a mão na água mais uma vez, fazendo gotas voarem par a todos os lados.
–Chega de banho, Roland.
–Não quero sair, paaaaai. — Ele reclamou, estendendo a palavra como uma suplica.
–Vamos lá, garoto. Você já está todo enrugado.
Roland olhou para suas mãos, vendo sua pele amassada e mais branca que o normal. Ele deu de ombros e atendeu o pedido do pai, se levantando na banheira. Regina trouxe uma toalha e rapidamente secaram e vestiram o garoto, com roupas que Regina tinha conjurado magicamente, como sempre fizera.
Pela primeira vez ela percebeu como aquilo soava horrível. Sempre resolvendo problemas simples como esse com magia. Robin e Roland tinham abandonado seu acampamento sem trazer nada com eles. Regina se sentiu culpada, por arrancá-lo de sua antiga vida de maneira tão egoísta. Ela nunca tinha ao menos se preocupado em pensar sobre isso.
Regina olhou de soslaio para Robin, carregando Roland delicadamente em seu colo, o levando para a cama. Eles nunca tinham reclamado. Roland falava sobre os Homens Felizes poucas vezes, mas nunca chorou de saudade por sua antiga vida. Mesmo assim, algo parecia ter atingido violentamente o estômago de Regina. Ela já fora arrancada de seu lar uma vez, sabia como era.
Quando Robin colocou Roland deitado na cama, o menino bocejou e esfregou os olhos. O sono tinha voltado.
Regina se curvou sob o menino, para depositar um beijo em seu nariz.
–Durma bem, Roland. — Ela sussurrou.
Seu coração estava aquecido por saber que Roland estava bem. Ela observou Robin desejar bons sonhos ao filho, antes dele cair em seu sono leve.
Regina fez sinal para saírem do quarto e ele a seguiu, a abraçando pela cintura. .
–Ele parece melhor. — Robin sorriu, sua respiração causando cócegas no pescoço de Regina.
–Eu sinto muito por isso ter acontecido. — Ela disse sincera, se virando para ele.
–Eu sei. — Robin depositou um beijo suave em sua testa e acariciou suas costas. — Sinto muito por tudo aquilo... Eu fiquei tão desesperado, Regina. Não sei o que seria capaz de fazer se não tivesse me tirado daquele lugar.
–O que quer dizer?
–Machucaram meu filho... Eu não os perdoaria, Regina. Não naquele momento. Aquilo poderia virar um banho de sangue. Eu iria... — Ele ficou mudo, mas Regina sabia o que ele diria. Ele iria matá-la. Matar a mulher que machucara Roland. A matar como Regina tinha feito.
–Oh... — Ela suspirou, surpresa. Fora pior que um banho de sangue, ela pensou. Mas entendeu o que Robin quis dizer. Ela teve seu momento, ficara tão nervosa que começara um massacre em seu próprio castelo, mas depois tinha se arrependido. O mesmo aconteceria com Robin e ela ficou aliviada por ter o tirado de lá. Não queria que ele carregasse aquela culpa em suas costas, como ela estava fazendo agora. — Eu fiz estragos piores do que você conseguiria em uma vida inteira naquela noite.
–Você... Você a matou? — Ele perguntou, receoso, molhando os lábios com a língua.
–Não apenas ela.
Robin a olhou complacente e apertou sua cintura.
–O que mais me assusta é que eu teria feito o mesmo. — Ele confessou. -Se eu tivesse poder para isso, naquele momento, eu teria feito o mesmo.
–Não, Robin. Você é bom...
–Regina, é o meu filho. — Ele a interrompeu -Eu faria qualquer coisa se achasse que isso iria o proteger. Esse é o mau de todo pai... — Ele sorriu levemente e tocou a barriga de Regina. — Você vai entender.
–Eu acho que já entendo. — Ela o respondeu, pensando em Roland. Se alguém o machucasse uma segunda vez, ela faria a mesma coisa que fez em sua última noite no castelo? Ela não tinha resposta.
–As vezes, não fazemos as escolhas certas, ou, acabamos até mesmo machucando nossos filhos enquanto tudo que queremos é protegê-los. Mas nunca paramos de tentar os manter seguros a todo custo.
–Eu me arrependo tanto... -Ela confessou, baixando sua cabeça para não ter que encará-lo. Ela tinha vergonha de demonstrar tanta fraqueza, mas estava apenas sendo sincera.- Eu nunca tinha me sentindo assim antes. Com tanta raiva e depois tão...Eu só queria desfazer tudo o que tinha feito.
–Eu sei, eu já me senti dessa maneira. Todos nós já cometemos erros... Eu não queria que estivesse lá. Eu deveria estar do seu lado.
–Claro. — Ela riu. — Então poderíamos formar uma dupla de assassinos.
–Não foi o que eu quis dizer. — Sorriu, sabendo que ela estava fazendo piada. — Eu só... não queria que estivesse se sentindo da maneira que está agora. Quando eu disse que deveria fugir... Foi muito perigoso, Regina. Pra você e para o bebê. Eu deveria estar no seu lugar.
–Você morreria. — Ela disse simplesmente e ele sabia que era verdade. — Eu só pude vencê-los porque tenho magia.
Eles iriam matá-la, se pudessem. Por isso sentia vergonha de ter se arrependido.
Robin até poderia estar certo, ela poderia estar em perigo. Mas ela nunca vira sua magia tão negra quanto naquela noite... Ela parecia estar mais forte.
–Mas você não pode ficar estressada, de qualquer maneira. Ela pode sentir tudo o que você s ente. — Robin disse se lembrando de quando Marian estava grávida de Roland. — Falando nisso... Quando contaremos para seu pai? E Roland! Ele vai adorar saber disso.
–Henry também. — Ela fez uma careta. — Mas agora eu só queria um banho. Contamos amanhã, quando Roland acordar.
–Seu desejo é uma ordem, vossa majestade. — Robin sorriu, se abaixando para colocar um braço na dobra dos joelhos de Regina, fazendo a cair em seu colo. Ele a levantou sem dificuldades. — Para onde seu eterno servo deveria a levar?
–Você não é meu servo. Não mais. — Ela sussurrou, se aconchegando em seus braços. — Mas eu gostaria de ir até o lavabo, por favor. O do quarto de visitas... Não quero incomodar o sono de Roland.
–É só me mostrar o caminho. — Robin riu. Ele não era seu servo, mas ela certamente era sua dona. Ou pelo menos, dona do seu coração.
Ele seguiu pelo corredor largo, até encontrar o quarto onde Regina queria chegar. Era tão luxuoso quanto todos os outros cômodos da casa, mas não intimidante como o castelo dela.
Robin a depositou suavemente no chão e beijou seus cabelos escuros.
–Um banho, você disse? — Ele mordeu o lábio inferior e segurou as fitas que prendiam o casa co na cintura fina de Regina.
Ela apenas riu e concordou com a cabeça. Robin começou a despi-la, desamarrando a fita e despregando os botões lentamente.
Ele nunca iria se acostumar com a beleza de sua pele delicada e as curvas suaves de seu corpo. Ela era tão linda que as vezes ele sentia vontade de se ajoelhar e reverenciar. Ele nunca iria deixar de a ver como uma rainha.
O casaco caiu dos ombros de Regina e nada mais impedia o ladrão de ver seus seios macios, que se endureceram por estarem expostos a uma nova temperatura.
Robin gemeu baixinho, se amaldiçoando por não ter controle sobre seu corpo quando estava perto dela.
Regina o olhava com cuidado, mordendo o lábio. Ele sabia que ela adorava ver a reação que causava nele.
Robin se abaixou ate estar apoiado em seus joelhos, fazendo seu rosto ficar na altura do ventre de Regina. Ele a segurava delicadamente pela cintura, quando olhou para cima, para ela, que lhe dava um de seus sorrisos de arrancar o ar dos pulmões. Como ela poderia ser tão linda, ele nunca saberia. Voltando sua atenção para a barriga plana ele depositou um beijo na pele clara e macia.
Se os bebês podiam sentir tudo que suas mães sentiam no período da gravidez, sua pequena princesa poderia sentir isso também, Robin presumiu.
Ele não sabia quando tinha começado a pensar que o bebê fosse uma menina, mas agora a i deia estava tão fixa em sua mente que ele simplesmente não conseguia evitar de imaginar um a garotinha tão linda quanto a própria mãe, correndo com Roland em algum lugar bonito e ensolarado. Um lugar que viveriam juntos como uma família que já eram, felizes.
Regina segurou os cabelos claros se Robin delicadamente, se deliciando com os arrepios que sua barba causava ao entrar em contato com a pele sensível de sua barriga. Ela sentia os beij os queimar em sua pele, fazendo-a derreter sob si mesma, mole como manteiga. A destronad a rainha fechou os olhos, tocando sua pele onde Robin tinha acabado de depositar mais um beijo; seu ventre. Aquele lugar antes amaldiçoado que agora carregava um pequeno milagre.
Abrindo os olhos novamente, ela encontrou o tom de azul mais bonito que já vira em sua vida. Os olhos de Robin brilhavam em expectativa e um sorriso brincava em seus lábios finos.
–Estou ansioso por ela. — Ele sussurrou, roçando a ponta de seu nariz na barriga macia.
E Regina o amava. Regina o amava, assim como amava Roland e a mais nova vida que carregava em seu útero.
Ela o amava tanto que queria fugir para nunca ter a possibilidade de sofrer por aquele amor.
Ela o amava tanto que queria morrer porque seria a maneira menos dolorosa de garantir que nada machucasse Robin por culpa dela.
Ela o amava tanto que queria abraçá-lo até que seus corpos se fundissem só para nunca ter que deixá-lo.
Ela o amava tanto que chegava a doer e ela nunca tinha se sentido tão feliz por sentir tanta dor.
Regina perdeu o ar, se sentindo tão fraca e ao mesmo tempo tão forte.
Robin poderia matá-la.
Regina percebeu naquele momento que ele era o único que tinha aquele poder sobre ela e seus joelhos fraquejaram. Como poderiam ser seus braços tão seguros e tão perigosos? Como poderia ele ser tão maravilhoso e tão mortífero? Ele poderia reduzi-la a pó com apenas um olhar, se quisesse.
Porque ela o amava. O amava mais do que poderia dizer ou demonstrar.
E a felicidade em seu peito era tão grande que ela não iria se surpreender se seu coração explodisse naquele exato momento.
Regina se sentia conectada a Robin como nunca acontecera antes e ela se perguntou se o motivo disso era seu filho.
O filho deles, filho do amor entre almas gêmeas. Uma união tão forte e única quanto o verdadeiro amor. Uma magia tão rara que fora capaz que desviar a rainha má de seus planos sangrentos.
Os olhos dele transbordavam em amor e, ela sabia, ele pensava o mesmo que ela. A linha imaginária que Regina fantasiou mais cedo agora brilhava tão intensamente quanto nunca e ela se sentiu disposta a incendiar vilas inteiras e torturar milhares de almas novamente, se no final de tudo ela viveria aquele momento para sempre e a felicidade continuaria dilacerando seu peito como agora.
Ela se perguntou como apenas um olhar era capaz de causar aquelas reações em seu corpo, c omo o toque dela era capaz de aquecê-la tão rapidamente, como aquele sentimento abrasivo poderia caber dentro de si mesma...
Robin poderia matá-la. Ela tinha certeza disso.
Mas o último som que sairia de seus lábios seria um gemido de prazer e a último sentimento tomando conta de seu peito seria amor; puro e destruidor, contagiante e milagroso.
Ela o deixou despi-la e levá-la para o banho, desejando se sentir daquela maneira todos os dias de sua vida.
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