Fire Keeper
19 Capitulo 18 - Keeping A Child
Notas iniciais

Regina sentiu algo frio molhar sua testa, o que a fez acordar imediatamente. Depois que abriu os olhos, conseguiu avaliar a si mesma fisicamente, ela estava fraca e sua visão embaçada mal a deixava enxergar a mulher a sua frente. Não tinha certeza se lembrava do que tinha acontecido, mas ela sabia que não estava em sua cama antes de desmaiar.
–Vossa Majestade. — A senhora, por hora desconhecida, a chamou. Regina reparou que ela vestia uniformes de empregada e a região de pano que cobria sua barriga estava suja de algo amarelado. Ela cheirava a gordura e isso fez o estômago de Regina embrulhar.
–O que está fazendo em meu aposento? Sem minha autorização? — Ela se esforçou para parecer brava, quando na verdade apenas se sentia exausta.
–Me perdoe, Majestade. Mas precisava verificar se estava tudo bem com a senhora.
–Como assim?
–Está inconsciente a horas! Eu a encontrei desmaiada perto da penteadeira... Acho que a senhora bateu com a cabeça.
–Horas? Já é noite?
–Sim, tarde da noite! É perigoso ficar desmaiado por tanto tempo, sabe... Não é bom dormir depois de bater a cabeça. Eu já estou preparando uma sopa, com bastante legumes e carne, vai fazer você se sentir melhor.
–Não, eu estou sem fome. Não quero comer coisa alguma.
–Mas precisa, oras! Ficar sem se alimentar faz mal à criança, e a você mesma, claro...
–Que criança? Roland? Ele está aqui?
–Não, Roland já é um menino crescido! — A empregada riu-se e balançou a cabeça negativamente, fazendo Regina se sentir uma criança que diz algo errado e engraçado. — Estou falando da criança que carrega em seu ventre.
–Que... criança? — Regina olhou instintivamente para sua barriga. Ela ainda estava vestida em sua roupa de cavalgada, apenas seus sapatos tinham sido retirados, o resto continuava da mesma maneira. Seu ventre ainda era magro e retilíneo como sempre fora. Ela se perguntou se aquilo não era só mais um sonho, como pareceu quando viu Branca de Neve pelo espelho mais cedo naquele dia.
–Eu entendo que queira esconder, afinal o rei morreu a tempos! Mas não precisa ter medo, se você amar o pai dele... ou dela! Bem, se você amá-lo, nada mais importa.
–Você está dizendo que estou grávida? — Foi a vez de Regina rir, ela olhou para a senhora como se ela fosse uma criança tola.
–Sim, talvez de dois meses ou três. Os enjoos costumam aparecer nessa estagio. Eu sei porque pensei que estivesse fazendo algo errado com a comida, mas a senhora nunca reclamava do sabor! E agora esse desmaio... Bem, sei reconhecer uma gravidez quando vejo uma.
–Você é a cozinheira? — Regina percebeu que nunca tinha visto aquela senhora ou pelo menos, prestado atenção o suficiente para lembrar-se dela. Veio do castelo de Rei George?
–Oh, sim! E dei graças aos deuses por isso. Só eu sei o quão horrível aquele homem pode ser... Trabalhei em seu castelo desde moça. Aqui é infinitamente melhor...
–Melhor? — Regina perguntou incrédula e riu da pobre senhora. — Você não sabe meu apelido?
Rainha Má, sim, eu sei. Mas não foi isso que vi em meu tempo aqui.
–Qual é o seu nome?
–Clare.
–Bem, Clare. Sinto lhe dizer que está errada. Não posso estar grávida. Sou infértil.
–O que? Quem foi que lhe disse essa terrível mentira?
–Ninguém me disse, hmm, Clare. Eu sei porque eu fiz isso a mim mesma. Tomei uma poção... Bem, não tenho que te contar nada disso. — Regina jogou as pernas para fora da cama e se levantou. Clare, que estava sentada ao seu lado, acompanhou seu movimento e pegou a bacia de porcelana com água e o pano umedecido que usava para molhar o rosto de Regina.
–Claro que não, foi um abuso de minha parte, me desculpe. De todo jeito, recomendo que vá a um médico. Se não pode estar mesmo grávida, com certeza está com alguma doença... Estou falando apenas para seu bem.
–Hm, entendo. Eu gostaria que deixasse o quarto agora. Ah, e pode chamar Robin? Preciso muito vê-lo.
–Robin saiu com Roland. Ele me deixou um recado para passar para a senhora, por isso vim vê-la e ainda bem que vim, porque foi quando a encontrei caída no chão!
–Ele saiu... Você sabe porque? Qual é o maldito recado, afinal? — Regina perguntou sentindo sua garganta fechar. Lembrou-se da conversa que teve com Robin e de como ele ficou ao saber de tudo... Ela temia que ele tivesse partido para nunca mais voltar.
–É um bilhete... Aqui está ele. — A senhora equilibrou a bacia em apenas uma mão, para o pegar o papel que estava dobrado e guardado em um dos bolsos de seu avental. Regina o pegou ansiosa e leu as palavras escritas, ficando encantada com a caligrafia caprichada de Robin Hood.
“De volta a floresta para encontrar alguns Homens Felizes....Preciso de um pouco de ar fresco e Roland sente falta deles... Não me espere, ok? … Eu te amo.”
Regina apertou o bilhete contra o peito. Ela se sentia traída, por Robin não ter se dado ao trabalho de ir avisá-la pessoalmente. Mas ela sabia que ele se sentia da mesma maneira em relação a ela, então tentou se manter calma. Lágrimas salpicaram sua face, mas ela as limpou rapidamente.
–Está tudo bem?
–Você ainda está aqui? — Ela se virou brava para Clare, descontando seu nervosismo em relação a sua situação com Robin na pobre empregada.
–Me desculpe, eu já estava de saída... — A senhora a olhou assustada e Regina se arrependeu de seu modo de falar. De certa forma, Clare a lembrava de seu pai. Tinha os mesmos olhos caídos, com uma tristeza guardada no interior do olhar.
–Não, eu que me desculpo. Estou nervosa e descontando em você... Obrigada por ter cuidado de mim e vou fazer o que você disse, procurar um médico.
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Rumplestiltiskin era um homem — ou monstro- diariamente tentado. Belle estava sempre por perto, balançando suas saias enquanto rodopiava pelo salão, enchendo suas narinas com seu perfume de rosas quando vinha abraçá-lo pela manhã, o encantando com seus suspiros enquanto estava devorando um livro com os olhos... Ele queria beijá-la. Queria tocá-la até que não o restasse mais forças para fazer qualquer outra coisa.
Mas ele não podia.
Não quando um simples beijo seria capaz de reverter anos de maldição negra que formavam uma casca grossa em sua pele. Ele era amaldiçoado, e isso era preciso, no mundo em que viviam. Se ele não fosse o Senhor das Trevas, não seria capaz de dar a Belle a vida que ela merecia... Toda a riqueza, conforto e poder. Ela era a mulher mais protegida de todo o reino encantado. Ela era intocável, graças aos poderes de Rumple, e ele não queria abrir mão dessa segurança.
Mas ele sabia que tinha uma solução. Que resolveria não apenas esse problema, como todos os outros que o cercaram durante décadas. Ele sabia da existência de uma outra terra, onde a magia era escassa, onde ele poderia ser um homem comum, mas, ainda assim, poderoso. Onde seu filho estava. O útil nunca havia se juntado tão bem ao agradável.
Para chegar a esta terra, ele teria que lançar uma maldição. Ele mesmo não poderia fazer isso, já que o preço do feitiço era o coração da pessoa que ele mais amava. Em sua vida, ele amava apenas duas pessoas: Belle e Baelfire. Ele não estava disposto a abrir mão de nenhum dos dois, por isso logo soube que teria que encontrar alguém que fizesse aquilo por ele.
Regina.
Ela era a pessoa perfeita para isso. Todo o seu ódio e rancor contra Branca de Neve a faziam cega, Rumple sabia que ela era tola o suficiente para abrir mão de alguém que amava se fosse o preço pela vingança.
Ele tinha um certo reluto consigo mesmo, porque, por mais que fossem mais inimigos do que amigos, ele tinha certa afeição por Regina. Isso até ele descobrir o que ela tinha feito a Belle. Agora, ele estava apenas esperando o momento certo para induzir a Rainha a agir de acordo com seus desejos.
Ela iria lançar na Floresta Encantada uma maldição que os levaria para uma terra sem magia. Ele deixaria Regina moldar a história como bem entendesse, não tinha importância. Rumple estava apenas esperando pelo momento certo e ele sabia que esse momento estava próximo.
Rumplestiltiskin, eu invoco você.
Um sussurro em sua mente lhe tirou toda a linha de raciocínio. Sem perceber o que estava fazendo, se transportou para onde vinha o sussurro, assim como fazia todas as vezes que alguém o chamava. A última coisa que viu foi a expressão de confusão no rosto de Belle enquanto ele desaparecia.
–--
Regina andava ansiosa pelo quarto, enquanto esperava Rumple aparecer. Ela não confiava nele, mas quando o assunto era Branca de Neve ele sempre fora seu maior cúmplice. Não que ele estivesse do lado dela, ele apenas estava do seu próprio lado. Tudo o que Rumple fazia era porque o beneficiava de alguma forma, não importa com quem fosse o acordo. Ela esperava que ele pudesse ajudá-la no momento, mesmo nem ela mesmo sabendo com o que precisava de ajuda.
–Está tentando fazer um buraco no chão, querida? — Rumple surgiu na frente da Rainha, a encarando com desdém.
–Você demorou! Eu estou desesperada, Branca de Neve esta acordada.
–Oh, eu sei. Todo mundo sabe, creio eu. Aquela garota emana uma energia positiva que pode ser sentida a quilômetros. Descobriu só hoje, foi?
–Sim! Como pode? Eu prendi Charming na Floresta Perdida, era pra ele morrer naquele lugar.
–Eu o tirei de lá, tínhamos um acordo. — Ele disse com simplicidade, dando de ombros. Regina o encarou incrédula.
–Você... — A Rainha sentiu algo dentro de si ferver, uma mistura de raiva e animação. Ela não sabia se ficava brava ou feliz pela pequena “ajuda” de Rumple. — Me fez um favor. — Ela riu, lembrando-se de como estava a beira da loucura enquanto Branca estava supostamente morta. Ou talvez estivesse a beira da loucura agora. Ela não sabia, afinal.
–Querida, queridinha... Tem algo diferente em você. — Rumple a olhou subitamente, perdendo interesse nos frascos de perfume quais estava brincando antes. — Você está... visivelmente acabada, parece que tomou uma surra.- Ele riu. — Mas... Também está radiante.
O Senhor das Trevas se aproximou drasticamente da Rainha Má, podendo sentir a respiração quente dela batendo em seu rosto ofegantemente. Ele a encarou por um segundo, tentando descobrir o que estava diferente na mulher e por fim, abriu um largo sorriso.
–Parece que as coisas estão prestes a ficar ainda mais interessantes... — Ele sussurrou e tocou a barriga de Regina bruscamente, a empurrando. A Rainha bateu com as costas em algum móvel e iria lançar Rumplestiltiskin pelos ares, se sua curiosidade não combatesse sua raiva.
– O que quer dizer?
–Você não sabe, não é mesmo? — Ele riu. — Está grávida, Regina. Sabe o que é isso? Tem uma vida crescendo dentro de você. — Rumple fechou sua mão, torcendo o pano da roupa de Regina entre os dedos, desejando poder arrancar a pequena criatura que estava ali dentro com apenas esse movimento. — Isso muda tudo, Regina. Isso muda você.
Regina olhou para baixo. As garras escuras de Rumple ameaçavam rasgar seu casaco, mas ela estava mais preocupada em procurar algum indício de que por baixo de todos aqueles panos e camadas de pele estava sendo gerada uma vida.
–Eu não estou grávida, Rumple. Não posso estar. Você sabe que tomei uma poção para que isso nunca acontecesse.
–Por acaso você leu todos os efeitos colaterais ou as formas de quebrar o feitiço? Regina, você sempre foi tão tola! Nem mesmo a morte dura para sempre. Com certeza fez algo para reverter sua antiga situação. Mesmo que tenha feito sem saber...
–Como... Como isso pode acontecer? — Regina se afastou do aperto de Rumple e tocou seu ventre.
–Você precisa mesmo que eu te explique? — Ele riu, embora estivesse zangado. A gravidez de Regina atrapalharia todos os seus planos sobre a maldição. Ele teria que refazer tudo, teria que repensar suas estratégias... O ódio que sentia por ela agora era ainda maior. Ele sentiu vontade de a matar agora mesmo, a pegar pelo pescoço e apertar até que toda sua vida se esvaísse... Mas ele se controlou. — O mundo será cruel com essa criança, Regina. Agora mais do que nunca, você terá que se livrar de todos que se oponham a você. Você sabe... Eles não exitarão em tirá-la de você... Usá-la como barganha, matá-la para lhe causar dor... Ela não será nada mais que “filha da Rainha Má”... Uma criança com destino tão triste quanto o da própria mãe.
Regina escutou atentamente as palavras de Rumple e soube que ele estava certo. Mas ela estava disposta a nadar contra a correnteza... Não deixaria que um fruto seu tivesse uma vida tão infeliz quanto ela própria.
–Não pode ser assim...
–Ah, pode sim... A não ser que eu te ajude. Mas tudo tem seu momento. Por enquanto, cuide dessa criatura e de si mesma. Quando for a hora certa eu virei ao seu encontro. Porque não vai dar a Robin Hood as boas notícias, hein? — O Senhor das Trevas disse por fim, e sumiu em meio a fumaças negras.
Regina suspirou pesadamente e mesmo que se sentisse desesperada e assustada, um sorriso preencheu seus lábios. Ela se sentou na beirada da cama e acariciou a barriga, se perguntando se a criança seria tão bonita quanto Roland e já conseguir imaginar como seria quando a tivesse em seus braços.
Como Rumple tinha dito, aquilo mudava tudo. De um segundo para o outro, ela era muito mais que a temida Rainha Regina... Ela era uma mãe. E ela nunca tinha pensado que ser mãe poderia ser tão animador.
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