Fire Keeper

16 Capitulo 15 - An Apple Red As Blood


Notas iniciais
OLÁAAA! Fico muito feliz que tenham gostado do último capitulo, o bônus, muito obrigada por todo carinho.

Regina estava vestida em um de seus melhores vestidos. O tecido repleto de nuances de azul e roxo lhe apertava perfeitamente na cintura e quadril, caindo em uma saia pesada que lhe cobria até pés. A gola alta do vestido subia roxa até metade de sua cabeça, de maneira exagerada, porém bonita. Seu cabelo estava preso para cima, tão alto quando a gola arroxeada. Ela estava deslumbrante demais para alguém que estava prestes a cometer um assassinato, mas de fato, era o que ela queria; parecer imponente enquanto Branca de Neve caia a seus pés em um sono eterno.

A Rainha segurou uma maçã perfeitamente vermelha a frente de seu rosto; a maçã envenenada que, por muito tempo, Regina guardou para usá-la no momento certo. Haviam se passado algumas semanas desde que George a mandara uma mensagem, avisando que Branca iria até Charming. Ela não precisou de muita magia para descobrir quando e como Branca de Neve iria fazer isso. A antiga princesa invadiria o castelo de George naquela tarde, significando que o momento de Regina usar aquela maçã finalmente tinha chegado.

–Gina, você vai comer essa maçã? — A voz aguda de Roland soou como um alarme, tirando Regina de seus pensamentos. Ela o encarou conturbada, tinha se esquecido, por um momento, que agora ela tinha uma pequena criança curiosa a seguindo por onde quer que ela fosse.

–Não, está aqui é um presente para uma velha amiga. — Ela o respondeu simplesmente, guardando a maçã de volta em um pequeno saco de veludo negro.

–Você vai sair? — O pequeno fez uma nova pergunta, escalando pelo tecido de sua saia para subir ao seu colo. Regina prontamente envolveu o pequeno corpo de Roland em um abraço desajeitado, o acolhendo perto de si.

–Vou visitar o Rei George, pequeno.

–Mas você acabou de voltar de lá! — Ele protestou, cruzando os braços.

–Eu sei, mas aconteceu um imprevisto. Eu vou voltar antes que consiga sentir minha falta.

–Eu já estou sentindo sua falta. — O menino se mexeu no colo de Regina, se esforçado para poder olhá-la nos olhos. Ele ergueu sua pequena mão até tocar o rosto da Rainha, que curvou sua cabeça para aceitar o carinho do menino.

–Como uma criança tão bonita pode gostar de alguém como eu? — Ela se perguntou permitindo-se sorrir, e curvou-se delicadamente para frente, para poder roçar seu nariz no nariz de Roland, em um beijo de esquimó.

–Você é bonita também. — Ele deu de ombros, inocentemente.

–Não tanto quanto você. — Ela sorriu. — Mas, eu volto logo. Prometo. Enquanto eu estiver fora, você vai ficar aqui com seu pai... Tomando conta do castelo por mim, como um príncipe faria. Eu dei ordens a todos nesse castelo para que façam qualquer coisa que você quiser.

–Eles podem brincar comigo? Eu queria que aqui tivessem outras crianças...

–Você tinha amigos antes de vir para cá, Roland? — Ela perguntou preocupada. Nunca tinha passado em sua mente o fato de Roland ser a única criança naquele lugar e que ele poderia se sentir sozinho por isso.

–Não. Eu nunca tive amigos, era apenas papa e os Homens Bondosos.

–Isto é uma pena. — Regina se limitou a dizer, sabendo que por ser um protegido seu, Roland teria ainda mais dificuldades de encontrar crianças que quisessem ficar perto dele. Todos iriam o temer assim que soubessem que sua madrasta era a Rainha Má. — Mas... Eu sei de um lugar nesse castelo que você irá adorar. Tem muitos brinquedos.

Regina colocou o pequeno saco de veludo amarrado a sua cintura e levantou-se com menino em seu colo. Ele tinha um peso agradável para ela, tornando a tarefa de andar o carregando fácil. A Rainha saiu de seu quarto e seguiu pelos corredores de teto abobado até encontrar a outra extremidade do andar de dormitórios. Ela parou em frente a uma gloriosa porta de maneira pintada de branco, perfeitamente polida e ornamentada com relevos que formavam galhos com folhas e pássaros, como uma paisagem congelada em neve pura e branca.

Aquele quarto de Branca de Neve estava trancado a muito tempo; desde que a mesma tinha entrado na adolescência e perdido interesse em seus jogos e bonecas. Por algum motivo, Regina o mantivera intacto. Nunca teve coragem de voltar ali, nem mesmo para o destruir; mas agora ela tinha aberto uma exceção.

–Esse quarto pode ser seu por enquanto, Roland. Quando eu voltar, podemos o redecorar da maneira que preferir e colocar o que você quiser. Considere-o como um presente provisório.

Regina usou magia para desfazer a tranca da porta, revelando o interior do quarto.

O quarto era pintado de tons neutros e branco perolado. Montes de brinquedos estavam espalhados por estantes e baús de madeira. Roland rapidamente desceu do colo de Regina, para analisar o lugar.

–Eu nunca vi tantos brinquedos! — Ele gritou, correndo em direção a um cavalo de madeira que se balançava para frente e para trás. Roland montou no brinquedo e olhou para Regina, sorrindo abertamente.

–Um dia posso lhe ensinar a cavalgar em um cavalo de verdade. Você só precisa crescer mais um pouquinho. — Ela brincou. — Fico feliz que tenha gostado, pequeno. Infelizmente, está chegando minha hora de partir. Quer ir comigo encontrar o seu pai?

–Vou ficar aqui. — Ele disse, começando a balançar seu corpo freneticamente para fazer o cavalo se mover. Regina riu, e se abaixou ao seu lado para conseguir beijar seu rosto.

–Nós veremos em breve.

Regina deixou Roland no quarto e andou rapidamente pelos corredores em busca de Robin. Ela sabia que ele não gostara nem um pouco de saber o que aconteceria no castelo de Rei George, mas não tinha nada que Regina pudesse fazer para o acalmar quanto a isso. Ela não deixaria essa oportunidade passar.

A Rainha encontrou seu ladrão sentado em um parapeito de mármore, observando distraidamente o pátio do palácio. La embaixo, estava a árvore de Regina. Impotente e repleta de maçãs, mesmo o inverno e as tempestades rigorosas foram incapazes de destruir a macieira, que era protegida pela magia de Regina.

–Eu já estou indo. — Ela disse baixo, assim que se aproximou de Robin.

–Não mandou preparar nenhuma carruagem. — Ele observou, ainda sem a encarar.

–Não vou a cavalo dessa vez; levaria muito tempo. Irei com magia. — Ela o explicou, suspirando. — Robin... Eu não acredito que estou dizendo isso, mas, me desculpe. Me desculpe pela minha vingança contra Branca. Eu sei que não gosta disso, eu sei que não entende e provavelmente está com raiva agora, mas é algo que eu preciso fazer. Quando eu voltar, vai ser apenas nós e mais nada. Sem inimigos... Sem Branca.

–Você não tem que me pedir desculpas, Regina. — Ele riu, sem o menor humor. — Apenas... Volte logo pra mim, tudo bem? Eu já disse que não irei me meter nesse assunto.

–Vou voltar. — Ela sorriu fracamente, sentindo um peso se formar em seu estômago. Ela estava nervosa como se estivesse prestes a estrear uma grande peça de teatro. Regina abraçou Robin para buscar algum conforto.

–Eu te amo. — Ele sussurrou contra seu cabelo, a apertando fortemente. — Não se machuque.

–É claro que não. — Ela sorriu, convencida e o beijou em seguida.

–Eu tenho que dizer, você está assustadoramente linda. Linda como um demônio.

–Acho que isso é um elogio. — Regina sorriu. — Eu tenho que ir, está ficando tarde.

Regina afastou-se de Robin, dando-lhe um último olhar. O ladrão mandou um beijo no ar distraidamente, antes do corpo da Rainha ser envolvido por magia em forma de fumaça; num tom roxo que combinava com seu vestido.

A sensação já conhecida de perder sua forma e massa tomou conta de Regina. Ela parecia ser um sopro de vento no ar durante alguns segundos, até que seu corpo reapareceu no destino qual ela queria: o castelo de Rei George.

Magias fortes como teleporte sempre deixavam Regina um tanto fraca. Ela se segurou em uma das muretas do castelo, sentindo a tontura tomar conta de sua mente mais forte do que as últimas vezes. A rainha respirou profundamente o ar frio e tempestuoso do dia. Naquela parte do reino a neve já tinha se desfeito, sobrando apenas a temperatura baixa.

–Não é tempo para fraquezas, Regina. — Ela sussurrou para si mesma, colocando-se a andar.

Rapidamente, ela conseguiu entrar no castelo, no exato momento em que George fazia uma verdadeira cena. James Charming estava pronto para ter sua cabeça decapitada. Regina apenas revirou os olhos e transformou a lâmina que o mataria em água. Rei George gritou em frustração.

–Eu já não te disse que iremos usar o príncipe para destruir Branca?

–Esse mal agradecido me fez perder uma fortuna e agora a namoradinha dele está vindo enfrentar os meus guardas, ele merece a morte.

–Ele vai ganhar algo muito pior que isso. Não se preocupe, George. Eu irei recompensá-lo, te darei o dobro do valor que Midas te ofereceu. Tudo que precisa fazer é deixar Charming comigo e me ajudar a pegar Branca de Neve.

–Oh... Entendo. — George sorriu presunçoso, fazendo Regina revirar os olhos mais uma vez. A rainha olhou para Charming, que continuava preso na mesma posição, Regina levantou uma de suas mãos como quem afasta um mosquito, fazendo Charming sumir.

–Branca virá quando a noite cair. Temos de estar preparados. — Regina gritou, para que todos a ouvissem, mas seu plano não envolvia mais ninguém além dela e Branca. A luta que os cavaleiros do castelo enfrentariam seria apenas um contratempo, pois no final, seria apenas ela e sua enteada.

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Todo o plano tinha corrido da maneira que Branca planejara. Pelo menos até aquele momento. Ela tinha conseguido entrar no subterrâneo do castelo, encontrando a cela em que Charming estava, ou onde ele deveria estar. Ela conteve sua alegria assim que entrou pelas grades de ferro, suspirando profundamente enquanto sua mente processava o que tinha acontecido. James não estava ali. Em seu lugar tinha um espelho que ia quase até o teto, exibindo o reflexo do príncipe; intocável e distante.

–Não... Não. — Ela choramingou, tocando as bordas do espelho, desejando que aquilo fosse apenas uma ilusão passageira.

–A rainha me levou para seu castelo. — James sussurrou.

–Mas eu vim resgatá-lo.

–Branca... — Ele disse em um riso fraco, levantando a mão para tocar o espelho.

–Nossa vida sempre vai ser assim? Nos revezando para encontrar um ao outro?

–Nós vamos ficar juntos, tenha fé.

Branca não o respondeu, apenas o encarou por vários segundos, segurando-se para não chorar. Precisava ser forte, por eles.

De uma hora para outra, a imagem no espelho se desfez, transformando-se em sua madrasta. Bonita e divertida, Regina surgiu no espelho, gargalhando. Branca deu um pulo para trás.

–Me desculpe, tive que interrompê-los.

–Deixe ele ir. Sua luta é comigo.

–Roubou as palavras de minha boca. Sabe o que é “parlamentar”? Interrompemos essa briga suja e temos uma pequena conversa séria. Apenas eu e você. Venha desarmada.

–Onde eu te encontro? — Branca disse, com sua voz fraca. Ela se sentia vencida

–Onde tudo começou. — Regina disse de maneira firme e definitiva, sumindo do espelho. Branca encarou seu próprio reflexo, finalmente deixando as lágrimas escorrem por seu rosto.

Ela iria encontrar Regina, para finalmente acabar com tudo aquilo. Estava farta de ver pessoas sofrendo e morrendo por ela. Farta de ser um peso, um perigo para as pessoas que a amavam. Ela limpou as lágrimas com as costas de sua mão e suspirou, prendendo o choro.

Branca deu meia volta, caminhando lentamente pelos corredores escuros formados por pedras. O castelo estava tomado, de forma que ela não precisava se preocupar com guardas querendo capturá-la. O Rei George fora exilado e seus guardas expulsos. Branca sentia que todo o esforço fora para nada, porque a única coisa que ela queria estava bem longe dali.

Quando chegou a superfície do castelo, Branca contou o que faria para seus fiéis amigos. Ela se desarmou completamente, enquanto rebatia aos pedidos de Zangado. Dessa vez, ela não iria desistir. Ela faria o que seria certo.

–Chega de deixar pessoas se ferirem por algo que é entre mim e Regina. Obrigada pela ajuda... Eu amo cada um de vocês, mas isso é algo que eu preciso fazer. — Ela disse por fim, pondo-se a andar antes que qualquer um deles conseguisse mudar sua decisão.

–--

Regina andava pelos estábulos vazios. Um sentimento nostálgico tomava conta de seu ser, enquanto ela lutava contra sua vontade de chorar. Daniel parecia estar presente em cada canto daquele lugar. Ela segurava suas mãos a frente do corpo, mexendo na aliança que tinha ganho de seu primeiro amor. Daniel... Sua mente sussurrava com um sopro quente de uma brisa de verão.

–Regina. — A voz de Branca a despertou de seus pensamentos. Regina inspirou pesadamente e se virou na direção da voz.

–Me siga.

Segurando o tecido do seu vestido para que ele não arrastasse no chão, Regina caminhou para onde ela tinha conhecido Branca. Onde tudo começou.

–Se lembra de quando salvei sua vida, Branca?

–É claro... Tudo ainda parece o mesmo.

–Não tudo. — Regina mostrou a Branca uma pedra de mármore que formava uma bonita lapide. — Isso é o túmulo de Daniel.

–Daniel...? Mas eu pensei que ele tivesse fugido.

–Eu menti pra você. Para te poupar da culpa... Foi bondade minha. Mas ele morreu por sua causa.

–Eu... Eu sinto muito.

–Eu também. Mas nada muda o que aconteceu. Suas desculpas não trarão Daniel de volta. Você prometeu guardar meu segredo... Mas você mentiu.

–Eu era tão jovem... Sua mãe, ela...

–Ela arrancou o coração dele! Por sua causa. Porque você não me ouviu.

–Você matou o meu pai. Já não sofremos o bastante?

–Não. — Regina disse rapidamente. A Rainha pegou o pequeno embrulho que carregava preso a sua cintura, revelando seu conteúdo para Branca. — Sabia que maçãs representam saúde e sabedoria?

–Então porque eu sinto que esta irá me matar?

–Não vai te matar, querida... Vai fazer algo muito pior.

–Você vai me forçar a comê-la. — Branca disse convicta, balançando sua cabeça em negação, como se pudesse mudar a realidade.

–Não irei te forçar... Ela só ira funcionar se você comê-la por vontade própria. E você irá. Porque se não o fizer, o seu príncipe... O seu Charming... Será morto.

–Não...

–Experimente saber.

–Eu como essa maçã e ele vive? Este é o acordo? — Branca perguntou com sua voz embargada pelo choro. Ela não tinha ido a aquele encontro com o intuito de morrer, mas preferia isso a ter que suportar viver sem James.

–Exatamente.

–Então, parabéns. Você ganhou. — Branca tomou a maçã da mão de Regina, pensando apenas em salvar o amor de sua vida. Ela levou a fruta a boca e deu uma mordida, enquanto Regina a encarava estupefata.

Branca engasgou-se lentamente, quando o veneno a atingiu. Sua respiração se tornou escassa e ânsias de vômito quase a fizeram colocar a maçã para fora, mas ela caiu em um sono profundo antes que seu corpo pudesse ter qualquer outra reação.

Regina sentiu o ar frio enxerem seus pulmões como se fossem uma nova dose de vida. Branca de Neve estava caída aos seus pés, presa em seu próprio corpo, em uma escuridão profunda e impenetrável. Ela tinha conseguido, finalmente. O sentimento de vitória tomou conta de suas veias, fazendo-a rir para o nada.

A Rainha abaixou-se até que estivesse ao nível da lápide de Daniel. Delicadamente, ela depositou um beijo na pedra fria e escura. Você está vingado, meu amor...