Fire Keeper
13 Capitulo 13 - Beautiful As Belle
Notas iniciais

Regina não costumava ser piedosa. Mas quando Robin a olhou escandalizado por seu sistema de cobrança de impostos, ela tentou conter-se, reduzindo pela metade os tributos que os habitantes de seu reino deveriam pagar. Ela também não costumava ser persuasível. Mas quando Roland a sorria com suas bochechas marcadas por profundas covinhas, ela não resistia em fazer o que quer que fosse que ele quisesse. Pensar nos dois fazia com que o coração da rainha se aquecesse de uma maneira agradável demais para que ela conseguisse manter isso para si mesma. Sorrisos e suspiros escapavam pelos lábios de Regina a todo momento. A felicidade que em momentos anteriores parecia ser uma magia inalcançável para Regina, agora estava sendo sugada por seu corpo como água em terra seca.
Ela odiava ter que admitir que estava feliz. Ele queria tanto a felicidade, mas parecia trair duas pessoas a cada sorriso que dava. As duas pessoas, eram ela mesma e seu falecido amor Daniel. A algum tempo atrás, ela tinha certeza de que para ser feliz, precisava destruir a felicidade de Branca de Neve a todo custo. Mas quando estava com Robin e Roland, mal se lembrava de quem ela era ou o que a trouxe até aqui. Com os dois, ela não precisava ter muros ou máscaras, ela apenas agia como... Regina.
Um dia, ela jurou que vingaria a morte de seu amor. E era isso que a manteve viva durante tantos anos; a esperança de que um dia, conseguiria ver Branca de Neve terminar de forma tão trágica quanto ela e Daniel. Isso era tudo que ela tinha, até Robin aparecer. No fundo, Regina sabia o que estava acontecendo, mas preferia deixar seu orgulho falar mais alto. Isso significava que Branca continuaria sendo seu alvo. Mas agora, ela tinha mais duas pessoas para se preocupar.
–...Pois desde a primeira vez que a vira, sentira algo diferente. Como se a voz do destino sussurrasse em seu ouvido, que os dois estavam destinados a ficarem juntos. Porque ela era sua alma gêmea. — Regina lia com a voz suave, olhando para Roland ao fim de cada frase para ter certeza de que ele estava entendendo. Romance não era o tipo de livro que Regina gostava de ler, mas Roland tinha insistido, então ela concordou em ler para ele, mesmo o livro sendo avançado demais para a pouca idade do menino. Robin se permitiu sentar bem próximo de Regina, enquanto os olhava com um sorriso no rosto, apreciando a voz da rainha, embora não prestasse atenção no que acontecia na história.
–O que é uma alma gêmea? — Roland perguntou, como fazia a cada termo não conhecido que ele ouvia. Regina sorria a cada pergunta e respondia da melhor maneira possível, mas está tinha a pego desprevenida. A única ligação com “alma gêmea” que ela encontrava em sua mente era “Robin Hood”. Mas que significado isso tinha? Regina nunca tinha parado para realmente pensar sobre aquilo, tudo o que ela sabia, era que Robin era sua alma gêmea e estavam destinados a ficarem juntos. A rainha saiu de seus devaneios, e encarou seu suposto destino. Robin a olhava com curiosidade, assim como Roland, e isso fez ela sorrir. Com algumas falhas em sua voz, Regina tentou descrever o que Robin Hood tinha sido para ela no último mês e o que ela se lembrava que uma alma gêmea deveria ser.
–Uma alma gêmea... Bem, é como um melhor amigo, mas... É mais que isso. É alguém que te faz uma pessoa melhor. Porque ela te inspira. É a pessoa que te conhece e te aceita, até mesmo quando ninguém mais o faz. Ela acredita em você mesmo que ninguém acredite. E não importa o que aconteça, ela vai sempre te amar. E nada nunca poderá mudar isso. Nem mesmo o tempo ou a distância... Porque ela é a pessoa com quem você está destinada a ficar, pela eternidade. -As palavras saiam pela boca de Regina, antes que ela pudesse contê-las. Por fim, ela suspirou. — Não importa quem você seja ou o que você pense ou como você aja...
–Eu tenho uma alma gêmea? — Roland a interrompeu, olhando-a boquiaberto, o que fez com que Regina risse.
–É um pouco cedo pra você pensar sobre isso. — Robin se manifestou pela primeira vez, rindo da pergunta se seu filho. Ele se aconchegou mais perto de Regina, ficando feliz ao sentir o calor do corpo da rainha o aquecendo. Roland, que estava em seu colo, não parecia se incomodar com a proximidade dos dois.
–Mas você tem, sim. Todos nós temos. — Regina concluiu. — Embora não seja fácil encontrá-la.
–Você já encontrou a sua, Gina?
–Encontrei... Na verdade, uma fada o encontrou para mim, mas eu o perdi no mesmo instante... E depois, foi ele quem me encontrou. — Regina disse, dando de ombros. Ela se lembrou que a uns dias atrás, estava pensando em contar para Robin a história dos dois, que ele não conhecia; mas tinha acabado se esquecendo depois do incidente com Branca de Neve. Robin pigarreou.
–Eu nunca soube disso. — O ladrão disse com as sobrancelhas arqueadas, olhando com os olhos semicerrados para Regina, que apenas deu de ombros outra vez. — Porque não nos conta mais sobre sua... “alma gêmea”?
–Com grande prazer. — Ela riu, vendo que Robin estava enciumado. — Bem... Vou te contar uma outra história Roland, vamos deixar essa aqui um pouco de lado. — Ela disse, fechando o livro que antes lia. — Um dia...
–Era uma vez... — Roland disse com sua voz doce, olhando Regina com alarde.
–Ah, é claro. Todas as histórias começam com “Era uma vez”, quase me esqueci. — Ela riu. — Era uma vez, uma rainha de te povo nenhum. Ela era casada com um rei muito bondoso, mas que não a amava, e nem mesmo gostava de estar a seu lado. Essa rainha passou longos dias de solidão presa em seu próprio castelo, pensando que nunca poderia ser feliz ou amada... Até que uma fada, chamada Tinker Bell, quis livrar a rainha do futuro obscuro que teria caso continuasse em meio aquela tristeza. Tinker prometeu a rainha que poderia encontrar sua alma gêmea, para cumprir sua promessa, ela roubou um poderoso pó mágico das fadas e o encantou de maneira que apontasse para a felicidade da rainha. — Roland olhava atento, Regina se perguntava se ele já sabia que a história era sobre ela mesma. — Como prometido, o pó levou a rainha até sua felicidade, sua alma gêmea... Ela o viu em uma taberna imunda que estava longe de se parecer com qualquer coisa que estivesse acostumada a frequentar durante toda sua vida. Durante os poucos segundos que o olhou, tudo que pode perceber foi seu cabelo cor de caramelo e sua tatuagem de leão, que ficava em seu pulso. Sua alma gêmea estava a alguns metros, mas tudo que a rainha conseguiu sentir, foi medo. Por isso, ela fugiu.
–Não! — Roland exclamou, surpreso.
–Foi o que ela fez. — Regina continuou, e olhou para Robin, sorrindo timidamente. O ladrão a encarava boquiaberto, ao contrário de Roland, ele tinha percebido de quem a história se tratava. Quando Robin fez menção em falar, Regina o interrompeu. — Mas esse não é o fim da história. Muitos anos depois desse ocorrido, a rainha tinha se transformado em outra pessoa. Ela já não pensava em sua alma gêmea, pois sua mente estava tomada por outros assuntos, que lhes eram mais importantes no momento. Finalmente ela tinha se tornado rainha de um povo, a rainha mais temida e respeitada de todas as terras. Ninguém deveria se opor essa rainha ou tentar um atentado a ela, ou seria cruelmente castigado. Por todo o reino, ela era conhecida como a “Rainha Má”. — Regina parou por um momento, quando Roland parecia perceber que a história falava dela mesma “Essa é você!” ela o ouviu exclamar, antes de continuar a falar. — Mesmo com toda sua fama, alguns mal avisados tentaram a sorte ao invadirem o castelo da rainha. De todo o bando de ladrões, o chefe deles é quem foi capturado. Um belo golpe do destino. Como deveria saber, por ter feito tal atentado, ele seria morto, para servir de aviso aos outros que tentassem algo parecido. Mas no momento de sua execução, algo em seu pulso pegou a rainha de surpresa. Uma tatuagem de leão idêntica a que ela tinha visto no pulso de sua alma gêmea a anos antes. Ela mal conseguia respirar... Tudo que ela pode fazer foi correr para ele e o tirar do fogo que o mataria. Nesse momento. ela descobriu que aquele ladrão, qual ela quase matara, era sua alma gêmea. Robin Hood era o homem com a tatuagem de leão, o homem da taberna. Por isso ela salvou sua vida e cuidou dele para que todos seus ferimentos ficassem curados. E alguns acontecimentos mais tarde, um menino que gosta muito de chocolate apareceu misteriosamente no castelo da rainha, a seguindo por todos os lados e a chamando de 'Gina. — Dessa vez, Regina falou olhando diretamente para Roland, com um sorriso no canto. Ela apertou a ponta de seu nariz como costumava fazer e o menino riu divertido.
–A rainha era você! E o ladrão, era o papai. E o menino, sou eu. — Ele disse, apontando o dedo para si mesmo. -Então, papa é sua alma gêmea!
–E você é um menino esperto. — Regina disse. Ela se permitiu olhar para Robin, tentando ler a expressão gravada em seu rosto. Ela nunca tinha planejado uma maneira de dizer aquilo a Robin, nem mesmo previsto como seria sua reação, e o silêncio que prosseguiu a deixou um tanto frustrada.
–Isso é um conto de fadas? — Robin perguntou, por fim. O ladrão sentia fagulhas por todo o corpo, como se pequenas bombas estivessem a estourar sobre sua pele. Para ele, tudo que Regina tinha dito explicava muita coisa. Como a maneira que ele se sentia estranhamente ligado a ela e como ela fazia ele se sentir. Mas por outro lado, parecia bom demais para ser verdade e ele não sabia porque ela não tinha dito isso a ele desde o primeiro momento. Mesmo sabendo que ela não inventaria uma história assim, não pode conter sua pergunta.
–São os contos de fadas que sempre tem finais felizes, não é? Então, espero que seja. — Ela respondeu simplesmente.
Robin sorriu genuinamente. Ele queria fazer mil perguntas para Regina, mas primeiro, sentiu a necessidade de beijá-la. Ele esticou-se da melhor maneira que pode, já que Roland estava em seu colo, e beijou os lábios vermelhos de Regina calmamente. Sendo ela sua alma gêmea ou não, Robin estava apaixonado. O sentimento puro e avassalador parecia o puxar como um ímã, forte demais para que Robin conseguisse pensar na possibilidade de não se entregar. Ele nunca pensou que, de uma hora para outra, poderia se apegar tanto a uma pessoa como tinha se apegado a Regina.
–Mas... — Roland falou pensativo, enquanto via de perto Regina ser beijada por seu pai. -Alma gêmea também é namorada?
–Apenas se ela quiser ser. — Robin disse, enquanto se afastava de Regina.
–Isso é um pedido? — Regina riu. — Esperava mais de você, Robin Hood.
–Oh, pensei que trocar tudo que eu pensava ser minha felicidade por você já fosse o suficiente.
–Talvez você não me conheça tanto assim. — Regina disse. Embora trocassem farpas, ambos sorriam divertidos. Roland se esgueirou pelo colo do pai, para chegar ao colo de Regina, olhando-a complacente.
–Gina, se você namorar com o papa, você vai ser a minha mãe?
Regina já tinha passado por isso a anos atrás, com Branca. A diferença é que agora, ela gostava verdadeiramente de Roland e Robin. A pergunta do menino a deixou sem ar. Ela, obviamente, já tinha pensado na possibilidade de ser mãe. Quando Daniel era vivo, tudo que ela queria era ter uma família com ele. Essa ideia já não se passava por sua cabeça a muito tempo. Mas vendo Roland a olhar esperançoso, ela ficou sem linha de pensamento.
–Mais ou menos isso. — Ela disse lentamente, sem querer decepcioná-lo.
–Então vocês podem namorar.
–Obrigada por aceitar, Roland. Mas seu pai já perdeu a chance dele por hoje, ele pode tentar um novo pedido amanhã. — Regina deu de ombros, olhando para Robin com diversão.
–Espere sentada, milady. — Robin concluiu, mas beijou-a logo em seguida.
Embora brincasse distraidamente com Regina, Robin de fato pensava em uma maneira de oficializar o que eles sentiam um pelo outro. Mas tudo que ele pensava, parecia ser pouco demais em frente a sublimidade da rainha. No momento, a única certeza que ele tinha era de que não se arrependia da escolha que tinha tomado para ficar ao lado de Regina.
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Na torre mais alta do Castelo Negro, o frio conseguira fazer uma fina camada de gelo se formar pelas paredes, assim como no ferro frio das correntes que prendiam Belle. A princesa maltrapida se esforçava para marcar uma contagem na parede, mas suas mãos doíam por causa do frio e a pedra estava escorregadia demais para que ela conseguisse.
De acordo com os traços marcados na parede que ela mesma fizera, deveria estar naquela cela há dois invernos; e em algum dia desde que o inverno começara, ela tinha completado vinte de quatro anos e isso significava que faziam quatro anos desde a última vez que vira seu pai e um poco mais de dois, desde a última vez que virá Rumplestiltiskin. Estar longe das duas pessoas que Belle mais amava e presa naquele lugar, estava quase a enlouquecendo.
Belle olhou para a pedra que segurava em suas mãos, sentindo lágrimas de frustração se formarem em seus olhos.
–Porque você não funciona, sua pedra idiota? — Ela perguntou para o nada, com a voz embargada pelo choro. Tudo que ela queria no momento, era conseguir marcar mais um risco na parede, que significaria mais um dia que ela estava presa naquela torre.
A princesa deixou o peso de seu corpo cair na cama. Ela segurava a pedra fortemente, não se importando com os ferimentos que isso estava causando em sua mão. Enquanto mantinha sua cabeça baixa, deixando suas lágrimas escorrerem, Belle ouviu barulhos graves vindos pelo lado de fora da cela.
–A bruxa veio me visitar... — Ela sussurrou para si mesma, com o ódio que sentia por Regina crescer dentro de si. Ela não se mexeu, enquanto ouvia a porta se abrir.
Quando Belle finalmente levantou seu olhar, um cavaleiro negro estava parado perto da perto, olhando-a maliciosamente. Pela primeira vez, a princesa desejou que fosse realmente Regina.
–Quando a rainha me deu instruções para não vir a essa torre, eu pensei que ela poderia esconder ouro ou magias aqui... — Ele disse de maneira calma, enquanto trancava a porta, e depois de o fazer, colocou o molho de chaves pendurado em seu cinto. — Mas você é melhor que qualquer riqueza.
–Quem é você? Só podes ser um trouxa para desacatar as ordens da rainha. — Belle disse, enquanto olhava-o diretamente em seus olhos verdes, tentando permanecer calma. Ela se odiou por chorar por causa da maldita pedra, pois o cavaleiro logicamente poderia pensar que o motivo era ele. Diferente da maioria dos cavaleiros de Regina, este não estava de elmo, o que permitia para Belle gravar cada canto de seu rosto.
–Sou a nova frente no exército da rainha, o novo chefe dos cavaleiros. Sinta-se honrada por isso, gracinha.
Em um rápido movimento, o cavaleiro se jogou para frente, forçando Belle a se deitar na cama. A princesa grunhiu com o movimento, rapidamente sentindo-se incapaz de se mover debaixo do corpo do cavaleiro. O homem dava beijos insistentes pelo pescoço da princesa, tentando mantê-la quieta.
–Me solte, seu imundo! — Belle se esforçava para gritar, embora o ar de seus pulmões parecessem escassos.
–Não lute, gracinha, e vai ser mais fácil para você. — O homem sussurrou em seu ouvido, o que só fez a raiva da princesa crescer.
Pensando em algo para se livrar do cavaleiro, Belle decidiu parar de se mover, dando a ele a ideia de que ela tinha desistido de tentar fugir. Ela se manteve quieta, enquanto ele se ocupava de descer seus beijos por seu busto.
–Isso mesmo. — Ele sussurrou de novo, e mordeu o seio de Belle por cima do tecido grosso de seu vestido azul. — Quietinha.
Aproveitando o momento de distração do cavaleiro, Belle ergueu a mão em que empunhava a pedra, acertando-o fortemente na cabeça. O grito de dor do homem fez o estômago da princesa revirar e mais lágrimas saltarem para fora de seus olhos, mas ela continuou o acertando até que teve certeza de que estava desacordado.
Belle empurrou o corpo desfalecido para o chão e rapidamente foi para perto dele, pressionando dois dedos em seu pescoço para medir sua pulsação.
–Vivo. -Ela suspirou aliviada. Aquilo era certamente o tipo de coisa qual nunca planejara fazer em sua vida, mas ela tentava convencer-se de que o homem merecia pois o que pretendia fazer a ela era muito pior.
Enquanto encarava o corpo do homem, algo a chamou atenção. Um molho de chaves estava preso ao cinto de couro escuro que o cavaleiro vestia. Entre aquelas chaves, estava a que abria a porta de sua cela. Belle pegou as chaves com cuidado, e encarou-as contra a luz.
–Parece que este é meu último dia nesse castelo.
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