Fire Keeper

14 Capitulo 14 - Smells Like Forest


Notas iniciais
Me matem se quiser, eu aceito numa boa. MUITO OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS NO ÚLTIMO CAPITULO ♥ Bem, um capítulo pequeno, mas que eu quis muito deixar assim mesmo porque está um tanto ~misterioso~... Tem uma grande luta vindo, e aposto que já sabem qual é. Esse capitulo é importante, pois possui os vários lados da história, e todos eles agora apontam para uma mesma direção (indiretamente). Me desculpem a demora. Em itálico são pensamentos. Queria muito conhecer vocês... Caso também queiram conversar comigo, avisem nos comentários que passo meu número por MP. Amo vcs, xoxo.

Belle nunca tinha pensado muito sobre seu tamanho. Mas ao ter que vestir as roupas do cavaleiro desmaiado para disfarçar-se, ela percebeu que era demasiadamente pequena. O cheiro de álcool e suor que as roupas tinham enxiam suas narinas a ponto de deixá-la enjoada, mas no momento ela não tinha escolha. Assim que estava vestida, Belle pegou o monte de chaves, e pôs se a procurar a que abriria a porta de sua prisão; com certa dificuldade, ela conseguiu encontrar. A porta se abriu em um barulho estridente e agoniante, que fez Belle encolher; ela espiou rapidamente o lado de fora antes de colocar o elmo negro e pesado. Dando um último olhar para o corpo desmaiado do seu abusador caído ao chão, Belle fechou a porta, trancando-a por fora. Com seu coração batendo tão forte a ponto de doer, a princesa começou seu caminho para fora daquele castelo.

Ela sentia sua mãos suarem frio enquanto descia as escadas estreitas e espirais da torre. Considerando que ela estava pensando que aquele dia era o de mais sorte em toda sua vida, ela não ficou surpresa quando conseguiu chegar ao fim da escada sem encontrar ninguém. Perguntou-se o quão ridícula ela deveria estar parecendo naquele monte de roupas largas e desconfortáveis; com certeza um nível extremo do ridículo. Ela decidiu tentar dar um jeito em si mesma, fazendo quatro dobras no cós da calça, de modo que ela não ficava arrastando no chão, e finalizou com um pequeno nó ao lado de sua cintura. Com a blusa e a armadura de pequenas ligas de ferro ela não conseguira fazer muita coisa, só resto-lhe torcer para que ninguém reparasse nela.

Voltando ao seu ritmo inicial, Belle já se encontrava em andares povoados do castelo. Ela tentou manter o passo firme e a cabeça erguida, enquanto esbarrava em um doméstico ou outro. Felizmente, esses nem mesmo olhavam em sua direção, o que a faz se sentir mais confiante.

Ela pensou em magia e em como seria fácil para alguém como Rumplestiltiskin sair de um lugar como aquele, simplesmente transferindo seu corpo como fumaça pelo ar.

–Rumplestiltiskin...– Ela disse baixo enquanto se lembrava do homem que amava, sentindo a palavra formigar em sua boca. — Estou indo para você.

–--

Regina tinha braços fortes e protetores ao redor de sua cintura. Ela levantou seu rosto até encontrar o pescoço quente de Robin e ali depositou um beijo calmo, se concentrando em inalar o cheiro de pinheiros, terra e chuva que sempre estava presente no corpo do ladrão. Ela sorriu com o pensamento e percebeu o quanto o aroma das pessoas quais ela amava sempre a acalmaram... Seu pai e Roland com cheiro de chocolate, sua mãe com cheiro de água de rosas, Daniel com cheiro do couro que selava os cavalos, e finalmente Robin, com seu cheiro de floresta.

–Qual o motivo do sorriso, milady? — Robin perguntou com a voz muito baixa. Ele temia que qualquer ruído alto demais fosse capaz de estragar o momento em que estavam.

Ele observou maravilhado a maneira que a luz singela da lua iluminava a pele de Regina, deixando seu rosto com um brilho angelical. Ele adorava quando ela estava com o rosto livre de tinturas, possibilitando que ele visse sua beleza de forma mais pura. Ele devolveu o sorriso que ela lhe lançava, pois era fácil demais sorrir quando estava perto dela. Um vento frio saiu pela grande janela que observavam, fazendo Robin apertar mais seus braços em torno da rainha.

–Você tem cheiro de floresta.

–Ah! — Ele riu, surpreso. — Espero que isso não te incomode.

–Não, eu gosto. Me acalma. — Ela confessou, sem o olhar nos olhos. Robin respondeu afundando seu rosto nos cabelos de Regina, já sabendo que ali encontraria seu cheiro de maçãs; uma mistura harmoniosa entre o doce e o ácido, justamente como a personalidade de Regina era.

–Você estava falando sério mais cedo? Sobre eu ter perdido minha chance? — O ladrão perguntou depois de um tempo de silêncio, com sua voz saindo abafada pelos cabelos escuros de Regina.

–Eu não estava falando sério... Mas isso não é realmente importante. Me chamar de namorada ou esposa... É apenas um título.

–Acho que somos mais que namorados, mas ainda assim, eu gostaria de oficializar o que temos de algum modo.

–Não podemos anunciar isso ao público...

–Shh, não estou pretendendo fazer isso. — Robin girou-a pela cintura, fazendo com que seus olhos se encontrassem. — Ninguém precisa saber... Só nós e Roland.

–Roland... Ele nos aceitou melhor do que eu esperava, pensei que talvez não gostasse da ideia. Por causa da mãe dele.

–A verdade é que, Roland não pode conhecê-la tão bem. Ela morreu antes que dele completar um ano.

–Eu sinto muito... — Regina disse, e de fato, ela sentia; por Roland. A rainha mordeu a língua, arrependida de ter tocado no assunto.

–Não sinta... Está tudo bem agora.

Regina apenas o beijou. Infelizmente, ela tinha mais experiência com perdas do que gostaria de ter, e de certa forma, ela conseguia entender o que ele sentia e saber que não estava tudo bem. A dor mesmo que se abrangesse, nunca passava. E mesmo que raramente compreendesse a dor dos outros, com Robin era simplesmente diferente. Ela queria abraçá-lo até conseguir absorver toda a dor para si mesma, livrando-o da sofrência. Mas ela não podia, não enquanto tinha seus próprios demônios para lidar.

–Se quer tornar isso oficial, terá que pedir ao meu pai primeiro. — Ela disse quando separou seus lábios dos deles, deixando um pequeno sorriso divertido brotar em sua face.

–Você tem um pai? Quero dizer, ele está vivo? Porque não está aqui, com você? Esse castelo é imenso!

–Por escolha dele mesmo... Acho que estava cansado de lidar com os problemas reais e partiu-se para nossa antiga casa; ele vive sozinho agora, mas vai adorar se formos vê-lo... Tenho certeza que ele se dará bem com Roland. — Regina deixou a animação transparecer em sua voz, feliz por poder incluir seu pai naquele pequeno círculo de amor que agora ela pertencia. Imaginou que ele ficaria feliz por ela. — Ele vai amar te conhecer. Tenho certeza.

–Se é assim... Quando iremos?

–Logo. — Ela sorriu mais abertamente. — Não quero deixar o castelo por enquanto, não com essas novas pessoas aqui... Não confio neles ainda.

Eu entendo, Regina. — Ele respondeu-a complacente.

–Apenas cinco pessoas me chamam pelo meu nome. -Ela observou, perdendo o foco de seu olhar. — Meu pai, Roland, Rumplestiltiskin, você e Branca de Neve. O resto prefere “Rainha Má” ou “Bruxa”... Tenho um carinho especial por “Rainha Má”. — Ela brincou, dando de ombros.

–Rumplestiltiskin... Você o conhece. — Robin afastou o corpo de Regina, apenas o suficiente para poder olhá-la melhor.

–Ele me ensinou tudo que sei sobre magia.

–Ele é um monstro. Me manteve preso em seu castelo, me torturou e ameaçou de morte... Eu e Roland só estamos vivos agora porque uma moça nos salvou. — Robin disse, sem conter a mágoa que guardava do feiticeiro.

–Você quebrou algum acordo com ele?

–Não, eu... — Robin mordeu a língua, o Senhor das Trevas tinha feito a ele o mesmo que Regina fez a um tempo atrás, pelo mesmo motivo. Guardou suas palavras, com medo de poder magoar Regina. — Não importa. Estou aqui agora, vivo. Se não fosse por Belle...

–Belle? — Regina perguntou com desdém. A muito tempo a rainha não pensava sobre aquela garota, mesmo tendo consciência de que ela estava presa em sua torre – porque ela mantinha um feitiço para materializar alimentos e protegê-la de qualquer magia de localização que Rumplestiltiskin pudesse possuir, já que o Senhor das Trevas conseguia identificar qualquer pessoa que chamasse o seu nome não importando a distância em que estava-, ela não pensava sobre ela. Esperava poder a usar como barganha em algum momento importuno com Rumple, mas esse dia nunca tinha chegado.

–Sim, ela me salvou. Não sei como uma criatura tão doce pode ter tido um destino tão horrível... Presa por toda eternidade no castelo daquela besta.

Regina congelou. Ela tinha livrado Belle daquele destino,- que na verdade, não seria horrível para ela; já que Rumple era seu amor verdadeiro-, para destiná-la a algo muito pior. A rainha fechou os olhos, respirando pesadamente. Não queria mentir para Robin, por isso decidiu não dizer mais nada sobre o assunto, mas agradeceu Belle mentalmente. Se não fosse por ela, não estaria com Robin e Roland, não estaria feliz. Sentia que de alguma forma, devesse algo para a princesa.

–Você está bem? — Robin perguntou suavemente, ao notar o silêncio de Regina.

–Estou. Queria poder agradecer essa moça pessoalmente. — Ela disse de maneira vaga. De fato, ela poderia fazer isso... Sentiu vontade de fazer mais que isso. Algo em seu coração, -aquela vozinha irritante de bondade que ela se recusara a escutar tantas vezes-, a dizia que não deveria mais manter Belle presa, não deveria a privar de sua felicidade quando ela, indiretamente, deu-lhe uma chance de ter sua própria. A rainha mordeu seu lábio inferior com força; não era de hoje que esses pensamentos misericordiosos invadiam sua mente e isso chegava até a assustá-la. Sem seu ódio e sua raiva, ela parecia uma um corpo leve; facilmente controlável. Mas aquilo era por Robin. Ela decidiu consigo mesma que no dia seguinte iria até a cela de Belle, ter uma conversa e quem sabe uma princesa ganharia sua liberdade.

Antes que Robin Hood pudesse responder, um pombo negro pousou no parapeito de mármore branco perto de Regina. Ela demorou-se um tempo olhando para ave, até perceber que esta era uma ave mensageira. Rapidamente, a rainha tirou o pequeno de pergaminho que estava enrolado e amarrado ao pé do bicho. Ela o abriu para ler no mesmo momento em que o pássaro voou de volta para onde tinha vindo. No papel, poucas palavras estavam escritas em uma caligrafia impecável com tinta tão boa que só poderia ser real; e Regina sabia bem a quem aquela letra pertencia.

Ela está vindo para encontrá-lo.”

–--

Branca de Neve tinha andado por um dia inteiro antes de chegar a casa dos sete anões. Abrira a porta sorrateiramente, mas logo todos a notarão e vieram para receber com abraços calorosos misturados a palavras carinhosas. Ela apertou os olhos com força, como se assim pudesse segurar as pequenas gotas de felicidade que tentavam escapar de suas órbitas. Ela sentira falta daquele lugar, onde tinham pessoas que realmente a amavam e se importavam com ela. Se arrependia por ter os tratado tão mal por culpa do maldito feitiço de esquecimento.

–Pode ficar com o seu antigo quarto se quiser.

–Eu não posso ficar. — Ela disse simplesmente, se afastando deles como se tivesse se lembrado de uma coisa muito importante.

–Aonde está indo? — Zangado perguntou.

–Rei George pegou o James. Eu preciso trazê-lo de volta.

–Não, Branca, você não pode.

–Não posso deixar o rei apenas matá-lo... Ele voltou por mim.

–O que eu quis dizer, é que não pode fazer isso sozinha... Vamos mostrar esse rei o que a Branca de Neve e os Sete Anões podem fazer! — Zangado esbravejou, sendo acompanhado por gritos de concordância.

Branca sentiu-se ainda mais acolhida. Um grande sorriso de felicidade surgiu em seu rosto, qual ela não tentou conter. Pela primeira vez na vida faria algo que não fosse se esconder ou fugir, com medo de enfrentar seus próprios problemas. Ela suspirou aliviada.

Eu irei encontrá-lo.

–--

Rumplestiltiskin estava quieto. Faziam horas em que ele estava parado na mesma posição, olhando fixamente uma xícara branca lascada, protegida por uma redoma de vidro em forma de cubo. Para ele, aquele xícara representava Belle e todo amor que sentia por ela. E desde que ouvirá a voz dela em sua mente pela manhã, ele não conseguia sair de perto daquele pequeno símbolo dos dois.

Belle está morta. Ele pensava de minuto, tentando se convencer do que já sabia. Ela está morta. Ela nunca irá voltar... Ela nunca poderá chamar seu nome desta maneira. Ele tinha se recusado a procurar por Belle em sua bola de cristal, não queria passar por aquela dor trucidante que sentia todas as vezes que tentava de alguma maneira encontrá-la. Mas naquela manhã, ela tinha o chamado. Sua própria mente está lhe pregando peças, Rumplestiltiskin, não seja mais uma vez o idiota que sempre foi. Belle está morta.

Rumplestiltiskin. Ele permitiu-se lembrar da voz doce mais uma vez, sentindo fagulhas brincarem em seu coração. A dor faziam lagrimas abundamentos rolarem por sua face e a raiva atingir-lhe as mãos. O senhor das trevas afastou-se da xícara, somente o suficiente para liberar seu ódio sem danificá-la. Concentrou sua atenção em antigos artefatos que estavam guardados em um armário de portas de viro, — qual ele já quebrara e concertara dezenas de vezes-, transferindo socos e chutes para o móvel. O som estridente de vidro e madeira, se chocando e quebrando, ecoou pelo castelo vazio.

–Ela está morta! — Ele gritou uma única vez, como se precisasse convencer alguém além de si mesmo para que a dor se tornasse mais fácil de suportar. Minha Belle está morta.

Notas finais
Espero que tenham gostado... Sei que pode parecer meio boring, mas era importante. Beijos, meus anjos.