Fire Keeper

11 Capitulo 11 - Ablaze Mare


Notas iniciais
OIE, AMORES! Não me sinto culpada pelo caps lock, porque estou MUITO FELIZ. Feliz porque? Bem... Gabriele Carciofi e Nathy Evil Queen essa semana me presentearam com duas LINDAS recomendações. Eu amei cada vírgula que disseram, meninas, e agora, nesse exato momento, tem dois olhos nas minhas lágrimas ♥ Muito obrigada, de verdade. Eu sei que essas palavras nunca serão o suficiente para agradecer o carinho do vocês, mas, é tudo que eu tenho... Espero que aceitem meus agradecimentos sinceros e que continuem gostando tanto da fic. Vocês são amorzinhos demais ♥ Boa leitura! (Acho que a melhor parte é o final... PAN PAN PAN PAN)

Robin Hood aspirava o ar frio da floresta sentindo-se revigorado. Embora o castelo de Regina fosse quente e confortável, ele definitivamente era um homem da mata. Levando Roland pendurado em suas costas, ele tinha andado por várias horas e já era quase pôr do sol quando ele chegou a não tão conhecida taberna “Bandeira da Égua”. O estabelecimento que ficava bem profundo em meio a floresta, justamente para não ser achado por qualquer um, era comumente frequentado por ladrões e caçadores que atravessavam reinos sem documentação para tal ato. Era um belo lugar para foras da lei passar uma noite ou beber uma cerveja sem ter o perigo de serem encontrados por guardas reais. E Robin sabia que seus homens provavelmente estariam ali, aguardando por ele. Seus amigos ladrões tinham uma certa lealdade inabalável, Robin costumava rir disso, mas sabia que poderia contar com eles seriamente para qualquer coisa. Apesar da aparência grotesca da taberna, Robin entrou pela porta sem se sentir intimidado. Aquele lugar por muitas noites fora seu lar, não tinha porquê temer.

Adentro, uma pequena fogueira estava acesa bem ao centro do lugar, em um buraco no chão. Em volta dela, estavam sentados justamente quem Robin queria encontrar. Seus Homens Felizes.

–John! — Robin ouviu a voz fina e infantil de seu filho exclamar bem perto de seu ouvido, antes de sentir o menino se mexer inquieto em suas costas para chegar ao chão.

–Roland?! Meus deuses, Robin, você está vivo! — Os homens que até a pouco não tinham os visto, se levantaram rapidamente e saudaram seu companheiro e filho, dando gritos de vitória no processo. — Acho que nunca estive tão feliz em minha vida. Te esperamos por dias... Por semanas! Pensei que nunca mais voltaria.

–Robin, eu sinto muito... Roland, ele fugiu! Fugiu tão serelepe quanto uma cobra. E eu não pude fazer nada porque fui pego pelos guardas. — Robin ouviu Sebastian falar.

Pela primeira vez, se lembrou que seu filho estava com ele no momento em que os outros homens tentaram o tirar do castelo. Nunca tinha forçado Roland a falar a maneira como ele tinha conseguido entrar e com o tempo nem mesmo se lembrou do detalhe. Agora, ouvindo as palavras de Sebastian e percebendo o perigo que seu filho tinha corrido, uma onda de raiva lhe subiu a mente. Robin olhou para seu companheiro de assaltos tentando controlar sua respiração, e sentia-se tentado a lhe dar um belo soco na cara. Mas o que viu o impediu. Sebastian era um homem robusto e ruivo, sempre fora esperto e um tanto violento, porém agora, Robin não via nada além de uma alma assustada. Seu olhar rapidamente se direcionou para o braço esquerdo de Sebastian, que estava até o antebraço envolvido por uma tala de maneira estranha, como se uma parte lhe faltasse e Robin logo soube que era sua mão. Um pesar caiu sobre as costas do ladrão ao perceber o membro faltante no corpo de seu amigo.

–Eu tentei seguir Roland, mas acabei pego. E depois do que fizeram comigo... — Sebastian falou, fazendo uma pequena pausa para mostrar seu braço enfaixado. — Eu não conseguiria mais o encontrar. Sobrevivi por um milagre.

–Esta tudo bem. Roland está bem e agora já passou. — Robin falou com pesar. Sentiu uma pequena parte de si mesmo morrer ao ver o parceiro ferido de tal maneira. -Ficaram aqui o tempo todo? — O ladrão dos ladrões quis saber.

–Todo o tempo... Não fazia sentido roubar sem sua companhia.

–Como conseguiu fugir daquela criatura das trevas? — Um dos ladrões, Steve, perguntou para Robin. Ele tinha um sorriso de orelha a orelha, claramente feliz por ter o lendário ladrão entre eles novamente. Mas Robin se lembrava muito bem do que ele tinha feito a Regina e chamá-la desta maneira certamente não agradava nem um pouco. Se a Rainha não tivesse o pedido silêncio sobre o relacionamento que agora se encontravam, não temeria em seguir seus instintos e dar uma surra em Steve. Mas ele se controlou, forçando um sorriso em seu rosto para o responder.

–Eu não fugi. Vossa majestade autorizou minha saída... Embora eu tenha que voltar o mais rápido possível.

–Voltar? Como assim, voltar? Você está louco, Robin?

–Como forma de me punir por meus crimes... Ela me fez seu servo e prisioneiro. — As palavras, embora fossem verdades, davam um gosto estranho na boca do ladrão. Ele sabia que era mais que aquilo para Regina. Após ouvirem suas palavras, seus companheiros o olhavam incrédulos em meio ao silêncio perturbador que se seguiu.

–Gina é muito legal. — Roland falou de repente. Olhando para cima, em direção aos rostos adultos que tinham se esquecido de sua presença.

–Quem é Gina?

–Ela é uma Rainha... — O pequeno continuou. — E ela não é má. Ela é boa.

–Estão enfeitiçados. — Pietro concluiu, dando de ombros como se fosse a coisa mais obvia. -Melhor falarmos com algum curandeiro feiticeiro, devem saber o que fazer para quebrar o feitiço.

–Eu apoio essa ideia.

–Não sejam idiotas! Eu não estou enfeitiçado, homens. — Robin riu, pegando Roland no colo. Aproveitou para sussurrar em seu ouvido de modo que os outros homens não escutassem. — Não fale de Regina.

–Nem mais uma palavra, Robin. Vamos levá-lo a um curandeiro.

–Não vamos a lugar nenhum, John... Se aquietem. Eu vim apenas para tomar uma última cerveja na companhia de vocês. — Robin falou as palavras percebendo o quanto elas o machucavam. Mesmo gostando de Regina, aqueles homens eram sua família a muito tempo. Ele definitivamente não sabia como se despedir, ou como viver sem ser um deles.

–Robin, você só pode estar brincando! — Little John exclamou, inconformado com a situação.- Como pode aceitar tão facilmente se tornar um escravo daquela rainha?!

–Eu... Little John, eu posso falar com você a sós por um momento? — Robin colocou Roland no chão novamente, e fez um sinal com a cabeça, indicando ao amigo que queria ir para um lugar mais reservado.

–Vamos no segundo andar. — O amigo concordou, e eles caminharam apressadamente para o andar de cima da estalagem, onde ficavam dormitórios disponíveis para aluguel. Robin sentiu seu coração pesar, sabendo que ele estava próximo de quebrar sua promessa com Regina, mas ele sentia que precisava fazer isso, porque a muito tempo, ele também fez uma promessa de sangue para seus homens. — O que quer me dizer Robin?

–Litle John, ela não é má. A rainha Regina, ela é... Diferente de tudo que já vi. Ela trata Roland como se fosse um filho, ela me salvou da morte.

–Te salvou? Mas ela mesma queria te matar!

–Eu sei, é complicado, mas acho que ela se arrependeu. Eu estava prestes a ser executado, quando ela simplesmente não deixou que isso acontecesse. Me tirou do fogo e tratou dos meus ferimentos com magia, passou a noite velando meu sono. E depois, quando Roland apareceu, doente e maltrapido, ela cuidou dele com carinho inegável.

–Robin, não acho que estamos falando da mesma mulher. A Rainha Má é cheia de ódio e vingança, ela já matou vilas inteiras apenas por não conseguir uma informação... Como ela poderia salvar você, não me entenda mal, um simples ladrão, da morte? Ainda mais um ladrão que tentou roubá-la!

–Nem me pergunte, também não entendo o motivo. Mas tem algo no olhar dela, eu sei que estamos ligados de alguma forma...

–Robin, por favor, não me diga que...

–Ela me beijou.

–Ah, deuses! Você está apaixonado pela rainha má? Ela te seduziu, Robin, você não vê?

–Litle John, não vamos discutir... Tudo que acontece entre mim e ela, tem o meu desejo e consentimento, sei bem o que estou fazendo. Estou te contando isso porque você é o homem que mais confio, você é meu melhor amigo... Estava esperando que confiasse em mim.

–Eu confio em você, Robin, mas isso é insano!

–Prove sua confiança guardando tudo o que te contei para você. E eu provo minha confiança a você, te deixando no meu lugar como líder dos ladrões.

–Você não vai mais ser um ladrão? Realmente, você está louco.

–Hey, eu nunca vou deixar de ser um ladrão. — Robin finalmente riu. Aquilo nunca passou por sua cabeça, ser um fora da lei simplesmente estava em sua alma. — Só quero que deixe as coisas em ordem até que eu resolva definitivamente o que quero de minha vida... E eu sei que vamos nos ver novamente.

–Eu desisto! Quer saber, apenas não morra. E quando voltar arrependido eu vou lhe dar uma corsa. Mas, Roland fica.

–O que?! É claro que não, John. É meu filho, como pode dizer uma coisa dessas?

–Não quero que o menino fique no meio dessa loucura de amor, e ele é meu afilhado, sendo assim tenho algum direito sobre sua educação, principalmente agora que você resolveu se enfeitiçar pela Rainha Má. Não vê como isso é perigoso para ele?

–Roland adora Regina. Eu te disse, ela o trata como um filho! Está até dando aulas para o menino... Não vou deixar ele longe de mim e isso não é um acordo. Roland irá comigo. E não conte nada do que eu te disse aqui para alguém, ouviu?

–Robin...

–Eu quero uma cerveja e você? — Robin disse descontraidamente, querendo encerrar o assunto. Dando um sorriso forçado, ele se apressou para descer as escadas para o primeiro andar na frente de Little John. Definitivamente, não tinha sido uma conversa agradável para Robin. Mas ele confiava em John como todo o seu ser, e contar isso a ele fez com que o peso em seus ombros diminuísse um pouco.

–Acho que vou precisar de mais de uma cerveja... — John sussurrou para si mesmo, balançando a cabeça preocupado. Robin Hood é um louco, com certeza ele é, pensou, rindo com amargura. Mas acima de tudo, confiava em seu amigo.

–--

O castelo do rei George se estendia grandiosamente por uma ilha em um enorme rio. Regina atravessou a ponte com seu corcel correndo rapidamente, ignorando o vento forte que batia contra seu corpo naquela parte alta da floresta. Logo ela passou pelos grandes portões de ferro do castelo, os guardas do palácio mal se moveram, sabendo que não deveriam barrar a entrada da rainha. Regina ignorou todos os olhares que se direcionavam a ela, e entrou esplendorosamente pelas grandes portas da frente do castelo. Alguns servos estavam no hall fazendo tarefas domésticas, a Rainha os olhou sugestivamente.

–Avise a seu rei que eu estou aqui. — Ela disse rispidamente, e adentrou para a sala de estar do castelo.

Após alguns minutos de espera, que para Regina mais pareceram horas, o Rei se juntou a sua presença.

–Que demora! Tenho notícias importantes para você.

–É bom vê-la também, minha querida. — Ele riu se divertindo com a irritação de Regina, e a cumprimentou com dois beijos em cada lado do rosto. — Magnifica como de costume.

–Vamos poupar tempo com isso, querido. — Ela riu perante a costumeira falsidade de George. — Seu príncipe está ferido em algum lugar da floresta, está perto.

–Mais perto do que imagina, minha cara...

–O que quer dizer?

–Ele está aqui. Preso.

–Mas como?! Eu o vi agora pouco, na floresta. O acertei com uma flecha. — Regina disse, sem entender.

–Meus cavaleiros estavam a procura dele quando isso ocorreu, o encontraram nas redondezas junto a Branca de Neve. Seus cavaleiros fizeram o belo trabalho os ajudando a capturar James. — Ele disse calmamente. Regina o encarou tentando conter sua surpresa. Ela pigarreou.

–E Branca?

–Ela conseguiu escapar. Sinto muito, não será hoje que matará sua querida enteada. — Ele deu de ombros. Regina sentiu seu o ódio subir por seu corpo, quente como larva. Rei George tinha conseguido o que queria, capturar Charming, para ela, isso significava que não teria a ajuda que esperava ter ao vir para esse jantar. Ela estava sozinha novamente. — De todo jeito, o jantar será servido em pouco tempo. Espero que esteja com fome.

–Estou faminta. — Ela respondeu. Ainda sentia seu corpo ferver pelo ódio, mas não negou o jantar. Ela queria mais tempo dentro do castelo, pensando que assim poderia encontrar James e obter alguma pista sobre onde Branca estaria agora.

–Creio que temos alguns assuntos para tratar, sobre o comércio de nossos reinos.

–Parece que temos. — Regina sorriu. — Mas antes, eu realmente preciso ir ao lavabo. — Ela mentiu. -Já sei onde fica, não precisa me acompanhar.

Regina saiu da grande sala batendo seus saltos no chão brilhante do castelo. Ela esperou até que estivesse fora da vista de George, para transformar seu corpo em uma concentração de fumaça roxa. A magia a levou até as masmorras do castelo, onde pensou que o príncipe poderia estar. Ignorando o leve enjoo que se transportar a causava, Regina andou rapidamente entre as celas, que em sua maioria estavam vazias. No final do corredor, onde ficava a cela mais escura e isolada, Regina o encontrou.

–Príncipe James Charming... — Ela riu ao o ver preso. O príncipe tinha uma de suas mãos perto do ombro oposto, pressionando o lugar onde ela tinha o atingido com a flecha. — Está difícil encontrar o “charme” em você hoje.

–Em você, eu nunca encontrei. — Ele respondeu com a voz falha, embora achasse ridículo trocar qualquer palavra com aquela mulher que quase o matara e queria sua amada morta.

–Onde está Branca de Neve? — Regina perguntou, desfazendo seu sorriso. Ela se moveu até que estivesse quase encostando nas grades da cela, seus olhos estavam abertos de ansiosidade.

–Porque acha que eu direi?

–Porque você está ferido. Posso o curar rapidamente, em troca de sua preciosa informação.

–Ah! Não seja ridícula. — James riu com vontade, pensando que Regina realmente não tinha noção, mas se arrependeu no mesmo segundo, quando uma forte dor atingiu seu peito. — Eu não sei onde ela está, e mesmo se soubesse, não diria nem se me jurasse de morte.

–Que pena. — Ela disse fingindo tristeza de maneira dramaticamente teatral. — Mas se a conheço bem, não vai demorar até que ela venha lhe procurar. — Um grande sorriso saiu de seu rosto ao terminar de dizer. — E quem poderia imaginar? A princesa inocente se revelou uma assassina. Parece que ela é tão ruim quanto eu.

–Foi um ato impensado, ela estava enfeitiçada! — James exasperou, se negando a pensar que Branca de Neve poderia se tornar uma criatura cruel como Regina.

–Enfeitiçada?

–Ela... Tomou uma poção para esquecer o amor, esquecer de mim. Por isso tentou te matar, por causa do feitiço.

–Ah, talvez isso sirva de desculpas para a família do cavaleiro que ela matou. — Regina mentiu, sabendo que fazendo Charming pensar que Branca de Neve tinha matado alguém sua consciência pesaria. — Quando a encontrar, diga-a para mandar os devidos pêsames… Isso, claro, se eu não a encontrar primeiro. Oh, me desculpe pela flechada! Não era minha intenção. — Ela sorriu divertida e se transportou como tinha feito anteriormente.

Com ou sem Charming, ela encontraria Branca, mas para sua infelicidade, não seria está noite. Afinal, ela tinha um jantar de negócios dentro de alguns minutos.

–--

Já era tarde da noite. Robin sabia disso pois metade dos hospedeiros da Bandeira da Égua já estavam dormindo, mas ele não. Ele e seus homens continuavam bebendo animadamente ao redor da fogueira, que tinha uma temperatura muito agradável para ele. Os homens riam de suas próprias piadas enquanto entornavam cerveja em suas canecas exageradamente grandes, Robin os acompanhava, mesmo que no fundo de sua mente, um sentimento de vazio aflorava, porque sabia que essa seria a última noite, mas pensar que logo estaria com Regina o acalmava. Ele sorriu pensando na não tão assustadora Rainha Má.

–Eu juro que nunca mais vou beber em toda minha vida! — Pietro gritou de repente, em meio a uma serie de soluços. Ele estava visivelmente bêbado e tonto, enquanto tentava manter-se de pé ao bradar seu copo vazio no ar como se fosse um prêmio.

–Eu também juro! — Gritou outro homem em seguida, fazendo com que o restante de pessoas explodisse em risadas. Robin os acompanhou no riso.

Ecoando abruptamente em meio as gargalhadas, o som da porta se batendo chamou atenção dos homens. Rapidamente, todos olharam curiosos em direção a entrada do estabelecimento. Uma pessoa encapuzada tinha acabado de entrar, trazendo consigo um grande arco pendurado as costas.

–Quem seria a interromper nossa festinha? — Pietro tentou cambalear em direção a pessoa, sendo facilmente impedido por Little John.

–Branca. — Em um movimento rápido, a mulher tirou seu capuz, revelando seu rosto pálido como as nuvens. Seus lábios vermelhos estavam entreabertos, soltando e aspirando o ar ofegantemente. — Branca de Neve.

Branca de Neve. O nome ecoou na mente de Robin Hood.

Notas finais
E então, pessoas? Hehe, deixem suas opiniões nos comentários, por favor :D