Fire Blood

1 O começo de um final


Notas iniciais
Espero que gostem do meu novo trabalho. Está cheio de intrigas, emoções, romances, cenas picantes de todos os tipos e gêneros. Leia e deixe seu comentário... E principalmente: divirta-se lendo!

Ruby Allen

Não é difícil de lembrar como fui transformada em uma vampira. Se não me engano era uma noite maravilhosa. A lua cheia e prateada subia o céu e iluminava o bosque onde eu estava, sentada ao lado de uma das minhas paixões. Ele era o garoto perfeito que uma garota em seus plenos dezesseis anos poderia desejar.

Eu estava deitada em seu ombro contemplando o luar enquanto suas mãos afagavam minha cabeça em um delicioso carinho. Falávamos coisas aleatórias e sem sentido como todo casal faz.

- Aquela estrela brilha tanto quanto seus olhos — ele afirmou me dando um beijo na testa.

Me ergui para poder ficar cara a cara com ele e ver seus belos olhos azuis e cintilantes que mesmo naquela escuridão noturna pareciam cheios de vida... Era como se pegassem fogo, um fogo azul e misterioso.

- Como você consegue ser tão incrivelmente romântico? — Perguntei meio tímida.

Ele simplesmente sorriu. E eu recai sobre seu ombro novamente. Quando eu estava com ele conseguia esquecer do alcoólatra do meu pai, que faltava pouco me estrupa todas as noites que chegava bêbado e sem noção de onde estava.

Tudo que eu queria era poder para acabar com ele... Não sei se matar seria a palavra certa. Mas eu queria dar um basta naquela vida inútil e miserável que eu tinha dentro de casa. Eu sentia muito a falta da minha mãe, sua morte realmente era uma das piores para mim. Mas pelo menos ela fugiu daquele pesadelo terrível.

- Eu posso... — O meu amado disse.

- Pode?... — Retruquei meio confusa.

- Eu posso te dar poder.

Eu ri. Não sabia como reagir aquele papo estranho, mas sua expressão, a forma na qual ele me olhava, e o brilho dos seus olhos me fizeram crer que ele estava falando sério. Mas mesmo assim meu cérebro reagiu como se fosse uma brincadeira.

- E por que não disse isso antes? — Perguntei segurando o riso.

- Não zombe de mim, Ruby. Estou falando sério. Eu posso te dar poder!

- Como assim?

Ele estava começando a me assustar com aquela história toda, e realmente eu não estava gostando nem um pouco daquilo.

- Sabe — ele começou a responder com um tom de voz mais frio e distante -, eu não sou o que você pensa que sou. Não sou simplesmente um adolescente.

- Claro que não é! — O interrompi. — Você é meu namorado. Isso não é pra qualquer um!

Ele riu meio desapontado. Eu podia ver que ele queria me contar algo, ou sei lá o que, mas minha idiotice não me deixava entender o que ele queria, ou como reagir a tal situação.

- Existem mais coisas nesse mundo do que você imagina Ruby... Muito mais! — Ele disse me deitando sobre a grama.

Suas mãos estavam quentes passando por debaixo da minha blusa. Ele a subia lentamente. Não resisti, talvez fosse aquilo que ele queria afinal, e eu também queria aquilo. Queria senti-lo.

- Eu sou um desses mistérios — ele continuo falando, e depois tocou seus lábios na meu. — Deixe-me mostra-la.

Acenei positivamente. Ele me beijou novamente, só que foi um beijo mais quente, e mais cheio de fervor. Com pouco ele tirou minha blusa. Com meus pés eu puxava a sua calça para baixo revelando aquelas deliciosas pernas meio peludas que tanto me excitavam.

Ele mordia meu pescoço e minha orelha de forma provocante que quase me deixava louca. Eu queria aquilo, queria te-lo. Quando dei por conta de minha... Ele já me possuía por inteiro. Eu podia sentir a dor misturada com o prazer do momento. Sentia ele dentro de mim, como se fosse parte do meu corpo.

- Eu vou te dar o poder que você sempre quis — ele disse.

Ele me encarou. Nossos olhares se cruzaram, e eu pude ver eles mudarem de cor. De azuis cintilantes a negros intensos e frios. Automaticamente deixei toda a sensação de prazer sumir de mim. Sua boca se aproximou do meu pescoço e então ele me abocanhou.

Pude sentir suas presas, literalmente, entrarem dentro da minha artéria e sugarem meu sangue. E ao mesmo tempo tive a sensação de que meu corpo queimava como se um novo liquido percorresse-o.

- Pare! — Gritei em agonia. — Pare, por favor! Pare!

Nada do que eu fazia funcionava... E a ultima coisa de que me lembro eram seus olhos se tornando azuis novamente, aquele sorriso malicioso de quem ganhara seu prêmio e o doce som das palavras: "eu vou te procurar novamente, quando for a hora."

Quando acordei já era manha. Minha primeira reação foi por a mão pelo meu corpo. Eu estava vestida... Será que aquilo era um sonho afinal? Não... Não era. Pus a mão no meu pescoço e senti os quatro furos das presas dele. E ao fazer isso notei que minha pele parecia mais... Pálida! Muito mais pálida!

Eu não sentia frio nem calor... Mas, quando os feixes de luz me atingiram, pude sentir uma queimação agonizante. Rapidamente me afastei. Fiquei com medo, assustada. Corri bosque a dentro sem rumo. Era apenas uma adolescente que fora abandonada por seu namorado louco após uma transa completamente assustadora.

Acabei saindo no... Lago? Como eu chegara lá tão rápido? O lago ficava a quase 15 km da cidade e eu chegara nele em menos de dois minutos. O que estava acontecendo comigo?

Fui até a beira d'água e olhei meu reflexo. Quase gritei de espanto. Meus olhos, que antes eram castanhos cor de mel, estavam vermelhos, intensos, como o sangue...

Sangue... Aquela palavra fez algo remexer dentro de mim. Como um instinto primário. Algo que fazia parte do meu ser, mas que eu nunca tinha sentido. Parecia sede, mas não era uma sede qualquer... Era puramente sede de sangue.

Me levantei. Soltei meus longos cabelos castanhos do rabo de cavalo, ajeitei minha blusa branca, e meu black jeans. Tirei meus sapatos... Eu sabia que não precisava mais deles. Agora eu era algo diferente de uma noite atrás. Mas parte de mim ainda negava isso, e eu sabia do que precisava para provar minhas hipóteses internas.

Corri mais rápido do que qualquer coisa que você possa imaginar. Salte imensas pedra, prédios. Escalei arvores e casas. Como se fosse uma ferra louca atrás de alimento. E eu realmente estava.

Quando dei por conta de mim estava de frente para a minha casa. Vi que meu pai estava acabando de chegar de mais de uma das suas noitadas. Era o momento perfeito!

Entrei pela porta dos fundos. Ele se jogou no sofá e começou a gritar:

- Ruby! Ruby! Cade você menina dos infernas?

- Estou aqui... — Respondi em um tom cordial.

- Até que em fim você surgiu! — Ele veio até mim, mas fez uma pausa ao notar que eu estava escondida na penumbra da escada. — Ruby... Tem algo de diferente em você... Ah! Isso é bom! Por que não vem dar um pouco de prazer ao seu amado pai?

Sorri maliciosamente. E fui até ele. Fiquei frente a frente com aquele homem imundo e o encarei bem nos olhos. Ao ver aquele vermelho intenso e minha pele pálida meu pai deu um passo para trás e caiu no sofá novamente.

- Quem... Quem é você? — Ele perguntou cheio de medo.

- Sou Ruby... Sua querida filha! — Gritei em resposta.

Literalmente me joguei na direção dele e o peguei pelo pescoço. O ergui em pleno ar e o lancei contra a parede. Depois corri até ele novamente e lancei seu corpo contra o teto.

Ele caiu na escada a quebrando em mil pedaços. Então eu era capaz daquilo? Interessante... Eu estava sentido como se tudo o que restava de bom em mim estivesse sumindo. Tudo! Cada pedacinho. Pelo menos naquele momento eu não me importava com o que aconteceria com ele.

- Pare! — Ele gritou. — Pare, por favor! Pare!

Aqueles gritos me fizeram lembrar da noite anterior e só me deram mais vontade... Uma terrível vontade.

- Eu vou te dar prazer, papai! — Gritei abocanhando seu pescoço e sugando seu sangue até a ultima gota.

Ah, acho que esqueci de mencionar. Meu pai biológico... Eu nunca conheci. O homem que eu chamava de pai e que eu acabara de beber até o ultimo resquício de sangue, era apenas o meu padrasto desde os três anos de idade. Então... Não tinha porque eu me ressentir de mata-lo.

E com aquilo eu já sabia... Já sabia o que eu era. O que eu poderia fazer, e tudo o que eu precisava fazer. Eu era uma vampira! Eu era um monstro!

Notas finais
Espero que tenham gostado. Vem muito mais por ai! Comentem!