Fire Blood
2 O Clã Allen
Notas iniciais
Ruby Allen
Vampiros não dormem... Mas durante a noite eu entrava em uma especie de transe, ou algo do tipo. Era uma sensação estranha. Entretanto todas as vezes que aquilo ocorria ele aparecia em minhas visões. Com aquele par de olhos azuis cintilantes, o sorriso malicioso, e as presas à mostra. Eu não sabia ao certo o que ele queria, mas só sei que não era nada bom.
E naquela noite não poderia ter sido diferente... Quando cheguei em casa vi meus irmãos assistindo ao jogo de basquete de um time qualquer... Acho que era os Lakers, ou algo assim! Eu nunca me interessei direito por aquilo.
Se eles eram meus irmãos de verdade? Não, eles eram membros do meu clã. Depois de me tornar Ruby Allen, a vampira, instintos novos me domaram. Eu passei a caçar bandidos, estupradores, e alcoólatras inúteis. Como pode ver, eu não era de toda uma vampira má.
Depois de algum tempo fazendo isso dei de cara com meu primeiro caçador. Sim, um homem que caçava monstros como eu! Ele era muito forte, mas com muito custo consegui vence-lo. Vi então a necessidade de buscar certa ajuda. Um clã talvez, seria uma ótima opção.
Então passei a procurar jovens vampiros... Eu não pretendia transforma-los, pois eu acabaria bebendo seu sangue e não os transformando. Foi assim que encontrei Nathan e Matthew.
Nathan, o mais novo da turma, tecnicamente falando, é inteligente e bastante ágil. Tem lindos cabelos castanhos bagunçados, e um estilo de vestir bem descolado. Tirando isso era como qualquer outro vampiro... Ah, e ele era o gay o clã. Era nosso xodó.
Matthew era o oposto de Nathan. Arrogante, e orgulhoso, adorava ser um vampiro e matava com total diversão. Não se importava com nada além do clã e dele mesmo, mas confesso que na parte do clã eu ainda tinha minhas duvidas. E, além disso, ele tinha uma força devastadora, era impressionante.
– Boa noite garotos — falei entrando em casa.
Tínhamos uma boa casa perto do lago da cidade. Era uma cidade pequeno do interior da Califórnia chamada Kell. Nunca tinha visto aquela cidade em mapas, ou até mesmo no google, só a encontrei por acaso enquanto caçava. E confesso que entendi porque ela não tinha fama.
Voltando a casa... Ela era enorme, com três andares, televisões, camas, banheiros... Tudo no luxo máximo que se pode ter. Claro, as pessoas pensavam que eramos filhos de pessoas bilionárias, mas a verdade era que certas vezes trabalhávamos e outras roubávamos. Nada de mais.
– Você demorou — Matthew questionou não tirando os olhos da TV. — Onde esteve?
– Não fale como se fosse meu pai, Matt — retruquei em um tom cordial e frívolo. — Você lembra o que aconteceu com meu ultimo pai, não lembra?
O pobre garoto se remexeu na cadeira e Nathan soltou uma risadinha.
– Agora, respondendo a sua pergunta — comecei a falar de novo segurando o riso, era tão engraçado ver Matthew sem ter onde enfiar a cara -, eu estava caçando.
– E o que conseguiu dessa vez? — Nathan perguntou se levantando do sofá e vindo até mim.
– Nada de mais — respondi enquanto guardava alguns produtos de limpeza no armário. — Matthew, da próxima vez que fizer compras, lembre-se de guarda-las!
– Pode deixar! — Ele respondeu sarcasticamente.
Nathan continuou ali me observando. Quando ele fazia aquilo era porque precisava contar alguma coisa. O garoto era muito educado, tinha um ar cordial, e uma gentileza nata. Chegava a ser fofo.
Quando acabei de guardar as coisas me sentei no banquinho da bancada e o encarei.
– Pode falar, o que foi?
– Tem uma nova família na cidade — ele respondeu meio tenso.
– Isso é normal Nat — retruquei tentando acalma-lo, mas algo me dizia que aquela família não era como uma família qualquer, pois se Nathan estava tenso, era porque sentiu algo.
– Eles tem um cheiro diferente de tudo! Não parecem caçadores, e muito menos humanos... Eles exalam poder Ruby! Poder! Parecem esferas ambulantes de energia... Não sei explicar, mas pareciam muito, muito assustadores.
Comecei a sentir uma forte dor de cabeça... O transe... Estava acontecendo. Soltei um grito e automaticamente perdi todos os movimentos do meu corpo. Nathan me segurou para que eu não caísse, e pude ver Matthew correndo na nossa direção, antes de perder a visão completamente.
Quando "abri" os olhos novamente, vi ele, parado bem na minha frente. Dessa vez ele não estava sorrindo. E seus olhos estavam negros o que me fez estremecer completamente. Eu me levantei, e olhei ao meu redor. Era sempre tudo névoa, como se fosse uma cena ilusória.
– O que você quer dessa vez? — Rosnei furiosa. — Estou farda de você!
– Contenha-se — ele retrucou com um tom nada agradável.
Era perceptível que ele não estava bem irritado e tenso. Alguma coisa me dizia que aquela conversa seria pior do que eu estava imaginando.
– Fale logo — apressei-o. — Você está tenso...
– E vocês estão correndo sérios perigos — ele me cortou. — Os feiticeiros descobriram meus planos e vão atrás de vocês para me atingir.
– Como assim? — Perguntei confusa.
Ele suspirou e andou até mim. Repousando suas mãos sobre meus ombros ele me encarou nos olhos e voltou a falar:
– Não como, nem onde, mas os feiticeiros tomaram consciência de que eu pretendo usar o seu clã para concluir meus planos...
– Feiticeiros? — Retruquei tensa. — Pensei que eles só serviam aos anjos...
– Exatamente! Isso só mostra que os anjos tem consciência da minha existência, e da minha ligação com você. Por isso os feiticeiros virão até Kell, eles te caçaram. Tentaram mata-la, e aos seus garotos. Você tem que mata-los primeiro.
Fiquei em silêncio. Minha mente estava a mil por hora. Será que a nova família que tinha chegado eram os feiticeiros? Provavelmente um deles... Seria um anjo? O que eu deveria fazer?
Eram tantas perguntas! Eu comecei a ficar louca... Mas ele voltou a falar quando eu percebi que estava começando a sair do transe.
– Não temos muito tempo — ele declarou o óbvio. — Tome cuidado... Eu vou chegar em Kell no máximo em cinco meses... Por favor, viva até lá. Eu preciso de você...
E então eu "acordei".
Eu estava deitada no sofá. Nathan me observava sentado no chão, enquanto Matt continuava assistindo o jogo sentado no sofá de canto. Levantei-me e pus a mão na cabeça, que ainda doía irritantemente.
– E então?... — Matthew perguntou. — O que ele queria?
Tentei processar um pouco antes de responder. Eram muitas coisas para pensar em poucos segundos... Mas a única coisa que conseguia ter fôlego o suficiente para dizer foi:
– Estamos em sérios perigos...
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