Fique Acordado .
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Three, four, better lock your door
Five, six, grab a crucifix
Seven, eight, better stay awake
Nine, ten, never sleep again.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬ Tradução:
Um, dois, eles estão vindo por você
Três, quatro, melhor trancar a porta
Cinco, Seis, pegue um crucifixo
Sete, oito, melhor ficar acordado
Nove, dez, nunca durma novamente.
Tudo começou quando eu tinha sete anos. Acordei a noite com a cama molhada de suor e meus pés em carne viva, mamãe me dizia que eram bolhas pois eu andava muito com os pés no chão quente, mas não era isso, eu tinha medo de dizer o que eu via e sentia pois iriam me achar maluca. Tudo que acontecia era real, tudo o que eu via era real, não era só mais uma histórinha de criança, pessoas morriam e criaturas matavam.
Eu sei que tudo que eu vejo é real, eu sei que todos, inclusive você, irão morrer, e da forma mais dolorosa possível, ou talvez eu esteja maluca, mas eu não aguento mais, tenho que por um fim nisso e você deve se proteger, apenas FIQUE ACORDADO.
Estava tudo escuro, eu ouvia gritos de pânico, mas ao mesmo tempo risadas assustadoras, de repente uma mão quente e macia me pegou no colo e só o que eu ouvia era “Shhh, você não merece estar aqui, fique quieta”. Isso me assustou mas eu tapei minha boca com as minhas mãos para não emitir nenhum som enquanto sentia minhas lágrimas quentes correrem pelo meu rosto. Chegamos em uma sala mais escura ainda, onde eu ouvia uma mulher chorando baixinho, a tal pessoa que me segurava me largou no chão, foi embora e a luz acendeu.
Era uma banheiro masculino, com sangue por todo o chão, as paredes estavam ‘pintadas’ de sangue e uma menina toda ensangüentada estava deitada no centro do banheiro, eu comecei a chorar e gritar por ajuda pois tinha medo que acontecesse o mesmo comigo.
- Shhhh! Fique quieta, ou eles vão te ouvir... – a moça falou baixinho e logo depois fechou os olhos, e tudo ficou escuro novamente.
Senti algo encostar no meu ombro e saí correndo sem saber para onde estava indo quando cheguei a um lugar vermelho, o lugar era lindo, brilhava tanto era como rubis a luz do luar. Logo a frente vi que o chão também brilhava e fui correndo para ver o que era e quando cheguei lá senti uma dor horrível, aquilo tudo que brilhava eram brasas ardentes, sem querer subi em cima de um ‘tapete’ de brasa, tentei fugir mas alguém me segurava e então eu comecei a gritar como nunca gritei antes, eu sentia o cheiro dos meus pés queimando, e eu gritei ainda mais alto.
- Samantha, Samantha, era só um pesadelo, calma querida...
- Meus pés, meus pés! – eu gritava e minha mãe me segurava.
- Está tud...- minha mãe fez uma pausa ao olhar para os meus pés – Viu o que dá andar de pés descalços? SEAN! – minha mãe gritou o nome do meu pai e ele veio correndo, os dois cruzaram olhares e disseram que não era nada.
Essa foi a primeira vez que fui para aquele lugar assustador, para dizer a verdade os lugares sempre mudam, mas o meu guia, não.É, eu tinha um guia. Ele ‘cuidava’ de mim sempre, me dizia sempre que eu não merecia estar lá mas alguma missão eu tenho. Nas primeiras semanas em que eu ia para essa terra foram um tanto quanto tranqüilas em comparação com o que estava por vir.
Mas o que mais me assustava eram pessoas sendo mortas, pessoas pedindo socorro e algumas delas eram pessoas que eu conhecia. O pior de tudo eram as criaturas assassinas que se divertiam e riam dos gritos de desespero de todos, no fundo, isso também me irritava. Toda vez que eu dormia, eu acordava chorando, gritando ou com algum machucado por menor que fosse. Aquilo tudo era tão real, meus pais achavam que eu estava enlouquecendo pois toda noite eu gritava e aparecia com um arranhão a mais. Mamãe me levou aos melhores médicos da cidade mas nenhum dele resolveu o problema, um médico até recomendou minha internação em um hospital psiquiátrico, mas minha mãe se recusou a me internar. Caí no sono quando eu estava na fila esperando para consultar meu décimo terceiro psiquiatra. Eu estava presa dentro de um cofre com várias cobras e uma voz falou:
- A chave para fugir? Está atrás de você.
- Quem me trancou aqui? Me tira daqui! SOCORRO! – comecei a gritar e bater na porta do cofre.
- Não adianta, ninguém vai te ouvir daqui eu quer... – tudo ficou em silêncio.
- Olá, tem alguém ai? Socorro!
- Não grite Sam, não grite. Eles vão te ouvir!
- É você? O meu protetor? – perguntei gritando e chorando com medo das cobras que já estavam se enrolando no meu pescoço.
— Já disse que não sou seu protetor e que não é pra você gritar! Agora saia daí.
- Não tem como, me tira daqui! Por favor... – falei perdendo o ar.
- Use a chave, use a chave...
- NÃO TEM CHAVE NENHUMA!
- Não grita, você quer morrer agora? O que o elfo disse?
- Elfo? Que elfo? Quebra esse cofre! – falei chorando.
- O QUE ESTAVA AQUI!
- Ah, ele disse que a chave está atrás de mim, mas eu não acho na... – O Protetor me interrompeu.
- Mexa nas suas costas... E reze para que eu esteja errado.
Realmente, eu senti um relevo, algo estava embaixo da minha pele.
- Me ajuda! A chave está dentro de mim... Por favor! – gritei.
- Geralmente as pessoas pedem ‘pelo amor de Deus’ nessa hora e não ‘por favor’, e eu já disse, fala baixo! – o Protetor falou em um tom muito calmo.
- Não acredito em Deus. – falei baixo tentando não pensar nas cobras que estavam a minha volta – Preciso sair daqui, estou ficando sem ar, e não vai ser Deus que vai destrancar a porta.
- Que bom, nem Ele acredita em você pelo jeito... Agora vamos, tem que ter alguma coisa ai que possa te ajudar.
Na hora em que ouvi isso me desesperei ainda mais, de que outro jeito eu poderia pegar a chave se não cortando minha própria pele? E para meu pavor, o Protetor estava certo, uma cobra tinha um bisturi na sua boca para me ‘ajudar’.
- Achei um bisturi, não vou conseguir fazer isso... – falei baixinho para o Protetor
- Você deve mat... – e tudo ficou em silêncio.
- Protetor? Você está ai? – ninguém respondeu – Protetor! Cadê você? – novamente não ouvi nada. – Isso não tem graça...
De repente as cobras começaram a me morder, não pensei duas vezes e comecei a cortar a cabeça de todas as cobra que eu via,
Eu estava coberta de sangue, o oxigênio daquele cofre estava acabando e eu não tinha coragem de cortar a mim mesma. Um estrondo imenso de corpos caindo em cima do cofre e no chão me assustou demais.
- PROTETOOOOOOOOOR! CADÊ VOCÊ? – gritei aos prantos e batendo nas paredes do cofre.
Eu tinha que me acalmar, mas eu estava presa e prestes a cortar minha própria pele para tirar um objeto de dentro de mim, eu tinha que fazer isso, mas não posso me esquecer de que tudo que acontece aqui, tem efeitos quando eu acordar, e porque eu não acordo?
Respirei fundo e comecei a cortar as minhas costas, e para a minha ‘sorte’ a chave estava em um lugar muito acessível das minhas costas, mas em compensação era o lugar mais dolorido. Experimente fazer uma tatuagem logo abaixo da sua caixa torácica e no lugar onde você pode sentir a sua coluna. A dor vai ser imensa, agora multiplique essa dor por dez e você consiguirá ter uma ideia da dor que eu estava sentindo.
os cortes para conseguir tirar a chave dali deveriam ser muito fundos, senão a chave não passava. A cada corte que eu dava eu gritava ainda mais, as veias do meu pescoço saltavam, minha garganta doía por causa dos gritos causados pela dor inimaginável que os cortes causavam. Eu fiz de tudo para a chave sair sem eu precisar por a mão dentro do corte, mas foi inevitável, pus dois dedos dentro do corte para puxar a chave e a dor foi ainda maior, enfim consegui pegar a chave.
Abri o cofre, sai ajoelhada e parei para respirar um pouco, eu estava sem fôlego e as lágrimas corriam pelo meu rosto, mas tudo que eu sentia era raiva, raiva de quem me fez passar por isso, raiva de quem me fez passar por isso. Quando olhei pra frente vi uma mulher morta, isso já não me assustava mais, você pode até me achar fria, mas eu estava vendo essas coisas desde meus sete anos e agora já tenho dezoito, eu só pensava em como sair dali e onde o protetor estava. Quando me levantei vi uma sombra no corredor que ficava depois de uma porta, a criatura era muito grande e meu instinto foi correr pra longe dele.
Não consegui ver quem era ou o que era, eu sei que ele falava um idioma que eu nunca tinha ouvido na minha vida e o jeito que ele falava me assustava, a única coisa que consegui ver foram as duas enormes e afiadas espadas nas mãos dele.
De repente, duas criaturas começaram a me puxar, gritar meu nome e segurar meus pulsos e pés. Quando olhei para trás a criatura que estava me seguindo sumiu. Me lembrei do bisturi que estava no meu bolso, guardei pois eu sabia que precisaria, então consegui soltar uma mão minha, peguei o bisturi e só consegui fazer um arranhão na testa dele pois uma outra criatura me segurou.
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