Notas iniciais
com o tempo ...

Já estou a uma semana no hospital psiquiátrico, estou sendo movida a comprimidos e injeções,
toda semana faço um exame diferente para saber que tipo de loucura eu tenho e nunca conseguem
resultado algum. Os sonhos não acontecem mais desde aquele episódio, mas eu simplesmente
não tenho sonho algum, já estou começando a pensar que eu estava realmente louca e os remédios
estavam fazendo seu devido efeito, mas tive essa sensação por pouco tempo. Aquele bando de malucos do hospital estava me deixando maluca também, eles me assustavam,
eles babavam, eles me irritavam. Eu precisava sair dali de qualquer jeito.
- Por que você está aqui? – um maluco perguntou.
- Eu também gostaria de saber, não sou louca nem nada.
- Ãh, eu também não, mas aqui a gente ganha doces... – o maluco falou se afastando.
- Era só o que me faltava. – falei indignada.
Por alguns minutos eu fiquei tranqüila, mas quando olhei pela janela, vi uma daquelas criaturas
que me segurou da última vez, senti um frio na espinha.

então ouvi um barulho de porta á se abrir , quando olho para trás me deparo com uma daquelas criaturas e estava com os punhos muito machucados e segurava um machado , logo em seguida ficou tudo muito claro e quando me dei conta ele estava vindo para a minha direção , e então joguei o álcool nos olhos dele, ele largou o machado e começou a gritar de dor nos olhos,
isso me deu tempo de descer as escadas novamente e pular a janela. Fui parar em um antigo celeiro escondido depois das árvores, entrei lá, fechei a porta, me escondi e tapei minha boca
para não emitir nenhum som. Esperei um tempo e ninguém apareceu, acho que tudo já tinha passado, mas quando olhei para trás, vi uma cena que fez meu coração bater ainda mais forte , uma garota muito cortada á minha frente , a menina estava morta e o machado que o monstro segurava estava do lado dela.
Ouvi um estrondo na porta e quando me virei para trás a criatura estava lá parada na
porta querendo o meu sangue, literalmente. Cada passo meu para trás eram três dele
na minha direção, tropecei no corpo da mulher morta e caí, o monstro veio para cima
de mim e eu comecei a ‘esfaqueá-lo’ com o bisturi, o rosto dele estava cheio de furos
e parecia que ele não sentia nada, ele consegui pegar o machado mas eu passei o
bisturi na mão dele fazendo-o largar, mas ele consegui tirar o bisturi de mim e cortar
toda a minha perna. Ele passava o bisturi lentamente na minha perna, assim eu
gritava mais ainda, e parecia que meus gritos eram música aos ouvidos dele, a pele
da minha perna estava destruída e eu não agüentei a dor e desmaiei.

- Samantha, acorde, Samantha... – era o médico do hospital.
- Oi... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI MINHA PERNA, TÁ DOENDO, ME AJUDA! –
gritei chorando e agarrando o jaleco dele. – ELE CORTOU, ELE, ELE VEIO ATRÁS DE MIM...
- Sam, Sam, caaaaaalma, ninguém veio aqui atrás de você! Você fez isso com você mesma.
Mas eu vou te ajudar... – o médico falou num tom calmo – você vai ser curada, ou eu não me
chamo George.
- Mas a mulher morta, não foi eu que matei, ela estava morta, ali, log... – apontei para o lugar
onde eu tinha visto o corpo, mas não tinha nada ali.
- Ninguém morreu Sam, você imaginou tudo isso.
- Não, eu não... – senti uma picada de agulha no meu braço e adormeci.

Eu estava no carro dele, o Protetor. É, eu nunca vi o rosto dele, mas eu me sentia segura com ele.
- Protetor? – falei surpresa – O que aconteceu aquele dia? Por que me largou dentro daquele cofre?
- Já disse que não sou seu protetor e continue abaixada.
- Mas por...
- Não tem ‘mas’, você quer continuar viva e quer que sua mãe também viva não? Então abaixe-se e cale-se.
- Minha mãe... – comecei a falar e o Protetor só olho para mim e eu fiquei quieta.
- Eu já disse, você não merece ficar aqui. Você não ficou quieta, agora eles te ouviram. Andamos de carro por algumas horas quando de repente o carro para drasticamente
me fazendo ser lançada contra o painel, algo abriu a porta e puxou o Protetor e ele só teve
tempo de dizer: — No porta malas tem tudo que precisa!
Logo depois tudo ficou quieto, não ouvi mais nada, só fiquei quieta, com dor e encolhida no
chão do carro. Só consegui ouvir o barulho do vento, e da areia batendo no carro. Depois de
algum tempo tomei coragem e saí do carro, vi uma trilha de sangue que logo sumiu, fui até
o porta malas e lá tinha de tudo, desde materiais de primeiros socorros até armas de fogo.
O Protetor estava em apuros, ele sempre me protegeu, agora era a minha vez de ajudá-lo. Eu estava andando por um deserto um tanto quanto incomum, o sol brilhava intensamente mas
eu sentia frio, muito frio. Andei por horas e horas e não chegava a lugar nenhum, meus pés estavam
cheios de bolhas e eu sabia que a caminhada se estenderia por muito tempo ainda. Eu não sentia
mais as pontas dos meus dedos, já saía sangue dos meus pés mas apesar de tudo cheguei ao que
parecia um antigo depósito, e para a minha surpresa alguém abre a porta. Logo um monstro no corpo de umamulher veio andando sobre mãos e pés , como se fosse um animal de quatro peernas , O medo tomou conta de mim quando aquele monstro veio para cima de mim. Não gosto de usar
a palavra ‘zumbi’ pois nunca acreditei neles e existiam histórias e mais histórias sobre eles e se eu
começar a usar essa palavra, você não irá acreditar em mim, irá pensar que estou inventado, irá
pensar que me baseei em filmes ou irá pensar que estou louca mesmo, como todos os outros pensam
eu suponho, mas creio que terei de usar essa palavra. ZUMBI, mas esse zumbi não era como os
outros, ele era bem vestido e não cambaleava enquanto caminha e isso fazia dele a criatura mais
rápida que eu já vi nos meus sonhos.

Eu corri o máximo que pude mas o zumbi me alcançava sempre por mais longe que eu já estivesse.
Comecei a pensar nas armas que deixei no meio do caminho, e só o que me restou foi o bisturi, água
oxigenada, uma faixa para curativo e uma picareta. PERFEITO! Saí correndo para tentar me afastar
nem que seja um pouco e parei no meio do caminho, quando me virei o zumbi já estava quase me
pegando, então joguei a água oxigenada nos olhos dele, não fez muito efeito mas foi o suficiente para
ele passar as mãos nos olhos e eu usar a picareta. Primeiro usei-a no joelho dele, para que ele caísse
e que fosse mais difícil se levantar, ele tentou se segurar em mim mas só conseguiu arranhar o meu
braço. Quando ele estava no chão, ele tentou morder a minha perna mas antes que ele chegasse com
os dentes perto de mim eu já os tinha quebrado todos. Comecei a bater nele até o seu rosto ficar mais
desfigurado do que já estava. Andei alguns metros e comecei a ouvir músicas e risadas de crianças e homens gritando. Isso me assustou,
pois eram risadas de maldade e músicas assustadoras. Andei devagar para não fazer nenhum barulho, mas no
meio do caminho havia um galho seco e sem querer eu pisei partindo-o ao meio, fazendo um barulho maior do
que o normal. Tudo ficou em silêncio e a porta do corredor se abriu.

Sombras apareceram por toda a parte.
- Vamos brincar? – uma voz de criança falou.
- Você é tão bonita... – outra criança falou mexendo no meu cabelo, quando eu virei não tinha ninguém ali.
– tão bonita que quero sua beleza para mim! – a voz completou e então pedras começaram a ser jogadas
em mim.
- Parem! Por favor... – eu gritei tapando meu rosto.
- Shh! Eles vão nos ouvir. – uma voz atrás de mim disse.
- É, não queremos que ele nos ouça, senão ficaremos de castigo. – outra menina completou.
- Quantos anos vocês tem?
- Eu tenho sete. – uma falou.
- Eu tenho cinco, sou a caçula. – uma outra menina disse.
- E eu tenho seis. – outra completou.
- E vocês mataram pessoas quando tinham essa idade? – perguntei assustada.
- Não. Matamos quando tínhamos a sua idade, nossos pais abusavam de nós, nos espancavam todos os dias...
- Não nos davam comida e ainda quebravam meus brinquedinhos. – a caçula falou.
- Mas por que estão com essa idade agora? – perguntei curiosa.
- Na outra fase, ou seja, na outra vida, nós começamos a pensar coisas ruins com essa idade, começamos a
matar animais, bater em outras crianças...
- É, quando nós viemos para cá, nós viemos com a idade que a maldade começou e vamos viver para sempre assim.
- Isso é o inferno? – perguntei e todas as meninas riram. – Qual a graça?
- Nenhuma mamãe. – a menorzinha falou.
- Aqui, é pior que o inferno. – a mais velha falou.
- Venha, vamos te mostrar todas as crianças... – as três meninas apareceram e pegaram na minha mão. - Não, esperem. Eu tenho que ajudar um amigo meu que está encrencado. – me abaixei olhando
nos olhos dela.
- Mas você vai voltar não é mamãe? – a menininha de cinco anos me abraçou.
- Qual o nome de vocês? – perguntei – para achá-las eu preciso saber o nome de vocês.
- Jully – a mais velha falou.
- Olivia. – a do meio disse.
- Carol. – a caçula completou.
- Ok. Preciso ir! – falei me afastando.
- Você vai morrer se for procurar por seu protetor. – Jully disse olhando para seus brinquedos.
– logo vi que você não merecia estar aqui.
- Você sabe onde o Protetor está? – me virei pegando na mão dela.
- Ele está com eles. Ele não podia ter te ajudado mamãe... – Carol falou – ele vai morrer por sua
culpa, mamãe. – e então todas começaram a rir.
- NÃO SOU A MÃE DE VOCÊS! E vocês vão ver, eu vou salvá-lo. – saí e todas começaram a cantar
novamente, e os gritos recomeçaram .

Notas finais
Comentários de Leitores . pfv