Finding Each Other
3 It's gonna be a long night
As duas mulheres não tiveram muitos problemas em encontrar o quarto da Mayor. Era o quarto maior da mansão. A parte pior era que agora Emma sabia exatamente qual seria a próxima pergunta que a morena iria dirigir a ela. Não tinham encontrado o quarto certo na primeira tentativa, era questão de tempo até Emma ouvir …
- Sheriff Swan, você percebeu que aquele outro quarto era de uma criança? – tinha sido mais rápido do que pensara. – Sim Madam Mayor. É o quarto de seu filho Henry. – Regina paralisou, um filho? A morena abanou a cabeça em negação, como se ao fazer isso pudesse mudar alguma coisa. Emma tentou tranquilizá-la logo que pode. – Não se preocupe que ele foi passar a noite na casa de um coleguinha. – “Mentira piedosa não é crime né?”, pensou Emma, mas continuou – Antes de ir atrás de você eu me certifiquei que algum dos pais dos colegas dele ficassem com ele. – Regina olhava desconfiada para a Sheriff. Estava achando essa atitude da loira demasiado estranha. Uma Sheriff, cuja função seria zelar pela segurança de todos os habitantes da cidade, mas com uma atitude algo distante e profissional, deveria cuidar do filho da Madam Mayor de forma tão pessoal? – Você é muito eficiente Sheriff Swan. – Se Emma não soubesse da falta de memória de Regina, ela iria jurar que esta estava sendo irónica e até mesmo sarcástica. – Sim, é meu trabalho. Já encontrou o que vestir? – Emma queria trocar logo de roupa para ver se conseguia um tempo sozinha para telefonar para Mary Margaret ou David. Regina acenou afirmativamente com a cabeça e virou-se para retirar duas mudas de roupa do grande closet que havia naquele quarto. – Aqui está Sheriff. Não sei se é seu estilo de roupa, se quiser pode escolher outra coisa. – Emma olhou para a roupa que Regina tinha escolhido para ela: umas calças jeans pretas justas e uma blusa branca simples de veludo. Emma sorriu para aquela escolha, nunca pensou que a Madam Mayor tivesse calças jeans no seu armário. Pegou nas roupas que a morena lhe entregara. – Não, foi uma ótima escolha. Obrigada. Vou para o banheiro me trocar. Fique à vontade. – Emma apressou-se a sair do quarto de Regina e foi correndo se trancar no banheiro. A loira procurou pelo celular nas calças que agora estavam coladas aos quadris e coxas por causa do banho de chuva que já havia tomado. Marcou o número de Mary Margaret e esperou impaciente que ela atendesse. – Atende Mary Margaret …vá lá! – Emma batia com o pé no chão, o que faltava acontecer era ela agora não conseguir falar com a mãe! Emma deu por si a sorrir ao aperceber-se da forma como tinha pensado em Mary Margaret. Era estranho ainda isso, mas ao mesmo tempo transmitia-lhe pela primeira vez na sua vida a sensação que pertencia a algum lugar. Emma estava ficando desesperada, porque ninguém atendia? Quando já estava prestes a desligar, ouviu uma voz masculina. – Emma, é você? – Era a voz de Archie. – Archie! Porque a Mary Margaret não atendeu o celular? – Com tanta coisa que havia acontecido na cidade com a chegada de Cora, Emma temia que tivesse acontecido algo a Mary Margaret. – Pelos vistos ela deixou o celular aqui em casa, mas não se preocupe que ela está com David. Falei com ele há pouco para avisar que você tinha ido atrás de Regina. Henry está aqui comigo e não há meio de o conseguir colocar para dormir. Mas fala Emma, o que aconteceu, Regina está bem? – Emma suspirou aliviada, não queria nem imaginar se algo tivesse acontecido com mais alguém de quem ela gostasse, “mais alguém?”, Emma apressou-se a desfazer-se daquele pensamento. – Regina ia-se matar Archie!! – Emma falou desesperada. – O quê??? Mas, mas .. agora ela está bem certo? – Notava-se pela voz do psiquiatra a apreensão que devia estar sentindo. Archie sempre quis ajudar Regina, não se ia perdoar ter falhado como médico. – Calma. Ela não conseguiu fazer o que queria, eu a impedi. – ouviu-se um suspiro de alívio do outro lado da linha – Mas algo aconteceu Archie… Ela atravessou a linha que marca a saída de Storybrooke e agora não se lembra de nada, nem do próprio nome. – Emma sabia que tinha de terminar de falar logo, pois já estava demorando demais e ainda nem tinha trocado de roupa. – Mas como ela esqueceu se ela era a única que desde de sempre mantinha as suas memórias? – Archie tinha destacado um ponto importante. Emma sempre pensara que apenas esqueceria quem estivesse sobre o efeito da maldição e Regina nunca esteve. – Pois é, nem deu tempo de pensar nisso direito com isto tudo. Não importa agora, o fato é que eu vi o que aconteceu e tenho estado com ela desde então e ela não se lembra. Não posso demorar muito mais Archie … olha, me faz um favor, não consegui trazer o revólver que Regina estava carregando com ela. Ele ficou caído lá na estrada ao pé da saída da cidade, e não é sensato deixar uma arma assim lá. Diz ao David para ir buscá-lo e para guardá-lo num lugar seguro. – Emma estava quase sem ar com tanta coisa que tinha que dizer e com tão pouco tempo para fazê-lo. – Outra coisa, preparem todo a gente com a possível aparição de Regina Mills desmemoriada. Eu não quero que ela entre em choque com a descoberta de toda a verdade sobre quem ela é. Tentem ver com o Dr. Whale ou com Gold alguma forma de trazer a memória dela de volta. Eu vou ficar por enquanto com ela na mansão para ver se consigo descobrir um jeito de ajudá-la. – Archie esperou sua vez de falar – Você acha que consegue trazer a memória dela de volta? – Emma olhou o seu reflexo no espelho do banheiro antes de responder – Eu não sei Archie … — Olhou o seu rosto de mais perto, estava suando frio, gotas de suor escorriam pela sua testa gelada. — … ela está tão perdida. Eu não sei como ajudá-la a encontrar-se. – A voz de Emma foi diminuindo de volume até ser somente um sussurro. Archie percebeu que Emma também não estava muito bem. Ele sabia, por experiência própria também, o quanto era fácil uma pessoa perder-se dentro de si mesma e deixar de saber quem era. – Você já pensou que talvez ela não queira ser encontrada, Emma? – Emma não conseguiu responder, mas no fundo não tinha importância, ela sabia que aquilo tinha sido uma pergunta retórica. Emma manteve-se em silêncio durante alguns segundos antes de conseguir achar a voz novamente. – Archie, cuida de Henry enquanto Mary Margaret e David não chegam. Diz para ele que Regina está um pouco confusa agora, mas que vai ficar tudo bem. Diz a ele que eu cuidarei da mãe dele, nada de mal lhe irá acontecer. Agora tenho de desligar. – e cortou a ligação.
Emma tinha de se acalmar, ela precisava de se acalmar rapidamente. Despiu-se daquelas roupas molhadas o mais rápido que pode e vestiu as de Regina, imaculadamente bem limpas, passadas e cheirosas. Abriu a torneira e uniu as duas mãos formando uma concha e encheu-as de água. Passou aquela água pela cara e secou-a logo de seguida com a toalha branca, macia e fofa que estava pendurada ao lado do lavatório. Olhou uma última vez para o seu reflexo no espelho e saiu do banheiro para ir de novo ao encontro de Regina.
Emma olhou para a morena que estava calada olhando para a noite da janela do seu quarto. A luz do luar batia suavemente no rosto da Mayor. O barulho da chuva era fraco, mas Emma reparou que a janela não estava totalmente fechada. Regina estava com os braços em torno de si mesma, em forma de um abraço apertado, ali junto ao parapeito da janela, provavelmente perdida… Emma não sabia ao certo. A loira apenas não conseguia deixar de olhar aquela imagem ao mesmo tempo perfeita e aterrorizadora. Aquela imagem era quase um vulto na penumbra da noite, se não fosse o fato do luar estar iluminando a face de Regina. Emma não conseguia ver o seu rosto totalmente, mas sim algo semelhante a um perfil. O perfil de uma mulher que tinha-se perdido para sempre. Não… para sempre é tempo demais. O perfil de uma mulher que um dia se perdeu, mas que era forte o suficiente para tentar se achar novamente.
O vento soprou com força, fez a janela bater e a morena afastou-se repentinamente de onde estava. Emma correu para fechar a janela, mas uma mão foi depositada delicadamente sobre a sua impedindo-a. – Deixe-a aberta, eu gosto de sentir o cheiro de terra molhada. – Regina estava sorrindo para a loira. – Mas assim ainda ficas doente de verdade. – Emma não deu importância àquela mão sobre a sua e continuou com a sua intenção de fechar a janela. Regina, retirando a mão, desta vez não mostrou intenção de voltar a impedir a Sheriff. Assim que a loira completou a tarefa, Regina avançou no espaço pessoal da outra. Emma recuou surpresa sem saber o que fazer, não estava acostumada a essa proximidade com a Mayor, pelo menos não sem uma estar tentando matar a outra. Reparou que a morena tinha o rosto um pouco húmido da chuva que a força do vento arrastou para dentro do quarto. – Eu só não quero que seja ainda mais prejudicada do que já foi. – disse a loira sem jeito. – Porque se preocupa tanto comigo? – Regina olhava para Emma com curiosidade. Emma estava amaldiçoando-se por não conseguir fazer aquela situação parecer normal e segura. A Mayor não era boba, estava percebendo que todo o comportamento de Emma em relação a ela não parecia se inserir no estritamente profissional. – Que pergunta Madam Mayor! Eu preocupo-me porque é meu dever de Sheriff. – Emma afastou-se mais da morena antes que metesse ainda mais o pé na poça. Regina olhou para baixo, triste. Emma sentiu-se logo terrivelmente mal, “Que grande Salvadora eu me saí! Só faço merda nesta vida!”, pensou irritada consigo mesma. Tentou recompor a situação, não havia necessidade de ser brusca com aquela mulher que simplesmente só queria respostas. – Me desculpe.. Regina, eu só não quero que os estragos sejam maiores do que já foram e muito menos que seja por culpa minha. – A loira tentou dar um sorriso apaziguador. As palavras de Emma fizeram a morena levantar o olhar incrédulo. – Culpa sua? Se não fosse por ti sabe-se lá o que me tinha acontecido àquelas horas da noite sozinha naquela estrada! Você me encontrou perdida lá e me salvou! Só tenho a agradecer. – Regina voltou a aproximar-se de Emma e colocou as suas mãos nas dela. Emma olhou para as mãos de ambas, os dedos entrelaçados, quentes e suados de nervoso. Se Regina soubesse a verdade, se ela lembrasse, Emma estava certa que a morena não estaria tão agradecida assim. Essa reacção por parte da Mayor só servia para aumentar o tamanho da culpa de Emma. A loira não encontrava o que falar, estava sendo difícil demais conviver com essa mulher nesse estado. Regina nunca lhe fora indiferente, antes Emma pensava que era porque era sua inimiga, mas ultimamente ela não estava tão certa assim. A voz da morena voltou a despertar a outra dos seus pensamentos. – É estranho o que eu vou lhe falar, mas … — fez uma pausa e olhou para as mãos de ambas — … eu tenho a sensação que nós eramos mais do que … — mordeu o lábio nervosa, e se ela estivesse confundindo tudo e fosse dizer um enorme disparate? Suspirou fundo e voltou o olhar para Emma. – Qual é exatamente a nossa relação Sheriff? – Emma arregalou os olhos de susto. O que ela ia dizer agora? “Nós temos um filho, mais ao menos … é complicado?”, estremeceu com o pensamento.
Emma voltou o olhar para as mãos dela, dela própria, as mesmas que eram tão delicadamente seguradas por outras mãos de uma pele tão macia que pertenciam nada mais, nada menos a Regina Mills. A loira engoliu em seco. – Regina eu acho que é melhor … — Regina avançou um passo em frente, fazendo com que apenas alguns centímetros separassem as duas mulheres. – Responde-me … estou errada? – Emma conseguia sentir o hálito quente expelido juntamente com as palavras da Mayor. A loira tremeu, não entendia o que estava acontecendo com ela. – Emma? – O seu nome pronunciado daquela forma por aquela mulher deixaram-na arrebatada e apavorada simultaneamente. Regina olhava para ela com tal intensidade que Emma só tinha vontade de mergulhar naquele olhar e se perder para sempre. Os olhos de Regina desceram até pousar na boca da loira, mas voltaram rapidamente para o seu olhar. – Diz-me que não estou errada Emma … — Emma não sabia que responder aquilo. Ela não devia, era errado demais. A resposta certa seria negar e virar as costas. Era loucura se entregar àquele desejo que a envolvia e a prendia como se de uma armadilha se tratasse. Emma nunca se tinha sentido tão apavorada em toda a sua vida. Ela sabia que já tinha errado tanto, não podia pisar na bola de novo, não com Regina. – Regina … — sussurrou, pois não conseguia fazer a sua voz soar mais alto — … nós … não … — A morena se aproximou mais da loira e focalizou sua atenção na boca desta. Emma tentou reagir, uma última tentativa – Regina, você não se lembra, não podemos … — mas Regina a cortou – Então me faz lembrar. – e num último impulso, a Mayor eliminou o espaço que restava entre as duas e beijou a boca de Emma, com força, com desejo e com desespero.
Notas finais
Sim, eu sei, eu sou muito Evil em deixar assim! AHAHAHAH
Gostaram? Hope so! =) Até breve.
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