Notas iniciais
Boa Leitura. Capítulo grande e interessante Hihi

Mais uma vez, fiquei feito uma planta na aula. Não me escondi atrás de Cissa, sentei-me num canto, ao lado da janela, e passei boa parte do tempo olhando pra rua, pro céu nublado, às árvores vistosas, e a cidade de Dublin, tudo tão lindo. Mas desde que me mudei pra cá as coisas têm sido diferentes. Talvez porque quando eu morava em Londres, minha mãe camuflava a realidade pra mim, permitindo que eu soubesse apenas o que lhe convinha. Minha vida era mais fácil, com toda certeza, mas agora penso que pode ter sido tudo ilusão, a carta não saía da minha mente. Quase 100% de certeza de que a mentira sobre a família vem por parte de Diana. Isso seria a explicação mais plausível para o que ela fez comigo esse tempo todo.

Também não posso descartar a hipótese de que outro membro da família possa ter algum podre escondido. Quando penso em Friedrich, meu irmão, estremeço. Jamais vi ele com qualquer pingo de maldade antes. Ele só representa coisas boas pra mim. Algum fato sobre ele agora, poderia jogar um balde de água fria na nossa relação. Anyway, essa carta não pode ser coisa boa. Essa pessoa quer semear alguma discórdia na minha família. Resta saber se é de fato verdade e sobre quem se trata.

Perdida nos meus devaneios, nem percebi quando o sinal do intervalo tocou. Apenas despertei pra vida quando Aurora me cutucou pra me chamar pro almoço.

— Ei, amiga. Vamos sair? Já tocou o sinal.

— Vão indo na frente, encontro com vocês na cantina III.

Esqueci que o Professor Jones ainda estava na sala, e assim que Aurora saiu, ele trancou a porta e fechou as cortinas que davam para o corredor.

— Então, você vai me dizer o que está acontecendo com você, Elena? – Ele veio em minha direção e sentou sobre a minha carteira – eu te mandei algumas mensagens ontem à noite, mas você visualizou e nem à merda me mandou.

Sorri ironicamente com a audácia daquele traste.

— Ah, me desculpe. Pensei que a sua ninfeta do momento fosse Cecília. E além do mais, tenho mais coisas a me preocupar. – Guardei minhas coisas e fiz menção de me erguer.

Ele, com expressão de dúvida, impediu-me colocando a mão direita no meu ombro esquerdo.

— Do que você está falando, garota? Está ficando louca? – ou ele era muito dissimulado, ou realmente não sabia do que eu estava falando.

— Então é isso, você quer me ouvir falar? Quer que eu fale sobre você estar dando mole pra uma das minhas amigas dois dias depois de ter saído comigo. Se é que isso não vem acontecendo há dias né?!

— Você está brincando, não pode ser sério. – ele riu, gargalhou, a ponto de jogar a cabeça pra trás e pôr a mão na barriga. – Eu dando em cima da sua amiga? Que história é essa Elena?

— Sim, ela me falou que ontem mesmo você passou a aula toda olhando pra ela e desviando o olhar, e que você parece ter uma perversão com as alunas.

— Mas e você não falou nada sobre nós pra ela?

— Primeiramente, eu teria que ser louca. Uma relação afetiva entre nós poderia nos custar caro aqui na universidade, e em segundo lugar, não existe “nós”, Professor Jones.

— Para com isso, garota. O que acontece entre nós é fora dos muros do campus.

— Quero ver você conseguir provar isso caso alguém nos denuncie.

— Ninguém vai nos denunciar, Elena. A gente pode fazer isso escondido – ele sorriu perverso enquanto acariciava meu cabelo levemente e se aproximava cada vez mais – só depende de você. E não tem nada entre mim e Cecília. Tire isso da cabeça, mulher – e nosso segundo beijo aconteceu. Não foi tão gostoso quanto o primeiro, mas só quando que ele acabou que percebi o quanto eu estava com saudades disso.

— E sobre a história de “a nossa história acontece fora dos muros do campus”? – brinquei, com o humor bem mais leve.

— Ninguém vai saber disso. E foi uma exceção. – ele me encarava tão suavemente que até esqueci de todos os grilos que me cercavam alguns minutos antes.

— Agora me deixe sair, aliás, ninguém pode saber disso.

Trocamos mais um beijo rápido, o que me fez pensar que talvez estivéssemos começando uma relação séria. Saí da sala sorrindo como se tivesse visto um pássaro verde. Como algumas coisas simples conseguem mudar nosso dia, não é mesmo?

♥

No período da tarde a aula não foi com o Philip. O que, de certo modo, foi bom, pois evitei me distrair com o sorriso casual dele, a forma que ele explicava tão majestosamente mesmo com as mãos enfiadas nos bolsos na calça jeans, e todos aqueles traços tão únicos e maravilhosos que prendiam minha atenção de um jeito fora do normal.

O tempo acabou passando rápido, e mesmo eu não tendo Philip em pessoa para me distrair, fiquei a maior parte do tempo pensando nele, e fantasiando nossas vidas juntas. A distração foi tanta que esqueci completamente da tão misteriosa e perturbadora carta recebida hoje mais cedo.

Mas o esquecimento durou pouco. Ao chegar em casa após a aula, enquanto as meninas subiram fui direto para a caixa de correio destinada ao nosso apartamento. Alguns panfletos de publicidade, conta do cartão de crédito da Cecília, e finalmente outra carta sem remetente direcionada a mim. Outra coisa chegou à minha mente então. Tudo bem essa pessoa saber meu prédio, pois pode ter me visto entrar nele alguma vezes, mas como saberia o número do meu apartamento? Isso está me deixando cada vez mais intrigada.

Subi, deixei as demais correspondências sobre o aparador ao lado da porta e fui direto pro quarto. Eu estava tentando não transparecer preocupação para minhas amigas. Elas não mereciam isso. Mesmo estando ansiosa pra saber o conteúdo do bilhete eu estava com um pouquinho de medo do que poderia estar escrito. Então decidi primeiro tirar a roupa e colocar algo mais apropriado pra ficar em casa. Tirei a maquiagem, coloquei pantufas e finalmente sentei na cama para abrir o envelope.

— Amiga, você pode vir aqui no meu quarto um instante? – interrompeu Aurora ao abrir a porta.

— É claro. Vamos lá. – em outras circunstâncias essa interrupção poderia me deixar irritada, mas, isso iria adiar um pouco mais o momento que eu queria, mas ansiava.

Chegando ao quarto de Aurora, Cecília também estava lá, com dois cabides das mãos enquanto alguns outros estavam espalhados sobre a cama.

— Lembra que falei que Albert tinha me chamado pra sair, e viria ainda essa semana? – perguntou pra mim visivelmente nervosa.

— Ah, sim. É hoje?

— Sim. Eu achei que fosse demorar mais. Estou um pouco nervosa.

— Bem, parece que ele está com pressa de te ver, falar com você – abracei ela tentando reconforta-la.

— Exatamente, garotas. E precisamos que você esteja bem gata e deslumbrante pra ele cair de costas quando te ver. – Cissa se meteu e estragou nosso momento fofo de amigas, mas me fez rir – O que você acha desse vestido aqui, Elena?

— Esse? – era um vestido um vermelho escuro lindo, porém curto e cheio de aberturas – Bem, acho um pouco ousado demais pra um jantar de reencontro. E não sabemos qual a pauta da “reunião”. Além do mais, o tempo está fresquinho, Aurora vai morrer de frio com isso.

— Aí é só colocar um agasalho, Elena – rebateu ela.

— E pra que ela vai colocar o vestido se for pra cobri-lo? Reserve para um segundo encontro, se haver, numa balada.

— É, bem pensado.

— Você disse que ele te chamou pra jantar, né?! Você já sabe para onde vão? É um estabelecimento fino, popular, romântico, universitário? – indaguei, de fato, curiosa.

— Albert disse que era uma surpresa. Mas que tinha certeza que eu gostaria.

— Posso estar errada, mas acho que Albert quer você de volta, Aurora. – estalou Cissa, esperançosa.

— Não sei o que pensar. Não me confundam mais, suas loucas. – rimos em coro, mas o nervosismo ainda pairava.

♥

Depois de várias provas de roupas e sapatos, combinações de um jeito e outro, palpites e sugestões, Aurora finalmente ficou pronta. E magnífica. Ela optou por ir mais casual, e deixar a formalidade para um possível próximo encontro. Afinal, por não saber o lugar onde iriam, seria muita gafe ela vestir-se em trajes de gala pra comer um big mac no McDonalds.

Mas mesmo na simplicidade, ela continuava estonteante. Com seus cabelos acobreados escovados e com leves cachos naturais caindo sobre os ombros, uma maquiagem leve, porém seus olhos escuros e profundos estavam bem marcados e diziam muito sobre ela. E Aurora optou por uma saia de alfaiataria preta acima dos joelhos, e uma camisete azul de meia manga de seda. Nos pés, saltos altos também pretos. Apenas radiante.

— Então, estou um arraso? – sorriu empolgada.

— Um arraso total. Albert vai cair de quatro quando te ver, amiga – respondi com toda sinceridade.

— Nem preciso dizer mais nada. Apenas divirta-se, e se ele te decepcionar, quebra a cara dele. – completou Cissa, com humor em suas palavras.

Às 8h em ponto o interfone toca e Cissa atende.

— É ele, já avisei que você está descendo.

— Obrigada meninas. Me desejem sorte. – e abraçou nós duas.

— Quem precisa de sorte quando se é Aurora Lincoln?

— Isso aí, garota. Arrasa!

♥

Depois que Aurora saiu para seu jantar com Albert para uma finalidade misteriosa, eu e Cecília fomos para a cozinha prepara um espaguete com carne moída pra comermos. Não conversamos nada importante. Ela inclusive comentou que durante o dia, Philip mal tinha olhado na cara dela. Mas isso não importava mais. Jantamos em harmonia, arrumamos a cozinha, e só enquanto eu terminava de guardar nossos talheres que lembrei da carta. Logo, me despedi de Cissa, alegando cansaço e fui pro meu quarto a fim de ler a tão polemica carta.

Rasguei o envelope até um pouco trêmula.

“Imagino que seria importante você saber que sua mãe não é a lady que diz ser. Atenciosamente, seu informante.”

Encarei o simples e objetivo bilhete por alguns longos minutos. Permaneci imóvel sentada sobre minha cama sem saber muito bem o que pensar. A única coisa que foi esclarecida foi que o assunto é sobre minha mãe. Eu não tinha muitas dúvidas sobre isso. Foi um alívio saber que não tinha nada a ver com Friedrich, mas as pulgas atrás da orelha sobre O QUE CARALHOS ESSE INFORMANTE SECRETO ESTAVA QUERENDO ME DIZER.

“Sua mãe não é a lady que diz ser.” Isso dá margem pra pensar várias coisas sobre minha mãe. Que ela não é bem certa eu já sei, há anos. Mas o que significa exatamente dizer que ela não é uma lady?

Tive um pequeno estalo de ligar pra minha mãe, mas seria inútil. Não sei quando pensei que ela abriria o jogo pra mim, assim, do nada.

Ficar me torturando com perguntas sem respostas também não ajudaria. E aí lembrei de alguém.

“Oi, você está livre hoje?” – 21:07

“Pra você, estou sempre.” – 21:09

“Às 22 no O’Donoghue’s?” – 21:09

“Te pego às 21:30 (e se der tudo certo, a noite toda) ;)”— 21:09

Philip é demais, realmente. Não sei porque nos estranhamos tanto assim que nos conhecemos. No fundo, temos algumas coisas a ver. E eu adoro gente irreverente. Ponto pra Philip Jones.

Disse pra Cissa que um carinha que conheci no tinder tinha me chamado pra sair. E às 21:20 eu desci pro hall e esperei pela chegada de Philip. E ele, e sua pontualidade gritante não decepcionaram. A única coisa que estranhei foi o caminho que estávamos indo.

— Ainda não conheço Dublin perfeitamente, mas desconfio que o O’Donoghue’s fique na outra zona da cidade. – intrigada, comentei.

— Pois é. Mudei de ideia. Não vamos mais pro O’Donoghue’s.

— E posso saber pra onde nós vamos, então?

— Logo, logo você descobre – e colocou a mão sobre meu joelho.

♥

Phil parou em frente a uma garagem, pegou um objeto pequeno na mão e em segundos o portão a nossa frente estava se abrindo. Entramos no subsolo, numa garagem, e ele estacionou seu carro em uma vaga próxima ao elevador.

Ele desceu do carro, abriu a porta pra mim, ativou o alarme, pegou minha mão e me direcionou até o elevador.

— Se minha mãe visse isso, ela me bateria tanto que eu viraria azul. – comentei para quebrar o silencio.

— E que motivos a levariam a isso?

— Aceitar sair com um quase estranho, numa noite, sozinha, para um lugar que não conheço. É uma loucura.

— Você não confia em mim, Elena? – ele pareceu nervoso.

— Estou falando da minha mãe. Relaxa.

♥

— Bem-vinda a minha humilde residência, senhorita Eisenhauer. – falou Phil, cordial, ao abrir a porta pra mim.

HUMILDE? CARALHOS. Essa casa dele é chique pra cacete. Móveis projetados, tudo em tons claros, e organizado demais. Mas é confortável a sensação de estar ali. Não seria nem um pouco difícil me acostumar a viver aqui. Mas que porra. Acalma a periquita, Elena. A segunda vez que saímos juntos, nem sequer transamos, e já estou fantasiando morarmos juntos. Socorro.

— Você quer beber alguma coisa, Elena? – despertei do meu devaneio sobre casamento e tudo mais.

— Bem, se não for pra beber, pra que mais viemos pra cá? – só me dei conta da gravidade da minha pergunta após tê-la pronunciado. Foi um grande erro levantar essa questão.

— Posso dizer que tenho algumas coisas em mente. – merda. Jamais fiz sexo antes do terceiro encontro. Eu poderia botar tudo a perder nessa noite. Ok. Sei que não é um grande problema, mas, Jones pode estar saindo comigo só pra me comer. Ou também, se eu aceitar dar pra ele hoje, ele pode me considerar fácil demais e me mandar pastar. Merda tripla. – Elena? – ele interrompeu meus pensamentos de novo.

— Vai querer beber o que?

— Você tem Martini?

— Tenho tudo o que você quiser. Tudo mesmo. – Droga, ele estava usando conotação sexual em tudo. Maldito, tão sexy, bonito, e maravilhosamente gostoso. Espero que valha a pena essa quebra de regra do terceiro encontro. Ajuda, Deus, pra que ele seja bom de cama.

De qualquer forma, não tínhamos muita intimidade, eu precisaria de alguma coisa que me encorajasse. Uns dois ou três goles de Martini podem ajudar.

— Aqui está. Martini pra senhorita, e um Whisky 20 anos pra mim. – alcançou o copo – Saúde, Elena.

— Saúde – brindei e tomei um gole grande demais. Acabei tossindo um pouco e fazendo um escândalo, que o fez rir da minha cara.

♥

Depois de umas doses de álcool estávamos nós no sofá amplo e confortável da sala de estar, apenas à luz de um abajur e ao som de nossas risadas. Eu já estava visivelmente alterada. Phil parecia sóbrio. Será que o vagabundo me embebedou pra me comer com mais facilidade?

— Você sabe que transar com mulheres bêbadas caracteriza estupro, né? – questionei, me enrolando ao pronunciar as palavras mais difíceis.

— Eu sei que você está pensando que quero me aproveitar de você, Elena. – ele acariciou minha bochecha e segurou minha cabeça entre as mãos. – mas não vamos fazer nada que você não queira aqui. Posso te levar pra casa assim que você pedir, ou podemos ir pro meu quarto e dormir, ou até mesmo posso deixar você dormindo sozinha lá, enquanto eu durmo aqui nesse sofá.

— Ah, Phil, qual é?! Só quis brincar com você. Nem me venha com essa de apenas dormir, ou ir pra casa. – Fico totalmente sem papas na língua quando bebo. É aquele ditado: “Quando a bebida entra, a verdade sai.” – Eu sei, desde o momento que entramos na garagem, que você queria me comer. – e ri descompassadamente.

— Não fale assim tão vulgar. Vou parecer um cafajeste. – ele também riu. O clima estava ótimo. Não podia melhorar.

Interrompi aquele riso gostoso com um beijo. Daqueles de tirar o fôlego mesmo. Joguei meu corpo sobre o dele, e caímos em seu sofá, eu montada sobre ele, beijando Phil como se jamais tivesse feito isso antes.

— Ei, ei, ei. Vai com calma, mocinha. – Phil segurou minha nuca e puxou pra longe dele.

— E agora você vem me falar de calma?

— Vem cá, vamos pro meu quarto – ele levantou do sofá, e aos tropeços o segui pelo amplo e comprido corredor que separava os muitos cômodos daquela enorme casa.

Entrei no seu quarto, atrás dele, e empurrei ele pra cima da cama. Nem me dei ao luxo de admirar o cômodo. Havia algo muito mais interessante pra ser admirado naquele recinto. E eu estava bem disposta a inspecionar cada pedacinho.

Montei nele novamente, e logo tirei minha camiseta. Eu estava vestida pra ir na padaria, aparentemente. Quando digo que eu não esperava por sexo, minto descaradamente, pois vesti uma lingerie bem bonitinha, e graças ao senhor Deus, a depilação estava em dia. Quando botei o pé pra fora de casa naquela noite, algumas horas antes, eu sabia que qualquer coisa poderia acontecer. Desde uma cerveja no O’Donoghue’s e em seguida retornar pra casa frustrada, até ficar muito louca e amanhecer morta e com formigas na boca num beco qualquer. Eu penso bem amplamente.

Philip também parecia um pouco desesperado. Não imagino há quanto tempo ele não transava, mas imagino que, do jeito que ele é gostoso e rico, deva ter mulheres na sua cama todo dia. Pensar nisso tirou um pouco meu tesão, mas no momento que ele girou e ficou em cima de mim, pressionando a região púbica na minha, todos os pensamentos ruins foram embora e a excitação pairava sobre nós.

Logo ele ficou de joelhos sobre a cama, entre minhas pernas e tirou a camiseta cinza que ele vestia. Senhor, que peito era aquele. Instintivamente levei as mãos até aquela escultura e estremeci quando toquei. Ele é muito gostoso.

Tiramos nossas roupas em meio a beijos e mordidas, e pegações loucas que estavam me deixando com a boca seca, porém com a calcinha molhada. Senti o efeito do álcool passando, aos poucos, e a sensação de prazer se intensificava a cada toque.

Philip sabia exatamente o que estava fazendo. Devia ser um homem experiente. No auge dos 34 anos, ele batia um bolão. Tirou meu sutiã com uma mão só, atirou-o longe e literalmente, caiu de boca nos meus peitos. Não havia o que falar. Só sentir. Eu gemia alto, enquanto puxava seus cabelos na minha direção e me contorcia toda, esperando ansiosamente para ser fodida copiosamente a noite toda. Sentia chupadas firmes e precisas em ambos seios, e previa marcas roxas na manhã seguinte. Mas naquele momento nada importava. Então ele começou a descer, com uma trilha de beijos e lambidas na direção certa para a felicidade. Quando alcançou minha calcinha eu estremeci. Ela estava úmida, molhada, encharcada. Pude ver seu sorriso de satisfação quando se livrou dela.

Se posicionou entre as minhas pernas, flexionou meus joelhos, e tudo isso olhando no fundo dos meus olhos, fazendo com que eu me derretesse no seu olhar.

Vocês sabem aquele ditado que usamos quando uma comida é muito boa? Aquele de: “Nossa, isso é de comer rezando”? Pois é. Enquanto eu era magnificamente chupada por aquele homem, rezei pra todos os santos por estar naquela situação com aquele homem. Só que nesse caso, quem estava prestes a comer, era ele. De qualquer forma, fui ao céu e voltei várias vezes, com a sensação de ter um orgasmo como jamais tive na vida.

Devido às minhas condições anteriores, eu tinha saído com no máximo seis caras, e transado com três, e um deles tinha sido meu namorado. Experimentar um cara como Philip Jones era ganhar na loteria do prazer.

Ele deitou ao meu lado assim que me fez gozar; eu ofegava loucamente, mas me sentia na obrigação, e com muita vontade de retribuir os serviços orais que me foram prestados. Por não ser profissional no assunto, não sei como me saí, mas dei o meu melhor, e do jeito que ele gemia, do jeito que ele puxava meu cabelo num vai e vem, e pelas palavras sem nexo que ele pronunciava, presumo que tenha me saído bem.

— Elena, pare. Agora. Por favor.

Ele falou firme, e gelei na hora. Será que eu tinha o machucado, ou estava tão ruim que ele não aguentava mais?

— Se você continuar, eu vou gozar. E não quero parar agora – ele falou, finalmente, depois de respirar bem fundo.

Relaxei, e subi me esfregando nele até chegar à sua boca. Nos beijamos muito eroticamente, e ficamos nos acariciando e trocando amabilidades por minutos a fio. Eu estava ainda excitada, afinal, não tinha sido penetrada naquela noite. E há um bom tempo.

Phil me surpreendeu, me atacando novamente, pulando em cima de mim, mordendo meu pescoço, e quase urrando de prazer. Levou a mão à cabeceira, abriu uma gaveta e pegou alguma coisa. PUTA MERDA, CAMISINHA. Se não fosse ele, eu não lembraria. Maldita mania. Tenho que me acostumar com isso, ou qualquer dia vou aparecer com uma DST horrível. Não que eu desconfie de Philip. Mas prevenção nunca é demais.

Ele foi rápido e ágil, e bem lentamente, penetrou seu extenso e duro pau em mim. Revirei os olhos, cravei as unhas em suas costas e mordi seu ombro com tanta força, que acho até que o machuquei. Mas foi uma sensação jamais antes experimentada. Os caras que eu saía não eram muito bem dotados e não sabiam como estimular uma mulher. Mas toda regra tem sua exceção. Philip era a minha.

E assim permanecemos por muito tempo. Perdi a noção de espaço, tempo e lugar. Só lembro de estar exausta. E lembro de acordar. A janela estava aberta. A luz do sol entrava. Philip estava dormindo com metade do corpo sobre mim. O relógio de cabeceira marcava 8:30 da manhã. PUTA QUE PARIU. ESTOU... ESTAMOS FODIDOS.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Até a próxima.