Finally found you
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A manhã chegou bem mais rápido do que eu gostaria, me espreguicei na cama e levantei. O chuveiro quente tirou o resto de sono, e eu me vesti de forma simples, porque estava faminta demais para demorar muito tempo me arrumando.
Abri a porta e quase caí para trás de susto quando vi Klaus parado me olhando.
― Juro que ia bater.
Disse ele tentando conter o sorriso. Meu coração disparou involuntariamente, seus olhos sempre foram lindos assim?
― O que faz aqui tão cedo?
Perguntei azeda, tentando arrumar um pouco o cabelo.
― Eu vim aqui para te buscar e realizar seus mais profundos desejos...
Ele arqueou uma sobrancelha e eu sai do quarto batendo a porta.
― Bom meu desejo mais profundo no momento é um belo café da manhã. Pode fazer isso?
― Vou levar você para tomar o melhor café da manhã da cidade.
Estendeu o braço para mim, eu hesitei por uma fração de segundo, entrelacei meu braço com o dele e saímos do hotel.
Quando chegamos a um pequeno restaurante com mesas ao ar livre sentei na mesa já pegando o cardápio e ele sentou na minha frente.
Levantei os olhos do cardápio e o peguei me encarando com um sorriso contido, voltei a olhar para baixo. Escolhi panquecas, bacon, ovos mexidos e suco de laranja.
Depois que fiz meu pedido me voltei para ele, que me encarava da mesma forma. Me senti estranha com isso. Seu olhar era feliz mas meio cauteloso, como se eu fosse uma bela visão, porém volátil demais para durar. Eu entendia que ele se sentisse assim, afinal nossos históricos de conversas não eram dos melhores, sempre acabavam em ameaças de morte, ou traições.
― Quer parar com isso? Está parecendo que criei chifres!
Perguntei meio irritada a ele.
― Longe disso amor. Mas é tão surpreendente ter você aqui, que fico achando que você vai partir a qualquer momento.
― Eu não vou desaparecer, tenho um mês inteiro de férias, então pode se acostumar a me ver por aqui.
Seu sorriso se alargou um pouco quando eu disse isso. E juro que nunca tinha reparado que quando ele sorria, seu rosto ficava mais leve, era quase como se todas as coisas ruins diminuíssem um pouco.
― Férias da faculdade, hum?
― Sim, férias da faculdade. Algum problema?
A garçonete chegou com nossos pedidos, e eu me distrai momentaneamente da conversa, e me concentrei nas deliciosas panquecas com mel que estavam na minha frente.
― Você não estava brincando quando disse que estava faminta...
Observou ele, enquanto eu tomava um pouco meu suco.
― Não. E agora, me diga o que tem de errado com a faculdade?
― Nada, só me perguntando se está dando certo para você.
― É claro que está. Minhas notas estão ótimas.
Evitei olhar para ele quando disse isso. Minhas dúvidas eram aparentes demais quando eu falava nesse assunto, e Klaus era perspicaz demais para não notar.
― Não isso, quero saber se está dando certo você fingir que é humana.
Parei com a colher no ar. Meu mundo parecia dar voltas estranhas. Apesar de eu mesma está me fazendo essa pergunta, não queria que ele viesse acrescentar mais colheradas num prato que já está cheio.
― Para o seu governo, eu não estou fingindo nada. Eu gosto de fazer faculdade, e me desculpe se eu não saio por aí matando pessoas e derramando sangue para provar que sou vampira.
Seu sorriso sumiu com minhas palavras.
― Oh é claro, me desculpe, esqueci que você vai fazer uma carreira no canal 9, e ter uma cachorrinho de estimação.
Sua voz estava carregada de sarcasmo. Joguei a colher no prato.
― O que eu vou ou não fazer no meu futuro, não é absolutamente da sua conta Klaus.
― Para que tudo isso Caroline? E se você acha que não deve me responder, responda para você mesma. É essa vida de cidade pequena que você quer?
Mesmo detestando admitir, ele estava coberto de razão, e era um dos motivos pelos quais eu estava ali. Tentando ganhar mais da vida, do quê trabalhos da faculdade e festas de fraternidade.
― Eu estou aqui, não estou? Eu quero mais, quero conhecer pessoas, quero ver o que o mundo tem a me oferecer.
― E é para isso que estou aqui amor. Para te dar o mundo.
Ele soou confiante e feliz. Não pude evitar de sorrir para ele, mesmo sabendo o quão estranho era estarmos aqui, tomando café, e conversando civilizadamente.
― Ótimo.
Respondi simplesmente, não queria dizer o quanto eu queria me desprender de tudo e sair com ele para cada canto do mundo onde ele quisesse me levar. Essa constatação tão forte, só me reassegurou do que eu já estava irremediavelmente apaixonada por ele.
― Então... para onde vamos agora?
Perguntei quando terminei de tomar café.
― Para minha casa, depois vamos ao museu. Eles estão com uma exposição de arte moderna incrível. Você vai adorar.
Levante da cadeira e ele me deu o braço de novo.
― Suponho que tenham algumas pinturas suas não?
― A exposição não é tão maravilhosa assim, mas eu tenho algumas expressões da minha alma perturbada em casa se você realmente quiser ver.
Eu sorri um pouco com ele e fomos caminhando devagar.
Assim que chegamos lá, notei que chamar aquilo de casa era subestimar e muito a verdade. Era uma mansão, com direito a fonte no jardim e tudo.
A sala de estar era espaçosa e decorada impecavelmente. Eu tinha que admitir que os Mikaelson sabiam decorar uma casa.
Assim que entramos vi uma loira deitada no sofá folheando uma revista, ela levantou os olhos quando nos viu chegar.
― Olha só se não é a Caroline Chatinha Forbes.
― Olha só se não é minha original menos favorita.
Rebekah se levantou do sofá e sorriu para nós.
― Sabemos quem é seu original favorito Caroline, mas me diga, como vai Tyler?
Cerrei os punhos. Essa garota me dava nos nervos.
― Vai bem, principalmente porque está bem longe de você.
Responde por entre os dentes. Se bem que a verdade é que Tyler não estava tão bem assim. Ele voltou para Mystic Falls depois da sua tentativa fracassada de se vingar do Klaus. O clima entre nós passou de estranho para insuportável, depois que ele descobriu que eu tinha ficado com Klaus. Ele ainda morava na mansão dos pais, e passava quase que o dia inteiro bebendo no grill.
― E longe de você também querida, ele já sabe que você já veio correndo para a cama do meu irmão?
Engoli em seco para não sibilar.
― Rebekah, Caroline é minha convidada e eu exijo que você a respeite.
Klaus a repreendeu e ela deu de ombros voltando a se sentar.
― Tanto faz, vocês homens são mesmo babacas quando se trata de mulheres.
Ele sorriu como se aquilo tivesse um significado diferente para ele.
― Não projete em minha sua frustração por Marcel estar com Camille irmãzinha...
Ela olhou para ele com raiva e jogou a revista nele, que se esquivou sorrindo mais ainda.
― Você é um idiota Nik.
Ela saiu batendo os pés, e bateu a porta com tanta força que sentimos as dobradiças tremerem. Só então me dei conta do que ele falou.
― Camille? Uma bar tender?
Ele olhou para mim de um jeito estranho.
― Você a conhece?
― Claro, foi no bar que ela trabalha que aqueles vampiros me pegaram. Ela namora com Marcel? Ela sabe que ele é um vampiro?
― Sabe.
Ele pareceu meio consternado quando disse isso.
― Venha, vou mostrar seu quarto.
Subimos as escadas e paramos no terceiro quarto do corredor, ele abriu a porta para mim e eu entrei.
Tinha uma cama enorme no meio, minhas malas já estavam aqui. Uma enorme penteadeira de mogno ocupava o lado direito da cama com uma espelho tão grande que refletia quase o quarto inteiro. O closet era enorme, e eu me apaixonei por ele quase que imediatamente, imagine só o que eu poderia fazer com todo esse espaço? Mas você só vai ficar por um mês Caroline! Lembrei para mim mesma.
O banheiro era enorme também, e era todo de mármore branco e preto.
Saí de lá e olhei para ele sorrindo.
― É lindo!
― Sabia que ia gostar. Agora vamos, a exposição vai começar daqui a pouco.
Ele ia se dirigindo a saída mais eu o chamei.
― Espere, Camille... Marcel está hipnotizando ela?
Aquele era um assunto delicado para mim, Damon tinha me usado dessa forma uma vez, e Camille parecia ser uma boa pessoa e não merecia isso.
― Ela toma verbena Caroline. Sabe sobre ele e sobre tudo.
― Mas ele e Rebekah não se meteram em tantos problemas para estarem juntos? Porque se separaram?
― Minha irmã, não é a pessoa mais fácil do mundo, e além disse Camille tem seus encantos...
O quê? Como assim encantos? Será que Klaus...
― Encantos?
― Esqueça isso Caroline, eles que se entendam.
― Você e ela...
Ele me olhou meio sem graça. Droga! Será que Klaus gostava dela?
― Você gosta dela?
Perguntei com o ciúme cobrindo meus pensamentos.
― Você está com ciúmes?
Ele perguntou contendo o riso como se fosse a coisa mais legal que tivesse lhe acontecido.
― Sério? Porque eu teria ciúmes dela?
Saí batendo o pé e trombando nele no caminho, ele sorriu mais ainda e me puxou pelo braço.
― Eu nunca tive nada com ela Caroline. Mas ela é especial.
Baixei os olhos, me sentido ridiculamente triste.
Ele colocou o dedo no meu queixo e levantou meu rosto para que eu encarasse.
― Mas aconteceu uma coisa a alguns meses, que mudou totalmente o modo como me sinto em relação a outras mulheres. Só restou uma.
Meu coração disparou e eu olhei para seus lábios vermelhos e convidativos. Nossa como eu queria esse homem. Ele me olhou de volta e eu vi o desejo brilhar em seus olhos, ele foi se aproximando devagar...
― Irmão. Como vai?
Ele se afastou de mim e deu um passo para trás.
― Elijah. O que você está fazendo aqui? Quem está com...
Suas palavras morreram nos lábios e ele encarou Elijah tentando transmitir alguma mensagem. Os alarmes na minha cabeça soaram imediatamente.
― Está tudo bem irmão, Rebekah vai ficar na... outra casa por um tempo. E você Caroline, como está?
― Estou ótima Elijah, obrigada. A casa é linda.
― Obrigada. Desculpe pelas ofensas que tenho certeza que Rebekah fez, ela é meio impulsiva as vezes.
― Não se preocupe, eu sei lidar com isso.
Elijah era um perfeito cavalheiro, falava calmamente e transpirava confiança. E isso poderia ser facilmente perigoso, porque quando parecia que você podia confiar em alguém, era muito mais fácil se machucar. Mas eu esperava que Elijah fosse uma boa pessoa, e não um maníaco.
― Eu e Caroline vamos ao museu.
― A exposição está encantadora. Vejo vocês mais tarde.
Ele passou por nós em direção a um dos quartos.
― Elijah.
Klaus chamou e ele se virou.
― Tem certeza que é melhor Rebekah ficar lá?
― Está tudo sobre controle irmão, não se preocupe.
Eles trocaram olhares estranhos, e nesse momento eu tive certeza absoluta que eles estavam escondendo alguma coisa.
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