Finally found you
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Na manhã seguinte a atmosfera na mansão dos Mikaelson era de alívio contido. Todos estavam felizes por ninguém ter morrido no confronto contra os lobos, mas ainda estavam cautelosos. Muitos deles haviam fugido, e algumas bruxas também, eles poderiam estar com medo, ou podiam simplesmente estarem se preparando para um novo ataque.
Klaus, Elijah, Kol e Marcel estavam na biblioteca reunidos, tentando decidir o que fazer. E o resto de nós estavam sentados na sala tentando fingir que não estávamos ouvindo cada palavra do que diziam.
A única alheia a tudo isso era a pequena Hanna, que brincava e sorria alegremente no colo de Hayley.
― É simples, eles nos atacaram, vamos atrás deles, matamos todos e os outros vão ficar com medo. Dois coelhos numa cajadada só.
Kol falou para eles e eu senti um arrepio nos braços. De todos os originais, Kol era o que poderia ser mais perigoso, porque parecia fofo, engraçado e inofensivo, mas em momentos como esse sua frieza e crueldade me assustavam bastante.
Me levantei do sofá. Eu não podia ficar sentada enquanto eles planejavam um massacre.
Empurrei a porta da biblioteca e todos me encaram.
― Ok. Eles nos atacaram e foi péssimo. Mas, nós estamos bem, enquanto que a maioria deles morreram, acho que massacrar os que sobraram é uma péssima idéia.
Klaus se levantou e os outros saíram da frente. Marcel e Elijah trocaram sorrisinhos divertidos, e pude ouvir passos no corredor.
― Deixar um ataque desses sem retaliação seria o mesmo que autorizá-los a fazer de novo, eles tem que saber que não podem fazer isso de novo, não na minha cidade.
― Pela quantidade deles que morreu pode ter certeza que eles sabem, vocês precisam fazer um acordo com eles, para que eles não se sintam ameaçados e não queiram revidar.
― Já tentamos negociar, e veja só no que deu. Minha negociação agora, é feita com o sangue deles derramado!
A voz dele subiu um pouco e ele me encarava com ferocidade. Esse olhar me faria tremer de medo a algum tempo atrás, mas agora eu sabia o que um significa para o outro e acima de tudo eu confiava nele. Então cruzei os braços na frente do peito e empinei o queixo.
― Você está se comportando como um selvagem, eles sabem que não podem te derrotar, matá-los agora não vai significar justiça, vai significar crueldade.
― As pessoas respondem melhor com demonstrações de violência Caroline.
― As pessoas respeitam um líder que demonstre misericórdia Klaus.
― Isso não é assunto para você, nós resolvemos isso.
― Nós somos eu e você agora, então é assunto meu sim.
Ele me encarou, e eu o encarei de volta sem piscar.
― 50 dólares que ele vai concordar com ela em dez minutos.
Marcel ergueu a mão para Kol.
― Acho que não chega a cinco.
Os dois apertaram as mãos e olharam para nós em expectativa.
Klaus olhou de lado para eles que tentaram conter o riso mas sem sucesso.
― Eles atacaram minha casa, quase mataram você e está me dizendo que eu devo ser misericordioso com eles?
― Eles só nós atacaram porque tem medo. Você precisa mostrar a eles que eles tem que respeitar você, não temer.
― E como você sugere que eu faça isso, mande um cartão de visitas e um vale presente para cada lobo, e um dia de SPA para as bruxas traidoras que conspiraram contra mim?
Sua voz exalava sarcasmo, mas eu não ia me deixar abater.
― O melhor jeito de fazer com que as pessoas beijem seus pés é...
― Ameaçando arrancar alguns membros? Porque isso sempre deu certo comigo.
― Eu vou ignorar isso, mas o que eu pretendia dizer, é dando uma festa.
Ele piscou algumas vezes como se tentasse decidir se eu estava falando sério.
― Festa? Isso é sério?
― Muito sério.
― Lamento acabar com seus planos, mas a última festa que demos envolvendo todas as espécies quase acabou em um derramamento de sangue, não que eu me oponha a derramar o sangue deles, mas não dentro da minha casa.
― Isso aconteceu porque a festa não foi feita por Caroline Forbes, querido.
Ele balançou a cabeça de um lado para o outro, já se preparando para negar, mas eu encurtei a distância entre nós e beijei seu rosto. Bom, uma mulher inteligente tem que usar as armas que tem.
― Por favor Klaus, me deixe tentar, eu vou preparar uma festa tão incrível, que ninguém vai pensar em nada a não ser se divertir.
― Caroline...
Pus a mão em seu peito sentindo as batidas do seu coração em minha palma.
― Por favor... Por mim?
Ele exalou várias vezes e por fim me abraçou pela cintura.
― Se não der certo...
― Eu deixo você cuidar do assunto do seu jeito.
Ele colocou uma mecha de cabelo detrás da minha orelha.
― Certo. Dê sua festa.
― Isso!
Envolvi meus braços em seus ombros, e beijei seus lábios ternamente.
Depois me soltei e sai pela porta.
― Onde você vai?
Ouvi ele perguntar e respondi por sobre o ombro.
― Eu tenho uma festa épica para preparar.
Já estava planejando o que fazer com a entrada, a iluminação, mas ainda pude ouvir eles conversando na biblioteca.
― Se algum de vocês fizer algum comentário engraçadinho sobre isso, pode ir escolhendo as flores do funeral.
Ouvi Kol e Marcel caírem na gargalhada e balancei a cabeça. Homens!
Quando cheguei a sala todos me olhavam meio sem saber o que dizer.
― O que estão esperando? Temos uma festa para preparar!
Todos se colocaram imediatamente em movimento.
A festa tinha que ser o mais rápido possível, não poderíamos deixar que os ânimos se inflamassem novamente.
Preparei um convite elegante, mas polido, a festa não daria muito certo se ninguém comparecesse a ela, então tinha que ser algo que fizesse com que eles pensassem duas vezes antes de não ir.
“A família Mikaelson gentilmente solicita sua presença no Baile que acontecera amanhã a noite. Onde serão tratados assuntos a respeito do bom convívio e sobrevivência de todos em nossa cidade, e será também uma noite de música, comida e diversão.
Contamos com sua presença.”
O convite era preto com letras douradas, e antes do início da noite já tinha sido entregue, a todos.
Eu contratei o Buffet, e passei cada segundo do dia cuidando da ornamentação do interior da casa. O lado de fora já era encantador, então só precisei colocar várias lâmpadas durante todo o percurso de entrada e na fonte.
Me assegurei que todos os garçons estivessem usando verbena, para o caso de alguém tentar se alimentar deles.
― Como assim não têm lírios? Eu já disse um milhão de vezes, tem que ser lírios, tem que ser lírios, será que essa droga de floricultura não consegue fazer uma única coisa direito?
Bati um telefone, e respirei fundo várias vezes, se não batêssemos o pé com essa gente, nossa festa iria acabar sendo decorada com flores de plástico!
Me virei para ir a sala, e me deparei com Davina, ela sorria divertida para mim.
― Nossa Caroline, parece que quer matar alguém...
― Quero mesmo, e isso não é uma metáfora.
Eu a abracei e sorri para ela.
― Estou muito feliz de te ver bem Care.
― Graças a você D. Já comprou um vestido para vir ao baile?
Ela ficou meio sem graça e olhou para os lados.
― Eu não sei Care, acho que é melhor...
― Nem pense em terminar essa frase, eu quero você aqui, linda e de salto alto ouviu bem?
― Ok, não precisa fazer essa cara. E você, já comprou seu vestido?
― Ainda não, preparar um baile em um dia não é nada fácil, amanhã vou providenciar isso. Por falar em providenciar, será que você podia fazer uma coisa para mim?
― Claro. O quê você precisa?
Peguei a mão dela e a levei para o primeiro andar.
***
Klaus passou quase o dia inteiro fora, e quando voltou, eu passei quase a noite inteira cuidando dos preparativos da festa, e mal tivemos tempo de trocar duas palavras. O lado bom era que ele não parecia bravo comigo. Então eu relaxei e dei o máximo de mim para que tudo ficasse perfeito.
Quando faltava apenas uma hora para o baile começar eu subi correndo para o quarto. Não tinha tido tempo de comprar um vestido e tentei não entrar em pânico com isso. Mas quando entrei no quarto estaquei na porta.
Um vestido estava esticado na cama. Caminhei até ele e o ergui. Era tomara que caia, todo aplicado com pedras douradas do busto a cintura, e depois descia numa saia preta estilo bailarina que acabava um pouco acima do joelho. Era lindo. Passei meus dedos pelo tecido, quando notei a caixa de jóias ao lado. O colar e os brincos eram douradas e terminavam em diamantes em forma de gota. Ao lado da cama um par de sapatos de salto fino completavam o conjunto. Klaus. Um sorriso se espalhou por meu rosto e eu corri para o banho.
Quando estava terminando de me maquiar Klaus surgiu na porta. Ele estava impecável de smoking preto e eu tive que parar alguns segundos para admirá-lo. Eu nunca consegui entender como alguém podia ser tão elegante vestindo qualquer roupa, e de smoking então parecia quase covardia com o resto de nós. Me lembro que foi a primeira vez que eu de fato permite que ele se aproximasse, no dia que ele me levou ao baile da Miss Mystic Falls. Eu tentei fingir que não tinha notado, mas por alguns segundos, eu me esqueci de Tyler, ou de quem ele era, e só prestei atenção no quanto ele me fazia sentir.
Ele veio até mim e parou a alguns passos, me olhando dos pés a cabeça, bem devagar. Seu olhar era tão intenso que parecia quase uma carícia.
― Você está linda Caroline, mais do que eu imaginei quando comprei o vestido.
Acabei com a distância entre nos e o abracei forte, beijando seus lábios sem muito esforço graças ao sapato, e era em momentos como esse que eu podia abraçar quem inventou o salto alto.
― Obrigada pelo vestido, está perfeito. Assim como você.
― Cuidado com elogios amor, pode me deixar mal acostumado...
Empurrei ele de leve e mordi seus lábios.
― Não estrague o clima Klaus.
Ele riu mas não me soltou.
― Você está pronta?
― Sim.
Seus olhos desceram por meu rosto, até o colar e os brincos. Depois ele tocou de leve, quase sem fazer movimentos.
― Perfeito...
― Obrig...
Ele pós os dedos em meus lábios me calando.
― Não precisa agradecer, ver você com eles é toda gratificação que eu preciso.
Depois se inclinou para mim e encostou os lábios em meu ouvido.
― E além disso, hoje a noite eu quero ter você usando somente esse colar e esses brincos.
Me apertei contra ele sentindo um arrepio de antecipação se espalhar por meu corpo.
― E eu não posso me esquecer é claro, de uma peça que falta para completar o conjunto das jóias.
Toquei minhas duas orelhas em dúvida, mas senti que elas estavam lá.
― O conjunto está completo Klaus. Não falta nada.
Ele se afastou de mim e deu o braço, eu entrelacei o braço no dele e fomos até a porta.
― Ah sweetheart, falta sim. Mas garanto que antes do final da noite você descobrirá qual é.
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