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21 Capítulo 21
Notas iniciais
Depois que as palavras de Marcel nos trouxeram um pouco de luz, o caos reinou. O universo deve ter um terrível senso de humor porque no segundo que pensamos ter achado a solução tudo foi por água abaixo.
Os sons da batalha lá fora se espalhavam pela casa de forma agourenta. Podia ouvir Hayley tentando acalmar Hanna no primeiro andar, o barulho parecia a estar assustando. Mas nada poderia se comparar ao que estava acontecendo aqui.
Grunhidos e uivos viam lá de fora, o cheiro de sangue e morte empreguinavam o ar. Além dos corpos que agora faziam uma pilha bizarra no chão. Cada vez que Klaus matava um lobo ele revivia. A passagem estava aberta. O corpo de Bonnie jazia inerte e pálido no chão e eu me sentia congelada por dentro. Divida entre ficar aqui e proteger minhas amigas, e lutar por Klaus que estava sozinho la fora. No fundo eu sabia que de todos nós ele era o que tinha mais chances de não se machucar, mas meu coração parecia estar com um peso que me impedia de respirar direito, cada vez que eu pensava que era ele que os lobos queriam, que era ele que eles tentaria matar acima de tudo.
― Porque os que mantamos agora não estão voltando?
Kol era o único que ainda falava e fazia perguntas. Imagino que para um original que voltou dos mortos, cogitar morrer não era tão amedrontador. Mas para o resto de nós, cada vez que pensávamos no quanto poderíamos perder, nossos lábios se fechavam e não nos permitíamos pensar em nada que pudesse piorar.
― Porque cada vez que a pessoa morre, ela acorda cada vez mais longe do corpo!
Damon responde e todos erguemos a sobrancelha para ele.
― O quê? Eu converso com a ex-bruxa de vez em quando...
E deu de ombros.
Um baque surdo reverberou pela sala sacudindo a porta. Como se eles tivessem tentando entrar. Marcel me puxou para mais longe. E eu simplesmente me deixei levar. Eu já tinha tentado morder, arranhar, socar, espernear e chorar. Mas nada fazia com que ele me soltasse. Embora eu visse pela sua expressão, o quanto desejava estar la fora lutando também.
― Kol. Eu preciso que você vá buscar Davina, imediatamente. E as outras garotas da colheita.
― Como assim outras garotas da colheita? Quanto mais gente você trouxer, mais gente pode morrer não entende? E onde estão seus vampiros afinal, que não estão ajudando?
Meu emocional estava em frangalhos, e eu berrava tão alto que podia sentir uma ardência na garganta.
― Eles são vampiros Caroline. Não tem a mínima chance contra lobos, ainda mais esses que estão fortalecidos com o poder das bruxas.
Kol se colocou na frente de Marcel e cruzou os braços sobre o peito. Ele parecia tanto com Klaus quando fazia isso que só fez o aperto no peito aumentar.
― Klaus disse para eu tomar conta da loirinha, e se a coisa ficar feia você não pode contra eles.
Ele fez um gesto de cabeça para a porta.
― Se não pararmos isso ela nunca vai estar segura, e não só ela. Todos nessa casa. Você é o único que pode passar por isso e ir atrás dela. Davina e as outras meninas tem poder o suficiente para retardá-los e depois fechar o outro lado para que eles não possam voltar.
Kol pareceu ponderar o que fazer, e olhou para mim por alguns instantes.
― Tudo bem.
Depois bagunçou meus cabelos tentando sorrir um pouco.
― Tente não morrer cunhadinha. Meu irmão ficaria de péssimo humor.
E saiu tão rápido que mal pude ver que lado ele seguiu. Tentei me acalmar um pouco repetindo para mim mesma “ele vai ficar bem, ele vai ficar bem...”
Elena e eu nos olhamos por cima dos ombros dos nossos protetores. Eu presa nos braços de Marcel e ela atrás de Damon e Stefan. Depois nos duas olhamos para Bonnie. Eu não podia nem pensar em perdê-la de novo. Bonnie e Elena foram minhas melhores amigas nos momentos em que mais precisei delas. Desde que eu era apenas uma garotinha fútil e imatura, até quando me transformei. Eu as amava. Ver Bonnie morrer foi como se arrancassem um pedaço de mim. E agora ambas estavam aqui. Num perigo iminente e eu não podia fazer nada para ajuda-las.
― Vai ficar tudo bem Elena.
Ele deu um pequeno sorriso. Com nosso histórico de tragédias, essas palavras não conseguiam confortar. Porque nada nunca ficava tudo bem.
E nesse segundo, ouvimos algo que fez meu corpo inteiro congelar e os pelos da minha nuca se arrepiarem. Um grito. Os olhos de Marcel se ergueram para porta e seus braços afrouxaram um pouco, como se tentasse entender o que ouvia. E então ouvimos de novo. Um grito angustiado e sofrido que pós nos dois em movimento na mesma hora.
Seus braços cairiam ao meu redor e ele disparou pela porta, eu o segui o mais rápido que consegui e assim que o ar frio da noite bateu em meu rosto e eu pude ver tudo que estava acontecendo eu parei no lugar.
Carnificina e corpos ensanguentados por toda parte. Alguns lobos e outros humanos todos distorcidos, jogados e espalhados pelo chão.
Meus olhos varreram o ambiente a procura dele até que finalmente o vi.
Ele estava ajoelhado no chão, com a camisa totalmente rasgada. Seu rosto e braços pingavam sangue, e seus olhos estavam brilhando de ódio e fúria.
Uma bruxa estava em frente a ele, sua mão erguida enquanto murmurava um feitiço. Ele levou as mãos a cabeça e gritou de novo.
― Não!
Eu me atirei em sua direção só então notando os lobos ao redor da bruxa. Assim que gritei, eles se voltaram para mim, e arreganharam suas presas cheias de veneno. Aquilo me lembrava Tyler de uma forma doentia, o que só me fez querer seguir adiante. Senti as presas despontando na boca e rosnei para eles.
Dois dele saltaram para cima de mim, eu me agachei e chutei o primeiro de lado, enquanto me virava para agarra o pescoço do outro quebrando seu corpo. Ele soltou um grunhido abafado e caiu aos meus pés sem vida. O outro se levantou e sacudiu a cabeça saltando para mim de novo, eu saltei ao seu encontro e enfiei a mão em sua lateral, ele se debateu e tentou fugir, mas eu encontrei seu coração e o puxei para fora deixando escapar um rosnado.
Eu sentia um prazer feroz em vê-lo no chão. Esse sentimento era confuso e tingido por sentimentos tão negros que me arrependi na hora do que fiz.
Ouvi a bruxa gritar girei para ver e vi Marcel com as presas cravadas em sua garganta, Klaus se levantou com dificuldade do chão e se virou para mim. Nossos olhos se encontrara, e o alívio me preencheu como uma onda quando vi que ele ainda estava vivo. Dei uma passo em sua direção no segundo em que ouvi uma sucessão de rosnados atrás de mim.
Me virei ao mesmo tempo que senti uma mordida no braço direito.
― Caroline! Não!
Senti um peso contra minhas costas e uma outra mordida nos ombros.
A dor cobriu cada pensamento meu, tentei me mexer, mas meus membros pareciam pesados. Um misto de imagens passava por minha cabeça como uma espécie estranha de filme caseiro. Será que morrer é assim?
POV’S Klaus
Eles vieram atrás de mim. No fundo eu queria que eles viessem. Queria matar cada um, que sequer pensou em machucar minha filha. E desejava ver em minhas mãos o sangue de quem sequer ousasse querer machucar Caroline. Eu queria um lar. Mas um lar sem família não significaria nada. Era só uma concha vazia. E eu tinha minha família agora. Meus irmãos, uma filha que jamais sonhei ter, mas que talvez fosse uma das únicas coisas boas que consegui fazer em toda minha existência, e tinha Caroline. A única que conseguiu tocar meu coração negro e ferido. Que conseguiu fazer vir a tona a humanidade que estava tão escondida no fundo da minha alma que nem eu mesmo me lembrava dela.
E eu daria um lar seguro para elas. Mesmo que meu reinado fosse feito de sangue. Eu tinha que protege-las.
Os lobos viam para cima de mim com a fúria que só um lobisomem é capaz de ter. Mas eu era um híbrido. Eu tinha duas vezes mais fúria que eles.
Os primeiros que vieram foram abatidos quase que fácil demais. Eles tentavam me morder, mais eu era mais rápido que eles, e simplesmente quebrei os pescoços deles depois atirava seus corpos para longe.
Senti um sorriso se abrir no meu rosto, e um desejo de sangue crescer quase como uma erva daninha.
― É só isso que vocês tem para mim?
As bruxas estavam no fundo e fizeram caretas de ódio com minhas palavras. Como todo bom lutador, sabíamos que os peões tem que ir primeiro.
Então simplesmente fiz o que já era quase uma segunda natureza. Persegue-os e os esmaguei como baratas em baixo de uma pedra.
Alguns deles conseguiam me morder, mas eu cicatrizava rápido e fazia questão de matar dolorosamente quem tinha provado meu sangue.
Aos poucos eles iam acabando. Eu quase gargalhei ao ver aqueles corpos ao meu redor. Mas então, era a vez dos guerreiros mais fortes.
As bruxas tentavam me cercar, mas eu era muito mais fortes que elas então matei algumas, me alimentei de outras, sentindo a adrenalina tomar conta do meu corpo.
Uma delas me deu um olhar de puro ódio e caminhou até mim cercada por lobos.
― Você é uma besta!
Dei de ombros e sorri de lado.
― Já me chamaram de coisa pior...
Quando fui dar um passo em sua direção, ela ergueu o braço e começou a conjurar um feitiço.
No começo nada aconteceu, mas depois minha mente se encheu de imagens. Caroline morta em meus braços, o pequeno corpo de Hanna totalmente ensanguentado e sem vida... Cada imagem parecia uma ferroada bem forte em meu crânio. Cai de joelhos no chão, sentindo minhas forças sendo drenadas, ouvi um grito e ergui a cabeça, só para perceber que o grito era meu.
A dor ficou mais forte, as imagens passavam rápido na cabeça. Ela me encarava com prazer por me ver assim.
Ouvi alguém se aproximar, mas mal pude olhar ao me ver matando Caroline, matando Hanna, me alimentando delas... Levei as mãos a cabeça e puxei os cabelos como se pudesse arrancar as imagens. Foi quando ouvi sua voz. Olhei para o lado e vi Caroline. O pânico me engolfou, tentei gritar para que ela fugisse mas não saiu uma palavra.
Os lobos avançaram sobre ele, e antes que eu pudesse ajuda-la ela os derrubou, com uma agilidade que me surpreendeu e orgulhou. Marcel avançou para bruxa na minha frente e me levantei para ir até ela.
Seus olhos estavam aliviados e minhas mão formigaram para tocar sua pele e me certificar que ela estava bem.
E no segundo seguinte mais lobos vieram e a cercaram. Pude sentir o cheiro do seu sangue no segundo que eles a morderam.
― Caroline! Não!
Mais deles vieram para cima de mim me atirando no chão, tentei mata-los o mais rápido possível, mas meus movimentos estavam lentos. A bruxa tinha me enfraquecido. Só uma palavra martelava em minha cabeça enquanto tentava matar os labos. “Caroline! Caroline! Caroline!”
POVS KOL
Achar bruxas numa cidade como New Orleans era como achar agulhas no agulheiro. Depois de dar várias voltas na cidade, eu finalmente achei a maldita igreja onde elas estavam se escondendo.
Minha família e eu, não éramos os mais unidos e amorosos. E mesmo Klaus tendo me empalado algumas vezes durante os séculos. Pensar que aqueles lobos poderiam mata-lo fazia formar um nó na garganta.
Subi as escadas para chegar ao porão. Pude ouvir o coração delas batendo rápido. Minha boca salivou. Desde que voltei eu senti uma sede descomunal. Já tinha matado mais de 10 pessoas numa noite e não me sentia satisfeito. Mas eu não podia mata-las. Então respirei fundo e entrei no porão.
No segundo em que pus os pés lá dentro senti como se minha cabeça fosse explodir. Cai de joelhos no chão e coloquei as mãos na cabeça.
Ergui os olhos e vi quatro bruxas que não pareciam ter mais que dezessete anos. Eu gritei e ergui as mãos para elas mas a dor parecia se intensificar.
― Parem! Marcel... Marcel me mandou aqui!
Conseguir forçar essas palavras antes de mergulhar na escuridão.
***
― Será que ele está morto?
Ouvi vozes sussurrando perto de mim, parecia baixo no começo mais foram ficando mais nítidos, a medida que eu despertava.
― Não seja boba Anne, ele é um vampiro, é claro que não está morto... Quer dizer, não esta mais morto do que de costume.
Abri meus olhos devagar. E vi um par de olhos verdes inclinados sobre mim. Ela se assustou quando abri os olhos e se afastou. Me levantei devagar e a olhei de novo. Ela parecia ter dezessete anos, tinha cabelos compridos e encaracolados, os lábios eram pequenos e cheios, e eu sorri para ela. Ela era fisicamente tão vulnerável, mas sua expressão era séria e decidida, como se dissesse para eu não ousar me aproximar. E eu, é claro, fiquei louco de vontade de chegar o mais perto possível.
― Quem é você?
― Kol, qual seu nome querida?
Ela franziu a testa e cruzou os braços.
― Eu não sou sua querida. Você disse que Marcel te mandou aqui?
Ela ficava linda com a testa franzida... Mas eu tinha um trabalho a fazer, e com certeza não era flertar com ela.
― Os lobos estão atacando a nossa casa. Precisamos de bruxas poderosas... Só não sei se vocês vão servir...
Acrescentei só para provoca-los. Ela deu um sorrisinho, depois ergueu o braço, e me atirou pelo quarto até bater na parede.
Minhas costas protestaram e me levantei com dificuldade.
― Somos poderosas o suficiente para você?
Meu sorriso sumiu.
― Vamos logo, antes que os lobos matem todo mundo!
Passei pela porta e ouvi elas me seguindo.
Depois de um tempo a garota me alcançou.
― Meu nome é Davina. E só para você saber, quando quiser a ajuda de alguém seja mais educado.
Ela apressou os paços em direção a nossa casa, tombando comigo na passagem. A garota era um furacão... E eu estava louca para ver o que mais ela podia ser. Se sobrevivêssemos a essa noite...
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