Notas iniciais
Comentem o que estão achando, bjinhos.

Tudo bem, eu preciso admitir: a faculdade era um saco. Não é como se eu não estivesse feliz em estar dividindo o quarto com minhas melhores amigas nem nada, mas era totalmente frustrante sentar entre fileiras de alunos e assistir aula após aula, tentando fazer meu cérebro gravar essas informações para usar futuramente nas provas.

Joguei-me na cama com um suspiro. Aquilo não era nem de longe tão empolgante como eu pensei que seria. Talvez se ainda fosse humana, conseguisse me sentir completa e feliz, mas o problema é que eu era uma vampira e aquilo estava sendo tão sem sentindo que me sufocava. No começo eu me sentia totalmente feliz e empolgada com a faculdade, mas depois de um tempo eu comecei a pensar em qual seria o sentido daquilo a longo prazo. A idéia era terminar a faculdade e arrumar um bom emprego e fosse uma profissional bem sucedida. Só que eu não poderia ser uma profissional bem sucedida uma vez que daqui a dez anos eu ainda aparentaria ter 17, então só sobravam duas opções: a primeira era me mudar e começar uma carreira nova sempre que ficasse tempo suficiente, e a segunda era hipnotizar todo mundo sempre. Nenhuma das duas parecia atraente para mim.

Eu queria mais da vida, queria dar mais a mim mesma. Queria conhecer pessoas, lugares diferentes, ver todas as cidades que eu só conhecia pela televisão. Eu não era humana, para mim nunca existiria um modelo de trabalho, casamento e filhos. Como vampira minhas opções jamais seriam essas, mas eu podia ter todo um mundo de outras opções, e no momento nenhuma dessas opções se encaixava com a faculdade, provas e etc.

Sentei na cama e olhei em volta. Nosso quarto estava coberto de lembranças e objetos nossos. Eu, Elena e Bonnie transformamos aquele pequeno quarto no campus em um lar, e eu com certeza sentiria falta disso, mas aquilo não era mais o suficiente para mim. Essas palavras brincaram em meus pensamentos junto com a lembrança de quem disse elas para mim tanto tempo atrás. Klaus. Durante meses eu me recusava terminantemente a pensar nele, eu tinha medo de me aprofundar demais em meus sentimentos e acabar me perdendo nele.

Passei a mão nos cabelos e me levantei, seguindo em direção ao banheiro para tomar uma ducha. Água quente ajudava a relaxar e eu precisava muito disso agora.

Terminei de me despir e entrei no chuveiro. As provas terminariam em três dias e eu teria férias. Elena e Bonnie tinham um cronograma completo do que fazer durante esse mês, mas eu estava tão desanimada em fazer esses planos com elas que nem sabia para onde elas pretendiam ir. Tudo que eu sabia era que precisava deixar Mystic Falls, mesmo que fosse só por um mês. Precisava muito me libertar da sensação de estar presa nessa cidade como uma arvore que podia até sentir o vento passando, mas jamais poderia acompanhá-lo.

Ouvi Bonnie e Elena entrando no quarto enquanto me enrolava na toalha. Sequei um pouco o cabelo e saí do banheiro.

― Care! Estavamos mesmo querendo te ver!

Elena falou e veio até mim.

― Sério? O que vocês duas andaram aprontando?

― Não seja boba! Mas não sei se você notou que faltam apenas 72 horas para termos férias!

Ela e Bonnie me olhavam em expectativa. Mas simplesmente as olhei e balancei a cabeça com o sorriso mais sem graça do mundo. Os sorrisos delas diminuíram e Bonnie colocou a mão na minha testa como se estivesse verificando se eu não estava doente. Afastei sua mão sem graça.

― Tudo bem, agora estou oficialmente preocupada. Caroline Forbes não está empolgada com as férias! O que você acha Elena?

― Tomou uma inalação de verbena e está delirando?

Elena me olhava especulativamente como se eu fosse uma experiência de laboratório.

― Provavelmente.

Bonnie concordou com ela.

― Ok. Parem agora mesmo com isso. Eu estou ótima! Só não estou a fim de passar meu mês de férias sem nada para fazer a não ser ir no grill.

Ambas me olharam como se eu estivesse louca.

― Mas Caroline, agora podemos ficar com nossos amigos e nos divertir juntos, sem nos preocuparmos com a faculdade.

Elena falou isso como se fosse tão óbvio que até uma criança perceberia. Elas não entendiam meu problema, e nem podiam. As duas estavam apaixonadas e iriam passar cada segundo extra com seus namorados, o que era ótimo, pois eu queria mais que tudo vê-las felizes. Mas o mesmo não se aplicava a mim, eu não tinha um namorado com quem passar o tempo e meus dias estavam tão vazios na faculdade e eu só podia imaginar que seriam 10 vezes pior sem ela.

― Elena o que você acha que eu devo fazer? Me sentar entre você e Damon? Ou entre a Bonnie e Jeremy?

― Caroline! Você é nossa amiga! Nunca iremos deixar você nessa situação. Só queremos nos divertir juntas.

Dei as costas para elas e fui para o guarda roupa escolher o que vestir.

― Não vai ser divertido para mim.

Eu senti Elena se aproximar de mim e tocar meu braço.

― Qual é o problema Care?

Senti meus olhos se encherem de lágrimas quando me virei para elas.

― O problema é que eu não quero ficar aqui, eu não quero passar cada minuto da minha vida construindo um futuro que eu nunca vou poder viver. Eu quero ser livre, quero fazer mais da minha vida do que fazer faculdade e fingir ser humana!

As lágrimas corriam soltas agora e as duas me abraçaram e me guiaram até a cama, depois elas sentaram na minha frente e esperaram até as lágrimas diminuíram.

Bonnie segurou minha mão carinhosamente.

― Você quer sair de Mystic Falls?

― Sim. Não. Sim...

― Care...

― Eu só quero um tempo Bonnie, só um tempo para fazer tudo que eu tiver vontade, onde eu tiver vontade...

Elas me olharam compreensivas.

― Isso têm algo a ver com o Klaus? ― Elena perguntou baixinho, mas não havia acusação na sua pergunta, só preocupação.

Eu contei para elas o que houve naquele dia em que Matt sumiu, e elas entenderam. Bom, talvez não entenderam totalmente, mas com certeza não julgaram ou me disseram que eu estava louca por ter permitido que acontecesse. Mas a verdade é que eu tinha gostado muito de estar com ele, e mesmo não pensando nele voluntariamente, eu não podia evitar os sonhos, e a cada noite eu queria mais estar com ele, sentir ele comigo de novo. Eu não sabia se era certo, nem se eu deveria fazer isso, mas meu coração chamava por ele e eu me sentia cada vez mais perdida nesse sentimento como se não pudesse pensar em fazer mais nada além de estar em seus braços.

Ele não me ligou depois daquele dia, e nem voltou a cidade. E o bilhete que ele me deixou estava guardado em uma caixinha de música que meu pai me deu antes morrer, o papel já estava totalmente amarrotado de tanto que eu o abri e fechei durante esses meses. Nós passamos só alguns momentos juntos, mas foi o suficiente para fazer com que sua presença fosse uma necessidade quase física. Era fácil me proteger dele enquanto eu me mantinha longe e com uma solida camada de hostilidade entre nós, mas depois daquele dia, eu me abri para ele de uma forma que chegava a me assustar. Eu o queria com tanta intensidade que chegava a machucar.

― Talvez.

Respondi numa voz baixa e rouca e mantive os olhos baixos, com medo do que veria em seus olhos.

― Eu não sei direto o que eu quero da minha vida, mas sei que eu preciso descobrir o mais rápido possível, antes que eu enlouqueça.

― Você não sabe o que te espera Care. E se não for o que você quer?

― Eu nunca vou saber se não tentar Elena.

― Se é o que você quer, nós estaremos aqui.

Elas me abraçaram de novo e eu agradeci aos céus por ter amigas tão leais. Depois de alguns minutos nos afastamos um pouco e eu ri por entre as lágrimas.

― Se você não nós ligar todos os dias, vamos declarar estado de calamidade pública e iremos te buscar onde você estiver, entendeu bem?

― Pode deixar capitã! Mas pensei que a xerife fosse minha mãe!

Nós rimos um pouco. E eu me levantei para me vestir.

― E então care, já sabe por onde vai começar? Afinal não deve ser fácil encontrar um Híbrido Original, não é?

― Eu vou para New Orleans.

― New Orleans? E o que ele estaria fazendo lá?

Fiquei sem saber o que dizer com isso. Eu não tinha falado sobre o bilhete a elas. Era uma coisa muito pessoal e parecia errado mostrar para outras pessoas.

― Bom... Ele meio que me disse, antes de ir...

― Antes ou depois do sexo?

Peguei uma almofada na minha cama e joguei nela.

― Bonnie! Eu com certeza não vou falar sobre isso!

Ela me jogou a almofada de volta.

― Você está largando tudo para ir atrás dele. Ele deve ser no mínimo bom no que faz...

Eu não respondi, apenas sorri para ela falhando totalmente em esconder o rubor das minhas faces.

― Não temos outro assunto além das habilidades sexuais do Klaus? ― Elena estava deitada na cama e perguntou exasperada.

― Temos sim, como por exemplo, como Caroline vai contar a Xerife Forbes que está indo até New Orleans para ver o Klaus?

Ops. Eu não tinha pensado nisso ainda. Minha mãe me mataria se pensasse que eu estava indo atrás do Klaus.

― Isso é uma ótima pergunta Bonnie― Elena arqueou a sombra celha para mim.

― Tão boa que nem mesmo eu sei a resposta.

Sentei na cama ao lado delas.

― E se você não contar?

Revirei os olhos com isso.

― Não acha que ela vai perceber se eu ficar um mês inteiro fora?

― Não sobre viajar gênio, vamos ocultar só a parte sobre o Klaus. Diga a ela que você vai viajar para New Orlenas de férias. Ela com certeza não veria problemas nisso.

― Elena Gilbert, eu já mencionei o quanto eu te amo?

Abracei ela pelos ombros.

― Já sim querida, mas você têm que me mostrar isso trazendo muitos presentes de New Orleans para mim.

― E não se esqueça de mim!

Me senti tão leve estando ali com elas que parecia que tinha tirado um peso peito. Eu não sabia se daria certo com Klaus, não sabia nem se teria algo com Klaus para começo de conversa. Mas eu iria descobrir isso de uma vez por todas e poderia seguir com minha vida sem a dúvida se eu teria conseguido.

Passamos o resto da tarde planejando que tipo de roupa eu poderia levar na viagem e os presentes que eu compraria para elas.

Notas finais
Bom, a idéia de escrever essa fic, aquela cena Klaroline de TVD me deixou com gostinho de quero mais, sem falar que ficou parecendo uma despedida, então aí esta. Bjinhos.