Finally found you
3 Capítulo 3
Notas iniciais
― New Orleans Caroline?
Minha mãe me olhava meio desconfiada e meio triste. Ela me conhecia melhor que ninguém e sabia que algo estava errada comigo a algum tempo, só não queria tocar no assunto para me dar espaço.
― Eu quero viajar um pouco nas férias mãe, e parece ser uma cidade tão linda...
― Pensei que você fosse demorar mais na faculdade.
― Mãe! São só férias! Eu não vou largar a faculdade.
Repliquei suas palavras na mesma hora. Mas até eu podia perceber a insegurança na minha voz. Minha mãe sorriu compreenssiva.
― Divirta-se querida. Mas ligue para mim, caso queira voltar ou não...
Puchei minha mãe para um abraço apertado e engoli o nó que se formou na minha garganta. Essa viagem era para eu me descobrir, eu só não sabia ainda o que faria se eu descobrisse que não queria voltar.
― Eu amo você mãe.
― Também te amo.
Nós separamos e ela se levantou rápido tentando esconder as lágrimas.
― Eu preciso voltar para a delegacia. Quando você vai?
― Amanhã as 10:00.
― Ótimo. Então a noite te ajudo a fazer as malas.
E saiu apreçada pela porta. Olhei em volta prestando atenção a cada detalhe da nossa pequena casa. Tinha ótimas lembraças dali, e lembranças ruins também, mas eu com certeza ia sentir falta do nosso catinho. Levantei do sofá e fui para cozinha. Já que iria partir amanhã, eu queria fazer o melhor jantar que eu poderia para minha Mãe.
***
Assim que o avião decolou eu respirei aliviada. As despedidas foram meio tristes e cobertas de recomendações, o que me deixou meio aflita, mas a medida que eu me distanciava podia sentir os medos e inseguranças ficarem para trás, como se todas as cordas que me amarravam e prendiam a Mystic Falls fossem caindo. Um sorriso ia brotando no meu rosto, e eu me recostei na poltrona, enfim me sentia aliviada, e pronta para viver tudo que a vida tinha para me oferecer.
A viagem foi super confortável. Viajar na primeira classe tinha lá suas vantagens, incluindo massagens incríveis e a comida era maravilhosa. Quando pousamos em New Orleans eu sentia que minhas energias estavam renovadas. Peguei minha mala na esteira e sai em busca de um táxi, consegui um mais fácil do que eu pensei.
― Para onde senhorita?
O motorista perguntou virando para mim.
― Eu preciso de um hotel, e não conheço nada por aqui, então...
Ele sorriu amigavelmente para mim e deu a partida.
― Conheço bons lugares onde a Senhorita pode ficar.
― Obrigada.
Enquanto o táxi se seguia seu rumo, olhei pela janela. As pessoas circulavam por toda parte, lojas de todos os tipos, algumas apresentações de dança, quadros de vários formatos e tamanhos. A cidade transpirava arte e vida por todo lugar.
― A senhorita veio conhecer a cidade?
O táxista me perguntou com simpatia.
― Sim. Mas também vim encontrar um amigo...
― Vai amar a cidade.
Sorri de volta para ele e continuei contemplando as ruas por onde passavamos, até chegarmos ao hotel. Paguei o taxista e entrei com minha mala, na recepção um rapaz que parecia ter menos de vinte anos, me ajudou a subir e me levou até quarto.
Assim que entrei fui em direção as janelas, e as abri. O céu estava quase que completamente escuro, só dava para ver alguns reflexos de luz no horizonte do sol que acabava de se por. A cidade estava começando a despertar para a noite, e as luzes criavam uma mistura de cores que praticamente convidavam para a diverção.
Tomei um banho rápido e coloquei um vestido. A noite estava um pouco fria, mais eu quase não percebia por ser vampira. Calcei botas de cano longo e uma bolsa de mão, e sai do quarto.
Assim que eu sai do hotel fiquei parada na rua tentando decidir para onde ir. Eu não tinha planejado muito essa parte do que fazer quando eu finalmente chegasse, eu queria encontra-lo. Mas o que eu iria dizer para ele? Eu deveria ligar? Deveria conhecer mais a cidade? Deveria ir embora? Droga!
Decidi beber alguma coisa antes de me decidir. Caminhei pela calçada até encontrar um bar pequeno mais aconchegante, entrei e me sentei no balcão. Uma bartender loira, com olhos azuis veio me atender.
― O que vai querer?
Me perguntou sorrindo.
― Uma dose dupla de wisky com gelo.
Ela acenou para mim e foi pegar a bebida. Quando voltou olhei para seu cracha, seu nome era Camille.
― Obrigada, Camille.
― Pode me chamar de Cami. Nova na cidade?
Tomei um pouco da minha bebida.
― Férias da faculdade.
― Você vai gostar muito. É uma cidade incrível. Já conhecia?
― Na verdade foi um... amigo que me falou daqui.
― Ele mora aqui?
― Mora. Eu acho.
Um cara chegou perto de mim. Era moreno e seus cabelos eram estilo black power.
― Sangue novo na cidade...
Ele falou aquilo como se fosse uma piada interna, aquilo me deixou imediatamente alarmada.
― Deixe a garota em paz Diego.
Cami falou a ele como se estivesse acostumada com aquilo.
― Coloque uma dose para ela Cami, por minha conta.
Cami torceu a boca para ele e saiu.
― E então, nova na cidade não é? Posso te levar para conhecer a cidade se quiser.
Revirei os olhos com ele, eu já estava cansada desses homens que acham que todas as mulheres vão cair a seus pés.
― Não obrigada. Eu posso me virar.
Ele se aproximou de mim e me olhou nos olhos.
― Aceite.
Suas pupilas contraíram e dilataram. Meu Deus! Ele estava tentando me compelir! Ele era um vampiro, por isso a piadinha de sangue... me inclinei para ele sorrindo.
― Um vampiro não pode compelir outro sabia?
Ele se afastou bruscamente de mim.
― Você é... Como? Eu nunca te vi pó aqui...
Ou ele era muito burro ou se fazia de burro.
― Você acha que só aqui existem vampiros?
Cami voltou com a bebida nessa hora, e olhou com desconfiança para a expressão de desgosto de Diego.
― Tudo bem por aqui?
Ela se virou e perguntou para mim.
― Tudo, mas nosso amigo aqui não sabe ouvir um não como resposta.
Ele me puxou bruscamente pelo braço e eu quase caí no chão.
― Não somos amigos. O que você quer aqui?
― Me solte!
― Não tratamos muito bem pessoas que aparecem aqui sem serem convidadas. Quem te mandou aqui?
Eu fervi por dentro de raiva, e precisei de cada grama do meu controle para não mostrar os dentes para ele.
Cami saiu de detrás do balcão e tentou afastar ele de mim.
― Diego! Solte ela agora, senão eu vou chamar o segurança.
Ele fez um aceno sutil com a cabeça, e mais três caras se aproximaram.
― Você vai vir com agente por bem, ou prefere uma injeção de verbena?
Eu senti eles pressionarem uma seringa no meu braço e estremeci só de pensar no qual encapacitada eu ficaria se eles a aplicassem. Mas que droga de lugar era esse?
Um deles puchou Camille no canto e a hipnotizou. Pesei minhas opções, eu não poderia lutar contra quatro vampiros, principalmente porque eles tinham verbena, não conseguiria fugir pois eles eram tão rápidos quando eu. Minha única opção era seguilos.
― Eu vou.
Falei o mais baixo possível, mais sabia que eles ouviriam. Eles me levaram para fora e seguiram caminhando por algumas ruas.
― O que vocês querem? Eu só estou visitando, não vim fazer nada de mal.
― Cala a boca garota.
― Isso é só raiva por eu ter te dispensando?
Diego desceu o braço com força no meu rosto e eu cambaleei para trás.
― Mandei calar a boca! E adoramos turistas, desde que sejam humanos e tenham muito sangue para nós. Não gostamos que vampiros de outros lugares venham se alimentar em nossa cidade.
― Eu não vim me alimentar aqui! Eu nem ao menos me alimento de humanos!
Todos riram ao mesmo tempo.
― E se alimenta de que então? Coelhos?
Pensei no quão irônica foi aquela piada, mas se eu respondesse algo eles poderiam achar que eu estava bricando com eles, e no momento eu só queria descobrir o que eles eram e dar o fora o quanto antes.
― Olha só, eu não vim aqui fazer nada de mais, são só minhas férias. Eu não sei quem vocês são, mas se me deixarem ir...
Diego acertou meu rosto de novo e dessa vez minha raiva substituiu a racionalidade, eu sibilei e deixei meus dentes a mostra. Os outros dois agarraram meus braços e puxaram para trás com força, Diego se aproximou de mim e me bateu de novo, depois puxou meus cabelos para que eu o encarasse. Serrei os dentes com força, disposta a não deixar nem uma única palavra escapar por meus lábios.
― Você veio aqui porque quis, mas agora só vai sair se eles deixarem. Mas eu preciso adiantar que eles também não gostam de vampiros que aparecem aqui.
Eles me puxaram e continuamos andando em uma viela escura e com aparência sombria. Chegamos a um prédio velho e com as paredes descascadas. Me empurraram para dentro e depois abriram uma porta de ferro que dava para uma pequena sala sem nada a não ser o chão sujo e úmido, as paredes tinham manchas estranhas que lembravam sangue, meu estomago embrulhou.
Um deles se aproximou de mim e injetou um pouco de verbena no meu braço. Não foi o suficiente para desmaiar, mas meus membros enfraqueceram e eu caí sentada no chão.
― Só para o caso de você pensar em fazer alguma besteira.
― Por favor, eu prometo que vou embora da cidade.
Diego se aproximou de mim, e riu perversamente.
― Dá próxima vez que alguém tentar de mostrar a cidade, eu sugiro que você aceite.
Depois me deu as costas e saiu. Eu me recostei na parede e suspirei. O que estava acontecendo aqui? Klaus me disse que era uma linda cidade, e realmente era, mas não me avisou que estava cheio de vampiros complexados e malucos se achando os donos de tudo!
Tentei apurar minha audição para descobrir onde estava.
― Marcel? Temos um pequeno problema.
Era Diego falando ao telefone.
― O que houve?
― Encontramos uma vampira de fora aqui na cidade.
― De onde ela é?
― Não perguntei, mas ela esta na cela. O que eu devo fazer?
― Vamos aí falar com ela para ver o que ela quer.
― Ok. Vamos esperar vocês.
― Enquanto isso Diego, mostre a ela nossa hospitalidade.
― Com prazer.
Ele desligou o telefone e entrou na cela de novo.
― Vamos nos divertir bastante hoje, vampirinha...
Ele tinha um sorriso malvado no rosto, e eu podia apostar que aquilo não seria nada agradável. Céus, onde eu fui me meter!
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