POV’S Caroline

Espreguicei-me na cama me sentindo relaxada, senti um sorriso aparecer em meu rosto. Meu corpo ainda estava meio dolorido, mas tudo deu certo no fim e eu só queria empurrar aquelas lembranças para o lado mais obscuro e esquecido do meu cérebro. Não queria me permitir pensar nem por um segundo no que aconteceu. Esfreguei meu rosto notando que era noite ainda, olhei ao redor e percebi estar sozinha. Sentei na cama que parecia estranhamente vazia sem Klaus. Depois de tudo, depois de ver que ele estava disposto a morrer por mim, podia sentir o peso de tudo que eu sentia por ele em cada centímetro do meu corpo. Eu o amava. Amava de um jeito estranho e muito mais forte do que já senti antes, e esse sentimento me deixava feliz e me assustava ao mesmo tempo, não sabia o que aconteceria daqui para frente, só tinha certeza que meu lugar era a seu lado.

Levantei meio trôpega, sentindo o vento frio tocar minha pele nua. Vesti uma calça que estava jogada no chão e uma camiseta. Estava com sede, e fui para o corredor, parei quando ouvi vozes.

― Não podemos fazer isso, é errado! Nem todas elas estão contra nós!

A voz de Elijah estava alta e aborrecida.

― Isso não é uma negociação Elijah, você viu o que ela pode fazer controlando uma bruxa, todas elas são um risco. E assim os lobos vão se sentir encurralados e menos propensos a um ataque.

Dei alguns passos para mais perto, respirando o mais baixo possível para que eles não me notassem.

― Não posso concordar com isso Klaus, é loucura e Davina está envolvida, ninguém vai machucá-la.

Marcel estava lá também sua voz soava baixa e assustadora.

― Davina é a única exceção. Pode ser útil. Assim que os sol nascer, mande um aviso para os lobos, que qualquer provocação da parte deles, será respondida com a morte de cada membro da matilha deles, instantânea e dolorosa.

― Klaus eu...

― Chega Elijah! Se não quer sujar as mangas do seu caro terno, eu mesmo farei. E enquanto isso, garanta que elas estejam seguras.

― Você não pode matar todas as bruxas da cidade!

Um grito escapou por minha garganta ao ouvir essas palavras. Desci as escadas quase correndo e entrei na sala que estava em silêncio absoluto. Olhei para Klaus, sem querer acreditar no que ouvi. Mas pude sentir em seu rosto que era verdade, seus olhos estavam escuros e cruéis, seu maxilar travado com a expressão assassina e sedenta por sangue. Senti meu coração se apertar.

― Me diz que isso não é verdade, por favor!

― É melhor você voltar para cama, precisa descansar e eu...

― Você o quê? Precisa sair e matar inocentes?

Elijah e Marcel nos olhavam silêncio. O clima na sala estava tão frio como gelo, mas ele nem titubeou com minha acusação.

― É para proteger vocês, ou ela sempre vai achar um jeito.

― Você acha que sua mão poupou minha vida, para você ir em frente e derramar ainda mais sangue por mim?

― Ela não controla minha decisões, e no momento minha prioridade é saber que ninguém mais vai machucar vocês.

― Eu não quero que você me proteja as custas da morte de pessoa inocentes.

― Bruxas não podem ser consideradas pessoas inocentes.

― Elas não têm culpa do que sua mãe fez!

― Não tem culpa, mas são puníveis. E estou mais do que disposto a mostrar o que acontece com quem sequer tentar chegar perto da minha família.

O ódio brilhava em seus olhos. Era tão fácil esquecer as vezes todos os lados ruins que ele tinha. Mas estava bem na minha frente agora, ao vivo e a cores.

― Você não pode fazer isso.

― Correndo o risco de me tornar repetitivo, isso não é uma negociação.

Ele estava irredutível, senti meu coração gelar e meus olhos arderem com lágrimas.

― Você é um monstro!

Gritei sem pensar, deixando toda a tensão dos últimos dias fluir através de mim quase me esmagando. Os olhos dele endureceram e pude notar um pouco de mágoa brilhar neles. Depois ele deu de ombros e deu um sorriso cínico.

― Velhos hábitos, amor.

Virei as costas para ele e fui em direção a porta, quando meus dedos tocaram a maçaneta ele me puxou pelo braço e me fez virar.

― Para onde você pensa que vai?

Soltei meu braço do seu aperto com um puxão.

― Sair.

― Não é seguro.

Coloquei a mão nos cabelos frustrada.

― Eu vou sair, e isso também não é uma negociação.

Sai batendo a porta com força e fui em direção ao bar, o único lugar que pude pensar a essa altura. Notei que os vampiros do Klaus me seguindo quase no segundo que sai da casa. Tentei ignorar eles, e tentei mais ainda não surtar com o fato de que meu namorado iria fazer um massacre em breve.

O bar estava praticamente vazio, por causa do horário. Mas me sentei no banco e esperei.

― Noite difícil?

Camille colocou um copo na minha frente sorrindo e serviu uma dose.

― Demais.

Notei os vampiros de Klaus sentarem em uma mesa no canto e virei a bebida num gole só.

― Uau! Acho que precisa de mais uma dose.

― Talvez três.

Respondi a ela sem sorrir.

― E uma dose tripla para mim.

Um cara sentou ao meu lado. Parecia cansando e bem abatido. Era moreno, com cabelos e olhos castanhos.

― Dose tripla... Isso me parece coração partido.

Ela serviu um copo para ele que virou quase tudo de uma vez e pediu mal.

― Minha noiva estava dormindo com meu melhor amigo, na minha casa. Isso conta como coração partido?

Rimos um pouco, ele já parecia meio bêbado e sorriu junto depois se virou para mim.

― E você? Bebendo sozinha num bar as duas da manhã... Nunca é um bom sinal.

― Bom... Minha sogra tentou me matar, meu namorado pode ser o homem dos sonhos num segundo e um grande filho da puta no outro e planeja matar dezenas de pessoas, então acho que um drinque as duas da manhã não é o pior que eu posso fazer.

Ele me encarou por um momento depois deu de ombros, talvez achando que eu fosse louca

― Tudo bem, você ganhou.

Ele ergueu o copo para mim e brindamos. Camille se juntou a nós num brinde.

― Estava gostando de um cara que ainda era apaixonada pela ex, e perdi meu tio e meu irmão em menos de um ano.

― Dose tripla!

Dissemos ao mesmo tempo. E bebemos tantas doses depois que perdi as contas. O bar ficou vazio, a não ser por nós, e pelos vampiros/guarda costas que estavam sentados no canto.

O álcool demorava mais a fazer efeito em mim, então bebi quase o dobro deles dois e depois de quase duas horas me levantei cambaleando e acenei para eles.

A mansão nunca me pareceu tão longe, e quando finalmente consegui chegar em casa desabei no sofá, pegando no sono quase instantaneamente.

Senti alguém tocar meu rosto e forcei minhas pálpebras a abrirem.

― Bom dia dorminhoca!

Elena me puxou pelo braço fazendo com que eu sentasse, e sentando ao meu lado.

― O que houve? Você está cheirando igual a um barril de cerveja.

― Sai para beber um pouco ontem.

Minha cabeça latejava um pouco. E notei Damon e Stefan descendo as escadas.

― Saiu para beber de madrugada hein? Acho que as atividades extracurriculares de ontem não foram tão divertidas.

Damon sorria ironicamente para mim, e eu joguei uma almofada nele.

― Cale a boca idiota, não foi nada disso.

Todos me olharam em expectativa, mas eu definitivamente não estava pronta para falar a eles o que houve. Porque sabia que no segundo em que o fizesse, surgiriam mais uma dúzia de motivos para eu não estar aqui. Levantei do sofá.

― Vou tomar um banho e já volto.

Subi as escadas praticamente me arrastando, e entrei no quarto. Estava vazio, suspirei aliviada. A última coisa que eu queria era uma discussão a essa hora da manhã. Entrei no chuveiro sentindo a água me revigorar, fiquei parada só sentindo a água morna escorrer por meu corpo.

Levei quase vinte minutos no banho, depois me vesti e desci, encontrando todos na mesa tomando café. Todos exceto Klaus. Olhei para Elijah interrogativamente, ele balançou a cabeça em negativa sutilmente. Respirei aliviada e sentei ao lado de Bonnie.

― Beber alguma coisa as duas da manhã hein?

Ela me deu uma cotovelada de leve, e sorria de lado.

― Vocês são uns fofoqueiros e tanto hein?

Reclamei para meus amigos. Mas tê-los aqui era reconfortante, a presença de Damon um pouco menos... mas que seja. Eles eram minha família desde sempre.

― Eu particularmente prefiro assuntos mais interessantes, mas todo mundo parece morrer de curiosidade sobre a vida sexual do híbrido.

Elena bateu de leve em seu braço.

― Damon! Quer parar?

Rebekah revirou os olhos para eles.

― Com certeza, já ouvimos suficiente para ainda ter que falar sobre isso.

―Hey!

Falei mais alto que eles.

― Estou bem aqui, parem de falar desse jeito esta bem? Deveriam usar sua super audição de vampiros para outras coisas!

Ouvi a porta da frente se abrir, alguns passos se seguiram, junto com cheiro de sangue.

Levantei depressa e fui até lá.

Klaus se virou para mim quando cheguei. A camisa estava coberta de sangue. Quase engasguei com isso, andei até ele.

― O que você fez?

Minha voz saiu tremendo.

― O que qualquer vampiro faz. Eu estava me alimentando.

A casa estava completamente silenciosa, ninguém dizia nada, nem sequer se mexiam.

― Ou seja, você estava matando.

Ele balançou a cabeça, e pude ver aquela mágoa brilhar de novo em seus olhos.

― Me alimentando, não matando. Não preciso matar para beber de alguém Caroline.

Ele parecia estar falando a verdade.

― Não sou o monstro que você pensa que sou.

Depois passou por mim indo direto para as escadas. Ele não tinha matado ninguém. Aquilo era um alívio. Só que parecia magoado comigo, e no fundo tinha um pouco de razão. Eu não ouvi o que ele disse, simplesmente julguei que ele tinha matado pessoas, já estava me preparando para subir atrás dele quando ouvi o grito de Bonnie.

Corri até a cozinha e a encontrei caída no chão. Me joguei a seu lado e peguei sua mão. Ela estava respirando. Olhei em volta e vi que todos estavam encarando chocados algo. Olhei na direção do olhar deles e quase caí para trás.

― Que recepção hein? E aí cunhadinha, como vai?

Kol estava parado bem na nossa frente e sorria divertido. Não consegui encontrar palavras para responder. Ele caminhou até a mesa e pegou um pedaço de Waffle.

― Eu senti muita falta disso!

Enfiou tudo na boca e mastigou quase suspirando de felicidade.

― Kol. Como... Como você está aqui?

Elijah ainda parecia assombrado com o que viu, mas deu alguns passos em sua direção e tocou o ombro dele.

― O outro lado está uma bagunça, eu tinha que sair antes que fosse tudo por água abaixo.

― Mas como você saiu?

Elijah perguntou de novo ao mesmo tempo que Rebekah se jogava nos braços do irmão com lágrimas nos olhos.

― Parece que quando a bruxa original manipulou a ruivinha, ela abriu uma espécie de brecha entre os dois lados. Eu não sou o único que notou, então é melhor sua ancora se preparar, porque vai ter bastante movimento entre os lados muito em breve.

Nos encaramos horrorizados, tentando digerir o que ele estava falando. Isso podia querer dizer que nossos amigos poderiam voltar. Mas também queria dizer, que todos os outros poderiam voltar também e isso não era nada bom.