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39 Capítulo 12 – Season 2


Notas iniciais
Hey gente, capítulo novo! Obrigada pelos comentários no capítulo anterior, apesar de poucos hein? Gostaria realmente que vcs comentassem suas opiniões e deixassem sugestões para que eu continue a escrever. A sim, e um obrigada muito especial a Clexa que deixou uma linda recomendação. Bjs e obrigada msm. Agora boa leitura!

Caroline

Eu podia ouvir cada som da luta feroz que se desenrolava la fora. Os gemidos, o cheiro de sangue, o impacto de corpos contra o chão. E outra luta talvez tão feroz quanto se desencadeou dentro de mim. O desejo de proteger meus filhos que dormiam em meus braços contra o desejo de proteger minha família que lutava por nós la fora.

Era desesperador, opressor e paralisante. Eu queria meus bebês em segurança. Ter certeza que ficariam bem. Mas como decidir uma parte da família para proteger em detrimento da outra?

― Onde está Hanna?

Perguntou Kol despertando-me dos meus pensamentos desesperados.

― Ela está demorando.

Comentou Davina e só então eu percebi que ela já deveria ter voltado.

― Vou ver onde ela está.

Falou Kol e saiu do quarto. Suas mãos estavam serradas e sua postura rígida. Cada som que ele ouvia fazia-o se inclinar um pouco em sua direção como se quisesse estar lá. Eu imaginava que ele passava pela mesma situação que eu. Querer ir ajudar os que estavam lá fora, mas também querendo ficar e proteger os que estavam aqui dentro.

Davina se sentou na cama e me olhou, sua testa estava vincada de preocupação, mas ela forçou um sorriso.

― Eles são lindos.

Comentou ela apontado para os bebês. Eu sorri e olhei para seus rostinhos. Eles ainda estavam enrolados com uma manta e mais nada, o medo do que poderia acontecer pareceu ter nos congelado no lugar, mas eles estarem a salvo era mais importante que vesti-los pensei com desanimo.

Meus bebês. Meus pequenos milagres, mal podiam ter sua chegada comemorada pois o mal espreitava a porta querendo arrancá-los de mim.

― Vocês vão ficar bem, eu prometo.

Sussurrei baixinho para eles. Um deles se agitou um pouco no sonho e eu pensei que eles talvez estivessem me ouvindo.

― Será que estão com fome?

Perguntei a Davina.

Mesmo pensando sobre esse dia durante toda a gravidez, eu ainda não sabia direito o que fazer.

― Você pode... amamentá-los?

Perguntou ela e eu neguei sem olhar seus olhos.

No começo eu pensei que poderia. Que meu corpo ficaria pronto enquanto eles precisassem de mim, mas no segundo que os gêmeos nasceram eu senti meu corpo voltar ao normal. A cura foi instantânea, até o leite que o senti se preparar para eles durante a gravidez sumiu.

Eu me mantinha deitada no lugar, não sentia dor ou coisa alguma, apenas parecia um grande crime macular o sonho dos meus filhos, vendo o quanto a realidade era feia e dura para meus bebês tão frágeis e puros.

― Vou preparar um leite para eles então.

Falou ela e se levantou, então um grito desesperado e dolorido ecoou por todos os lados fazendo os sons da luta cessarem imediatamente, prendi a respiração e Davina olhou para mim, então vi seus olhos rolarem nas orbitas e ela desmaiou. Então um frio terrível se espalhou pelo quarto, quando a vi entrar no quarto.

A escuridão parecia se desprender de seu corpo e ela ria com escárnio. O som era nauseante e transfigurava seu rosto numa careta funesta.

― Olha só! Nossos bebês são tão lindos!

Cantou ela batendo palmas e se aproximando da cama. Apertei os bebês em meus braços com força, então eles se agitaram e despertaram começando a chorar, como se sentissem o mal vindo em sua direção.

― Eu sou uma lady, e prometi deixar um deles com você. Então me diga, qual deles você escolhe?

Ela olhava os bebês como um lobo a espreita de um cordeiro, tentei olhar em volta e decidir o que poderia fazer. Mas para lutar com ela eu precisaria deixá-los, e eu sentia uma dor quase física ao pensar que eles poderiam ficar por um segundo sequer longe dos meus braços.

Ela se aproximou mais de nós, tanto que eu podia sentir sua respiração fria bater em nós fazendo-me sentir arrepios de repulsa.

― Escolha querida, não temos muito tempo. Minhas bruxas estão acabando com o que sobrou da sua família, e eu realmente quero eles vivos para me assistir matando seu precioso marido.

― Não! Eu nunca vou escolher! Fique longe de nós!

Gritei para ela assustando ainda mais os bebês em meu colo, seu choro incessante e assustado gelava meu peito. Eles eram frágeis e pequenos e precisavam de mim, choravam para que eu os fizesse sentir seguros, mas eu não conseguia.

― Você não me deixa outra escolha.

Falou ela e então senti um puxão forte e uma dor na nuca que sumiu assim como meus sentidos.

***

Não lembro de quanto tempo fiquei apagada, mas lembro de que com os primeiros sinais de consciência ouvi um choro incessante e doloroso, então forcei meus olhos a se abrirem e olhei para o calor em meus braços. Notando com uma pontada aguda no peito ser menor do que o que era antes. Pois só havia um bebê em meus braços. Que chorava com vontade, seu pequeno rosto estava vermelho e coberto de lágrimas.

Lágrimas que encheram meus olhos enquanto eu o apertava contra o peito e o embalava lentamente tentando fazê-lo se acalmar. Uma parte de mim cantava de alegria por ver que ele estava bem, só um pouco assustado. Mas a outra parte sangrava de dor ao procurar meu outro bebê que já não estava em meus braços.

Ergui os olhos ainda com o peito em chamas olhei em volta do quarto e o silêncio era a única coisa que existia. Tanto aqui dentro quanto la fora. Coloquei os pés para fora da cama incerta, e me levantei.

Davina ainda estava caída no chão. Mas eu não tive coragem de ver se ela estava viva, eu não suportaria mais nem um átimo de dor, pois meu peito já estava em pedaços.

Caminhei devagar para fora do quarto e desci as escadas. Encontrado Kol também caído aos pés da escada.

Não me aproximei dele, apenas continuei minha caminhada com meu filho ainda assustado em meus braços e abri a porta.

Não fosse pela dor aterradora que comprimia meu peito e ante a perspectiva de que nunca mais veria meu filho aquela seria a cena mais horripilante que eu já vi, e tinha certeza que ela se infiltraria em meus pesadelos por muito tempo.

Morte e sangue. Era tudo que eu conseguia ver. O cheiro frio da morte impregnava o ar, sangue estava espalhado por todos os lados assim como muito corpos. Muitos que eu não saberia dizer de quem era, mas alguns eu reconhecia. Eram minha família. Marcel, Rebekah, Elijah, Hayley, Hanna e Klaus.

Todos espalhados pelo chão frio, cobertos de sangue. Eu não sabia se estariam vivos ou não.

E não consegui forçar meus pés a se moveram ante tanta destruição.

Abracei meu filho tentando mantê-lo escondido daquela cena. Era como se um buraco tivesse se aberto em meu peito a dor e o vazio me contorciam de dentro para fora e eu não sabia o que fazer ou como fazer.

Mas então vi um movimento, eu me assustei e dei um passo para trás tentando afastar meu filho do que quer que fosse e vi alguém se levantar por entre a pilha de corpos, outro movimento próximo aconteceu também mas eu não via mais quando me dei conta de era Klaus a se erguer, com o peito nu e coberto de sangue e ele olhou em volta e nossos olhos se cruzaram. Não sei o que ele viu em meu rosto mas seus olhos caíram para meus braços e então a dor cruzou seus olhos, tão crua e corrosiva quanto eu sentia em mim.

Então ele começou a andar em nossa direção, seus passos eram lentos e vacilantes, sua expressão estava cansada e dolorida, mas a tristeza era tão forte em seu rosto que nada parecia suplantá-la.

Então eu comecei a ir até ele e num segundo estávamos em seus braços. Ele nos apertou em sues braços protetoramente, minhas lágrimas escorriam livremente e eu sentia seu peito tremer.

Ouvi movimento a nossa volta, e alguém me perguntou se eu estava bem.

Mas eu não estava bem, e não estaria bem até saber que meu filho também o estava.

― Vamos sair daqui.

Determinou Klaus, mas sua voz estava quebradiça e saia dolorosamente da sua garganta.

Não houveram mais perguntas, ou som algum apenas os movimentos rijos que nos guiaram, não saberia dizer como chegamos até nossa casa. Não poderíamos ficar na mansão agora, então nosso refúgio virou o de todos nós.

Alguém me disse que eu deveria trocar de roupas e vestir algo no bebê.

Ele havia adormecido no caminho para cá, mas eu não conseguia assimilar aquelas palavras. Apenas subi para o quarto dos gêmeos e me sentei na cadeira de balanço encarando os berços brancos e idênticos. Eu pensei em colocá-lo para dormir lá, mas eu não conseguiria. Não poderia suportar a idéia de colá-lo no berço e ver o outro vazio.

Devo ter ficado ali sentada por muito tempo, porque quando os vi novamente já estavam todos limpos e alimentados.

― Vá se trocar Caroline, eu fico com o bebê.

Falou Rebekah, mas eu neguei com a cabeça, não conseguiria expressar com palavras que não suportaria tê-lo longe dos meus braços.

Então passou mais um tempo e Hayley veio tentando me persuadir a fazer o mesmo, depois Davina e até Hanna. Meu coração dava um salto de felicidade aos vê-las bem e vivas, mas então para aquela pequena felicidade a dor rugia em meu peito ainda mais forte. Pois não sabia se meu bebê estava bem, ou sequer se estava vivo.

Quando finalmente os primeiros raios de sol começaram a iluminar o quarto vi Klaus se ajoelhar na minha frente. Meu olhar acompanhou seu rosto, a dor ainda estava estampada lá, talvez ainda mais forte que a minha. Mas diferente de mim ele não se entregou ao torpor, Klaus parecia no lugar e eu respirei um pouco mais profundamente, desejando que ele conseguisse me colocar no lugar também.

― Me dê o bebê querida, vá se trocar enquanto eu visto algo nele, e precisamos alimentá-lo também.

Falou ele e começou a pega-lo dos meus braços. Eu não resisti. Por que ele estava com Klaus e ela o manteria seguro tanto quanto eu.

Então me levantei mecanicamente e fui para o chuveiro. Depois peguei uma roupa qualquer, vesti e voltei para o quarto.

Quando cheguei Klaus já o tinha vestido e lhe dava mamadeira próximo a janela, ele olhava o horizonte e eu me aproximei vendo os olhinhos do meu filho abertos e atentos.

Senti um nó na garganta, seus olhos eram azuis como os meus, e me observava então eu ergui a mão tocando sua mãozinha frágil, então ele agarrou meu dedo e o segurou. Eu prendi a respiração e senti muitas lágrimas se acumularem em meus olhos e escorrerem pelo rosto.

Klaus permanecia parado enquanto ele terminava a mamadeira e aos poucos seus olhinhos foram se fechando, então Klaus foi em direção ao berço e eu o segui segurando seus braços.

― Deixa que eu o seguro, não o coloque aí... sozinho.

Falei a última palavra num suspiro dolorido e Klaus olhou meu rosto.

― Ele não vai ficar sozinho, estamos aqui.

Então ele se inclinou e o colocou no berço. Um som estrangulado passou por minha garganta então Klaus me puxou para seus braços e me abraçou deixando-me chorar por um longo tempo.

― Onde ele está Klaus?

Perguntei quando finalmente consegui recuperar a voz. Ele não respondeu apenas me levou gentilmente para fora do quarto, eu resisti um pouco, não queria sair de perto do meu filho.

Então ele segurou meu rosto e me olhou sério.

― Ele está bem Caroline, está dormindo e nós estamos aqui. Mas precisamos ser fortes, nosso outro filho também precisa de nós.

Ao ouvir aquelas palavras algo em mim finalmente despertou e senti aquele torpor que tomou conta de mim se dissipar imediatamente. Eu estava sentindo um pesar e uma tristeza terrível, mas deixei isso se transformas em luto. Mas talvez não fosse. Existia uma chance de meu filho estar vivo, e por menor que fosse eu iria atrás dele.

Deu um aceno com a cabeça e Hayley entrou no quarto tomando nosso lugar, Klaus me levou para baixo e entendi que não queria deixá-lo sozinho.

Assim que cheguei na sala Davina se levantou e veio em minha direção parando a alguns passos de mim.

― Sinto muito Caroline, eu....

Ela parou no meio da frase e eu fui até ela abraçando-a.

― Não foi culpa sua.

Falei em seu ouvido e ela se afastou ainda com lágrimas nos olhos.

Klaus se aproximou de mim e me abraçou pela cintura me apoiando em seu peito.

― Fale.

Comandou ele e Davina se recompôs um pouco.

― O feitiço que ela quer fazer é muito poderoso, e exige muito até mesmo de uma bruxa como ela.

Fechei os olhos lentamente.

― Mas ela tem esse poder, e tem o que precisa para o feitiço.

Davina balançou a cabeça em negativa.

― Ela não vai usar sua própria magia para isso, é preciso ter um agente de ligação, e a única forma de garantir que não se quebre é usando um evento celestial, algo que não possa ser destruído. E em se tratando de um híbrido de lobisomem ela vai usar...

― A lua cheia.

Completei suas palavras e ela acenou com a cabeça.

― Até a lua estar cheia, ela manterá o bebê vivo, só precisamos encontrá-la antes disso.

Concluiu Davina e senti a esperança se renovar em meu peito, sendo esmagada quase instantaneamente. Passamos sete meses tentando achar aquela bruxa sem sucesso, me soltei dos braços de Klaus e peguei um calendário que estava sobre a mesinha, como conseguiríamos fazer isso em três dias?

Hanna

Papai e tia Care estavam no quarto dos gêmeos, Davina trabalhava febrilmente com tio Kol tentando localizar a bruxa, e todo o restante da minha família tinha desaparecido quase uma hora atrás tentando encontrar qualquer tipo de pista do seu paradeiro.

Então me senti uma traidora ao me esgueirar pela janela e começar a correr pela noite. Eu estava com o coração apertado de preocupação pelo meu irmão. Eu lutei com aquelas bruxas a poucas horas atrás e elas subjugaram a todos nós, eu só podia imaginar meu irmãozinho pequeno e indefeso nas garras daqueles monstros.

Enxuguei uma lágrima do rosto e continuei minha corrida desesperada. Eu queria ajudar e precisava ajudar, mas no momento, outra coisa também me preocupava demais, avistei a cabana pouco a frente e corri ainda mais rápido para chegar.

Forcei um pouco a porta e entrei, mesmo com o fogo aceso o lugar ainda estava frio, mas Zac permanecia no lugar que eu o deixei, com vários cobertores improvisando um colchão. Seu rosto estava pálido e eu me aproximei, ele abriu os olhos devagar e sorriu um pouco.

― Que bom que você veio.

Falou ele, mas até sua voz parecia fraca, então eu fui até ele e puxei os lençóis e depois ergui sua camisa. Senti o gelo se instalar em meus estomago, a marca de três garras desciam de seu peito até um pouco abaixo do umbigo e não estavam cicatrizando.

Puxei a camisa para o lugar e me deitei a seu lado, outra lágrima escorreu por meu rosto mas ele a secou com dedos muito mais frios do que deveriam.

― Não fique assim, eu sou forte. Vai curar.

Falou ele, mas eu não tinha tanta certeza assim.

Ele tinha morrido com meu sangue no corpo, e agora não era mais um lobisomem, também não era um vampiro. Eu pensei que ele deveria ser um híbrido como eu, mas ele não estava sarando e parecia muito mais fraco. Eu não fazia idéia do que fazer e nem sabia como descobrir.

Meu pai tinha transformado híbridos a muito tempo, mas eu não sabia como e nem tinha como perguntar, pois eu tinha medo do que ele faria se descobrisse sobre Zac.

― E se não curar?

Perguntei baixinho, talvez para mim mesmo, mas ele escutou, só que ele apenas deu um sorriso fraco e fechou os olhos cansado.

― Bom, espero que você não me deixe morrer sem ver seus peitos.

Falou ele e tão logo terminou a frase ele adormeceu, então eu o abracei e fechei os olhos, temendo até mesmo que o tempo passasse, pois isso significaria que talvez eu perdesse Zac, e que talvez eu perdesse meu irmão.

E talvez a dor me consumisse, ou não. Talvez eu apenas me perdesse também.