Finally found you
7 Capítulo 7
Notas iniciais
― Eu amava minha família. Gostava de estar com meus irmãos, eu queria me sentir amado. Mas sempre que via Mikael, o ódio brilhava em seus olhos, e Esther, me evitava sempre que podia, e quando era obrigada a isso, eu via o arrependimento que ela sentia por ter me gerado. Meus irmãos tinham medo de ficar muito próximos a mim, porque sabiam que quando Mikael viesse, ele os machucaria também. Por muito tempo o maior laço que eu tive foi com Rebekah. Ela era um grande consolo em meio as noites sombrias e dolorosas que Mikael me impunha.
Sua voz soava carregada de dor e eu me arrependi de ter tocado no assunto. Reviver lembranças ruins era muito triste e não traria nada de bom para ele.
― Mas eu cresci, e aprendi a manter distância dele. Imaginei que eu poderia ter minha própria casa e ser livre de tudo... Foi quando conheci Tatia Petrova. Ela fazia com que eu me sentisse especial, me tratava com tanto carinho de um jeito que eu nunca tinha sido tratado em toda a vida, como se eu fosse especial e único para ela. Foi inevitável me apaixonar, e tudo que sonhava parecia ficar mais próximo, eu iria começar a criar ovelhas, e juntar dinheiro para construir nossa casa...
―Ovelhas?
Tentei disfarçar o riso, mas não consegui, Klaus criando ovelhas? Não mesmo...
― A mil anos atrás,um pastor era bom partido Caroline.
Ele deu um sorriso fraco para mim.
― Mas então, Elijah também a amava e começamos a brigar muito, eu não podia suportar a idéia de que ele tirasse de mim a única coisa que conseguiu me dar esperanças, e então...
Ele se calou como se as lembranças fossem dolorosas demais, apertei sua mão com força.
― E então?
― E então meu irmão Henrick morreu.
Ficamos um pouco em silêncio depois disso e eu pensei que ele não fosse falar mais, depois respirou profundamente e continuou.
― Quando meu pa... ― ele se interrompeu no meio da palavra, iria chamá-lo de pai ― Mikael descobriu que eu tinha estado lá com ele, ele me bateu tanto que parecia um animal raivoso, Esther o interrompeu dizendo que não podia perder mais um filho. E então minha mãe fez o feitiço que nos transformou em vampiros, sacrificando Tatia, para acabar com a briga entre mim e Elijah. Quando me transformei eu fiquei confuso e muito passional e isso me desviou um pouco de sua perda. Mas no instante em que eu matei meu primeiro humano e senti meu peito queimar e meu corpo inteiro parecia entrar em colapso. Meus ossos começaram a quebrar só que por eu ser vampiro também a transformação estava descontrolada e meus ossos se regeneravam, eu não tinha idéia do que estava acontecendo comigo, só a dor. Mikael parecia já saber o que aconteceria, ele me pegou e me acorrentou contra uma arvore, Elijah estava lá e o ajudou, eu implorava para ele me ajudar, mas ele não fez nada...
Sua expressão estava fechada e eu podia ver as lágrimas brilharem em seus olhos.
― Quando Esther finalmente fez o feitiço para aprisionar o lobisomem em mim, eu já estava exausto, cada célula do meu corpo estava queimando e adormeci na mesma hora. Mas o que eles não sabiam é que quando se aprisiona uma fera, você não a contém você a enfurece...
Estremeci de leve com suas palavras.
― E eu arranquei o coração de Esther.
As palavras soaram com tanta naturalidade que chegou a me assustar.
― Eu me irmãos nos reunimos com o passar do tempo, e meu desejo de ter uma família e ser amado só se intensificou, de forma que fiquei implacável, precisava defender minha família inclusive deles mesmos.
Sua voz estava contida mas a intensidade dos seus sentimentos era palpável.
― Primeiro foi Finn. Ele começou a se envolver com aquela tal de Sage, e queria nos deixar e viver com ela. Eu não podia deixar Finn despedaçar nossa família por uma mulher como aquela, e o único jeito de pará-lo era... empalá-lo, e foi o que fiz. Meus irmãos ficaram com muita raiva por isso, e me julgaram por fazer isso com ele, mas eu precisava cuidar deles, e defender de sua própria idiotice.
― Depois foi Kol, ele era imprudente e só pensava nele mesmo, só queria se divertir e sair pelo mundo em busca de aventuras. Eu permiti por um tempo, só que ele estava se destruindo e eu não podia permitir isso, um dia nós discutimos e eu o empalei também. Depois disso Rebekah e Elijah se afastaram de mim. Elijah foi embora, e Rebekah nunca mais foi a mesma, mas nós vivíamos bem até conhecermos Stefan, eu me lembrei de como era ter um irmão de novo, só que para Rebekah era mais que isso, e no fim ela quis me abandonar por ele. Eu a empalei também, e por fim estava do jeito que eu tentei tanto evitar, sozinho, sem ninguém que me amasse. E então minha obsessão em quebrar a maldição e criar híbridos era tudo que tinha me restado, eu me tornei implacável e sem compaixão, tudo que eu enxergava era meu objetivo, quando eu soube da existência da duplicata, parecia que eu finalmente ia conseguir ter a vida que eu desejava. Mas aconteceram muitas coisas, que você já esta cansada de saber, então...
Olhei para seus olhos verdes, e por um tempo não vi nada do híbrido, só um homem que tinha sofrido tanto e por tanto tempo, que tinha quase se esquecido como era amar e ser feliz.
― Sei, afinal eu estava lá...
― E agora depois que meus irmãos morreram, eu vi que o tempo que eu poderia ter passado com eles, eles Estevam em caixões, colocados por mim...
Eu não pude dizer nada a ele, eu não podia dizer que entendia o que fez, mas também não podia dizer que depois de tudo que ele passou, se sua atitude era ou não o que qualquer outra pessoa faria.
Ele passou a mão nos olhos e forçou um sorriso.
― Bom, um final interessante para uma noite agradável.
Dei um sorriso reconfortante para ele.
― Com certeza.
― E quanto a você, o que espera do futuro, o que você quer fazer daqui para frente?
Ele me perguntou olhando para frente.
― Bom... eu tenho muito tempo pela frente então, acho que só o tempo dirá.
― E a faculdade?
Fiz uma careta ao me lembrar disso, só o tempo traria essa resposta para mim, então resolvi não me preocupar por enquanto.
― Eu não tenho certeza de nada por enquanto, mas estou de férias e tenho tempo de sobra para pensar.
― Ótimo, posso te ajudar muito em seu tempo extra.
Sorrimos juntos.
― Pelo visto você já tem um itinerário completo para meu tempo livre não é?
― Um mês é muito pouco para tudo que eu tenho em mente, mas acho que podemos dar um jeito.
O telefone de Klaus tocou nos interrompendo, ele olhou o nome e franziu a testa.
― Rebekah.
― Ei Klaus onde está Elijah, estou cansada de tomar conta...
― Rebekah! ― Ele a interrompeu bruscamente e olhou de lado para mim ― Eu não estou sozinho irmã e não posso falar agora, vou pedir para Elijah te ligar amanhã.
E desligou o celular. A suspeita voltou com força total. O que eles estavam escondendo? O que Rebekah estaria tomando conta?
Klaus olhou para mim sorrindo.
― Acho que precisamos dormir um pouco.
Achei melhor não perguntar, porque se ele achasse que eu estava desconfiada só iria guardar mais ainda o segredo, então eu ia fingir que não notei nada e tentar escutar alguma coisa. Assenti para ele e nós levantamos.
Ele me guiou até as escadas depois parou na porta do meu quarto.
― Bom... eu me diverti bastante.
― Eu não me diverti tanto assim, principalmente na parte da música, mas gostei muito de estar com você.
Os dedos dele ainda estavam entrelaçados aos meus e me senti muito tímida de repente. Eu já tive outros namorados antes, mas era diferente com Klaus, ele podia ser tão meigo e tão intenso ao mesmo tempo. Ele notou minha insegurança e soltou as mãos da minha e encostou os lábios de leve na minha testa.
― Você está me devendo uma noite de dança de verdade. Boa noite.
Depois se virou e seguiu pelo corredor, eu entrei no quarto e me encostei na porta, como era possível eu gostar ainda mais dele?
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