Finally found you
32 Capítulo 5 – Season 2
Notas iniciais
Klaus
Minhas patas batiam rápido no chão, meu coração bombeava o sangue num ritmo frenético. Eu não queria sentir. Queria correr e não pensar em nada. Mas era impossível. Meus pensamentos sobrepujavam os do lobo. Meus sentidos estavam atentos e em alerta máximo, mas minha cabeça ainda estava lá.
Parei bruscamente sentindo as patas derraparem contra as folhas no chão. A respiração vinha rápido, enchendo meus pulmões de ar e clareando ainda mais meus pensamentos. Hanna. Caroline. Ambas entoavam em minha cabeça sem trégua. Uma dor me rasgou de dentro para fora e antes que eu me desse conta minhas mãos bateram no chão. Meus joelhos esmagaram o chão embaixo de mim e senti meu corpo inteiro tremer coberto por um suor frio.
A anos que eu não me transformava. Não era preciso. Eu podia sentir o lobo mesmo sem me transformar. Mas acontece que as emoções humanas não afetam o lobo na mesma medida. E nesse momento era tudo que eu precisava. Não sentir. O problema é que os anos, ver minha filha crescer e meu casamento com Caroline me fizeram expostos a essa sensação. Cada sentimento que eu lutei durante séculos para reprimir pareciam entranhados em mim agora. Tanto que mesmo na forma de lobo eu não conseguia me livrar delas. Mesmo como um animal eu ainda fui atrás dela. Atrás do seu cheiro. E mesmo querendo ir para longe eu não fui. Por mais que eu corresse meus pés sempre me traziam de volta para perto de casa. Para perto da minha filha.
Hanna. Estremeci ao pensar nela. Ela era tão jovem. Apenas uma criança para mim. E mesmo assim era obrigada a carregar o fardo de ser quem eu sou. A sede. A violência. Todos os meus inimigos. Eu podia lidar com isso. Eu era Klaus Mikaelson. O híbrido original que todos temem e odeiam na mesma medida. Mas Hanna era frágil. Eu temia que isso tudo a destruísse. E eu não podia fazer nada para protegê-la.
Sentir algo cair perto de mim e levantei num pulo rosnando para quem quer que fosse. Era Elijah. Ele me olhava com pena e compreensão, e eu detestei ver as duas. Ele me jogou outra coisa e só então notei o que eram. Roupas. Peguei-as silenciosamente e vesti.
― Não deveria estar aqui.
Resmunguei para ele enquanto vestia a camisa.
― Eu sei que não. Mas achei que você iria querer isso mais cedo ou mais tarde.
Falou ele gesticulando para as roupas.
Respirei fundo e olhei para o céu. Já estava quase amanhecendo. Porém o céu estava carregado de nuvens. Uma tempestade parecia prestes a cair.
Comecei a caminhar e Elijah me acompanhou.
― Você está bem?
Perguntou-me ele. Trinquei os dentes. Eu estava muito longe de estar bem.
― Minha filha acabou de se transformar em uma híbrida, minha mulher não vai estar em casa quando eu voltar, então é claro Elijah. Eu estou mais do que bem.
O sarcasmo escorreu por minhas palavras. Não era culpa dele e no fundo eu sabia disso. Mas nunca fui bom em controlar meu temperamento de qualquer forma.
Ele segurou meu braço e me fez parar.
― Eu sei como você deve estar se sentindo. Hanna é como se fosse minha filha. Mas todos nós sabíamos que isso ia acontecer um dia, e agora o que ela vai precisar é que nós estejamos do lado dela e a ajudemos a passar por isso.
Puxei meu braço de sua mão e continuei caminhando. Meu humor estava péssimo. Depois de uma noite quase inteira correndo como lobo meu estomago estava embrulhando desconfortavelmente. Eu estava com fome. E a raiva só fazia a sede aumentar. A vontade de sentir minhas presas perfurarem a carne de alguém fazia minha boca salivar. Eu conseguia me controlar se eu quisesse. Mas agora eu não queria me controlar. Queria me alimentar. Queria sangue.
Disparei pela floresta sabendo que ia encontrar alguém. Sempre encontrava. Não sabia se Elijah tinha me seguido, e também não me importei com isso.
Senti o cheiro bem antes de vê-los. Uma barraca ao pé da montanha. Eles não deviam estar acostumados a isso pois estavam perto demais da estrada para ser um acampamento de verdade. Ainda saia fumaça da fogueira e havia uma luz dentro da barraca. Eles ainda estavam acordados. Ótimo.
Só precisei de alguns galhos quebrados para que os sussurros na barraca pararem abruptamente e depois recomeçarem. Eu sabia que podia entrar lá e me alimentar bem mais rapidamente. Mas alguma coisa em mim pedia para caçá-los. Fazê-los ficar com medo. Fui para traz de uma árvore quando um garoto saiu da barraca com uma lanterna acesa. Ele olhou ao redor e deu alguns passos para fora. Me aproximei lentamente dele. Ele levou um susto ao me ver e quase derrubou a lanterna.
― Qu-em é você?
Ele gaguejou e eu revirei os olhos. O que as pessoas esperam ao fazer essa pergunta afinal de contas?
― Vejamos... ― Cruzei os braços e fingi pensar, depois sorri sentindo minhas presas formigarem. ― Sou a última coisa que você vai ver.
E num instante cravei meus dentes em seu pescoço. O gosto do sangue invadiu meus sentidos. Forte e quente. Eu sugava com mais força, sentindo a fome aumentar ao invés de diminuir. O garoto gritava em meus braços, mas o som se tornou abafado e logo parou.
― Dean?
Uma voz atrás de mim me despertou e eu soltei o garoto, ele ainda estava vivo mas eu podia cuidar disso depois, porquê agora eu precisava de mais. Me lancei contra a garota que apareceu mas seu grito me prendeu no lugar. Olhei para ela enquanto ela se encolhia assustada, já começando a chorar. Era só uma garota. Não parecia ter mais que dezessete anos. Seu cabelo era longo e louro. Não era parecida exatamente, mas tudo que eu pensei foi em Hanna. E no monstro que eu era. Monstro esse que ela jamais viu em mim. Apenas seu pai. Ela me olhou por mais um tempo depois disparou para o garoto no chão. E dando as costas para mim. A coisa mais estúpida que alguém poderia fazer.
― Dean? Por favor acorda! Por favor, por favor...
Olhei o garoto no chão. Ele estava quase morto. Seu pescoço sangrava e ele não duraria mais que dois minutos. Então algo me impulsionou para a frente e quando me dei conta já estava alimentado o garoto com meu sangue. Ele engasgou e acordou. Puxei-o pela camisa e o compeli a esquecer. A garota me olhava cheia de medo, então eu a levantei pelos braços e a hipnotizei também.
― A floresta é perigosa demais. Nunca mais venha aqui a noite entendeu bem?
Completei, ela só sacudiu a cabeça concordando, então eu saí dali. Sentindo minhas pernas fraquejarem com o peso de tudo que estava por vir.
Eu nunca me importei realmente que algo durasse ou não. Mas agora eu me importava. Me importava com essa cidade, com a minha vida e a vida das pessoas que eu amava. E agora parecia que estava tudo fora de controle. Eu podia sentir o cheiro de alguma coisa rondando essas ruas. Uma escuridão que encobria tudo e eu não sabia de onde vinha. Os lobos estavam do lado do que quer que isso fosse. E pelo histórico de ódio deles contra mim eu podia apostar que o que quer que estivesse vindo estaria atrás de mim.
Eu não temia minha vida. Eu era imortal. Nada que eles pudessem fazer iria conseguir me atingir. Acontece que agora eu não era o único alvo. As duas pessoas que eles poderiam querer usar para me atingir poderiam ser facialmente feridas. E eu, agora mais do que nunca, não podia escolher entre proteger Hanna e proteger Caroline. Trazê-la de volta para casa parecia a melhor solução. Mas eu sabia que ela não queria isso. Eu a deixei ir afinal de contas. A dor e o medo do que poderia acontecer com Hanna me cegaram e eu não pensei no que aquilo tudo significava para ela.
Minha família nunca foi unida. Éramos totalmente disfuncionais, até encontrar algo que todos lutariam para proteger. Hanna. E Caroline fazia parte disso também. Acontece que ontem a noite as coisas mudaram. Eu podia sentir no ar. Não éramos mais a família Mikaelson. Éramos nós e ela. Separados por algo que deveria nos unir. E eu escolhi um lado. Infelizmente esse lado era o contrário ao dela.
Fui caminhando meio sem rumo até que finalmente cheguei em casa. O sol estava nascendo, mas ninguém além de Hanna pareciam estar dormindo. Fui para o meu quarto e abri a porta. O cheiro dela bateu em meu rosto e senti uma pontada ao perceber que ela não estaria ali.
Fui tomar um banho e a lembrança dela estava em cada pequena coisa. A falta que eu senti foi tão grande que ameaçou me sufocar. Troquei de roupa e saí do quarto o mais rápido possível.
Parei na porta do quarto de Hanna. Sua respiração estava lenta e ritmada, ela dormia suavemente. Abri a porta sem fazer barulho e me sentei nos pés da cama observando seu sono. Estava tão tranqüila. Queria que toda sua vida fosse assim. Mas eu sabia que não tinha sido.
Eu me lembrava de cada momento de sua vida. Desde a infância até agora. Sua primeira palavra. Papai. Como gosto de lembrar o tempo todo. Seu primeiro passo. Que como eu detesto lembrar foi para o Elijah. Todas as fases de crescimento da Hanna foram um prazer e descoberta. Tentamos dar a ela o melhor que podíamos. Mas em uma casa cheia de vampiros, híbridos, bruxas e etc, fica complicado fazer isso.
Eu sei que ela se sente presa. Mas fazemos isso pelo seu próprio bem. Mas não fez diferença no fim das contas. Aqui estava ela. Minha filhinha. Minha doce princesa transformada em algo que ela nunca poderia controlar totalmente.
Estiquei a mão para tocar seus cabelos e ela acordou.
― Bom dia pai.
Falou se espreguiçando e sentando na cama.
― Como você está querida?
Perguntei a ela baixinho. Ela encolheu os ombros. Parecia triste.
― Não sei. Parece que sou eu mesma, mas ao mesmo tempo não sou.
― É complicado no começo. Mas com o tempo você se acostuma.
― Foi muito difícil para você?
Um flash Back de imagens passou em minha cabeça. Mas eram todas um borrão de sangue e corpos para todo lado.
― Sim, foi difícil. Mas não precisa ser assim com você. Nós não tínhamos ninguém para ajudar. Mas você tem. Todos nós estamos aqui por você.
― Nem todos...
Falou ela e olhou para os lados.
― Como assim?
― A tia Care não está aqui.
Ela falou finalmente me olhando nos olhos. Eu endireitei as costas.
― É complicado Hanna.
― O que é complicado pai? Que vocês todos estão culpando ela pelo que eu fiz?
Hanna se levantou da cama e cruzou os braços. Ela definitivamente herdou meu temperamento.
― Ninguém a está culpando Hanna.
― Claro que estão! Eu não sou uma criança apesar do que vocês pensam. Vocês acham mais fácil colocar a culpa nela do que me tratar como uma adulta que faz suas próprias besteiras.
― Você não é adulta ainda Hanna.
― Bom, pois agora eu vou ter que ser não é? Eu me transformei numa híbrida pai. Eu estou no meu quarto no segundo andar e consigo ouvir o coração das pessoas batendo lá em baixo, e só penso em como seria bom beber o sangue delas. Então adivinha só? Vocês vão ter que aprender a confiar em mim um pouco!
Quando ela terminou de falar isso eu vi uma lágrima escorrer por seu rosto. Então eu me levantei e a abracei forte. Tentando transmitir meu amor com aquele abraço.
― Vai ficar mais fácil filha, eu prometo.
Ela afastou a cabeça do meu peito.
― Não é isso que importa pai. Eu fiz uma besteira e vou ter que aprender a lidar com isso. Mas vocês não podem julgar e crucificar a tia Care por minha causa. Eu pensei que você a amava. Eu cresci achando que o amor de vocês era incondicional, mas agora...
Meu coração se apertou ao ouvir aquelas palavras.
― Eu amo Hanna. Isso nunca vai mudar.
― Então porque você a deixou ir? Porque, no primeiro problema que enfrentamos você a descartou como se fosse nada?
― Você não sabe o que está dizendo. Eu não a descartei. Eu precisava cuidar de você. Você é minha prioridade agora.
― Mas para cuidar de mim você não precisa ficar longe dela pai. A tia Care foi a melhor coisa que te aconteceu. Você se ilumina quando está com ela. O que aconteceu não foi culpa dela, você não pode expulsá-la da nossa casa por pensar que isso é o melhor para mim.
― Eu nunca quis que ela fosse Hanna.
― Mas também não fez nada para que ela ficasse. Foi difícil para você e para mim também. Mas também deve ter sido uma barra para ela ver as pessoas que ela chamava de família jogando-a fora desse jeito.
Eu me calei diante das suas palavras. Ela estava certa. O medo e a preocupação por Hanna me cegaram, e eu deixei a mulher que tinha sido meu braço direito durante anos ir embora da minha vida.
― Não a perca papai.
Completou Hanna e eu soube no mesmo segundo o que eu tinha que fazer. Tão claro em minha mente que parecia idiotice que eu não tivesse visto.
Eu precisava trazer minha mulher para casa.
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