Finally found you
33 Capítulo 6 – Season 2
Notas iniciais
Pov’s Hanna
Minha cabeça estava um caos total. Quer dizer, a dois dias, pensar em beber sangue era simplesmente repulsivo. Então minha família convenientemente não fazia isso na minha frente e eu tentava não pensar sobre isso. Mas acontece que a menos de meia hora eu bebi duas bolsas de sangue inteiras e ainda sentia meu estomago embrulhar de fome... ou sede? Eu não conseguia distinguir muito bem entre as duas.
Fui para a janela do meu quarto olhar a rua. A noite estava fria, mas eu já não sentia isso tanto quanto eu sentiria ontem. Mesmo assim a cidade pulsava, pessoas rindo e se divertindo para todo lado. E eu aqui, presa no quarto como uma criança. Mamãe parecia com medo de eu me descontrolar ou algo assim. Mas eu não sentia isso, eu estava com sede, mas nada que eu não pudesse controlar. Mas o que eu mais queria na verdade era sair desse quarto, respirar um pouco e ver como seriam as coisas lá fora com esse novo olhar de híbrida.
Então eu tive uma idéia. Algo que nunca tinha me ocorrido justamente por morar com vampiros, uma vez que eles ouviriam quando eu desse sequer um passo. Mas agora eu era tão rápida quando eles, e poderiam sair daqui num segundo, e bem antes que eles se dessem conta.
Decidi não pensar muito sobre isso, e simplesmente fazer o que eu tinha vontade. Então subi no parapeito da janela e olhei para baixo. A distância me assustou um pouco, mas eu sabia que eu podia fazer isso. Então eu saltei. O chão parecia se aproximar tão lentamente que eu via cada detalhe, e pude calcular exatamente o momento de curvar um pouco meus pés para amortecer o salto e eu aterrissei no chão num baque surdo.
No mesmo segundo comecei a correr. E foi a coisa mais incrível que eu já fiz. Minhas pernas corriam em tal velocidade que mal as via se mexer, minha respiração sequer se alterou, o vento agitava meus cabelos e tudo passava por mim numa velocidade incrível, mesmo assim eu conseguia ver cada detalhe. Soltei uma gargalhada e eu aumentei o ritmo para ver até onde eu poderia ir, e quando me dei conta as luzes da cidade foram substituída por arvores iluminadas pelo luar.
Parei de correr imediatamente, e meus pés sequer derraparam. Sorri de novo. Bom, com certeza havia algumas vantagens em ser uma híbrida afinal.
Quanto tempo seria que eu levaria para sair da cidade? Ou até mesmo o país?
Olhei em volta respirando o ar frio da noite. Tudo parecia tão mais intenso e vívido. A velocidade do mundo parecia ter diminuído e a minha aumentado.
Um estalo interrompeu meus pensamentos e eu me virei em direção ao som em alerta máximo. Uma sombra se móvel em minha direção e eu dei um passo para trás sentindo meu coração acelerar e uma queimação em volta dos olhos.
A sombra se moveu e finalmente veio para a luz, eu o reconheci imediatamente e trinquei os dentes. Definitivamente não era quem eu esperava.
― O que você quer aqui? Está me seguindo?
Zac cruzou os braços e revirou os olhos numa expressão de desdém.
― Claro que não. Mas você está na minha área, eu só estranhei ver uma tão preciosa “Mikaelson” por aqui.
― Dá um tempo garoto, eu tenho certeza que a floresta não tem seu nome. Agora me deixa em paz.
― Eu deixaria com todo prazer, acontece que meus amigos não seriam tão compreensivos se te vissem aqui. Então eu sugiro que você caia fora.
― Como se eu fosse ter medo de você e dos seus amigos esquisitos.
Dei uma risada sem o menor humor para ele. Eu não gostava de Zac, e ele absolutamente não gostava de mim. E lá no fundo eu sabia que sentia um pouco de medo do seu jeito, uma agressividade contida brilhava em seus olhos. Só que eu não podia deixar ele saber disso.
― Meus “amigos esquisitos” Como você disse, são lobisomens, e nós não gostamos de híbridos por aqui.
Congelei com aquelas palavras. Ele sabia o que eu era. Mas é claro que sabia... Ele estava lá quanto eu... fiz aquilo com Sean. Ele sabia o que estava acontecendo. Sempre soube. Ele era um deles.
― Você é um lobisomem?
― Parabéns Sherlock! Descobriu isso sozinha?
Ele revirou os olhos de novo depois seus olhos se fixaram em um ponto atrás de mim. Ele serrou o maxilar e veio até mim.
― Precisamos sair daqui. Agora.
Ele esticou a mão, mas eu dei um passo para trás.
― Eu não vou a lugar nenhum com você!
― Sério? Eu adoraria ver você se explicar com meia dúzia de lobisomens furiosos, mas isso não vai ser nada bom para mim, então vamos logo!
Olhei para a direção que ele olhara antes, agora conseguindo ouvir passos rápidos, talvez até correndo e vindo em nossa direção. Zac não era exatamente o cara com que eu gostaria de dar um passeio, mas pelo menos era um lobo hostil conhecido. Agarrei sua mão e disparamos pela floresta.
Não prestei atenção para onde ele estava me levando, apenas o segui. E quando me dei conta estávamos perto de uma trilha. Eu já tinha vindo aqui. Era perto do acampamento dos lobos da matilha da minha mãe.
― Pronto. Aqui está perto demais dos lobos do bayo para que eles tentem alguma coisa.
Falou Zac e soltou minha mão.
― Porque você estava fazendo isso? Porque me ajudar?
Perguntei olhando para ele.
― Eu não estou te ajudando. Eu só não queria que você morresse por lá, ou sua família provavelmente destruiria minha matilha, só que aqueles idiotas não pensam nisso.
― Você tem uma matilha?
― O mundo não é só aquele pequeno círculo de pessoas com as quais você vive sabia?
― Na verdade não.
Ele franziu a testa e olhei para o chão.
― Não o quê?
― Não sei. De nada disso. Na verdade até ontem a noite eu sequer sabia que podia virar uma... híbrida. Eu não sei nada sobre o que eu realmente sou. E ninguém parece achar importante me explicar.
― Pior para você.
Falou ele e já ia se afastando mas eu agarrei seu braço.
― Então porque você não me explica? Me ajuda a entender essa bagunça na qual eu me meti.
Ele olhou para minha mão em seu braço depois para meu rosto.
― E porque eu faria isso? Eu nem mesmo gosto de você!
― E eu também não gosto de você, mas também não é como se fossemos virar melhores amigos. Eu só preciso saber com o que eu estou lidando, e minha família é super-protetora demais para conseguir fazer isso do jeito certo.
Ele soltou o braço das minhas mãos e me olhou com um pouco menos de hostilidade nos olhos.
― Digamos que eu concorde com isso, o que eu ganharia? E melhor ainda, quem me garante que seu pai não vai descobrir e arrancar minha cabeça?
Franzi a testa confusa. Eu sabia que meu pai não tinha um temperamento dos mais fáceis, mas Zac parecia achar que ele era um assassino louco e cruel.
― Meu pai não vai matar você. Eu cuido disso. E se você topar eu fico de devendo uma.
― Uma Mikaelson me devendo um favor? Isso parece bom...
― Vamos lá Zac, é pegar ou largar.
Instiguei uma última vez.
― Tudo bem. Eu ajudo você com isso.
Sorri para ele.
― Ótimo. Nos vemos amanhã na escola.
Ele me olhou como se eu tivesse dito o maior dos absurdos.
― É claro que não! A escola é o último lugar que você deve ir agora.
― Por quê?
Perguntei pensando em meus amigos, mas principalmente em Nathan. Nós nos beijamos naquele dia, e mesmo ele não se lembrando disso eu me lembrava. E queria fazer de novo, queria estar com ele.
― Você é uma híbrida, quer dizer que metade de você é vampira e vai estar sedenta o tempo todo. Então, até que você aprenda a controlar, não é seguro para ninguém, principalmente para seus amigos, ou seu namorado.
― Ele não é meu namorado!
Reclamei ficando vermelhar, embora eu realmente esperasse que isso acontecesse qualquer dia desses.
― Não é seguro. Dê mais um tempo antes de você voltar a ter uma vida normal.
Comentou ele achando graça da situação.
― Ótimo. Eu vou dar um tempo, mas onde vamos nos ver gênio?
Ele pensou um pouco sobre isso e olhou em volta, depois para mim.
― Aqui mim. Podemos nos encontrar no limite do Bayo. Seus pais não vão se incomodar em você vindo aqui, e ninguém vai me ver andando com você.
― Ótimo. Que tal amanhã?
Ele riu.
― Alguém está bem apressadinha não é?
― Bom, o que eu sou não vai ficar guardando numa gaveta esperando por mim. Eu tenho que começar o quanto antes.
― Tudo bem. Amanhã então.
Falou ele e eu sorri, ele não sorriu de volta e foi embora. Esse garoto definitivamente não gostava nem um pouco de mim. Mas ia me ajudar de qualquer forma, e isso era um ponto para ele.
Corri de volta para casa na mesma hora, e encontrei todos em pânico. Assim que eu entrei pela porta mais de mil pares de mãos me agarraram.
― Hanna! Meu Deus, onde você estava?
Perguntou minha mãe segurando meu rosto.
― No Bayo.
― E o que você estava fazendo lá? Porque saiu sem avisar? Quase nos matou de susto!
― Bom, isso é tecnicamente impossível. ― respondi saindo de seus braços ― E eu fui tomar um ar. Não avisei a vocês porque eu já sou gradinha o suficiente para poder sair de casa e dar uma volta de vez em quando.
― Ficamos preocupados Hanna.
Falou tio Elijah.
― Eu sei, e sinto muito não ter avisado, só que, lá no Bayo eu não precisava fingir que eu não mudei, então eu fui para lá. E provavelmente vou voltar qualquer dia.
Falei sem olhar para ninguém, eu era uma péssima mentirosa, então evitar contato visual era a primeira regra.
― Tudo bem filha, você vai estar em família lá, é seguro e se faz você se sentir bem...
Acenei concordando e subi para o quarto. Eles sempre foram assim, se algo estava me aborrecendo eles concordavam com algo que eu quisesse só para me fazer ficar feliz. Isso me fez sentir um pouco culpada por mentir para eles. Mas eles mentiram para mim a vida toda. Já estava na hora de eu buscar algumas respostas.
POV’S Caroline
Nunca foi difícil para mim planejar viagens. Na verdade eu adorava fazer isso. Pilhas e pilhas de revistas, itinerários completos e guias de viagens, eu mergulhava neles e planejava meticulosamente tudo que eu pretendia fazer em cada uma daquelas cidades. E foi assim nos últimos 18 anos. As 17 viagens de lua de mel que eu planejei, e mais de trinta outras viagens que fiz com Klaus e algumas delas com Hanna.
Mas agora, cá estava eu naquele quarto de hotel, depois de um único dia longe deles e sem ter a menor idéia do que fazer com a minha vida. Eu podia literalmente fazer qualquer coisa, mas eu não queria fazer absolutamente mais nada. Não havia outro lugar que eu quisesse estar além de New Orleans. Mas, depois de tudo que houve, em teria que partir em algum momento. E esse momento estava chegando bem rápido. Toda vez que eu saia de casa, ou fazia qualquer coisa que eu já estava acostumada a fazer antes, parecia deslocado e falso agora.
Mas para onde eu iria? O que poderia fazer? Eu realmente poderia me separar definitivamente de Klaus?
Eu não sabia a resposta para isso. Não tínhamos nos falado ainda, mas ele me deixou ir. Eu vi em seus olhos que ele não minha queria lá. Aquilo doeu muito, mas eu sabia que tinha doído nele também. Afinal, por mais que eu e Klaus nos amassemos, Hanna será uma coisa que nunca compartilharíamos. Ela nunca seria nossa, e tudo mais que acontecesse não seria algo que ele iria dividir comigo.
Andei pelo quarto com o celular na mão. Minha mala estava na porta do quarto, a única coisa que eu decidi até o momento foi em não ficar mais aqui.
Pensei em ligar para Hanna, mas desisti. Aquilo tudo deveria estar sendo um pesadelo para ela, e falar comigo não ajudaria em nada.
Coloquei o celular na mala e peguei uns folhetos em cima da mesinha. Pela primeira vez em anos eu não pretendia planejar nada, só sair e descobrir onde eu queria estar. Abri a lata de lixo e parei ao ver a rosa. Coloquei as revistas na cama e a peguei. A rosa que aquela charlatã de quinta me deu ontem a noite. Mas porque ela ainda estava aqui?
Ouvi um barulho atrás de mim e soltei-a imediatamente me virando.
Para ver Klaus parado me olhando.
― Klaus?
Perguntei e dei um passo em sua direção, parando instantaneamente. O que eu pensei em fazer? Beijá-lo?
Ele não respondeu e olhou em volta. Seus olhas pararam na mala ao lado da porta depois voltaram para mim.
― Está indo a algum lugar?
Perguntou por fim e fechou a porta atrás de si.
― Aqui não é mais meu lugar não é? É tudo que me resta fazer.
Olhei para o chão e ele deu um passo em minha direção, levantei meu rosto para olhá-lo nos olhos e vi dúvida, tristeza e até medo brilharem neles. Ele ergueu a mão para tocar meu rosto, mas parou no meio do caminho deixando-a cair ao lado do seu corpo.
― Aqui sempre será seu lugar Caroline.
Uma risada fria passou por meus lábios.
― New Orleans parece um lugar pequeno demais para que eu seja inimiga dos Mikaelsons.
Ele trincou os dentes.
― Você não é nossa inimiga. Você é minha mulher.
Falou ele, e eu tive que fechar os olhos ao ouvir aquelas palavras.
Senti suas mãos tocarem meu rosto e abri os olhos.
― Volte para casa.
Cobri a mão dele com a minha e inclinei um pouco o rosto queria sentir o calor da sua pele contra a minha.
― Não é mais minha casa.
― Sua casa sou eu. Seu lugar é ao meu lado. Eu fui um idiota ontem, mas não vou deixar você ir embora da minha vida.
Falou ele e me puxou pela cintura colando seus lábios aos meus. Eu agarrei seu rosto querendo sua boca o mais próximo possível, e não pensei em mais nada. Nem o que aconteceu ou que poderia acontecer de agora em diante. Tudo que eu queria era Klaus, o conforto e amor que só ele podia me fazer sentir. Nossas roupas já estavam pelo chão antes mesmo que eu me desse conta.
Só passamos um dia longe um do outro. Mas até mesmo aquela pequena distância parecia um peso enorme. Tínhamos fome um do outro, nossos dedos corriam pela pele, querendo deixar marcas únicas e profundas que iam muito além do corpo. Queríamos marcar um ao outro de dentro para fora.
O barulho de nossos corpos se movimentando um contra o outro e nossos gemidos de prazer foi o único som que se podia ouvir durante toda noite.
POV’S Kol
― Posso colocar isso aqui?
Perguntei a Davina que estava atrás de mim fechando a porta.
Eu estava carregado de compras. Bruxas... Porque elas precisavam de todas aquelas coisas afinal de contas?
― Pode sim.
Ela veio para a cozinha e começou a desempacotar as coisas. Olhei para ela e sorri. Era inevitável. Sempre que estávamos juntos. Não foi nada fácil para nós, desde o começo. Mas agora finalmente encontramos um equilíbrio entre o que ela era e o que eu era.
Ela estava um pouco diferente. Mais velha e mais madura, mas nem um pouco menos bonita. Se bem que eu era suspeito de falar. Eu sempre a achei linda. Davina era bem sensível quanto a isso. E a muitos anos vinha usando a magia para retardar seu envelhecimento. Ela não parecia ter mais que vinte e poucos anos.
Ela olhou para mim e me pegou encarando-a com cara de bobo.
― O que foi?
Perguntou ela sorrindo.
― Nada. Só admirando a garota mais linda do mundo.
― Seu bobo.
Fui até ela e a abracei. Ela se virou em meus braços e me beijou. E como sempre o toque dos seus lábios nos meus foi avassalador. Era incrível o quanto eu a amava e o quanto a queria. Durante toda a minha vida eu nunca pensei que fosse capaz de sentir algo tão poderoso e bom por alguém. Mas Davina mudou tudo.
Eu a abracei ainda mais apertado, trazendo-a para mais perto de mim, quando senti seu corpo estremecer. Mas não era algo bom. Pois ela se afastou de mim e eu vi o medo brilhar em seus olhos.
― O que foi?
Perguntei segurando suas mãos que ficaram subitamente frias.
― Eu não sei... Um pressentimento ruim.
― Você sentiu algo em mim?
― Não. Não é com você. Mas tem alguma coisa errada. Algo ruim, um tipo de escuridão que eu nunca senti antes.
― Você está sentindo isso agora? Aqui?
― Não. Está vindo. E eu não sei o que significa.
Eu a abracei forte tentando confortá-la.
― Eu estou aqui. Não vou deixar nada machucar você.
Falei e beijei seus cabelos. Mas ela ainda parecia tensa em meus braços.
Davina era uma bruxa poderosa. Se ela sentia que algo estava vindo, isso não era nada bom.
A pergunta agora era, o que seria? E o que queria de nós?
Fale com o autor