Finally found you
19 Capítulo 19
POV’S Caroline
Espreguicei-me na cama me sentindo relaxada, senti um sorriso aparecer em meu rosto. Meu corpo ainda estava meio dolorido, mas tudo deu certo no fim e eu só queria empurrar aquelas lembranças para o lado mais obscuro e esquecido do meu cérebro. Não queria me permitir pensar nem por um segundo no que aconteceu. Esfreguei meu rosto notando que era noite ainda, olhei ao redor e percebi estar sozinha. Sentei na cama que parecia estranhamente vazia sem Klaus. Depois de tudo, depois de ver que ele estava disposto a morrer por mim, podia sentir o peso de tudo que eu sentia por ele em cada centímetro do meu corpo. Eu o amava. Amava de um jeito estranho e muito mais forte do que já senti antes, e esse sentimento me deixava feliz e me assustava ao mesmo tempo, não sabia o que aconteceria daqui para frente, só tinha certeza que meu lugar era a seu lado.
Levantei meio trôpega, sentindo o vento frio tocar minha pele nua. Vesti uma calça que estava jogada no chão e uma camiseta. Estava com sede, e fui para o corredor, parei quando ouvi vozes.
― Não podemos fazer isso, é errado! Nem todas elas estão contra nós!
A voz de Elijah estava alta e aborrecida.
― Isso não é uma negociação Elijah, você viu o que ela pode fazer controlando uma bruxa, todas elas são um risco. E assim os lobos vão se sentir encurralados e menos propensos a um ataque.
Dei alguns passos para mais perto, respirando o mais baixo possível para que eles não me notassem.
― Não posso concordar com isso Klaus, é loucura e Davina está envolvida, ninguém vai machucá-la.
Marcel estava lá também sua voz soava baixa e assustadora.
― Davina é a única exceção. Pode ser útil. Assim que os sol nascer, mande um aviso para os lobos, que qualquer provocação da parte deles, será respondida com a morte de cada membro da matilha deles, instantânea e dolorosa.
― Klaus eu...
― Chega Elijah! Se não quer sujar as mangas do seu caro terno, eu mesmo farei. E enquanto isso, garanta que elas estejam seguras.
― Você não pode matar todas as bruxas da cidade!
Um grito escapou por minha garganta ao ouvir essas palavras. Desci as escadas quase correndo e entrei na sala que estava em silêncio absoluto. Olhei para Klaus, sem querer acreditar no que ouvi. Mas pude sentir em seu rosto que era verdade, seus olhos estavam escuros e cruéis, seu maxilar travado com a expressão assassina e sedenta por sangue. Senti meu coração se apertar.
― Me diz que isso não é verdade, por favor!
― É melhor você voltar para cama, precisa descansar e eu...
― Você o quê? Precisa sair e matar inocentes?
Elijah e Marcel nos olhavam silêncio. O clima na sala estava tão frio como gelo, mas ele nem titubeou com minha acusação.
― É para proteger vocês, ou ela sempre vai achar um jeito.
― Você acha que sua mão poupou minha vida, para você ir em frente e derramar ainda mais sangue por mim?
― Ela não controla minha decisões, e no momento minha prioridade é saber que ninguém mais vai machucar vocês.
― Eu não quero que você me proteja as custas da morte de pessoa inocentes.
― Bruxas não podem ser consideradas pessoas inocentes.
― Elas não têm culpa do que sua mãe fez!
― Não tem culpa, mas são puníveis. E estou mais do que disposto a mostrar o que acontece com quem sequer tentar chegar perto da minha família.
O ódio brilhava em seus olhos. Era tão fácil esquecer as vezes todos os lados ruins que ele tinha. Mas estava bem na minha frente agora, ao vivo e a cores.
― Você não pode fazer isso.
― Correndo o risco de me tornar repetitivo, isso não é uma negociação.
Ele estava irredutível, senti meu coração gelar e meus olhos arderem com lágrimas.
― Você é um monstro!
Gritei sem pensar, deixando toda a tensão dos últimos dias fluir através de mim quase me esmagando. Os olhos dele endureceram e pude notar um pouco de mágoa brilhar neles. Depois ele deu de ombros e deu um sorriso cínico.
― Velhos hábitos, amor.
Virei as costas para ele e fui em direção a porta, quando meus dedos tocaram a maçaneta ele me puxou pelo braço e me fez virar.
― Para onde você pensa que vai?
Soltei meu braço do seu aperto com um puxão.
― Sair.
― Não é seguro.
Coloquei a mão nos cabelos frustrada.
― Eu vou sair, e isso também não é uma negociação.
Sai batendo a porta com força e fui em direção ao bar, o único lugar que pude pensar a essa altura. Notei que os vampiros do Klaus me seguindo quase no segundo que sai da casa. Tentei ignorar eles, e tentei mais ainda não surtar com o fato de que meu namorado iria fazer um massacre em breve.
O bar estava praticamente vazio, por causa do horário. Mas me sentei no banco e esperei.
― Noite difícil?
Camille colocou um copo na minha frente sorrindo e serviu uma dose.
― Demais.
Notei os vampiros de Klaus sentarem em uma mesa no canto e virei a bebida num gole só.
― Uau! Acho que precisa de mais uma dose.
― Talvez três.
Respondi a ela sem sorrir.
― E uma dose tripla para mim.
Um cara sentou ao meu lado. Parecia cansando e bem abatido. Era moreno, com cabelos e olhos castanhos.
― Dose tripla... Isso me parece coração partido.
Ela serviu um copo para ele que virou quase tudo de uma vez e pediu mal.
― Minha noiva estava dormindo com meu melhor amigo, na minha casa. Isso conta como coração partido?
Rimos um pouco, ele já parecia meio bêbado e sorriu junto depois se virou para mim.
― E você? Bebendo sozinha num bar as duas da manhã... Nunca é um bom sinal.
― Bom... Minha sogra tentou me matar, meu namorado pode ser o homem dos sonhos num segundo e um grande filho da puta no outro e planeja matar dezenas de pessoas, então acho que um drinque as duas da manhã não é o pior que eu posso fazer.
Ele me encarou por um momento depois deu de ombros, talvez achando que eu fosse louca
― Tudo bem, você ganhou.
Ele ergueu o copo para mim e brindamos. Camille se juntou a nós num brinde.
― Estava gostando de um cara que ainda era apaixonada pela ex, e perdi meu tio e meu irmão em menos de um ano.
― Dose tripla!
Dissemos ao mesmo tempo. E bebemos tantas doses depois que perdi as contas. O bar ficou vazio, a não ser por nós, e pelos vampiros/guarda costas que estavam sentados no canto.
O álcool demorava mais a fazer efeito em mim, então bebi quase o dobro deles dois e depois de quase duas horas me levantei cambaleando e acenei para eles.
A mansão nunca me pareceu tão longe, e quando finalmente consegui chegar em casa desabei no sofá, pegando no sono quase instantaneamente.
Senti alguém tocar meu rosto e forcei minhas pálpebras a abrirem.
― Bom dia dorminhoca!
Elena me puxou pelo braço fazendo com que eu sentasse, e sentando ao meu lado.
― O que houve? Você está cheirando igual a um barril de cerveja.
― Sai para beber um pouco ontem.
Minha cabeça latejava um pouco. E notei Damon e Stefan descendo as escadas.
― Saiu para beber de madrugada hein? Acho que as atividades extracurriculares de ontem não foram tão divertidas.
Damon sorria ironicamente para mim, e eu joguei uma almofada nele.
― Cale a boca idiota, não foi nada disso.
Todos me olharam em expectativa, mas eu definitivamente não estava pronta para falar a eles o que houve. Porque sabia que no segundo em que o fizesse, surgiriam mais uma dúzia de motivos para eu não estar aqui. Levantei do sofá.
― Vou tomar um banho e já volto.
Subi as escadas praticamente me arrastando, e entrei no quarto. Estava vazio, suspirei aliviada. A última coisa que eu queria era uma discussão a essa hora da manhã. Entrei no chuveiro sentindo a água me revigorar, fiquei parada só sentindo a água morna escorrer por meu corpo.
Levei quase vinte minutos no banho, depois me vesti e desci, encontrando todos na mesa tomando café. Todos exceto Klaus. Olhei para Elijah interrogativamente, ele balançou a cabeça em negativa sutilmente. Respirei aliviada e sentei ao lado de Bonnie.
― Beber alguma coisa as duas da manhã hein?
Ela me deu uma cotovelada de leve, e sorria de lado.
― Vocês são uns fofoqueiros e tanto hein?
Reclamei para meus amigos. Mas tê-los aqui era reconfortante, a presença de Damon um pouco menos... mas que seja. Eles eram minha família desde sempre.
― Eu particularmente prefiro assuntos mais interessantes, mas todo mundo parece morrer de curiosidade sobre a vida sexual do híbrido.
Elena bateu de leve em seu braço.
― Damon! Quer parar?
Rebekah revirou os olhos para eles.
― Com certeza, já ouvimos suficiente para ainda ter que falar sobre isso.
―Hey!
Falei mais alto que eles.
― Estou bem aqui, parem de falar desse jeito esta bem? Deveriam usar sua super audição de vampiros para outras coisas!
Ouvi a porta da frente se abrir, alguns passos se seguiram, junto com cheiro de sangue.
Levantei depressa e fui até lá.
Klaus se virou para mim quando cheguei. A camisa estava coberta de sangue. Quase engasguei com isso, andei até ele.
― O que você fez?
Minha voz saiu tremendo.
― O que qualquer vampiro faz. Eu estava me alimentando.
A casa estava completamente silenciosa, ninguém dizia nada, nem sequer se mexiam.
― Ou seja, você estava matando.
Ele balançou a cabeça, e pude ver aquela mágoa brilhar de novo em seus olhos.
― Me alimentando, não matando. Não preciso matar para beber de alguém Caroline.
Ele parecia estar falando a verdade.
― Não sou o monstro que você pensa que sou.
Depois passou por mim indo direto para as escadas. Ele não tinha matado ninguém. Aquilo era um alívio. Só que parecia magoado comigo, e no fundo tinha um pouco de razão. Eu não ouvi o que ele disse, simplesmente julguei que ele tinha matado pessoas, já estava me preparando para subir atrás dele quando ouvi o grito de Bonnie.
Corri até a cozinha e a encontrei caída no chão. Me joguei a seu lado e peguei sua mão. Ela estava respirando. Olhei em volta e vi que todos estavam encarando chocados algo. Olhei na direção do olhar deles e quase caí para trás.
― Que recepção hein? E aí cunhadinha, como vai?
Kol estava parado bem na nossa frente e sorria divertido. Não consegui encontrar palavras para responder. Ele caminhou até a mesa e pegou um pedaço de Waffle.
― Eu senti muita falta disso!
Enfiou tudo na boca e mastigou quase suspirando de felicidade.
― Kol. Como... Como você está aqui?
Elijah ainda parecia assombrado com o que viu, mas deu alguns passos em sua direção e tocou o ombro dele.
― O outro lado está uma bagunça, eu tinha que sair antes que fosse tudo por água abaixo.
― Mas como você saiu?
Elijah perguntou de novo ao mesmo tempo que Rebekah se jogava nos braços do irmão com lágrimas nos olhos.
― Parece que quando a bruxa original manipulou a ruivinha, ela abriu uma espécie de brecha entre os dois lados. Eu não sou o único que notou, então é melhor sua ancora se preparar, porque vai ter bastante movimento entre os lados muito em breve.
Nos encaramos horrorizados, tentando digerir o que ele estava falando. Isso podia querer dizer que nossos amigos poderiam voltar. Mas também queria dizer, que todos os outros poderiam voltar também e isso não era nada bom.
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