Finally found you
16 Capítulo 16
Notas iniciais
POV’S Klaus
O corpo de Caroline estava em meus braços, minha cabeça mal registrava o que poderia estar acontecendo, eu só sentia o desespero que me cegava e trazia um gosto amargo na boca. Ela não podia estar morta. Não podia aceitar isso.
Rebekah sentou ao meu lado e tocou meu braço. Nem me movi, meus olhos estavam cravados nela, nada mais importava, a não ser me certificar de que ela estava bem.
― Klaus...
A vos de Rebekah soou distante, quase um sussurro.
― Ela não está morta.
Virei minha cabeça em sua direção, tentando me agarrar a suas palavras como uma tábua de salvação.
― Ela é uma vampira. ― Continuou ela ― Se estivesse morta de verdade sua pele estaria dissecada, vai acordar.
O alívio foi tão superficial, quanto tomar água ao invés de sangue. Rebekah pegou a mão dela e a ergueu, sua boca formou um “o” de surpresa, depois me encararam cheios de medo.
― Veja isso.
Olhei para a mão dela e vi um pentagrama na palma, minha respiração sufocou na garganta e pude sentir minhas presas se encherem de veneno. Aquele era o símbolo da magia.
Rebekah bateu a mão na testa ao mesmo tempo em que Elijah e Marcel surgiram na porta.
― O que aconteceu?
Marcel sentou-se ao nosso lado e Rebekah levantou a palma de Caroline para ele, ele analisou o desenho por um instante, depois seus dentes se cerraram.
― Magia.
Ele disse simplesmente. Meu pesadelo pareceu rodopiar na minha cabeça, ver seu corpo sem vinda pareceu tão real que pela primeira vez em mil anos, me senti paralisado, sem saber o que fazer. Sempre foi simples demais acabar com meus problemas, mas agora, quem eu iria matar ou torturar, para dar fim aquilo? Lidar com magia era como tentar segurar fumaça com as mãos.
― Como isso aconteceu?
Minha voz saiu baixa e rouca, a voz de um homem que estivesse para ser enterrado vivo provavelmente sairia mais animada que a minha.
― Genevieve.
Rebekah respondeu simplesmente. Deitei Caroline na cama e me levantei, a letargia as poucos era substituída pela raiva. Encarei Rebekah por um tempo, depois me lancei contra ela apertando seu pescoço e a levantando do chão.
― Você deixou Genevieve chegar perto de Caroline?
Marcel e Elijah me puxaram para trás e Rebekah caiu no chão ofegante.
― Eu não deixei. Mas quando cheguei lá, ela estava conversando com Genevieve e a bruxinha do Marcel, ela não fez nada além de cumprimentá-la, então achei...
― Você achou?
Fui para cima dela de novo, e Elijah se colocou na minha frente.
― Acalme-se Niklaus, não vamos ajudar em nada se começarmos a brigar.
Me virei para Marcel.
― Traga Genevieve aqui agora mesmo Marcel.
Ele apenas assentiu e saiu o mais rápido possível. Hayley estava parada na porta com Hannah nos braços, senti um nó na garganta. Parecia que mesmo sem querer eu destruía a vida das pessoas que eu amava. Me aproximei delas e toquei sua cabecinha. Ainda me assustava com o tamanho do amor que invadia meu peito sempre que eu olhava para Hannah, ver aquele ser pequenino, frágil e tão belo em sua inocência, que fazia parte de mim, que tinha meu sangue correndo nas veias, fazia com que eu me sentisse bom, com que eu me sentisse merecedor do amor dela, e não um monstro. Dei um beijo em sua cabeça e me virei para Elijah.
― Tire Hannah e Hayley daqui agora mesmo Elijah, elas não vão se contentar em machucar Caroline, preciso que elas estejam bem longe daqui.
Elijah colocou a mão em meu ombro, depois saiu com elas sem dizer mais nada.
Ouvi Caroline, respirar pesadamente. Fui rápido para cama e segurei sua mão. Ela abriu os olhos devagar, estava pálida e parecia muito frágil.
― Klaus?
Sua voz saiu entrecortada e meu coração se apertou.
― Estou aqui, amor. Como se sente?
― Não sei, parece que... fui atropelada ou algo assim.
Ela se sentou com dificuldade, e eu me sentei ao seu lado.
― O que aconteceu?
― Nada. Esse é o problema. Comprei um presente para Hannah, quando saí da loja falei com Davina e Gen...
Ela se calou parecendo compreender algo. Depois olhou para sua mão e viu a marca. Pude sentir seu corpo estremecer com a lembrança e a abracei.
― Quando Genevieve me cumprimentou, senti uma coisa estranha na mão, mas não achei que... ela fosse...
― Não se preocupe ― Passei a mão em seus cabelos para acalmá-la ― Ela vai tirar isso de você. Vai ficar tudo bem.
Eu disse para confortá-la, mas até eu pude ouvir a insegurança na minha voz. Ela se aconchegou em meu colo, e foi quando senti seu corpo se contrair, sua mão se fechou e ficou assim por um tempo, até que um gemido escapou por seus lábios e ela balançou a mão freneticamente.
― Caroline? Você está...
Quando ela me olhou as palavras congelaram em minha boca. Seus olhos estavam cobertos de medo e dor. Ela segurou o braço com a outra mão, e cerrou os dentes. Tentei abraçá-la, seu corpo tremia dolorosamente, ela tentou evitar, mas depois de um tempo os gritos escapavam por seus lábios, seu corpo inteiro convulsionava. Tentei segura-la e falar com ela, mas ela parecia não me ouvir, parecia presa em meio a dor, cada vez que ela gritava meu corpo inteiro se arrepiava, e o desespero crescia. Eu não podia fazer nada, ao vê-la sofrendo eu sentia como se uma garra invisível comprimisse meu coração. Sua dor me alcançava a níveis diferentes. Desde que ela entrou em minha vida, e eu abri minha alma para ela, eu sentia como se ela fizesse parte de mim, como se eu só fosse completo a seu lado. E vê-la se contorcendo daquele jeito, era como torturar minha alma dentro de seu corpo.
Ela levou as mãos a cabeça, e gritou ainda mais forte. Eu já tinha ouvido pessoas gritarem assim, quando eu as torturava, quando arrancava cada centímetro de pele do seus corpos miseráveis, e ver esses mesmo gritos nos lábios de Caroline me traziam uma dor tão forte que meu estomago embrulhava.
Puxei-a para meu colo e coloquei as mãos sobre as dela.
― Caroline? Caroline?
Ela parecia não me ouvir, seu corpo se contraiu uma última vez, depois caiu em meus braços. Olhei para sua pele, toquei seu rosto, ela ainda estava pálida e uma camada de suor cobria seu rosto. Ainda havia esperança.
Marcel empurrou Genevieve para dentro do quarto e eu a olhei com desprezo. A única satisfação que tive ao vê-la foi notar a sombra do medo que cobria seus olhos.
― Desfaça.
Falei simplesmente, minha voz soou cortante e imperativa, ela não sairia com vida daqui de qualquer jeito.
― Não posso.
Ela caiu de joelhos no chão e começou a chorar. Aquela cena me encheu de ódio, mas Caroline parecia tão frágil que eu não queria deixá-la sair de meus braços.
Marcel a ergueu em um solavanco, e pude ouvir Rebekah rosnar.
― Eu não posso, por favor...
― Isso não é uma negociação Genevieve.
Davina entrou algum tempo depois. Eu não gostava particularmente da bruxinha, mas ela parecia gostar bastante de Caroline, então deixei que se aproximasse e pegasse sua mão.
― Eu não poso curá-la Klaus, eu...
Marcel a jogou contra parede e se aproximou.
― Você tem consciência que se não curá-la, seu coração vai estar na lata de lixo em menos de dez minutos não têm?
Genevieve se apertou contra a parede, parecia desesperada.
― Eu não posso Marcel, o feitiço não está ligado a mim, está ligado ao poder de outra bruxa.
Rebekah ficou do lado de Marcel e encarou Genevieve.
― É bom que você explique isso, antes que eu arranque sua língua e faça você engolir ela.
Genevieve estremeceu e olhou diretamente para mim.
― Quando Klaus me trocou por essa garotinha, eu fiquei com muita raiva, decidi que iria me juntar aos lobos para destruí-lo, por isso precisava de mais poder. Precisava consagrar uma bruxa poderosa para isso, e a bruxa mais forte enterrada em New Orleans foi...
― Esther Mikaelson.
Completei por ela, Marcel e Rebekah me olharam chocados. E no fundo eu sempre soube que enquanto ela existisse, iria me atormentar, estando viva ou morta Esther iria querer me destruir mais que tudo no mundo.
Genevieve deu alguns passos em minha direção.
― No começo, foi bom, eu podia sentir seu poder me fortalecendo. Mas depois, ela usou isso contra mim, para me manipular e fazer o que ela queria. Eu sabia que se machucasse sua namorada você me mataria. Mas ela me dominou, eu não pude resistir. Só que a magia está ligada a ela, não a mim, não posso desfazer.
― Mentirosa...
Rebekah gritou para ela.
― É verdade.
Davina olhou para cada um de nós, parecia derrotada ao dizer isso.
― Esse símbolo não é da magia ancestral que praticamos, é um selo, que foi usado por bruxas a milhares de anos. E só a bruxa que selou o feitiço pode desfazer.
― Esther está morta, então temos um grande problema.
Marcel parecia tentar resolver o que fazer, mas Rebekah foi mais rápida.
― Se Esther usou o corpo dela para fazer o feitiço, pode fazer isso de desfazer.
― Ela me deixou. ― falou Genevieve, com lágrimas escorrendo pelo rosto ― No momento em que ela realizou o feitiço, senti sua magia me deixando. Ela não quer desfazer isso, e não ia facilitar isso ficando comigo.
― Pior para você.
Respondi para ela e olhei para Marcel, um entendimento se formou entre nós, e em um movimento rápido, ele quebrou o pescoço de Genevieve e ela tombou no chão. Davina soltou um grito assustado, mas o restante de nós apenas se entreolhava.
Caroline iria acordar em breve, e tudo iria recomeçar. Minha cabeça estava um caos, mas me forcei a pensar. Tinha de haver um jeito de concertar isso, Esther estava do outro lado provavelmente rindo do nosso desespero, parecia uma piada dolorosa que eu um dia desejei o amor de mãe dessa mulher. Estar no outro lado parecia ter aumentado seu ódio por mim e... O pensamento veio para mim em um estalo. O outro lado.
Tirei o celular do bolso e procurei o número, disquei e esperei um pouco.
― Alô?
― Bonnie Bennet.
Ela pareceu respirar um pouco antes de responder.
― Klaus.
Ela parecia desconfiada e aborrecida com minha ligação.
― Preciso que você venha a New Orleans agora mesmo.
― E por que eu...
Ela se interrompeu e gritou deixando o celular cair. Ouvi sua voz de longe.
― Caroline?
Mystic Falls ― Bonnie
― Bonnie?
Caroline respondeu parecendo extremamente confusa, o medo me engolfou, ela não podia estar morta.
― O que... o que aconteceu?
As lágrimas encheram meus olhos, e me forcei a falar
― Você está...
Mas antes que eu pudesse terminar a frase, ela sumiu. Só que não passou por mim como os outros fantasmas. Algo estava muito errado. Peguei o celular do chão em pânico.
― Klaus? O que está acontecendo?
Ouvi sua voz do outro lado da linha, mas não parecia estar falando comigo, “Está tudo bem amor, estou aqui.” Falou ele para alguém antes de me responder.
― Caroline está...?
Deixei a frase no ar sem querer deixar que aquelas palavras saíssem da minha boca.
― Ela está acordada agora, preciso desligar. Mas ela precisa de você o mais rápido possível Bonnie.
Ele desligou sem esperar minha resposta. Eu peguei as chaves do carro, e fui quase voando para a casa dos Salvatore, entrei pela porta em pânico. Quando Elena me viu correu até mim, e segurou meus braços. Stefan e Damon vieram para seu lado. Respirei fundo para falar.
― Caroline... está acontecendo alguma coisa Elena.
Seus olhos se arregalaram, e ela pareceu não saber o que fazer tanto quanto eu.
― E o que estamos esperando? ― Damon perguntou, chamando a atenção de todos ― Vamos salvar a loira.
Todos concordamos e ele deu de ombros.
― Está chato por aqui mesmo.
Em menos de duas horas estávamos em um avião para New Orleans. Sempre que eu fechava os olhos, a imagem de Caroline do outro lado invadia minha cabeça. Vamos salva-la, prometi silenciosamente para ela.
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