Finally found you
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Caroline se mexeu nos meus braços, e saí rapidamente do torpor que me afundava no tempo em que ela estava inconsciente. Já estávamos nisso a dez horas e eu havia contado cada segundo. Eu sentia que cada grito que passava por seus lábios estariam gravados na minha memória para sempre.
Mordi meu próprio pulso rapidamente e coloquei na boca dela. Ela estava enfraquecendo muito rápido, e nos preciosos segundos que não estava se contorcendo em dor, eu tentava alimentá-la. Mas ela bebia cada vez menos, estava exausta. Nós dois estávamos.
Seus olhos tremularam um pouco depois se abriram devagar, estavam opacos e sem brilho. Ela puxou um pouco de sangue, depois se afastou e se encolheu em meus braços.
Levantei seu rosto devagar.
― Tente beber mais um pouco, você esta muito fraca.
― Não consigo...
Sua voz estava rouca, e saiu aos sussurros. Sua testa estava molhada de suor, e o rosto tão pálido que chegava a ser assustador. Dei um beijo entre seus cabelos e a abracei. Logo iria começar tudo de novo.
Ouvi uma movimentação no andar de baixo. Apurei meus ouvidos, e percebi ser os amigos dela. Suspirei mas não me permiti sentir alívio. Isso ainda não era a solução.
Eles entraram no quarto em disparada. Elena e Bonnie vieram para a cama, Stefan e Damon também se aproximaram, mas ficaram de pé.
― Caroline? Você está bem?
Caroline olhou para elas, com um fio de alegria nos olhos e tentou sorrir.
― Bom... acho que já tive dias melhores.
Elas sorriram e Elena pegou sua mão livre.
― O que houve?
A pergunta foi dirigida a mim dessa vez. Vi pelo canto do olho Rebekah e Marcel entrarem no quarto.
― Ela foi enfeitiçada. Esta presa numa espécie de maldição que faz com que.
Não pude terminar de falar. Um gemido escapou pelos lábios de Caroline. E aconteceu tudo de novo. Cada grito, cada lágrima, cada espasmo de dor. Numa repetição doentia, que eu vi muitas e muitas vezes. Mas os amigos dela não, todos se aproximaram simultaneamente tentando fazer algo, mas não havia nada a fazer. Eu sabia melhor que ninguém.
Quando acabou, Elena e Bonnie estavam aos prantos. Pude ver medo em seus olhos, medo de que ela estivesse morta. Minha mandíbula se contraiu involuntariamente.
― Ela não está morta. Vai acordar em breve.
Ambas suspiraram e Bonnie me encarou.
― Ela não está totalmente morta. Mas esses momentos em que passa desacordada, ela está do outro lado.
Aquela informação não me chocou, porque imaginei ser isso, quando liguei para Bonnie. Eu evitava pensar no que ela estava passando do outro lado, e se era realmente melhor do que estar se retorcendo de dor.
― Mas se ela está enfeitiçada, não posso fazer nada. Não sou mais uma bruxa.
Bonnie pareceu com medo de me dizer isso. Revirei os olhos, essas crianças de Mystic Falls realmente achavam que eu era um vampiro recém transformado?
― Eu sei Bonnie. Você é a Ancora, e é exatamente por isso que você está aqui.
― Espera um pouco...
Elena se virou para mim, e pude ver a aversão brilhar em seus olhos. Era uma reação natural eu presumo, sem sentido no entanto, uma vez que ela não poderia fazer nada contra mim.
― Você não pretendia nos avisar que isso estava acontecendo com a Caroline?
― Não.
― Porque? O que você fez?
― Nada, só acho que ela já está passando por drama o suficiente e vocês não iriam ajudar por isso...
― Nós não iríamos ajudar? E quanto a você?
Rebekah empurrou Elena com força, e pude ouvi-la ranger os dentes.
― Me poupe, dos seus chiliques agora Elena. Ninguém precisa de você aqui, muito menos a Caroline. A ex-bruxa pode ser útil porque precisamos que ela contate a bruxa do outro lado.
Bonnie se levantou e ficou do lado de Elena.
― Uma bruxa do outro lado? Mas quem pod...
Suas palavras morreram, e ela olhou para nós entendendo.
― A bruxa original.
― Isso mesmo. Precisamos que você fale com ela, e descubra o que ela quer para tirar o feitiço da Caroline.
Elena me encarava com muita raiva, Damon e Stefan se postaram cada um de um lado dela. Em outra situação, esse estranho triângulo amoroso me faria rir, mas agora nada poderia me fazer sentir melhor, a não ser vê-la curada.
― Caroline é nossa amiga, é direito nosso estar do lado dela agora.
Rebekah sorriu com escárnio.
― Direito de vocês? Não me faça rir. Eu vi meu irmão do lado dela a cada segundo, vi ele sofrendo com ela em cada momento de dor. E você acha que tem mais direito de se preocupar com ela?
― Não se trata disso, eu só queria...
― JÁ CHEGA!
Berrei para eles, todos se assustaram, e se encolherem quando minha voz reverberou pelo quarto.
― Nada disso é importante, só ter certeza que ela vai ficar bem. Então calem essas malditas bocas agora, antes que eu mesmo cale por vocês.
Bonnie se sentou na cama depois encarou o vazio fixamente. Em alguns segundos seus olhos se fecharam.
O silêncio era total. Ninguém ousava mover um músculo. Até que ela arquejou e encarou um ponto do quarto.
― Ela está aqui.
Meu peito se encheu de raiva, senti o veneno encher minha boca, depois engoli em seco.
― Tire isso dela Esther. Agora.
Os lábios de Bonnie se contraíram e ela continuou olhando para o mesmo lugar.
― Ela disse que não. E já tinha avisado você que aconteceria.
― O que você quer? Providenciarei qualquer coisa. Mas abater brutalmente um inocente é uma coisa reservada a seus filhos monstros não acha?
Bonnie ficou parada por um tempo, depois seu corpo tremeu violentamente e ela se jogou para frente arquejando. E do mesmo modo abrupto que começou, acabou, ela se levantou e virou-se para mim.
Mas seus olhos estavam frios e distantes, um arrepio passou por meu corpo, e abracei Caroline com mais força.
― Inocente? Inocentes sãos as pessoas cujo sangue ela se alimenta, ela não merece viver mais que você.
A voz de Bonnie, soou fria e cruel. E pude ver Esther no fundo de seus olhos.
― Você quer a nós, não ela. Ou você se tornou um monstro igual aqueles que tanto abomina?
― Eu não sou uma criança Niklaus, não tente me manipular. E imagino que só matar monstros deva me render algum crédito.
Caroline acordou em meios braços, e senti o peso do desespero me engolfar. Não podia mas suportar vê-la passar por isso.
― O que você quer? Diga! Ninguém faz uma monstruosidade assim a toa.
Caroline olhou para a cena a nossa frente, parecia surpresa e assustada.
Esther/Bonnie sorriu para ela. E senti seu corpo se contorcer em meus braços, ela gritou alto e agarrou meus braços. Esther estava fazendo ficar pior.
Elena segurou a mão de Caroline, enquanto suas lágrimas escorriam pelo rosto.
― Não vai parar Niklaus. A única solução é você matá-la.
O ódio que eu sentia por ela, por tudo que me fez pareceu crescer e se espalhar por meu corpo. Mas não adiantava odia-la, eu sabia melhor que ninguém, que nesse jogo, alguém tinha que sair vencedor, e o outro perdedor. Não existia meio termo. Eu sabia que podia simplesmente matá-la e seguir minha vida. Acontece que não seria uma vida sem ela, o buraco negro de solidão e amargura em que vive por séculos voltaria a me assombrar. Ela enxergou algo em mim que merece ser feliz, algo que ninguém jamais viu. Não podia deixar ela pagar com sua própria vida, porque desde que abri meu coração para ela, minha vida deixou de ser só minha, e passou a ser dela.
Ergui a cabeça e a encarei de frente.
― Tire minha imortalidade.
O silencio seguiu minhas palavras. Caroline apertou os lábios com força e me olhou nos olhos.
― Você não pode...
Aquelas palavras reforçaram minha decisão. Ela estava disposta a fazer por mim o mesmo sacrifício que eu faria por ela. Beijei sua testa.
― Claro que posso. Eu já vive mais de mil anos Caroline, você mal começou a viver.
Ouvi um sorriso, escapar pelos lábios de Esther. Seus olhos pareciam quase loucos de satisfação.
― Ora, ora, ora...
Caroline gritou em meus braços, e se agarrou a mim.
― Pare com isso!
Elena gritou e se levantou da cama.
― Você não está fazendo nenhum bem. Estava levando morte e desespero tanto quanto seus filhos.
― Niklaus, já matou muito mais pessoas do que você sequer pode pensar, ele merece morrer!
― Ele é seu filho! Por acaso não se lembra de que um dia ele já foi um garotinho inocente? Uma criança que amava você, e só queria que você a amasse de volta? Não é a morte que vai salvá-lo, é o amor!
Eu ouvia as palavras, mas meus olhos estavam fixos em Caroline. Queria gravar seu rosto no fundo da memória, e jamais esquecer cada toque, e cada momento feliz que ela me deu.
― Niklaus.
Levantei a cabeça, quando ela me chamou. Não iria encarar a morte como um covarde.
Mas seus olhos estavam apertados, e uma lágrima escorreu por seu rosto.
― Perdoe-me.
Bonnie caiu para frente, ao mesmo tempo em que o corpo de Caroline relaxou em meus braços. Olhei seu rosto atônito. Ela respirava pesadamente, mas definitivamente estava viva. Levantei sua mão depressa. O pentagrama tinha sumido, o feitiço acabou. Senti sua mão tocar meu rosto.
― Vai ficar tudo bem.
Sua voz ainda estava fraca, mas essas palavras finalmente entraram em meu coração. Enterrei o rosto em seu cabelo sentindo lágrimas escorrerem por meu rosto, o alívio era tão grande que chegava a assustar. Depois de um tempo, finalmente consegui encontrar minha própria voz, e respondi ainda grudado a ela.
― Vai ficar tudo bem.
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