Final Fantasy Ix-2: Twilight Of Gaia

24 O Caminho Que Permanece Aberto



\"Aquele vilarejo era, sem dúvida, um lugar pitoresco. Em minhas andanças, era a primeira vez que via algo assim. Os habitantes, embora não fossem hostis, tinham um dialeto de difícil compreensão, mas o que mais chamava a atenção neles era sua pequena estatura associada ao tom esverdeado de sua pele. \'Duendes, com certeza\', diria qualquer um que os visse.
Mas não creio que, ultimamente, haja mais alguém a par de sua existência. O medo de explorar aquelas terras inóspitas e desconhecidas fazia com que mesmo os mais curiosos se contentassem em apenas imaginar o que poderia existir do outro lado do oceano coberto por névoa. Talvez isso se torne possível se algum dia Cid IX realizar seu sonho de desenvolver uma tecnologia à base de uma fonte de energia paralela, pois, ao que parece, ninguém jamais levará a sério a lenda dos chocobos dourados que auxiliaram seu ancestral nessa tarefa de exploração, enquanto muitos depositam sua fé no avanço tecnológico que seu reino vem sofrendo. aliás, não apenas Lindblum, mas outras nações como Alexandria também começavam a se desenvolver mais e mais, razão pela qual decidi partir para aprimorar minhas habilidades.
Eu já estava há um bom tempo sentado naquela pequena taverna. Pensava também em Burmecia, em meus amigos, e em Freya...ela estava tão triste na última vez que a vi...será que foi a minha partida que a deixou assim?
Ainda estava a pensar nisso quando fui abordado por um daqueles homenzinhos:

-Com licença, senhor. Deseja alguma coisa?

-Me traga mais um Gysahl Liqueur, por favor- pedi, precisava de alguma coisa forte

Enquanto aguardava o pedido, aproveitei para observar à minha volta a fim de passar o tempo.
Na mesa ao lado, dois daqueles habitantes conversavam qualquer coisa a respeito dum \"Santuário\", pelo menos foi o que entendi e, numa mesa mais ao longe, outro barganhava items com um moogle coberto por um casaco amarelo. Me sentia um pouco incomodado sentado numa cadeira e mesa tão minúsculas para mim, mas logo vi que não era o único nessas condições: duas mesas depois da que estavam os dois homenzinhos, havia um rapaz sozinho que até então não havia percebido pois estava sentado de costas para ele. Certamente não pertencia àquela vila devido às suas características.
Aparentemente, parecia um humano comum, o que logo despertou meu interesse. Como teria chegado até aqui? No entanto, assim que notei um detalhe muito peculiar, um chifre em sua cabeça, acho que compreendi tudo. Incrível! Aquele garoto era um autêntico Summoner! Madain Sari não era muito longe dali e, apesar de nunca ter estado lá, já ouvi rumores a respeito.
A bebida que havia pedido chegou e mal me dei conta, sempre a observar o intrigante jovem. Podia-se perceber que não se sentia muito confortável, sempre a olhar para os lados, como se desconfiasse que todos estavam com sua atenção voltada para ele. Por um instante, ele me encarou com curiosidade, o que os outros também faziam desde que cheguei, receio que nunca haviam visto um burmeciano antes. Minutos depois, levantou-se e foi embora.
Eu também não pretendia me demorar mais por ali, ainda havia muitos caminhos a serem percorridos mais adiante. Paguei a conta e, depois de adicionar \"Rally- Ho!\" ao meu vocabulário de cumprimentos polidos, deixei aquela vila rumo à praia, onde estava o meu barco. Havia também uma imensa floresta que se prolongava da colina até a margem. Ah, como era agradável caminhar sob a luz do sol, apesar dele já estar se pondo, e podendo contemplar a paisagem que a neblina em meu continente sempre ofuscava. Não estava muito distante da praia quando vi alguém sentado perto do meu barco. Não precisei observar por muito tempo para descobrir de quem se tratava.
Não esperava reencontrá-lo tão cedo. O garoto não notou quando me aproximei e disse:

-Olá.

Ele tomou um grande susto ao me ver, mas ainda não sabia se ele me reconheceu ou não.

-Olá...-respondeu, receoso

- Você estava lá em Conde Petie- eu disse- Se lembra de mim?

-Sim, eu lembro...

Tal como antes, senti que ele não estava muito à vontade.

-Já está anoitecendo, acho que vou acampar por aqui e só seguir viagem amanhã. Se não tiver para onde ir, pode ficar aqui comigo.

-Esse barco é seu?- ele perguntou

-É sim- respondi- E, pelo visto, você também está de partida, não é?

-...

-Bom, não vou mais ficar te aborrecendo. Vou acampar um pouco mais para lá- disse, apontando para uma área próxima- Como disse, fique à vontade caso não tenha para onde ir. A propósito, meu nome é Fratley.

Depois disso, me afastei um pouco e comecei a revirar o que havia em minha bagagem. Retirei alguns tents e fui até aquela enorme floresta buscar um pouco de lenha. O jovem desconhecido permanecia na mesma posição; de vez em quando me observava, mas quase sempre voltava seus olhos para o mar.

\"Acho que nunca teve contato com pessoas de outros lugares, é natural que seja desconfiado.\"
Entretanto, quando já estava convencido de que ele permaneceria ali a noite toda, eis que o garoto se levanta e vem caminhando lentamente na minha direção.

-Posso perguntar uma coisa?- disse, com a cabeça baixa.

-Claro.

-O senhor pode me vender o seu barco?

-E para que você o quer?-perguntei

Ele baixou ainda mais a cabeça. Parece que esperava uma resposta como \"sim\" ou \"não\", e não outra pergunta.

-Não precisa responder se não quiser...-eu disse, para não deixá-lo mal

-...estou procurando algumas pessoas, mas para isso preciso de um barco- respondeu timidamente

-Entendo...qual é mesmo o seu nome?

-Lark.

-Bom, Lark, infelizmente, eu não posso vendê-lo porque é o único meio que tenho para viajar.

-Tudo bem, não se preocupe- disse o garoto, afastando-se mais abatido do que quando chegou- Bem, adeus...

-Espere! Eu não terminei.

-Hmm?

-Como disse, eu viajo por esse mundo todo para melhorar minhas habilidades e conhecer os mistérios deste nosso planeta. Por que não vem comigo? Nessas andanças, talvez encontremos quem você está procurando.

-Obrigado, mas não quero envolver mais ninguém nisso...-respondeu, ainda mais relutante que antes

-Bem, como quiser então...mas por favor, já que não pude ajudá-lo com o barco, ao menos fique por aqui esta noite. Poderá partir amanhã, com a luz do sol.

-...está certo. Obrigado...

Realmente, parece que o jovem estava totalmente sem rumo.

-Sente-se mais perto da fogueira. A noite está fria hoje.

Ele concordou, no entanto, o fez sem dizer uma palavra sequer.

- Bela lâmina-comentei, notando a bela espada que ele trazia consigo.

- Era do meu pai...-respondeu

- Já entendi, é ele quem você busca, certo?

-Não, ele já morreu...

-Ah, sinto muito.

-Não tem problema. Estou procurando a minha mãe e a minha irmã, além de alguns amigos.

-Entendo-assenti- Você é um Summoner, certo?

Ele mostrou-se novamente preocupado e relutante.

-Acalme-se- disse, tentando acalmá-lo- Já ouvi falar de sua raça, as pessoas que possuem um chifre.

- Por isso eu disse que não quero envolver ninguém. Nós temos inimigos muito poderosos...

-Mais uma razão para irmos juntos, não acha?

-De onde o senhor é?-perguntou, na certa, para desviar do assunto.

-Pode me chamar de \"você\"; eu sou de um reino chamado Burmecia, fica num continente ao sul daqui.

- Existem muitos reinos nos outros continentes?

-Não muitos- respondi- Além de Burmecia, apenas Lindblum e Alexandria, todos no Mist Continent. Os demais continentes são terras desconhecidas e inabitadas.

Mais uma vez, notei que ele se entristeceu.

-Olha, garoto- disse- Não se preocupe, encontraremos a sua família. Seria perigoso demais alguém inexperiente como você se lançar no desconhecido dessa forma.

-Mas...

-Nada de \"mas\"-repliquei- Sempre estive lado a lado com o perigo mesmo...além disso, você precisa de ajuda na sua missão. Eu conheço muita coisa desse mundo e sei que poderei te ajudar de alguma forma.

-...não sei...

-Por hora, vamos comer alguma coisa e depois dormir. Dormir ao ar livre no começo não é muito agradável, mas você se acostuma, eu mesmo aproveito para contar as estrelas...

Acho que ele custou a dormir naquela noite. Como se, subitamente, seus planos se alterassem sem que estivesse satisfeito com isso. Talvez eu tenha realmente exagerado mas, de alguma forma, me sentia no dever de ajudá-lo... não sei explicar, parece que eu estava destinado a compartilhar da companhia dele por alguns anos de jornada.
A propósito, eu já sabia que estávamos sendo observados. Aquele sujeito estava me seguindo até agora, então não consegui dormir, mesmo sabendo que não me faria nada naquela situação porque não era seu estilo. Pode fazer como bem entender, o fato é que nada irá me impedir, eu, não sei por que, praticamente já havia tomado para mim aquela busca do garoto e jurei que o ajudaria a reencontrar os entes queridos...falando nisso, não conseguia deixar de pensar em Freya. Ora, Fratley, o que está havendo? Ela era minha aluna e apenas isso.
Mas essa não era a primeira vez que sentia um ímpeto de voltar para casa. Seja como for, é tudo pelo bem de Burmecia, não devo voltar atrás, não tenho dúvidas de que Brahne pode declarar guerra a qualquer momento...
O dia amanheceu e, depois de relaxar apenas por algumas horas, vi que meu enigmático companheiro estava lá, sentado em seu local sagrado, tal como na noite anterior. Fui até lá para saber em que pensava embora, desta vez, já soubesse:

-E aí, Lark? Durmiu bem ou ficou só pensando no que conversamos?

-Senhor Fratley,digo, Fratley... você não tem por que fazer isso...

-Já falei que não me incomodo, aliás, é ruim viajar sem uma companhia, nem que seja a de um chocobo, você logo perceberia isso.

Pude ver que ele fez uma expressão de quem não havia entendido o que quis dizer. Na certa, sequer sabia o que era um chocobo...

-Por favor, me diga uma coisa- pediu ele- Antes de nos encontrarmos, para onde você pretendia ir?

-Para o arquipélago Salvage- expliquei- Existe um lugar, chamado Daguerreo, que quero muito visitar.

-Sendo assim, aceito ir com você até lá, apenas. Mais que isso significaria mudanças indesejadas nos seus planos de viagem por minha causa.

-Mas, garoto...

-Por favor...-insistiu- Não aceitarei mais que isso.

-Como quiser...-concordei, vendo que ele estava decidido demais para reconsiderar- Bem, vamos procurar comida naquela floresta e partimos em seguida.

Enquanto procurávamos alimento, eu aproveitava para ensiná-lo a manejar uma arma, pois ele também não tinha muita experiência nisso. Depois, finalmente, nos lançamos ao mar, rumo ao desconhecido.

Após velejarmos por quase uma hora, logo me atentei às nuvens negras que se formavam mais adiante.

-É melhor fazermos um desvio, Lark. Não estou gostando da cara daquelas nuvens.

-...

-Você está bem, Lark?- perguntei, pois havia algo de estranho em seu olhar.

Lark olhava atentamente para as nuvens que se aproximavam, parecia até que havia sido hipnotizado. Eu o chamava e ele não me respondia, e depois começou a murmurar algumas coisas, como se sonhasse acordado.

- Não...mãe, cuidado...SARAH! O que aconteceu com a mamãe!!? Alguém responda!

-Lark, o que está havendo!??- exclamei, conturbado

Pouco depois, ele voltou seu olhar para mim, pálido e assustado. Parece que eu consegui livrá-lo do transe em que estava.

-O que aconteceu, garoto?

-Eu tive uma visão...da minha mãe e da minha irmã. Passavam por uma tempestade em alto mar...

-Calma...o que acontece é que você está muito preocupado e ansioso por causa delas, só isso.

-Talvez tenha sido um sinal...

Ia dizer novamente para não se preocupar, quando notei algo caindo sobre minha cabeça. A chuva já se aproximava de nós. Droga! Não tive tempo de desviar da rota por causa do que houve com Lark. Uma tempestade parecida com a de seu pesadelo estava se aproximando.

-Estamos com problemas...- eu disse, incapaz de achar uma forma de escapar.

As ondas já começavam a se agitar e logo o céu estava totalmente coberto por aquelas nuvens tempestuosas. Naquele momento, o jovem se levantou e retirou alguma coisa de sua bolsa:uma pedra vermelha muito bonita que logo elevou na direção dos céus. Quase que de imediato, as nuvens desapareceram, o mar, antes agitado, se acalmou e o azul do céu reapareceu sobre nós. Eu mal podia me mexer, totalmente exyasiado e incrédulo com o que via.

Aquilo seria apenas o começo de uma grande amizade e uma aventura fantástica...\"

***IX***

No próximo capítulo: Steiner parte em busca de sua rainha. Terá ele sucesso em sua busca?