Final Destination 4: Case 180
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Enfim, atualmente, eu gostei muito desse capítulo. Acho que os diálogos fluíram muito bem.
Finalizando, me desculpem novamente. Eu não presto.
Levo alguns segundos para reconhecer a imagem. Ok, a câmera foi posicionada acima de uma mesa. Existe metade do peito de um homem na frente dela. E o fundo... bom... o fundo... eu vi isso alguns momentos atrás. É a extensão de uma rua.
Reconhecendo ambiente...
Não sei se devo me arrepiar novamente ou me perguntar por que infernos minha vida se tornou uma merda de coincidência, mas a câmera está filmando a rua do lado de fora do café em que estou sentado agora. Ela está posicionada acima da mesinha que, — se eu desviar o olhar da tela nesse instante, eu posso vê-la.
Sim, é a mesinha. Rafa veio a esse café alguns dias atrás.
“Café quentinho” é o point da galera mais underground/alternativa que vive no meu bairro – claro, também um point dos executivos do prédio da STTBC. Eu só posso dizer que o nome do estabelecimento não bate com o tipo de clientela.
Um lado da minha mente afirma com muita certeza que Henrique é a pessoa que a câmera está filmando. Sim, é.
– Por que você tá filmando? – Henrique pergunta.
Ah, eu não aguento mais me perguntar sobre isso e ouvir esse tipo de pergunta.
– Não sei, — Rafa diz fora do frame. – Força do hábito.
Claro. Acho que Rafa desenvolveu um tipo de survival horror cameraman instinto. Ele sempre teve tendência pra isso.
Henrique lança um olhar reprimido para a câmera e volta-se para Rafa.
– Eu não consigo agir naturalmente com alguém filmando.
– Ninguém consegue, — Rafa começa a dizer...
– Eu não – Henrique continuou, tensão crescendo. – Na boa, eu não vou conseguir prestar atenção no que você quer me dizer se não desligar essa coisa.
– Ok
Vejo a mão de Rafa passando sobre a frente da câmera e tateando algo.
– Desliguei, — Rafa disse.
Rafa não desligou. A câmera ainda está gravando.
Henrique lança outro olhar pra câmera. Ele nem percebeu. Sei lá, ele deveria ter percebido que um led ainda estava piscando. Acho que ele estava um pouco preocupado demais.
– Fala...
– Bom, — Rafa começou, pegando fôlego.
– Sim?
– Cara, — Rafa começou, — bom, eu sei que você gosta de argumentar, e não quero que você me interrompa até eu terminar de falar ou dizer okay, tudo bem?
Inteligente. Henrique concorda. Realmente uma das coisas mais chatas do mundo é ser interrompido quando você precisa do time.
– Nós deveríamos estar mortos... — Rafa diz, cheio de si.
Henrique concorda com a cabeça. Em seguida para e pensa um pouco sobre o que acabou de ouvir. Franze a testa.
– Bom, — Rafa seguiu — Emery tirou a gente do clube. Se ela não tivesse o feito, estaríamos mortos.
– Você já disse isso...
– Eu só quero reforçar a ideia, — Rafa continuou, não dando brecha pra qualquer argumento antes da hora, — Existem casos em que um acidente acontece, e existem pessoas que escapam do mesmo por muito pouco.
– Tipo a gente, — Henrique disse acenando — um sinal pra deixar Rafa sabendo que ele estava entendendo.
– No caso, — Rafa continuou, — essas pessoas que de início... sobreviveram... acabaram morrendo em acidentes estranhos nos dias seguintes.
Henrique recuou um pouco. Eu sei que isso não foi fácil para Rafa.
– Porque elas morreram em acidentes estranhos nos dias seguintes? — Henrique perguntou sério, não esboçando qualquer tipo de reação estranha que eu esperava.
– Bom, — Rafa pigarreou, — o que se acredita, pelo menos nos fóruns em que visitei, é que a morte apenas cumpriu o plano inicial — que era tal pessoa nunca ter sobrevivido ao primeiro acidente.
Henrique pareceu um pouco estapeado, beirando o aturdimento. Eu só não consigo acreditar em como ele acreditou nisso tão rápido.
– Bom, — Henrique começou, medindo as palavras antes de soltá-las, — você tem certeza?
– Claro que não, — Rafa disse calmamente. — Eu espero que não.
Henrique suspirou.
– Merda... — Foi mais do que repassar um palavrão do que exclamá-lo. Henrique estava apenas coletando suas ideias e refazendo um esquema em que fosse capaz de lidar com elas. – E foi exatamente isso que aconteceu com Léo...
– Eu não estou afirmando que vamos morrer, — Rafa continuou determinado e gesticulando. — Eu não estou querendo te assustar, mas...
Rafa, você mesmo já tava assustado nesse dia.
– Mas eu também sei que você é inteligente e pode me ajudar. Foi por isso que eu te liguei.
Henrique concordou fazendo uma expressão estranha com o rosto.
– Você tá assustado? — Henrique perguntou.
Dessa vez foi Rafa quem pareceu surpreso.
– Estou e não estou– Rafa admitiu. — Olha cara, ontem eu era só um cara normal que tava fazendo planos para a faculdade, e hoje estou aqui falando com você sobre morte. Isso mexe com sua cabeça. Isso te assusta. A simplicidade de lidar com esses acontecimentos assustam.
Henrique concordou, parecendo ainda mais quebrado. Então ele olhou para a rua. Suspirou.
– Sabe... meus pais sempre me disseram para não ter medo do que não somos capazes de ver, — Henrique começou... Ele olhou pra baixo. – E eu nunca consegui entender o sentido disso. Pois o que você não pode ver, é difícil de ser tocado. E se não pode ser tocado...
– Não pode ser derrotado, — Rafa termina — eu conheço essa frase.
– E se, por um acaso, — Henrique coçou a cabeça, gesticulando muito, — estivermos lidando com uma força, tipo a morte, como vamos reagir?
– Essa é a questão a ser avaliada.
Eu não conheço Henrique, de fato. Mas pelas filmagens fui capaz de perceber que ele tem andado meio sozinho nos dias anteriores ao incidente no clube e essa gravação de Rafa. Pois todas as frases que vinham e continuam vindo dele parecem carregar um tipo de karma, outro significado. Às vezes eu gostaria de entender isso melhor.
É muito estranho conhecer alguém por meio de um vídeo.
– Essa é a questão a ser avaliada, — Henrique exclamou irônico – como assim?
– Eu me aprofundei no assunto, — Rafa disse aumentando o tom de voz – Bom, eu pensei, se por um acaso estivermos passando pela mesma coisa que esses caras... enfrentaram, então eu tenho que descobrir como reverter isso.
Claro que sim Rafa.
Henrique franziu a testa, ansiosamente esperando a resposta.
– Algumas teorias dizem que você precisa recuperar o controle, — Rafa disse num fôlego só.
– Recuperar o controle como? – Henrique disparou.
– Fazer as coisas voltarem a ser como eram antes.
Eu não entendi isso Rafa.
– Existe um tipo de livro de encantos...
Bruxaria Rafael? Isso é sério?
– Livro de encantos? – Henrique perguntou alto.
– Ok, espera, eu poderia ter escolhido palavras melhores, — Rafa continuou, — enfim, existe um tipo de manual na internet em que você encontra um tipo de...
Rafa, você perdeu o ponto da meada. Acho que estou perdendo a descrença em ti.
Não estou me sentindo estranho ao reconhecer que estou acreditando em Rafa.
– Um tipo de... – Rafa continuou, esforçando-se pra não relacionar demais sua teoria com bruxas, — um tipo de negócio em que você faz tudo que é pedido nas páginas e...
– Um feitiço, uma bruxaria – Henrique continuou completando-o, já não parecendo se importar que estavam falando de magias.
– É quase isso, — Rafa continuou engolindo em seco.
Houve um silêncio incomum entre ambos. Rafa suspira.
– Continua, — Henrique disse o encorajando. – Eu tô a fim de ouvir isso.
– Bom, você precisa fazer o ritual descrito entoando memórias de quando você não estava com tal problema.
– E como se entoa memórias? – Henrique rebateu.
– Duas pessoas com as mãos unidas fazendo correr o mesmo fluxo de memórias. Elas leem umas palavras no livro, fazem o ritual e unem as mãos, trazendo o espírito da memória de volta a vida. Isso retarda o plano da morte... Isso a confunde.
Isso sim é doideira.
– Cara, — Henrique disse fazendo uma expressão terrível, — isso é doidera.
– Esse ritual faz o espírito atual agir como o espírito anterior, antes de uma grande mudança. Nos antigos povoados indígenas norte-americanos, isso era usado em exorcismos... Basicamente você restaura o espírito da pessoa em um nível anterior...
Tipo ponto de restauração do Windows, Rafa?
– E o que exorcizar tem a ver com enganar a morte? — Henrique perguntou, tirando as palavras da minha mente.
– Se você parar pra pensar, faz sentido. Após você entrar na lista da morte, seu espirito muda. Você passa a carregar algo diferente dentro de você. E é isso que acontece nos casos de possessão.
Justo.
Man, estamos pirando.
Henrique concordou.
– Existem maneiras mais fáceis?
– Mais ou menos, — Rafa disse. – Muitos afirmam que é preciso morrer e voltar à vida.
Henrique deu uma risada alta. Eu controlo a minha.
– E como se faz isso? – ele perguntou e reprimiu o próprio rosto logo em seguida, pois presumivelmente encontrou uma maneira de morrer e voltar à vida — Você não quer dizer que... ?
– Drogas? Anestésicos? Parada cardíaca seguida do uso do desfibrilador? Sim, estou falando disso.
Suspiro.
Henrique levou as mãos à boca.
– E tem mais alguma coisa?
Henrique fez uma expressão de surpresa, como se estivesse vendo Rafa começando a fazer algo. E então eu ouço o som de um zíper abrindo e fechando. A mochila de Rafa, eu presumo. Ele trouxe algo.
– Em novembro de 1976, — Rafa disse um pouco automaticamente e eu percebo que ele está lendo, — Sally Hard, escapou de um incêndio em sua casa, só pra morrer esmagada por um pedaço do teto que se soltou do quarto do hospital em que foi internada.
Henrique franziu a testa.
– Em março de 1978, — Rafa continuou, – Rob Hawlett teve o braço preso numa máquina de picar madeira, mas foi salvo por seu irmão na última hora. Rob morreu três dias depois ao voltar pra casa, quando uma escada desprendeu-se da calefação e o atingiu em cheio.
Henrique pareceu surpreso. Olhou pro chão, rindo nervosamente.
Meu Deus, existem casos assim.
– Em julho de 1979, Trisha Bertner foi à única sobrevivente de um incêndio que devorou um circo em Nova Yorque. Dois dias depois ela foi encontrada morta em seu apartamento, acidentalmente enforcou-se com o cadarço do tênis.
Cadarço do tênis. Humm...
Henrique quase cuspiu o último gole que tomou de seu café, já frio.
– Como alguém se enforca com um cadarço de tênis?
– Trancando a respiração oras, — Rafa continuou, alheio a ironia da pergunta de Henrique, — em fevereiro de 1980, Cristina Gomez, americana, escapou sem um único ferimento no desabamento do ginásio de basquete de sua escola. Ela morreu ao engasgar-se com o próprio remédio antidepressivo dois dias depois. Em setembro de 1980, Jane Wrokes foi demitida de seu emprego na Usina Nuclear Karydron, do estado do Novo México por descumprir ordens de seu patrão. Mais tarde naquele dia, após Jane voltar em paz pra casa, a Usina explodiu, causando o sexto maior desastre nuclear da história...
– Eu estudei sobre isso, — Henrique começou...
Eu também estudei isso, penso comigo mesmo.
– E no mesmo dia do desastre, Jane desapareceu. Quatro dias depois o corpo dela foi encontrado congelado nos fundos de um riacho. Ela só teve tempo de voltar pra casa, contar o ocorrido pra família e sair caminhar pra dar uma espairecida, até cair num rio congelado.
Henrique abre a boca novamente.
Droga, esses casos estão me assustando.
– Cara, tem quantos casos assim?
Um pacote de no mínimo vinte sulfites impressos cai com um baque na frente da lente da câmera. Rafa jogou o pacotão de folhas que carregava, suponho.
Henrique apenas deu uma olhada naquilo e virou o rosto.
– Cara, — Henrique disse balançando a cabeça, – eu preciso pensar.
– Eu também preciso, — Rafa disse.
– Bom, no meu caso é diferente.
– Tudo bem, — Rafa soltou um pouco desanimado.
– Olha, — Henrique disse, percebendo o desânimo do amigo, – eu realmente acredito em você. Mas eu não tenho certeza quanto a isso, — ele deu um tapinha nas folhas acima da mesa, a câmera deu um pulinho.
Rafa deve ter concordado fora do frame.
– Cara, — Henrique continuou, — fique sabendo que se alguma merda desse tipo começar a acontecer, pode contar comigo. Eu te ajudo no que for preciso.
– Eu realmente não quero que isso esteja acontecendo, mas se for, eu vou apreciar muito a sua ajuda.
Henrique concordou.
– Você já falou pra mais alguém sobre isso?
– Um pouco para o Willian.
– Ele acreditou?
– Não tanto quanto você, — Rafa admitiu rindo.
Henrique o encarou sério. E riu também.
– Cara, sou inteligente, mas é fácil me convencer, odeio esse meu lado.
– Imagina cara.
Outro silêncio.
– Olha, — Henrique disse levantando-se, — eu realmente preciso andar um pouco. Mas eu tô contigo, falou?
– Falou, — Rafa disse fora do frame.
Henrique esperou um caminhão passar e saiu andando em direção ao lado oposto da rua.
É tão estranho pensar que –
– MERDA! – Henrique gritou tombando de encontro ao chão e desaparecendo do frame.
Droga droga droga porra algo errado aconteceu naquele dia e eu não sei disso. Sinto a mesma tensão pré-morte de Léo e isso está me matando.
PAUSE
Eu não sei se quero ver o resto do vídeo. Percebo que estou tremendo, os pêlos do meu braço e da minha nuca estão erguidos. Meu coração está acelerando.
Merda.
E eu estou com medo do que os próximos dez segundos irão me revelar.
Encaro a tela. Estou encarando a rua do lado de fora do café. Eu sei o que tem nela então não repasso isso pra mim mesmo. Henrique acabou de desaparecer e vejo apenas um pedaço da traseira do caminhão se distanciando.
Porra.
PLAY
Existe um grito horrível e angustiante de Henrique. E eu ainda não posso ver o que está acontecendo e—
– CARALHO! — eu ouço Rafa gritando e em seguida o som da cadeira de plástico riscando o chão enquanto o mesmo se levanta num impulso, deixando a câmera e a mesa para trás.
A câmera sofre um baque e tomba de lado. E esse movimento brusco me revela o que está acontecendo na extensão da rua do café.
O caminhão em movimento trazia um tipo de corda com um gancho solto. Esse gancho solto pela rua fisgou uma das pernas de Henrique E ESSE GANCHO DA PORRA ESTÁ ARRASTANDO HENRIQUE PELO ASFALTO –
Estou quase fechando os olhos. Estou com medo do que vai acontecer.
E eu tenho a noção total de que não me lembro de nenhum Henrique que morreu nos últimos dias.
Henrique estica os braços de uma maneira inútil, quase como tentando agarrar-se de algum jeito naquela rua longa, áspera e maldita. E ele está gritando que nem um condenado, e isso está cortando o meu coração. Ele está sofrendo pra caralho.
Rafa está correndo desengonçadamente atrás de Henrique, um pouco tentando fazer o motorista do caminhão parar, um pouco pirando...
Estou quase fechando os olhos.
E Henrique está gritando a plenos pulmões. Percebo que existe um rastro de sangue pelo caminho em que ele foi arrastado e merda, percebo que alguma parte do corpo dele rasgou...
E eu estou rezando pra Deus que Henrique não esteja morto.
Acompanho Rafa dando escorregões e acompanho a expressão horrível no rosto de Henrique, mesmo estando muito longe dele.
Ouço mais gente gritando, e me dou conta agora de que toda essa merda ocorreu a alguns metros de distância de onde estou.
E o caminhão parou. Meu Deus do céu, eu não acredito, o caminhão parou. Obrigado Deus. Henrique está bem. Ele só se machucou um pouco. A história de Rafa é apenas algo doido.
Obrigado Deus.
Percebo que estou quase chorando.
Henrique está ainda caído no asfalto. Rafa está correndo em direção a ele. Ainda caído, Henrique dá um chute dolorido no ar, livrando-se do maldito gancho que o fisgou.
Obrigado Deus.
Dou uma olhada melhor no resto do vídeo agora.
Droga, por favor, não Deus. Por favor, não deixe ter acontecido o que estou pensando que aconteceu com Henrique.
Sinto meu coração subindo até o pescoço.
Dolorosamente, sem expressão, Henrique levanta-se de pé. Ele é um cara forte. Rafa aproxima-se mais e mais de Henrique, mas agora muito mais devagar.
Henrique está de pé, encarando Rafa – que está de costas para a câmera. Henrique está chorando. Uma mancha enorme de sangue desce seu abdome até seus joelhos. A roupa está esfarrapada.
Mas ele está vivo e eu não acredito que isso pode acontecer e –
BEEEEEEEEEEP!
E de repente Henrique explodiu no ar com um som de ar comprimido sendo rasgado. De frente pra Rafa. Henrique acabou de explodir no ar, pois o caminhão filho da puta parou de arrastá-lo quando o mesmo estava exatamente acima dos trilhos do metrô que existe na extensão da rua que leva ao café.
Henrique explodiu como uma bexiga de sangue numa avalanche sanguinária de membros, carne fresca, ossos e cérebro pois o metrô o atingiu em cheio.
Acho que não estou ouvindo direito, pois não estou ouvindo o som que o metrô faz quando passa.
A imagem que estou vendo é tão surreal quanto uma pessoa parada numa paisagem fantasmagoricamente linda tomando chuva de flores em câmera lenta.
Mas a imagem que estou vendo é de Rafa ainda encarando o metrô passando rodeado por uma chuva sangrenta de pedacinhos de Henrique.
Meu Deus, acho que estou enlouquecendo.
Acho que vou ter um ataque de coração.
Penso em ligar pra minha mãe, mas minhas mãos não conseguem sair do teclado do meu notebook — de tão pesadas que estão. Os fones já não fazem diferença alguma.
Acho que é assim que as pessoas reagem quando uma morte desse tipo acontece.
Estou me sentindo a testemunha idiota, aquela que só consegue tremer e gemer e dizer murmúrios ininteligíveis.
E eu não tenho ideia de quando Rafa vai sair dali. E eu não tenho ideia do que se passou na mente de Rafa, pois ele perdeu um aliado.
Henrique ajudaria Rafa.
Sinto um arrepio quando vejo Rafa virando-se de volta pra câmera.
Então ele começa a andar de volta pro café, encarando a câmera que deixou na mesa. Sinto como se o olhar que ele está lançando, vestindo no rosto, estivesse desejando caçar alguém.
Seus passos são lentos e desajeitados, e a única coisa que minha mente insana consegue relacionar com isso são os passos de um zumbi.
Enquanto Rafa se aproxima, percebo que o metrô parou ao fundo. Percebo que a chuva de pedacinhos acabou.
Mas Rafa pegou a maior parte do show e está encharcado de sangue e pedacinhos de carne fresca dos pés até a cabeça.
Sangue está pingando de Rafa. Ele deixa um rastro sangrento por onde veio.
Pergunto-me se Rafa já enlouqueceu nesse instante.
A câmera filmou tudo do início ao fim.
Rafa está a apenas alguns metros de distância da câmera. Ele não foi respingado, não foi pulverizado de sangue. Ele parece que emergiu num rio de sangue.
Com uma braçada sangrenta, Rafa desliga a câmera. A tela escurece. O notebook emite um ruído desgraçado e a bandeja do DVD é solta aleatoriamente.
Fim do DVD #2.
PUTA MERDA, Rafa estava certo, e eu não consigo acreditar que estou engolindo isso.
Acabei de ver uma das cenas mais horríveis da minha vida.
Mas não consigo evitar o pensamento de que... será que as coisas aconteceram do jeito que dizem que tudo aconteceu? Do jeito que os exames e autópsias revelaram?
Acho que esse é o pior filme de terror que eu poderia imaginar existir.
Notas finais
Me desculpem pelo atraso, sinceramente. Espero que tenham gostado do desfecho do capítulo e pans.
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