Fin De Siècle

1 A Porta Para o Inferno


Fin de Siècle

Fim do Século

Os ventos fantasmagóricos assombravam as cortinas do quarto onde lorde Lois, sorridente, apoiava o telefone ao ouvido. Lois usava vestes confortáveis e negras como a própria noite, as madeixas molhadas de tom azul escuro caíam no rosto tampando-lhe um dos olhos. O semblante do jovem mestre era de pura felicidade enquanto conversava com o outro lado da linha, era a prova disso um sorriso de extrema alegria nos lábios e os olhos claros cintilantes. O lorde não devia ter mais de 14 anos, mas a pele macia e o rosto delicado davam-lhe um ar ainda mais juvenil.

Lois Diel era um jovem temido pelos arredores de Paris e conhecido por sua personalidade misteriosa e sombria, além do fato de viver em uma mansão “assombrada” fora do mundo civilizado. Era também dono de uma grande fortuna que dize-se ter herdado dos pais, seu único parente ainda vivo, era um velho mudo cuja idade já ultrapassara os cem.

Era freqüente fofocas sobre o pequeno, as poucas vezes que freqüentava a cidade resultavam em conversas sem pé nem cabeça que, de algum modo, chegavam aos seus ouvidos.

“Já viram o mordomo que está sempre ao lado do Diel?” Fofocava o padeiro com seus clientes “Sim. É muito estranho. Parece uma sombra sem rosto” Respondia o velho que sempre ia a mesma padaria comprar leite para a mulher, talvez por que fosse mais perto.

Ou seja, Paris estava perplexa diante daquela pequena e misteriosa criança que, em pleno século XXI, vivia em uma França da Era Medieval.

O pequeno colocou o telefone de volta a base. Depois de desligar o aparelho, seu sorriso sumiu como se tivesses retirado uma máscara. O mordomo, que até agora mantivera-se nas sombras, surgiu ao lado do jovem com uma xícara de chá. O mordomo dentro do típico paletó formal era alto e forte, os cabelos negros cortados de maneira desproporcional em que a nuca ficava exposta e na região das orelhas o cabelo caía livremente até a altura do queixo, sendo que o lado direito era mais comprido, outra essência atraente no mordomo era os olhos vermelhos e demoníacos. A pele era pálida e sedutora, o rosto era fino e ganhava ainda mais charme com a franja curta jogada de lado. As pernas do mordomo, longas demais, o que lhe deixava com uma aparência espectral.

Em silêncio, o charmoso mordomo entregou o pires nas mãos de Louis, que mantivera o semblante pensativo desde que desligara o telefone.

__ Sebastian, prepare a mansão. Por que amanhã teremos visita.

O menor sorriu com malicia ao pronunciar tais palavras. Os raios da lua refletiram-se nos olhos do pequeno, que por motivos demoníacos sentia-se satisfeito.

__ Sim. Meu lorde. -- Respondeu o mordomo antes de deixar o quarto.

Kouta

A Porta Para o Inferno...

Kouta pegara um táxi na estação às cinco da manhã e ao mesmo tempo em que estavas cansado sentia-se ansioso em rever o primo a muito não visto. Tinha medo de não reconhecer o primo, pois estes se viram pela ultima vez aos sete anos de idade, sendo que Kouta já alcançara os catorze anos. “É muito tempo” Pensou consigo. Só lembrava-se da cabeleira dourada sacudindo-se enquanto ria das piadas sem graça. “Caso não lembre-me dele, por favor que ele também não lembre-se de mim”.

O motorista do táxi parou em frente a uma mansão enorme. Entre as grades do portão enferrujado via-se a grama morta e mais ao longe o imenso casarão negro.

__ Chegamos. -- Disse o motorista olhando o retrovisor para que pudesse enxergar os olhos de Kouta. O moço pensava que o plebeu estivesse louco, pois ninguém jamais visitara a mansão Diel.

Kouta olhou novamente para o casarão e beliscou-se supondo que fosse um pesadelo.

__ Senhor, acho que se confundiu. Eu disse que me levasse à Rua Diel, número 13. -- O pequeno pensara que o motorista errara o local, e sua mente jovem também julgou que estivessem seqüestrando-o.

__ Estamos na rua Diel. Essa rua tem somente uma casa. A mansão Diel.

Kouta olhou novamente o endereço que seu primo lhe passara pelo telefone e sentiu-se aliviado por não estar sendo seqüestrado.

__ Acho que está certo... Então, quanto deu a viagem?

O pequeno pagou a quantia pedida apesar de achar que ficou muito caro e saiu do táxi junto com as malas. Esperou até que o carro dê-se partida e encarou as grades do enorme portão de ferro que estendia-se até os céus.Um portão para o paraíso? Ou para as chamas do Inferno? Uma brisa gelada balançou seus cabelos loiros levando folhas das arvores de outono e um arrepio correu por sua espinha. Com relutância Kouta aproximou-se do portão.

Dois homens idênticos apareceram, um de cada lado do portão, abrindo-o.

__ Seja bem-vindo, senhor Thasi. -- Cumprimentaram os gêmeos em uníssono.

Kouta sentia-se confuso, aquela igualdade entre os gêmeos o deixava zonzo. E também percebeu a cordialidade e os uniformes usados pelos irmãos e viu-se logo que ambos são mordomos. Ambos tinham os cabelos roxos, os mesmos olhos cinzas desumanos e a boca fina, aos mãos, apesar de cobertas pela luva branca de algodão puro, ainda assim eram talentosas. Mas o que mais assustara à Kouta, foram as peles pálidas dos irmãos.

Os gêmeos deram passagem ao pequeno, mas em momento algum demonstraram emoções. Acompanharam Kouta até a porta da mansão e abriram-na.

A casa estava fria e em breu, a única luz vinha do fogo da lareira que crepitava como o farfalhar de folhas. Em frente à lareira, usurpando de seu calor, uma alta cadeira de madeira escura e antiga como as da era medieval. Devagar, o corpo encostado a cadeira levantou-se e com passos lentos aproximou-se de Kouta.

__ BÚ! -- Sussurrou lorde Diel aos ouvidos do primo.

Dizem que é nos túmulos que as rosas descansam. As rosas abraçam os mortos sem que seus espinhos causem cicatrizes, penso que elas gostam de noivas cadáveres.

Notas finais
Me inspirei nas músicas da Kanon Wakeshima :D Muito boas XD Ameiii
AAA gente, mereço reviewrs??? :T
Diz que sim D: Sei que o capitulo não ficou muito bom, muito sem história, mas prometo que o segundo vai ser bem melhor!