Fin De Siècle

2 Por Isso Devesse Odiar Cemitérios


Fin de Siécle

A manhã estava mais fria do que nunca. A primavera chegara.

Ontem à noite Kouta ficara hospedado em um dos vários quartos da mansão Diel, conversara pouquíssimo com o primo devido a chuva que iniciou-se. O pequeno assustou-se quando viu o primo, não que se lembrasse dele, mas ele parecia diferente.

“Viu primo? Pintei o cabelo!” Berrou Louis após assustar o garoto imitando um fantasma. O pequeno lorde inclinou-se para frente afim de enxergar os olhos do menor. “Oras primo, não me reconheces? Não sou eu teu amigo de infância?”. O visitante o olhou assustado e assentiu com a cabeça fazendo o lorde desabar em risadas.

__ Bom dia, jovem mestre. -- O mordomo cumprimentou seu senhor com o devido respeito e ajudou-lhe a sentar-se à beira da cama. -- Hoje teremos New Moon Drop como chá da manhã.

O mordomo serviu uma xícara do líquido perfumado e a entregou nas mãos do jovem mestre.

__ Ótimo. Qual minha lista de preparativos para hoje?

__ O senhor separou o dia de hoje exclusivamente para assombrar Kouta Tashi, nosso hospede.

__ Prepare nossos fantasmas. Mas lembre-se que serei o ator principal, Sebastian.

__ Sim, meu lorde. -- Os olhos demoníacos e avermelhados do mordomo cintilaram de malicia com as palavras do jovem mestre.

Kouta Tashi

Por Isso Odeio Cemitérios...

Kouta sentia-se confortável na cama macia, mas levantou-se cedo e vestiu-se com uma das roupas que trouxera de casa. Andou pelos longos corredores escuros, subiu e desceu escadas sem fim e gritou a procura de algum sinal de vida na casa, antes de finalmente encontrar uma porta que levava para o lado de fora. Sem nem ao menos pensar, o pequeno girou a pesada maçaneta e espiou o “quintal” da mansão.

Observastes o solo nu, as árvores sem folhas, o céu cinza e a brisa cortante. Via-se, entre as árvores, túmulos.

__ Um cemitério? -- Perguntou o pequeno a si mesmo.

“ Não achas interessante?” Perguntou a outra voz, sem dono.

Kouta olhou para os lados aterrorizado mas não encontrou nenhum ser vivo à vista. Devo estar imaginando coisas.

Receoso, o pequeno optou por dar uma volta entre os túmulos enquanto esperava que alguém notasse sua falta e viesse procurá-lo.

Pisou na terra molhada pela chuva da noite passada e um vento rápido e intrometido passou aos mãos por seu corpo. Kouta agarrou-se ao casaco de lã que trouxera e encolheu-se de frio. Continuou sua jornada pelo “vale da sombra da morte” quando tropeçou na lasca de um dos túmulos.

“Aqui adormece Joana Diel.”

“Espero que descanse em paz,

Nas chamas do inferno.”

“Com carinho: Louis Diel”

Assustado Kouta afastou-se do túmulo mas a ansiedade cresceu em seu peito, e “sem querer” acabou por espiar outros túmulos...

“Aqui adormece George Diel.”

“Agradecemos ao senhor,

Por ter morrido cedo.”

“Com amor: Louis Diel e Lizzy Diel.”

“Aqui adormece Louis Diel.”

“Enquanto eu viver,

Seus inimigos estarão mortos,

E a vingança estará feita.”

“Com tristeza: Lizzy Diel.”

__ O que? -- Perguntou horrorizado. -- Que tipo de brincadeira de mau gosto é essa?

“Do meu tipo favorito...” Sussurrou os ventos em seu ouvido.

__ Quem é você? -- Uma lágrima intrometida espiou os olhos de Tashi, e este temia a própria voz.

Uma névoa densa pairava sobre os túmulos em uma espécie de dança, saltitando sobre cada um, a névoa branca aproximou-se do túmulo onde o suposto lorde Diel adormecia. Kouta observou, de boca aberta, a figura pálida à sua frente.

“Quem sou eu?... Eu sou o fantasma do cemitério. Ainda não percebeste?” A voz não pertencia a névoa, a voz simplesmente não tinha dono, ela vinha de todos os lugares, dos túmulos, da terra, das árvores , do ar...

__ Fan-fantasma?

A névoa ganhou a forma de um vestido de noiva masculino. HÃN?. O vestido era simples, sem detalhes, a bainha e a gola estavam rasgados, mas só aumentavam o charme da criatura grotesca que usava o assombroso vestido branco sujo.

“Sim. Fantasma.”

O fantasma tinha a pele pálida e seca, era magricelo e os olhos amarelos eram enormes, a cartilagem do nariz fora arrancada deixando apenas dois buracos que se mexiam enquanto o demônio movimentava a boca sem lábios. Mas o que o tornava tremendamente belo, eram os longos e sedosos cabelos prateados. Um anjo morto.

Apesar de ser manhã, no céu daquele lugar era sempre pôr-do-sol. O sol se punha ao oeste e todo o céu acompanhava as cores vermelho e laranja, como uma obra de arte.

__ Eu estou tendo um pesadelo?

“Pesadelo? Caso tudo isso seja somente fruto da sua imaginação, creio que seja um sonho. Você está em um local repleto de rosas vermelhas, observando o pôr-do-sol. Não és magnífico?” O fantasma também olhou para o céu e sorriu tristonho. “Estás a procuras de alguém, não é?”

__ Por que estás falando comigo? Você não existe!

“Por quem você tanto procuras, pequeno?” A criatura ignorava as perguntas tolas de Tashi enquanto olhava para o imenso relógio antigo de madeira em pé ao lado da porta a qual Kouta passara, afim de não se atrasar.

__Pelo... Meu primo. Louis Diel.

O fantasma abriu um dos túmulos, examinou a pessoa que adormecia eternamente e encarou os olhos de Kouta.

“Então acabas de encontrá-lo.”

__ Não. Ele está vivo...

“Chegue mais perto para olhaste, já que não confias em mim.” Novamente o fantasma certificou o horário no relógio e franziu a boca sem lábios.

__ Mas... E-eu o vi ontem à noite. Estava vivo! E por que olhas tanto para o relógio? Se estás morto, não deve mais se preocupar com o horário!

“Não quero me atrasar. Morto ou vivo, tenho trabalhos que devem ser realizados.”

__ E sobre o meu primo?! Eu o vi vivo!

“Para isto, tenho somente algo a dizer. As aparências enganam.”

A criatura pegou uma rosa vermelha de um dos túmulos, e colocou-a estrategicamente sobre uma das orelhas de Kouta e sorriu satisfeito.

“Você fica bonito calado.” O maior passou as mãos pelo rosto do pequeno, que nem ao menos sentiu o seu toque. Sim, certamente ele é um fantasma.

O fantasma roubou outra rosa murcha do túmulo e a prendeu na boca.

“Acho que ainda tenho tempo para uma dança. O que acha, senhorita?”

__ E-eu sou um rapaz. E não acho muito divertido dançar pelos túmulos com um fantasma.

“Só por este pôr-do-sol, dance comigo?”

__ Mas... Nesse lugar o pôr-do-sol é eterno.

“Então dance comigo. Eternamente.”

A visão do pequeno estava turva, as palavras do fantasma se enrolavam em sua mente, sua garganta apertava-se em nós. Com medo e confuso, Kouta correu em direção a porta e atrás de si, ouviu o fantasma sussurrar “Ainda é cedo, minha dama. Ainda hei de cobrar minha dança.”

O pequeno passou pela porta e a fechou rapidamente atrás de si, encostou-se à parede do corredor e sentou-se no chão enquanto lágrimas intrometidas rolavam por sua face. Minutos se passaram e o relógio do outro lado da porta soou profundamente por toda a mansão. Kouta deixou cair a rosa murcha a qual o fantasma lhe deu e, curioso, abriu novamente a porta, apenas o suficiente para que pudesse espiar o outro lado.

Via-se ao longe, dançando sobre os túmulos, o fantasma. Dançava como se estivesse prestando luto, as lágrimas corriam por sua face mas este continuava a bailar em um ritmo constante e mortal enquanto o vestido branco flutuava de modo charmoso. As rosas vermelhas dos túmulos deixavam a cena romântica. E, como sempre, havia o pôr-do-sol.

__ Eu... Eu preciso avisar meu primo!

Sempre.

Sebastian ajudava o menor à vestir as meias longas e à amarrar o cadarço dos sapatos enquanto este apreciava mais uma xícara de chá.

__ Sebastian?

__ Diga.

__ Nada...

O mordomo encarou os olhos lilases do menor e sorriu maliciosamente, pois sabia que este, logo logo, abriria o bico.

O relógio soou por toda a mansão perfurando os ouvidos de todos com o tic toc fantasmagórico. O lorde fixou seus olhos no pôr-do-sol do outro lado da enorme janela.

__ Sebastian... As aparências... -- O jovem mestre perdeu-se em pensamentos enquanto observava o sol se pondo.

__ O que tem as aparências? -- Perguntou o mordomo retirando o pires das mãos do lorde.

__ As aparências enganam?

Sebastian sorriu tristonho e parou para admirar o pôr-do-sol junto com o menor.

__ Sempre.

__ Sempre?

__ Sempre. -- Respondeu o mordomo encontrando os olhares do pequeno senhor.

Notas finais
Deixem Reviewrs falando o que deve er melhorado, e que está bom? ><
Estou escrevendo essa fic às cegas!!
Ah, e sobre os erros de portugues... desculpeeem D:
Esse capitulo foi TOTALMENTE inspirado na Kanon Wakeshima. AMOOOOOOO.
hehe