Fim dos tempos 2
2 capítulo 2 - Crescendo
Notas iniciais
Pov – Carl
O dia estava bem tranquilo, Megan trabalhava nos carros com Jimmy, o grupo pretendia sair em uma missão de reconhecimento e precisamos ter tudo em ordem.
Me sento no sofá, ainda estranho ter um sofá, sinto falta da minha pequena cela na prisão, de passear com Megan de mãos dadas e de Hershel, uma falta imensa dele, desde aquele maldito dia não tem uma noite que não reveja aquela cena de novo.
−Carl! Meu pai me chama surgindo na sala – Sabe da Beth?
−Estão na casa da Megan, todas elas, aquela coisa de garotas! Faço careta, meu pai ri e se senta comigo, nossa relação ainda não é perfeita, mas somos amigos agora, superamos a maior parte dos problemas e jogamos alguns para baixo do tapete, é melhor assim, tem muito lá fora para nos prendermos as pequenas coisas.
−Daryl está lá?
−Não, está de guarda com o Glenn, daqui a pouco vou rende-los com a Mich.
−Eu vou passar a noite lá, Beth também, pode ficar de olho na sua irmã ou mando ela para Katie?
−Ela pode ficar, eu cuido dela – Olho para ele, se tem alguém com quem posso ter essa conversa é com meu pai, não gosto muito disso, mas preciso – Pai... Eu pedi, na verdade eu e Megan conversamos, sobre... sobre ficarmos juntos, sabe a casa do fim da rua, a única vazia?
−Pediu Megan em casamento, é isso? Ele sorria com aquela cara de pai que ele e o Daryl fazem e que deixam a gente bem sem graça.
−Não, eu não sou assim! Fico meio sem graça – Só falamos sobre morar junto, ninguém mais casa depois que o mundo acabou.
−Daryl casou! Meu pai rebate.
−Daryl não é parâmetro para nada dessas coisas, ele ficou bem ridículo depois da Katie! Respondo.
−Bom entendi, mas está me comunicando, pedindo um conselho, do que estamos falando afinal?
Me sento direito, tiro o chapéu da cabeça e respiro fundo, melhor me explicar logo.
−Megan e eu estamos juntos a muito tempo, não tem mais ninguém para mim, e isso não tem nada a ver com o fato de que o mundo acabou, seria igual se fosse tudo como antes, talvez eu estivesse pensando em faculdade e sei lá coisas assim, mas ainda seria ela.
−Que bom que o fim do mundo não te tirou isso! Meu pai me diz sério – Ela aceitou?
−Esse é o problema, ela aceitou, mas acontece que fica o tempo todo pedindo um tempo, sabe, acho que nunca vai ter coragem de dizer ao Daryl.
−Entendi qual seu problema, ela está com medo! Ele se ajeita no sofá, respira fundo – Sabe que a Megan teve uma vida bem difícil antes mesmo do mundo acabar não é?
−Pai... são sete anos, sei tudo sobre ela!
−Ok, tem razão, mas Daryl é mais que um pai para ela, ele é seu porto seguro, e fez por merecer, tem que admitir, Megan está acima de tudo para ele.
−Eu sei, eles são muito parecidos.
−Dê a ela o tempo que precisa, não é fácil para ela deixar a proteção do pai, não sei se sabe, mas sua namorada ainda dorme com eles.
Meu pai ri da minha careta, eu sei disso, ela sequer fica tímida de me contar algo assim.
−Isso é bem humilhante sabia?
−Nesse ponto somos parecidos, Beth era bem grudado com o pai, você se lembra não é?
−Lembro, as coisas entre nós... bom, é mais quente agora, se me entende.
−Vocês dois já...
−Não! Respondo rápido – Só quando resolvermos isso, não quero Daryl me caçando com aquela besta!
−Carl só posso aconselhar você a não pressionar demais, ela vai encontrar o momento, são jovens ainda.
Sabia que chegaríamos nisso, eles parecem não compreender que ninguém envelhece mais, agora as pessoas morrem antes disso e viram zumbis e devoram outras pessoas.
−Tempo! Eu bufo – Essa coisa de tempo acabou.
−Já que estamos conversando Katie quer que você e Megan participem do conselho, na verdade todo conselho quer.
−Mas você não! Eu sei a opinião do meu pai sobre isso.
−Eu apenas penso se está pronto!
−Se vamos falar sobre a rapidez do meu gatilho desiste, não vai me convencer, eu saio lá fora pai, sempre saí, o apocalipse começou cedo para mim, sabe o que penso, deixei um zumbi atolado para trás e Dale está morto, atirei na minha mãe para ela não virar um zumbi e quem sabe devorar a própria filha recém nascida.
−Sei disso!
−Nick perdeu um dedo, tentando abraçar a própria mãe, poderia ter morrido se meu gatilho não fosse rápido como diz!
−Mesmo assim, às vezes...
−Eles voltam pai, sabe do que eu tenho medo de um dia você decidir ser de novo um fazendeiro, porque essa coisa toda não tem fim, e não tem lugar seguro, nem aqui nem lá fora, tudo sempre pode acabar e quero estar pronto para proteger Megan, Judith e mesmo você se for preciso.
−Meu medo é que nunca relaxa, está sempre em alerta, um dia pode simplesmente...
−Cansar, desistir? Eu nego com a cabeça – Não sei fazer isso, nunca consegui, quando a prisão caiu, quando partimos eu, você e Beth, achei que tinha perdido tudo, minha irmã, Megan, e você, não achei que poderia se recuperar e mesmo assim eu fiquei de pé, eu sempre fico de pé e posso cair pai, mas nunca me dobrar!
Meu pai me olha, tem algo no seu olhar, não sei se é respeito ou apenas admiração, mas ele me olha e depois sorri.
−Vamos nos reunir mais tarde na casa do Daryl para decidir como vai ser essa missão, é um membro do conselho, espero que esteja lá! Ele me diz e depois deixa a casa, parece meio emocionado, eu estou, finalmente ele compreende que eu cresci.
Sigo até Megan, vou seguir o conselho dele e dizer a ela que posso esperar até que se sinta pronta.
−Você é muito preguiçosa Megan, vou um minuto em casa, só saber se a Mary está bem! Ouço Jimmy dizer quando me aproximo – Olha seu namorado chegou, eu já venho.
−Fujão! Ela diz atirando uma flanela imunda nele que some rindo, então ela me sorri e caminha para mim – Oi!
−Oi linda! Ela me beija eu a envolvo em meus braços, é tão delicada e perfeita.
−Pensei que não viria me ver! Ela diz encostada em mim, sinto seu perfume, o mesmo cheiro que tinha quando éramos crianças.
−Estou aqui, estava falando com meu pai.
−Aquela coisa do conselho, o papai falou comigo também.
−É agora somos respeitáveis membros do conselho! Brinco com ela, beijos seus lábios mais uma vez, ela me faz um carinho.
−Cadê o chapéu xerife? Brinca.
−Esqueci em casa.
−Estou com medo Carl! Ela me abraça, estremece um pouco e chega a me assustar.
−Medo do que linda? Eu a envolvo ainda mais, ela me olha, os olhos marejados.
−Essa coisa de saírem, você vai não é? Faço que sim, eu preciso, esse é meu trabalho e gosto dele – Meu pai e minha mãe também, não posso ficar sem vocês, quando penso que...
−Shiu, vamos voltar, todos nós, não tenha medo, acha que o Daryl não vai me fazer ficar vivo só para você não chorar?
−Eu sei, mas isso dói, se ao menos eu pudesse ir junto.
−Linda, eu sei que quer ir, mas esse aqui é seu trabalho! Mostro a pequena oficina – É boa nele, a melhor.
−Talvez um dia eu precise enfrentar as ruas.
−E sei que vai ser brilhante como sua mãe, mas o fato é que agora não precisa.
Ela se recosta em mim, eu realmente acho que um dia Megan vai ter que deixar a falsa segurança desse lugar e sair para os perigo que nos cercam, mas enquanto eu puder evitar isso vou fazer, eu a amo demais e a quero viva, antes de tudo quero Megan viva!
−Sinto falta de sermos crianças! Ela me diz – De simplesmente segurar sua mão, de não precisar ter medo por você também.
−Você reluta em crescer! Eu comento, é isso, Megan não quer crescer – Em Peter Pan! Ela sorri.
−Talvez, me sinto segura sendo... bem sendo só a garotinha Dixon.
−Eu sei, entendo isso, na verdade vim aqui dizer que entendo e respeito seu tempo, posso esperar até estar pronta para abrir mão da proteção do papai Daryl! Ela sorri corada, me beija.
−Eu te amo sabia?
−Sabia! Beijo Megan longamente – Também te amo, mas acho que agora temos que ir para tal reunião.
Ela segura minha mão e caminhamos juntos para casa dela, o grupo está todo reunido, nos sentamos na sala, empurro uns brinquedos para longe, aquele lugar é uma bagunça. Será que nossa casa vai ser assim também?
−Acho que estamos todos aqui! Katie diz sentada ao lado de Daryl, temos uma mapa sobre a mesinha de centro.
−Meus quadrinhos! Eu digo quando vejo boa parte da minha coleção – Nick é um...
– Estão todos me olhando minha primeira reunião do conselho, acabo de ser considerado adulto o suficiente para estar aqui e minhas primeiras palavras são sobre histórias em quadrinhos, “Muito bom Carl Grimes, causou uma ótima impressão!” Eu me felicito.
−Bem! Sasha me socorre – Eu estive pensando, podemos começar decidindo que caminho seguir.
−Tenho pensado nisso, acho que os grandes centros são uma perda de tempo! Michonne comenta.
−Além de perigoso! Katie continua.
−Aqui é um bom lugar, trinta quilômetros, uma cidade pequena, e podemos fazer isso parando quando for necessário – Daryl aponta o mapa – E os carros ratinha?
−Tudo em ordem papai, cuidei disso o dia todo, estão em perfeitas condições, e temos combustível suficiente, nem vão precisar se preocupar em encontrar isso.
−O que aliás não é tão fácil mais! Meu pai nos lembra, nada é fácil de encontrar, os remédios acabaram, a comida acabou, só o que temos é o que plantamos e os poucos animais que criamos.
−Nesse caso temos apenas que formar um bom grupo! Michonne comunica.
−Quero ir! Meu pai avisa – Beth decidiu ficar, ela acha que Judith e Matt precisam que ela ou Katie fiquem.
−Eu vou! Michonne eu sabia que não abriria mão de dar umas voltas em busca de aventura.
−Carl? Daryl me pergunta.
−Quero ir! Respondo decidido.
−Acho que é um grupo bom, Eu, Katie, Rick, Michonne e Carl! Daryl comenta.
−Eu vou também! Gina avisa – E acho que Sasha e Tommy também querem ir.
−Acho que é bom Daryl, eu e o Glenn podemos cuidar das coisas por aqui, com a Beth e o Bob.
−Certo, por mim tudo bem, não sabemos muito como vão estar as coisas lá fora.
Katie aceita e todos então começam a resolver sobre armas, horários e rotas, me distraio um pouco olhando para ela, Megan me sorri, está mais bonita que nunca, mas na verdade sempre acho isso.
−Nossa! Katie diz do nada ficando de pé, está pálida – Daryl! Ela diz e todos olhamos para ela confusos – Meus filhos...
−Que foi pequena? Daryl pega a besta e os dois começam a caminhar para porta ele na verdade apenas a segue.
−Não sei! Ela responde todo mundo os segue, Megan logo segura minha mão assustada, ninguém nunca dúvida dos instintos de Katie.
Pov – Nick
Trabalhar na horta é uma chatice, só não é insuportável porque Amy está comigo e me faz companhia, Jeff é muito legal até, ele cuida da horta muito bem e sem ele não saberíamos muito o que fazer, o pai era fazendeiro e ele aprendeu tudo com ele, deu várias ideias quando chegou e logo assumiu o trabalho.
−Escutem garotos, esse lado eu realmente não quero que mecham, são as plantas medicinais que eu e Bob estamos cultivando, deixem que cuido pessoalmente disso! Ele nos avisa logo que chegamos para nossa primeira manhã de trabalho forçado – Sei que isso parece mais um castigo para você Nick, mas espero que se acostume e goste.
Faço careta, nunca vai acontecer, trabalho com ele até a hora do almoço, almoço na casa de Jimmy, é bom poder fugir da comida da minha mãe e sou realmente muito bom nisso, depois eu e Amy somos obrigados a ir para aula de Beth, ela é minha professora desde que tenho seis anos, me ensinou quase tudo que sei, mas realmente acho que podia parar com as aulas, ao menos para mim e Amy, mas não tenho muitas esperanças, Megan e Carl tiveram que frequentar as aulas até um ano atrás, foi preciso quase uma rebelião para se livrarem disso.
Ficamos eu, Amy, Matt, Judith e Mika, a pobre ainda tem que frequentar as aulas, assim que terminamos, quase no fim da tarde Beth serve uma xicara de chá, aceito porque adoro tudo que ela faz, ficamos na cozinha com ela.
−Cadê todo mundo? Eu pergunto quando deposito a xicara na pia.
−Reunião do conselho! Beth avisa.
−Quando for do conselho vou acabar com essa chatice de conselho! Digo rindo e Beth bagunça meu cabelo.
Arrumo rápido, não sei porque eles tem mania de fazer isso, sabem que detesto, ela sorri para mim.
−Nick eu duvido que um dia faça parte do conselho, você vive com a cabeça na lua!
−Pode ser, mas sou seu melhor aluno! Ela concorda com um movimento de cabeça, isso ninguém pode negar, aprendo rápido, e no fundo tem algumas coisas que acho que já sei mais que ela, ou qualquer um, gosto de ler, sempre gostei, mamãe diz que sou o cientista do grupo, quem sabe?
−Bom crianças estão dispensados, vou arrumar essa bagunça e encontrar o grupo.
−Amy eu vou ver a senhora Smith, quer vir comigo? Amy concorda e me despeço de Beth – Avisa a mamãe que logo chego em casa.
Saímos os dois estou feliz de não ser mais o responsável pelas crianças, agora esse é o trabalho de Mika, ela gosta e ficamos todos felizes.
−Ratinho, acha que a senhora Smith ainda vai estar tão triste como ontem?
−Acho, ela só se alegra um pouco quando chegamos, mas se bem que ontem ela não parecia só triste, estava bem pálida, depois vou ver se o Bob não dá uma olhada nela.
Ela é como uma avó para mim, sempre me trata com carinho e cuidado, desde que chegou, depois que o filho morreu sempre diz que sou sua única alegria, que não fosse por mim já teria desistido, por isso estou sempre por perto.
Entramos sem bater, ninguém nunca bate mesmo, ela mora numa casa pequena, mas bem arrumadinha, a sala está vazia, eu e Amy nos olhamos, sigo pelo corredor até a cozinha.
Ela está sentada numa cadeira, a cabeça debruçada sobre a mesa, os braços escondendo seu rosto.
−Ela está dormindo Nick, vamos voltar depois! Amy me sussurra.
−Aqui não é lugar de dormir, vamos chamar ela e ajudar ela a ir se deitar na cama! Eu respondo também baixo.
Damos a volta na mesa, Amy parece assustada, eu me aproximo e toco seu ombro.
−Senhora Smith! Chamo com cuidado, ela já me pediu para chama-la de vó, mas não consigo fazer isso – Senhora Smith! Toco de novo nela e olho para Amy, ela me olhava atenta, e do nada grita me viro assustado a tempo de puxar meu braço que estava prestes a ser mordido.
Dou um pulo para trás, não pode ser, não ela, o zumbi que agora a senhora Smith se transformara começa a se levantar vindo em minha direção. Dou um passo para trás, pisco para impedir as lágrimas, quero chorar pela avó que acabo de perder, mas tenho que fugir do monstro que está diante de mim.
−Vai Amy, pela porta da cozinha! A porta estava logo atrás dela, escuto Amy forçar a porta, estou caminhando de costas a seu encontro, enquanto o zumbi vem em minha direção.
−Está trancada ratinho, não tem chave! Estamos ficando encurralados, eu penso, ela tampa a passagem para sala onde a porta da rua está ainda aberta como acabamos de deixar – Ela vai nos matar! Amy chora posso sentir mesmo sem olhar para ela.
−Presta atenção Amy, vou distrair ela e você passa por debaixo da mesa e corre.
−Não sem você! Ela diz desesperada.
−Vai, não é hora para isso, corre e busca meu pai! Eu sei que ele vai chegar a tempo, ele sempre chega, essa é minha única certeza em todo apocalipse.
−Estou com Medo! Ela diz e então saio para o lado.
−Aqui! Dou um tapa na mesa e começo a caminhar ela está a cada passo mais perto – Vai! Grito e Amy passa por debaixo da mesa como pedi, ficamos eu e ela, desvio um segundo meu olhar de sua boca faminta, vejo os talheres na pia, uma faca, vi minha mãe fazer isso um milhão de vezes, ela me ensinou, eu posso, sei que posso e então com a mão tremula pego a faca, aperto em minha mão, ela está a meio metro de mim, não é a senhora Smith, é um zumbi, nunca matei, nunca precisei, mas sabia que meu dia chegaria.
−Desculpe! Eu digo e então atiro a faca como minha mãe me ensinou, ela acerta o olho do zumbi que vem em minha direção e então uma flecha atravessa sua cabeça e ela desaba sobre mim, deixando um rastro de sangue em minhas roupas, dou um passo para traz e o corpo cai no chão num estrondo surdo.
Então estou sendo abraçado por meu pai e minha mãe, ela chorava tremendo e acho que eu também.
−Você sempre chega papai! Eu consigo dizer.
−Mas dessa vez não foi preciso, fez um bom trabalho ratinho! Eu concordo enquanto sou retirado de dentro da casa sem conseguir desgrudar os olhos daquele corpo.
Amy estava nervosa contando o que tinha acontecido, meu pai beija minha mãe, agradece por ela ter aquela coisa de sexto sentido.
−Sabia mamãe? Finalmente algo me desvia a atenção daquele corpo inerte que de algum jeito eu deixei assim.
−Senti que tinha algo errado com um de vocês, Megan estava comigo, Matt eu vi vindo com Beth então pensei que só podia ser você e corri para cá onde sabia que estava.
−Achei que ela estava dormindo, eu só queria ajudá-la a ir se deitar na cama, ela era...
Me calo porque não quero chorar na frente de Amy.
−Ratinho, está tudo bem, vai com a mamãe trocar essa roupa, eu vou cuidar das coisas aqui! Meu pai me diz se abaixando um pouco para me olhar.
Afirmo e caminho com ela, ainda meio desnorteado e confuso, não queria fazer, não ela, é diferente de zumbis na rua, ela era... minha avó, devia ter chamado ela assim quando me pediu, eu podia ter feito, mas achei meio bobo e agora ela está morta.
Já estou no meu quarto, nem reparei, minha mãe me olha.
−Nick, eu sei que sou menina e bom você nunca me deixou te ajudar, mas...
−Ainda é menina mamãe, eu me viro te vejo lá em baixo! Ela concorda me deixa sozinho e depois de respirar fundo me visto e me sento um segundo na cama, tomo folego, o primeiro zumbi que matei na vida, será que todo mundo fica assim?
Desço e abraço minha mãe, ela me faz um carinho nos meus cabelos e me dá um beijo, posso sentir o quanto está aliviada.
−Vou ficar com o papai! Aviso saindo ela me deixa ir, meus pais são muito bons em entender como nos sentimos.
Caminho sozinho até nosso pequeno cemitério no fim da rua, num pequeno descampado próximo aos muros, de longe vejo meu pai abrindo uma cova, mais uma. Todos parecem me olhar, não me importo, Megan vem correndo até mim e me abraça chorando, correspondo.
−Que susto Nick!
−Estou bem! Eu me afasto dela e sigo até meu pai, pego uma pá e começo a ajuda-lo – Ela queria que eu a chamasse de avó, quero fazer isso por ela papai! Aviso e ele concorda.
−Vamos fazer ratinho, vamos fazer juntos! Ele me diz e continuamos a cavar.
As coisas podem parecer se encaixar, mas todas as vezes que esquecemos como mundo é agora uma coisa assim acontece para nos lembrar que não tem mais dias de paz, pode até estar escondido, mas está lá, sempre está.
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