Fim dos tempos 2
3 Capítulo 3 - Conversas importantes
Notas iniciais
Pov – Megan
Foi um dia terrível, a morte sempre nos alcança, de um jeito ou de outro, suspiro quando Carl me envolve num abraço apertado, me encosto em seu peito, é tão bom ter ele comigo, principalmente em dias como o de hoje.
−Está bem, linda? Carl me pergunta apenas concordo com a cabeça, é uma grande mentira, não posso ficar aqui sem ele, meu pai e minha mãe, simplesmente não posso, me dá muito medo – Tem certeza?
−Não quero que vá com o papai e a mamãe.
−Eu sei que se preocupa, mas amor eu tenho que ir.
−Acha que eu poderia cuidar dos meus irmãos e seguir em frente sem vocês três?
−Não, e não vai acontecer, e não estou sendo otimista, mas vamos ser honestos, ninguém vai se arriscar a esse ponto!
−Espero que esteja certo, a ideia me apavora demais.
Ele me beija, adoro seus beijos e cuidados.
−O que achou da reunião do conselho? Pergunta ele quando se afasta.
−Fomos bem! Sorrio – Mal abrimos a boca!
−Sua mãe teve aquela premonição, eu sei lá como chamar essas coisas da Katie.
−É, isso bem já nos salvou.
−Muitas vezes! Ele me faz um carinho – Tenho que ir para casa cuidar da bravinha! Ele ri quando diz isso, só meu pai a chama assim ainda hoje, ela fica toda feliz, sorri para ele é louca por ele como todas as crianças.
−Te vejo amanhã! Nos beijamos na porta de casa, depois fico assistindo Carl seguir para sua casa ao lado da minha acenamos um para o outro e entramos, todos os dias é a mesma coisa.
Quando entro vejo a cena de sempre, Matt está sentado no chão, limpando todo atento as flechas do papai, se parece tanto com ele que chega a ser divertido, Nick está sentado do lado do papai, se não se achasse muito grande para isso estaria no colo dele, em dias como o de hoje não consegue ficar longe dele, minha mãe está junto.
Todos me olham quando entro, sorrio acenando, me sento com Matt no chão, ele me olha de lado.
−Ocupado ai? Eu pergunto.
−Parece que sim! Ele responde – E você onde estava?
−Lá fora.
−A saída foi adiada até depois de amanhã! Mamãe me diz, sinto um alivio imenso, sabia que eles não iriam para longe num dia como esse, com Nick tão triste.
−Eu fico feliz! Olho para todos, não sei como deixá-los, amo Carl, muito, nem saberia medir, mas deixá-los é tão difícil, sonhei tanto com isso, essa normalidade, um pai e uma mãe que me amassem e pudessem cuidar de mim, irmãos saudáveis e felizes, quero isso por mais tempo, por todo tempo do mundo.
−Tudo bem Ratinha? Papai me conhece como a palma de sua mão.
−Sim papai, eu vou subir, espero vocês lá em cima.
Subo e me sento na cama, me deixo ficar ali, apenas pensando na vida e esperando minha mãe entrar para conversar comigo enquanto meu pai fica lá em baixo se roendo de preocupação decidindo de que maneira vai matar o mini xerife.
−Oi! Sorrio para ela quando entra, são essas coisas que nunca mudam que me fazem ter tanto medo do futuro, de deixar essa casa e eles.
−Entra mamãe, sabia que viria.
−E sabe que o papai está achando que o...
−Mini xerife aprontou alguma! Rimos as duas e ela se deita na cama comigo, ficamos as duas olhando para o teto branco e um tanto descascado pelo tempo.
−Quer me dizer o que tem?
−Quero! Ela me puxa e me abraço a ela, mamãe acaricia meus cabelos, como posso não ter saído dela?
−Se não me disser vou começar aquele processo de tentar adivinhar, sabe como é!
−Eu e o Carl, eu o amo mamãe, muito e para sempre!
−Eu sei disso, é minha filha, só pode amar muito e para sempre!
−lembra quando falei sobre a casa do fim da rua, a que está vazia?
−Sim, estão pensando em morar lá?
Sorrio, ela sempre está um passo a frente.
−Falamos sobre isso, eu e o Carl, mas acontece que eu não sei se quero, sabe morar lá, ficar longe de vocês, acho que não consigo.
−O quanto seu medo de magoar o papai está envolvido nisso?
−Isso também é um problema! Confesso.
−Seu pai ama você Megan, vai fazer um drama descomunal quando decidir fazer isso, ameaçar e criar regras, muitas! Rimos as duas, sim ele faria isso – Mas depois vai aceitar porque ver você feliz é o que importa para ele, mas se for e não conseguir ser feliz então sim ele vai ficar muito triste.
−Se amo o Carl por que tenho medo?
−Porque é uma Dixon, os Dixons tem medo do amor!
−Parece que sim, mas o Carl é compreensivo, ele disse que pode esperar eu me sentir pronta.
−Carl aprendeu com é amar um Dixon! Ela me diz ainda me fazendo um carinho nos cabelos – As coisas entre vocês, você sabe, sexo, já falaram sobre isso?
Mamãe sabe de tudo sobre mim, nunca escondo nada dela, mas esse assunto é um tanto constrangedor.
−Eu te disse que temos nossos momentos, mas decidimos que só quando formos para nosso canto, não quero fazer nada escondido, nem às pressas, e muito menos que papai nos pegue, se lembra da primeira vez que ele nos viu beijando?
Aquilo foi um drama e eu já tinha quase dezesseis anos, ele achou que era meu primeiro beijo de verdade, ficou pálido, depois disse que tudo bem, depois obrigou mamãe a ter uma conversa comigo, e ameaçou matar o Carl se ele não me respeitasse e depois se arrependeu de tudo disse que me amava e que eu devia ser feliz e tudo ficou bem.
−Sei como é isso, mas tem medo?
−Um pouco, nenhum dos dois sabe como fazer! Fico vermelha, ela sorri e me dá um beijo no rosto, aperta meu nariz.
−Vão saber, pode apostar! Ri emocionada, coisa de mãe.
−Você teve medo de assumir um casamento com o papai?
−Foi diferente filha, eu era sozinha, não tinha nada, então ele surgiu e em dias se tornou tudo que eu tinha, me casei com seu pai no minuto que coloquei meus olhos nele, depois foi só irmos nos adaptando ao que tínhamos.
−Então entende que não quero perder isso?
−Eu era muito apegada com o meu pai, ele se parecia muito com o seu, menos dramático é claro, mas éramos muito próximos, quando minha mãe ficou doente ficamos mais próximos ainda, e às vezes eu dormia com ele, como você faz ainda hoje, mesmo grande, principalmente quando estava com medo ou assustada, era muito bom, me sentia mais segura.
−Como eu!
−Mas hoje, mesmo que meu pai estivesse aqui, se tivesse que escolher onde procuraria segurança e proteção, então eu correria para os braços de Daryl, não tem outro lugar para mim, quando se sentir assim vai estar pronta para fazer sua mala e se mudar.
−Entendi, acho que ainda não me sinto assim, ainda quero correr para perto de você e do papai quando estou com medo e sei que com o Carl também é assim, mas ele nunca vai admitir porque é durão que nem o papai.
−Pode ser, mas esse dia vai chegar, não se preocupe, e sabe que vou estar aqui para segurar o papai!
−Nem sei como vai ser dizer algo assim para ele!
−Uma coisa de cada vez! Ela ri – Está bem agora?
−Muito! Abraço minha mãe, agradeço por ela existir na minha vida – Como o Nick está?
−Triste! Ela me conta – E como ele acha que estamos muito preocupados com ele decidiu dormir conosco e no meio, para ficarmos mais tranquilos! Ela diz rindo, aquele garoto sim era grudado neles.
−E o Matt olhou para ele de lado e balançou a cabeça em negativa!
−Sim, mas vai correndo ficar lá quando formos dormir! Ela me lembra e sei que acabo indo também.
−Queria que ninguém tivesse que sair!
Ela me abraça e depois se levanta, sorri para mim, minha mãe ainda é a mulher mais linda que eu já vi, depois me manda um beijo e segue para porta.
−Te vejo na cama daqui a pouco, minha ratinha!
Acabo rindo, meia hora depois escuto os passos de todos, abro a porta e todo mundo estava entrando no quarto deles.
−Megan o papai e a mamãe estão muito preocupados comigo e vou dormir com eles.
−Sei! Eu rio e bagunço seu cabelo só para ele fazer aquela cara feia e correr para arrumar – A Amy não está aqui, não precisa se preocupar com a sua aparência!
−Papai olha a Megan me provocando.
−Sem brigas eu aviso a mamãe! Ele sorri e então fica aquela confusão, mas acabamos todos deitados, Nick começa a contar de novo tudo que aconteceu, acho que falar faz bem a ele, Matt me olha e sorri.
−Vamos ficar aqui na cama da mamãe quando eles estiverem fora? Ele me pede.
−Eles voltam antes da hora de dormir.
−Quando crescer e tiver que sair vou levar minha besta e passar a noite na floresta, fazer uma fogueira e caçar!
−Sabe Matt eu não duvido disso!
Logo meus irmãos dormiam, eu beijo meu pai e minha mãe, deixo meus irmãos na cama e sigo para meu quarto.
Me sento na janela, não tem nada para ver, mas gosto assim mesmo de ficar ali e aproveitar a noite, pensar na vida e nos momentos que vivi, nas coisas muito boas e nas ruins também, elas é que nos trouxeram até aqui, nos fez quem somos hoje.
Lizzie passa pela minha porta com Mika, aceno para as duas, adoro a Mika, mas eu e Lizzie nunca fomos muito amigas, não gosto do modo como ela olha para o Carl, ele vive dizendo que nem percebe isso que ela é meio maluca, mas mesmo assim, detesto como ela sempre arruma um jeito de falar com ele, pedir algo a ele.
Me deito e acabo adormecendo, pela manhã me reúno com todos, Nick está reclamando que Matt chutou ele no meio da noite, Matt simplesmente ignora e sai para encontrar Judith.
−Não está atrasado para seu trabalho? Minha mãe pergunta a Nick, ele resmunga e sai para a horta, eu me sento e meu pai me olha.
−Sabe ratinha, aquele mini xerife é muito esperto, mas eu sou mais, acho que ele anda querendo roubar você de mim.
−Mini papai! Rimos os dois quando ele me puxa para um abraço – Carl já está do seu tamanho, e eu estou quase!
−Mas já parou de crescer, nem vem que não quero filha maior que eu!
−Eu sei, nem quero pai menor que eu! Ele me beija a testa.
−Ratinha eu fiz tudo certo sabe, foi bem difícil mas fiz como tinha que ser feito, pedi para mamãe casar comigo e mesmo com esse mundo virado de pernas para o ar casamos, diga ao seu namorado que ele não vai fugir disso!
Fico olhando para ele, nem acredito que ele espera que eu me case como ele fez, que faça isso na frente das pessoas, Carl nunca vai concordar com isso.
−Se ele te ama vai concordar sim! Ele diz como se lesse meus pensamentos.
−Certo papai! Digo depois de abraçar ele e sorrir – Mas agora tenho que trabalhar porque o Jimmy só quer saber da Mary.
Sigo para o trabalho, me casar, só mesmo meu pai para ter uma ideia dessas, nem vou contar isso ao Carl, não até eles voltarem daquela aventura, suspiro e me ponho a trabalhar.
O dia da viagem chega, era bem cedo quando paramos próximos do portão, as coisas todas prontas, Matt no colo do papai e Nick abraçado a mamãe.
Carl caminha com a arma em punho, meu coração se aperta de um modo que nunca senti, meus olhos se enchem de lágrimas, corro para seus braços.
−Eu te amo! Eu digo antes de ser beijada por ele, nem me lembro que meu pai está ali do meu lado, depois nos afastamos – Promete que volta?
−Linda eu...
−Promete! Eu quase exijo, não quero ouvir dos perigos lá de fora, que ninguém pode prometer isso.
−Te amo e sim eu vou voltar!
Nos beijamos de novo, depois abraço minha mãe apertado, nada contém minhas lágrimas, ela me beija e aperta meu nariz, meu pai me abraça forte, sorri quando se afasta.
−Fica bem e cuida dos seus irmão, trago seu namorado e sua mãe de volta, e já odiava a cola na mão, nos lábios é um inferno! Fico corada, desvio os olhos e assisto eles se afastarem Nick para do meu lado, se encosta em mim, Matt vem para meu colo, somos muito unidos, sempre fomos, nos acostumamos a vê-los ganhar as ruas, enfrentar os perigos por nós, mas isso não quer dizer que não doa.
−Vamos gente vamos cuidar da vida, logo estão todos de volta!
Matt segue comigo para oficina, Jimmy chega logo em seguida, hoje ele vai passar o dia comigo, porque sabe que estou triste e preocupada, Jimmy nunca nos abandonou, e jamais faria isso, logo Nick chega também, é um desses dias em que procuramos ficar juntos, dividir a angustia e a esperança.
−Amy está em casa Jimmy?
−Sim Nick, não quero deixar a Mary muito sozinha, ela vai ficar lá o dia todo.
−Certo, acha que vão demorar?
−Não, mas até chegarem vamos manter nossa rotina, ouviu Matt, vocês vão todos para aula depois do almoço.
−Eu sei! Ele responde de má vontade.
−Se a Beth conseguir parar de chorar para nos dar aulas, garotas choram muito, sempre soube disso! Nick comenta e seco mais uma de minhas lágrimas – Olha a Megan.
−Eu estou bem, apenas fico preocupada, só isso!
−Todos ficamos! Matt garante – Mas o papai é muito bom lá fora, e a besta está sempre pronta, além disso a Mich e o Rick estão lá.
−Sem falar na Katie! Jimmy nos lembra – Ela sento os zumbis muito antes, como sempre, então não se preocupem, agora vamos apenas seguir nossa rotina.
−Megan, posso ir ficar um pouco com a Judith? Matt me pede, faço que sim ele me acena correndo para casa de Beth, Nick se senta no chão e fica nos observando trabalhar, depois vê Mika passando com as crianças, Amy faz sinal para chama-lo.
−Vou indo! Ele corre e Jimmy me olha eu sei que quer ir ficar com a Mary.
−Estou bem Jimmy, pode ir, vou lá almoçar com vocês e as crianças!
−Certo! Ele some e fico ali, largo o trabalho me sento no chão, girando uma chave de fenda na mão, a mente longe, pensando em Carl, no seu pedido, no que vamos fazer.
−Preocupada? Ergo o olhar e lá está Lizzie, tento sorrir.
−Muito, você não?
Ela dá de ombros, caminha pela oficina um pouco, é raro vê-la aqui, deve ter entrado uma ou duas vezes, e sempre à procura de Carl, com um recado ou sei lá o que.
−Todo mundo acaba morrendo e agora morrer não é mais o fim, então não, eu não me preocupo.
−Tem um jeito estranho de ver as coisas, morrer é sim o fim! Me levanto.
−Eu sei que pensa como todos, mas eu não, não tenho medo da morte, nem de virar zumbi, já disse a Mika que se acontecer não quero que atire na minha cabeça.
−Vou me lembrar disso! Aviso de má vontade – Agora tenho que ir, estão me esperando para o almoço.
−Carl não se importa? Ela me pergunta quando caminhava com ela para a rua.
−Com o que?
−Você sempre aqui, mexendo em motores, suja de graxa?
−Que tolice Lizzie, claro que não, Carl me ama, isso não tem a menor importância para ele.
−Além disso não tem muitas escolhas hoje em dia! Que maldade eu penso, então era isso, finalmente ela decide se mostrar para mim, ótimo, assim sei que não estou louca, Lizzie tem sim interesse nele, mas se acha que pode me provocar e não levar o troco está enganada.
−Escolhas ele tem, mas não tenho culpa se só consegue enxergar a mim! Ela ergue uma sobrancelha – Tchau Lizzie, nos vemos por ai!
Não vou dar espaço para ela, nem deixar que ele faça isso, assim que Carl voltar vamos ter uma conversa, aquela garota me irrita, mas apenas deixo para depois, hoje quero me concentrar em enviar boas energias para os meus, que estejam bem, que fiquem bem e voltem em segurança, só isso me importa.
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