Fim dos tempos 2
9 Capítulo 9 - Riscos
Notas iniciais
Pov – Tommy
─Quando chegarmos vamos falar o menos possível! Gina suspira desviando o olhar – É sério Gina, vamos nos concentrar, quanto menos falarmos menos mentimos.
─Já entendi Tommy, detesto que me trate como uma garotinha, sou eu não a Megan!
─Vamos combinar que história vamos contar.
Ela se ajeita no banco do carro, fica roendo as unhas e por alguma razão que desconheço odeio isso.
─Já combinamos essa história cinquenta vezes, vamos dizer que deixamos o grupo e decidimos ficam com eles, que nosso grupo respeitou nossa decisão, que não estávamos com eles há muito tempo.
─Exato, não se esqueça!
Avisto os zumbis presos a correntes por todo o muro, assim que me aproximo como carro o portão se abre, eu e Gina nos olhamos, era obvio que estariam vigiando o perímetro.
Diminuo a velocidade e me arrumo no banco, paro o carro no meio do pequeno pátio central, Tom e outros dois homens se aproximam, estão fortemente armados, um deles segue para o lado oposto e sei que vai buscar Katrina.
─Desçam! Tom exige, abro a porta e desembarco, Gina faz o mesmo, ela dá a volta no carro e para ao meu lado.
─Queremos falar com Katrina! Eu aviso sem mostrar qualquer preocupação, por dentro do meu sobretudo, todo tipo de arma.
─Vamos ver se Katrina quer falar com você!
─Aposto que quer! Digo quando vejo Katrina caminhar com seus dois seguranças, ela nos olha fixamente até parar diante de nós, Gina não se intimida com seu tamanho, pelo contrário a encara de queixo erguido, me irrita, tudo em Gina me irrita, é a pessoa mais próxima de mim, mas sem dúvida a pessoa mais capaz de me tirar do sério.
─Esqueceram algo? Ela pergunta cínica.
─Viemos saber se o convite ainda está de pé.
─Como é mesmo seu nome?
─Tommy e essa é Gina! Sei que ela está apenas ganhando tempo, analisando nossas reações.
─E o resto do grupo, Rick era o nome do líder não?
─Sim, ele decidiu seguir adiante, nós dois queremos uma chance, explicamos a situação, nosso grupo é pacifico, nos deixaram partir sem problemas.
─E não tiveram como posso dizer... – Ela parece pensar um pouco, faz cena – Crise de consciência?
─Não ficamos tanto tempo assim, depois não é tempo para isso, só queremos uma chance de sair da estrada.
─São fortes, ao menos você é! Ela me encara, depois olha para Gina.
─Somos! Gina desafia.
─Vamos ver como se comportam nos próximos dias, aqui todos tem funções, e nos primeiros dias as armas ficam guardadas.
Sabia que seria assim, é um risco que temos que correr, os homens de Katrina se aproximam um deles estende a mão, entrego minha AK e duas pistolas um martelo e duas facas, Katrina me olha espantada, mal sabe que ainda tenho mais uma pistola e duas facas sob o forro do sobretudo, depois é a vez de Gina, ela prefere uma pistola e seu facão, a pistola sai de suas mãos de bom grado, mas o facão ela segura um segundo, me olha e depois entrega de má vontade.
─O facão combina com você e pelo visto é seu preferido! Katrina comenta – Gosto disso, demonstra sua fibra.
Depois os homens se afastam carregando as armas, levam junto a chave do carro, então é isso, estamos nas mãos da gigante de cabeça raspada e olhar severo.
─Vou mandar providenciar quartos para os dois, estão de folga até amanhã, então vamos ver em que se encaixam.
─Uma cama é suficiente! Aviso, sei que Gina deve estar sem entender nada.
─São um casal, entendo, vou providenciar um quarto.
São quartos pequenos, apenas uma cama e uma cômoda, uma dúzia deles, ao lado uma pequena casa e depois outra, meus olhos percorrem os ambientes buscando todo tipo de informação, saídas de emergência, localização das armas, tudo que puder ser útil, ela vai apontando os lugares, banheiros, refeitório, a casa dela e uma casa para as famílias, os que chegam sozinhos ficam em alojamentos, no momento conto ao menos dez homens, duas mulheres com crianças pequenas e uma adolescente.
─Vou deixá-los descansar, ao anoitecer nos reunimos para comer.
─Obrigado! Digo a Katrina, Gina não faz nenhum movimento de gratidão.
Ficamos sozinhos e fechamos a porta, o ambiente é claustrofóbico, ela se senta na cama, aliás uma cama mínima, principalmente para dividirmos.
─O que foi essa coisa de casal? Ela me pergunta brava.
─Gina, só quis proteger você, tem muitos homens aqui, alguns sem mulheres a muito tempo, alguém pode fazer uma bobagem.
─Acha que não posso me defender, é um machista sabia?
─Sabia, sempre fui e não me importo, mas não se preocupe vou dormir no chão!
─Não seja estúpido, não vou te agarrar no meio da noite, não que me importasse, acho nos dias de hoje sexo sem compromisso é uma ótima ideia, mas não vou tentar seduzir você.
─O apocalipse virou a cabeça de vocês mulheres.
─Não a minha, já gostava de sexo antes! Mas que boca tem essa mulher, quando se junta com katie e Maggie eu até evito.
─Podemos apenas esquecer isso?
Ela bufa, joga a mochila que os homens de katrina reviraram num canto, tiro uma de minhas pistolas do forro do sobretudo e estendo a ela.
─Pegue! Digo sério, ela revira os olhos.
─Me acha mesmo uma idiota não é? Eu tenho a minha! Diz tirando a pistola das botas apenas para me mostrar, depois coloca de volta – Afinal o que achou, será que ela engoliu nossa história?
─Nem por um segundo! Respondo – Mas não importa, vamos seguir com o plano, não achei que engoliria, vamos aos poucos ganhando sua confiança.
Saímos para o pátio logo em seguida, o carro já não está mais lá, Tom se aproxima, agora parece mais tranquilo.
─Podem andar por aí, mas por enquanto nada de deixar o posto, para sair só acompanhados, decidiram ficar precisam seguir as regras.
─Tom, não queremos ir a lugar nenhum!
Gina se afasta, logo está conversando com as mulheres, brincando com as crianças e quando anoitece e nos sentamos com todos para comer ela já se comporta como se estivesse em casa.
Um grupo toma a posição de vigia e depois todos vão para seus quartos, fazemos o mesmo, estico uma coberta no chão e me deito, Gina deita na cama, quase não falamos, deixo que durma enquanto faço uma leve vigia, já amanhecia quando decido finalmente que estamos seguros o bastante para dormir.
Uma semana se passa, nada para fazer, não podemos sair nem fazer a guarda, ficamos os dias de um lado para outro, Gina ao menos se diverte conversando com as pessoas, ouvindo suas histórias.
Já eu apenas me mantenho distante e silencioso, gosto de ação, da adrenalina das ruas e de ter meu espaço, me acostumei com a vila, as pessoas e principalmente as crianças e seus olhinhos assustados me divertindo a cada história tenebrosa que Nick conta.
Mas agora estamos aqui, e vamos ficar até podermos chegar ao grupo, não confio em Katrina, não confio nem um pouco, tudo parece bom demais, seguro demais, comida chega duas vezes na semana, carros entram e saem, e já contei pelo menos vinte homens diferentes revezando, além de Katrina, Tom é o único que permanece o tempo todo.
Eu e Gina brigamos sempre que possível, essa parece ser sua maior diversão, estamos mais próximos também, mais íntimos que nunca, ela insiste em se trocar na minha frente, dizer coisas sem pensar e parece que me ver sem resposta é o que a deixa feliz.
Katrina nos procura durante o jantar pede para irmos até sua casa na manhã seguinte e não sei o que significa, mas vamos descobrir.
Chegamos a casa logo cedo, passamos pelo movimentado pátio, as duas crianças corriam enquanto a adolescente parecia tomar conta deles, os homens pareciam estar arrumando dois carros com armas e munição, acho que vão mais uma vez sair, Tom nos guiava para a casa menor, a porta estava destrancada, é bom saber disso, entramos direto numa sala, depois de uns minutos ela desce uma escada, usa calças compridas e botas de salto alto, ela parece cada dia mais excêntrica, nos convida para sentar.
─Os homens vão sair para uma busca, vão agora e voltam no fim do dia, achei que estavam prontos para ir também, estão dispostos? Ela espera por um não, é nossa primeira prova.
─Com toda certeza! Aviso logo, feliz por ter finalmente algo para fazer.
─Certo, Tom vai com vocês, mas os homens estão avisados, se tentarem ser espertos não vão voltar vivos.
Os zumbis nos muros, então era isso, eles deixavam os traidores acorrentados como zumbis.
─Um sinal de traição e acabamos nos muros? Eu pergunto, ela sorri.
─Gosto de como são perspicazes, sim, é um bom jeito de lembrar a todos o que acontece com os traidores.
Nem isso parece intimidar Gina, de qualquer modo não era nossa intenção trair ninguém, ao menos não por enquanto.
Deixamos a casa depois de um sinal dela, Katrina gostava de brincar de rainha, se comportava como tal e eu adoraria conhecer a pessoa que construiu tudo isso, que deu a ela esse poder, sei que não é ela o verdadeiro líder, nem acho que essa pessoa já tenha pisado aqui desde que chegamos, mas de qualquer modo, um dia pretendo descobrir.
Chegamos aos carros, três homens armados estavam entrando em um deles, então vejo a adolescente se aproximar com sua arma em punho, ela segue até o carro dos três homens, não tem nem dezessete anos, como podem deixar ela seguir junto.
─A menina vai junto? Pergunto a Tom.
─Algum problema? Tom me encara.
─Me parece ser apenas uma criança, achei que deviam protege-las, ela está sozinha?
─Aqui isso não importa, todos estão sozinhos, todos fazem o trabalho, ninguém come de graça, mas se é muito importante sim, ela está sozinha, a mãe era a última da família, morreu semana passada.
Me preparo para ficar atento e penso que de modo algum serviríamos para conviver com esse grupo, nossas crianças são prioridade, Daryl mataria qualquer um que tentasse obrigar um dos seus filhos a enfrentar as ruas.
─Meu facão! Gina diz a Tom quando eu recebia armas para seguir para o carro – Não saio lá fora sem ele, não me importo com armas de fogo, mas o facão eu não abro mão.
Tom dirige um olhar apenas ao homem a seu lado e ele se afasta, enquanto isso pegamos algumas armas, os carros levam o que nosso grupo costuma levar, munição, mais armas, combustível e primeiros socorros.
O homem volta com a faca de Gina e só então ela entra no carro, deixamos o porto, a estrada está como de costume, Tom vai ao volante o outro carro nos segue, uma hora de estrada e chegamos a uma cidade, eu já estive aqui mais de uma vez, com nosso grupo, não é o lugar mais seguro do mundo, são prédios e casas, zumbis andam por todos os lados.
Tom para o carro e descemos, não é uma loja de departamentos ou coisa assim, só o que vejo é um edifício de três andares, parece um prédio de apartamentos, não faz sentido algum.
─Que merda viemos fazer aqui? Gina pergunta com aquela mania que tem de ser honesta.
─No começo as pessoas se escondiam em casa, saqueavam, estocavam e se trancavam, tem de tudo nesses apartamentos, vamos andar por andar.
Dou de ombros, por mim tudo bem, olho para a garota, ela segura uma pistola com mãos tremulas, os olhos arregalados de medo, vai criar problemas, entrar em pânico e colocar todos em risco, Gina segue meu olhar depois me encara.
─Liv, venha ficar perto de mim! Ela chama e a garota obedece imediatamente – Quando entrarmos fique em silencio e perto de mim, não tenha medo, te dou cobertura.
Gina é pequena, mas sem dúvida é uma matadora, todas as mulheres do nosso grupo são.
─Você faz as honras! Tom me diz quando chegamos diante da porta, eu sabia que faria isso.
Depois de mim vem Gina e a garota, Liv é seu nome pelo que entendi, só então os corajosos homens de Katrina entram, seguimos por uma escada de mármore amarelada pelo tempo, chegamos a um corredor de madeira que faz um som oco quando pisamos, logo vejo um zumbi se precipitar sobre mim, acerto sua cabeça sem muito esforço, são quatro apartamentos, não escolho muito, se vamos entrar vou logo para o primeiro, troco um olhar com Gina, trabalhamos jintosuma centena de vezes, ela é sempre minha dupla quando saímos.
Chuto a porta que abre com um pequeno estrondo, sei o som vai atiçar os zumbis do prédio e tornar tudo mais difícil, o apartamento está vazio, vasculhamos tudo e nada de zumbis, deixo o lugar enquanto dois homens de Tom ficam recolhendo o que encontram de útil.
Passo para o do lado, outro chute na porta, mais barulho e de novo nada de zumbis, quando saíamos, três zumbis desciam as escadas vindos do andar superior, Gina e eu derrubamos os três enquanto os homens apenas assistem, vamos para o terceiro apartamento, a porta estava sendo arranhada.
─Atenção Gina! Eu digo sabendo que ali vamos ter zumbis e não dá para precisar quantos.
─Liv, fica atrás de mim! Gina acalma a garota que só concorda com um movimento de cabeça.
Abro a porta com um solavanco um zumbi cai para trás com o movimento e Gina acerta seu facão com toda a graça de um lutador de sumô, nunca entendi porque gasta tanta energia cada vez que ataca um zumbi, passamos para dentro, um zumbi de longos cabelos que nesse momento estão sobre seu rosto caminha em nossa direção, dá a impressão de um fantasma desses de filme de terror, Liv grita quando o vê, corre para a primeira porta que vê, abre sem qualquer cuidado, antes que pudesse reagir três zumbis saem de lá, atacam a garota que esperneia tentando se livrar da mordida, corro em sua direção, Gina faz o mesmo, acerto o que tem a boca mais perto dela, Gina a empurra para longe, o zumbi puxa seus cabelos tentando alcançar seu pescoço, a menina ainda gritava Gina se debate e corto a mão do zumbi, livre Gina derruba os dois que saiam, finalmente acabou.
Olho para a garota que agora apenas chorava, os zumbis todos mortos pelo chão do apartamento, Gina aspira o ar com força, solta devagar buscando auto controle.
Nenhum dos homens se moveu para ajudar, nem mesmo para proteger a jovem que estava com eles.
─Vamos, não temos o dia todo! Tom diz sem qualquer preocupação.
Passamos o dia todo limpando o prédio, encontramos mais cinco zumbis apenas, espalhados entre os apartamentos, mais nenhum acidente, mas mesmo assim me dou conta que minha vida e a de Gina só depende de nós, não podemos contar com a proteção desses homens.
No fim do dia voltamos para o posto com os carros lotados se suprimentos, Liv agora vem no nosso carro, aperta a mão de Gina em gratidão, mas não diz uma palavra está visivelmente assustada, tem medo daqueles homens, vou descobrir o porquê.
Vamos direto para o banho, temos água encanada, vem de um poço atrás do prédio, não sei quem montou isso, com certeza um engenheiro.
Só quando ficamos sozinhos no nosso quarto conversamos em abertamente.
─Acha que foi um teste ou vão sempre nos deixar na mão?
─Gina, eu acho que foi um teste, mas também acho que nenhum desses homens se arriscaria de verdade por quem quer que seja, também acho que aqui não é lugar para nosso grupo, não depois de ver que obrigaram uma menina a sair junto e a deixaram para morrer não fosse nós dois.
Ela se senta na cama, encolhe as pernas e me encara, fica pensativa.
─Ainda quer ficar até descobrir como é essa comunidade ou pretende voltar para nossa vila?
─Ainda quero ficar, dessa vez por motivos diferentes, hoje foram em uma cidade que já estivemos, poderíamos nos encontrar, precisamos ter certeza que gente é essa.
─Quando formos eu pensei que...
─Se ela quiser ir.
─Como sabe que quero levar a Liv.
─Conheço você, acho mesmo que ela não dura muito nesse grupo, agora fique com essa sua língua grande dentro da boca, Tom deve estar conversando com Katrina, dando a ela suas impressões sobre nosso comportamento, tudo depende disso.
─Pelo menos agora meu facão pode ficar comigo, isso me basta.
─Vamos dormir, amanhã falamos mais sobre isso e você tente descobrir um pouco sobre Liv, ela estava mesmo apavorada.
─Vou fazer isso, não se preocupe.
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