Fim dos tempos 2

10 Capitulo 10 - Isso não lembra ratos nas cercas?


Notas iniciais
Olá pessoas! Mais um capítulo, espero que gostem, agora a história realmente começa, vamos ter mais Daryl e Katie como gostam, e brigas e romances, mas também vamos desenvolver novos personagens certo?

Pov – Megan

Não é a primeira vez que um motor me tira do sério, às vezes é mais complicado para mim entender como funciona, Glenn e Maggie encontraram esse carro a três dias, quando estavam sozinhos lá fora, Maggie dirigiu até aqui e estou tentando ter certeza que é confiável, mesmo Jimmy não conhece muito esse modelo, acho que foi um dos últimos modelos a ser lançado antes do fim do mundo.

Adoro esse tipo de desafio porque limpa minha mente dos problemas, faz uma semana que tudo aconteceu, desde então Lizzie mal sai de casa, minha mãe parece já ter esquecido meu momento rebelde, Carl já não fala mais de cinco em cinco minutos que fui irresponsável e não confiei dele, brigamos feio na primeira conversa, depois ficamos um dia inteiro sem nos falar e agora estamos bem.

Afasto os cabelos do rosto, acabo manchando a pele com graxa, as palavras de Lizzie sobre eu estar sempre suja e cheirando a graxa e gasolina me vem a mente, sacudo a cabeça, que se dane, Carl não se importa, não tem nada em nossa relação que diga respeito a aparência, nunca teve.

─Megan! Me viro e Mika me olha sorrindo, adoro sua companhia, ela é doce e delicada, sempre nos demos bem, não fosse o fato de ser irmã de Lizzie e proteger tanto aquela maluca, passaríamos mais tempo juntas.

─Tudo bem Mika, precisa de algo? Me afasto do trabalho e sigo até ela.

─Preciso conversar com você, se importa? Sei exatamente suas intensões, está sempre querendo reverter a situação da irmã, buscando que seja compreendida.

Me sento com Mika na porta da oficina, limpo as mãos com um pano úmido, ela sorri.

─Que foi?

─Tem graxa no seu rosto!

─Sempre tem! Respondo desanimada, faço um coque com os cabelos, fica frouxo são muito lisos, depois encaro Mika – Diga.

─É sobre a Lizzie, ela... Acho que pode ter sim esquecido de avisar ao Daryl.

─Mika, sabe como sua irmã é, sabe melhor que eu, sei que não quer acreditar, mas não pode colocar panos quentes, não tente.

─Ela é mesmo confusa sobre os zumbis, o que eles são ou talvez ela tenha criado isso só para não sofrer tanto, mas não é má.

─Sinto muito Mika, gosto muito de você, mas Lizzie não é confusa, ela realmente tem uma opinião formada sobre eles, sua irmã precisaria de um psiquiatra, remédios para aquela mente maluca dela funcionar, mas não existe mais isso.

─Não! Ela me diz cabisbaixa.

─Mas juro que não tenho nada contra você, apenas queria que parasse de encobrir os erros dela, proteger demais sua irmã pode levar alguém a morte, pode mesmo ser você!

─Acho que ela sente um pouco de inveja da sua sorte, mas não trata todos como trata você.

─Inveja Mika, por que teria, estamos todos no mesmo barco!

─Temos o Glenn e a Maggie e eles são bons e cuidadosos com a gente, mas você, puxa você tem pai e mãe, e são os melhores, e tem os irmãos, e muito amor.

─Tive mesmo sorte, mas Maggie e Glenn fariam tudo por vocês!

─Eu sei, além disso você tem o Carl!

─Lizzie não gosto do Carl, apenas quer me tirar ele, não é amor.

─Eu não sei nada sobre isso.

─Nem sobre os ratos na prisão, ou o coelho dissecado, nada das coisas ruins que nos aconteceram por culpa dela.

Mika se cala, os olhos arregalados de medo, entrega no olhar que sabe bem do que estou falando confirma sem uma palavra todos os meus receios.

─Sinto muito! Ela diz – Eu não sei de nada disso, ela não...

─Não vai me convencer, não pode!

Mika concorda com um movimento de cabeça, desiste de tentar, suspira e fica de pé, sorri de modo triste, depois olha em volta.

─Está certo, eu tenho que ir, as crianças já devem ter terminado a aula.

─Por que não está lá?

─Beth me deixou falar com você, tenho que ir.

Fico sozinha com meus pensamentos, é fim de tarde, o trabalho pode ficar para a manhã seguinte, vou para casa.

Minha mãe estava sozinha, Nick e Matt na aula e meu pai em algum lugar da vila, ela sorri quando chego.

─Oi! Me sento a seu lado – Desisti do trabalho por hoje, Mika esteve lá e me desconcentrou.

─Foi pedir para ficar bem com Lizzie?

─Está sempre tentando justificar a irmã! Reclamo – Não entendo isso.

─Eu sim! Minha mãe me diz – Seu pai era assim, Merle era realmente um grande problema, mas seu pai simplesmente não conseguia abrir mão dele, custou para se libertar e acho que com Mika é igual.

─Eu morria de medo dele em Woodbury, do olhar dele, mas nunca imaginei que um dia ele seria meu tio Merle.

Rimos as duas, ela me abraça, depois ficamos em silencio, gosto do silencio, não tanto quanto meu pai ou Matt, mas às vezes ele diz muito mais que palavras, penso em Carl, ele me ama eu o amo, mas ainda não quero deixar esse lugar, gosto das coisas iguais, não lido bem com mudanças, elas sempre me assustam.

─Vou me limpar e esperar o Carl, ele está fazendo a guarda.

─Vai namorar em casa hoje ratinha, eu e seu pai estamos de guarda.

─Certo, fico de olho nos meninos! Matt até que é fácil, já o Nick sempre me tira do sério – Mas se o Nick...

─Ele vai se comportar, prometo! Mamãe sabe que não vai cumprir essa promessa, ele não se comporta e eles não se importam.

Carl chega cedo, Matt e Nick chegam junto com ele, eu preparo ovos mexidos, papai diz que o galinheiro é o lugar mais importante da vila, por ele teríamos um guarda constante ali, só para manter tudo em ordem e seguro, principalmente depois que três galinhas sumiram misteriosamente uma por uma nos últimos três dias.

Como enquanto Carl lê com Matt e Nick, Judy está com ele, nossos pais facilitam muito nossa vida amorosa, estamos sempre cercados de crianças.

─Megan depois que comer posso fazer uma trança em você? Judy me pede – Minha mãe me ensinou, seu cabelo é lindo!

Os três meninos me olham, Nick e Matt acham o comentário idiota é só olhar para eles que percebo isso, mas Carl tem um olhar de quem a compreende, afinal está sempre me dizendo isso.

─Pode, vou lavar meu prato e volto num minuto!

─Posso ir com o papai no muro? Nick me pede.

─Não! Eu respondo, ele bufa mal humorado.

─Eu não sou mais nenhum bebê! Nick resmunga – O que pode dar errado daqui nos muros?

─Não! Repito e ele sobe as escadas batendo o pé – Ele adora se fazer de adulto! Reclamo.

─Chata! Nick grita lá de cima e rimos todos, vai deitar na cama da mamãe e me esperar lá, quando eles ficam a noite toda fora ficamos juntos no quarto deles, não só porque gostamos, mas por que é seguro, se algo der errado estamos juntos.

Logo Judy se cansa dos meus cabelos e segue com Matt para a mesa, começam um jogo de tabuleiro que falta peças e toda vez que o vejo me deprime, me faz lembrar que nada mais é inteiro nesse mundo, nem mesmo nós.

Carl me abraça, conto minha conversa com Mika, falo das minhas desconfianças, ele ouve tudo calado, tem medo de dar opinião e brigarmos, sempre brigamos por conta daquela idiota.

─Amanhã vou com meu pai e o seu dar uma volta pela vila, eles estão muito empenhados em entender o que aconteceu com as galinhas, seu pai vai rastrear pistas e quero ver se aprendo um pouco.

─Ele vive tentando nos ensinar, mas acho que isso é coisa de DNA, já viu como o Matt é bom nisso?

─Já, vai ser útil quando crescer mais.

─Acha que ele tem mesmo uma chance? Pergunto melancólica.

─Que ideia, claro que sim, vamos ficar bem, sei que sim, já estamos bem melhor que em qualquer momento, não nos falta nada e é seguro aqui, afastado, silencioso, nada vai dar errado.

Eu não resisto, explodo em uma gargalhada, Carl me olha sem entender.

─O que?

─Foi um grande esforço eu sei, devo aplaudir, mas não conheço ninguém menos esperançoso que você, nunca acreditou nisso!

─Só estava tentando te agradar! Eu o beijo quando me afasto Matt me olhava.

─É o novo espião do papai?

─Recusei o emprego, mas o papai queria! Ele ri – Vou levar a Judy para casa que ela está com sono.

─Mas gente o que deu em vocês hoje, estão achando que estão de férias no bosque, não vai a lugar nenhum o Carl vai levar ela.

─Você é muito mais chata que a mamãe! Ele diz bravo, acena para Judy e sobe também batendo os pés.

─Virei um tipo de carrasco! Reclamo e depois de beijar Judy e Carl, esse mais longamente assisto os dois saírem pela porta, Carl acena de longe antes de entrar em casa, quando me viro Matt me olhava assustado.

─O Nick sumiu! Ele me diz e quero matar aquele garoto teimoso.

Pov – Nick

Termino meu trabalho na horta, me despeço de Amy e vou encontrar meu pai que analisa o galinheiro muito interessado em algo, me aproximo atento, sem entender o que afinal tem de errado e porque ele parece tão atento as galinhas.

─Ratinho, você é o cara, se tem alguém que sabe de algo esse alguém é você! Me diz quando me aproximo.

─Saber do que papai, juro que não fui eu! Ele me olha tentando ver se me entrego, depois acredita.

─A três dias galinhas vem sumindo, toda manhã falta uma.

─Não sei de nada, detesto vir aqui sabe disso, odeio esse cheiro, só mesmo quando o Jeff me manda buscar os ovos que venho.

─Está certo, me avisa se descobrir alguma coisa! Ele me pede, concordo e seguimos para casa, Matt e Judy brincavam na porta, corriam atrás um do outro e acho mesmo uma brincadeira muito infantil, agora que ando armado não é bom me verem assim correndo feito um bebê, eu e meu pai sentamos para vê-los, depois Beth chama Judy e Matt se senta conosco, meu irmão não sabe que por muito tempo isso que temos hoje era como um sonho, que as coisas ficaram bem ruins quando ele era pequenininho.

─Se divertindo mini ratinho?

─Sim, daqui a pouco vou na aula da Beth.

─Sei! Meu pai bagunça o cabelo dele que nem se importa, tomo o cuidado de me afastar um pouco antes que faça o mesmo comigo, é inútil, ele faz, arrumo o cabelo rápido, eles nunca vão parar com isso?

─Papai como era antes quando as pessoas não morriam? Matt pergunta, eu reviro os olhos, ele está sempre tentando entender nosso mundo, mas confunde tudo.

─As pessoas sempre morreram Matt.

─Mas disse que antes não tinha zumbi? Matt se senta no colo do meu pai muito interessado.

─Antes as pessoas só morriam e pronto.

─Que estranho! Ele diz – E depois, o que acontecia?

─Enterrávamos, assim como agora.

─Eles saíram debaixo da terra depois?

─Graças a Deus não, Michael Jackson bem que tentou! Meu pai diz e Matt o olha com a testa franzida.

─Quem?

─Estou brincando, era só um cantor, ele fez uma música sobre isso, tinha vídeos, já te expliquei o que é isso.

─Será que a Beth conhece essa música?

─Pode apostar nisso! Meu pai garante e Matt se contenta, mais tarde teremos outra sessão perguntas sobre o passado, agora ele pegou essa mania chata de querer saber de tudo, o dia todo é porque, porque, papai é sempre o mais paciente.

Seguimos para dentro, o resto do dia segue como de costume, aulas com a Beth, jantar e depois nada para fazer, Carl e Megan estão namorando na sala, Matt brinca com Judy e eu entediado, queria ir com eles ficar de guarda no muro, Megan não deixa, se acha a mandona do apocalipse, subo irritado, entro no quarto e me atiro na cama, uma droga ter que obedecer a ela, não tem nada demais ir até lá, é seguro e agora tenho minha arma.

Uma ideia passa pela minha cabeça, eu podia sair pela janela, pular pela calha e ela nem iria perceber, pego minha pistola e abro a janela, nem é tão alto assim, passo para o lado de fora, sigo até a calha me equilibrando evitando fazer barulho, chego no chão em silencio, depois olho em volta, tudo calmo.

É só dar a volta no pequeno quarteirão e seguir para os muros, papai e mamãe não vão ficar muito bravos, eu acho, pelo menos não mais do que o normal, e além disso depois da horta o que pode ser pior como castigo?

Levo uma lanterna, mas como a noite está clara não acendo, estava quase virando a esquina quando escuto um barulho no muro, me escondo e vejo um vulto saltando para dentro, tem cabelos compridos, não é um zumbi, ela some pela rua e fico em dúvida se a sigo ou vou ver de onde vem.

Devia era dar um alarme, chamar por alguém, mas e se não for nada, pode ser Lizzie ou Mika, mas onde teria ido?

Quando me aproximo do muro vejo algumas caixas que faziam uma espécie de escada, subo, e olho para o outro lado, mais caixas empilhadas, passo para o outro lado, é bem fácil, definitivamente não é a primeira vez que aquela pessoa passa por ali, caminho uns metros.

Normalmente não é perigoso andar em volta da vila, temos sempre muita proteção e raramente um zumbi chega tão longe, acendo a lanterna, miro o chão em busca de alguma pista, a vila é bem afastada de tudo, não tem casas a nossa volta, nem asfalto, é só um lugar parecido com um bosque, não como as florestas que cercavam a prisão, caminho mais um pouco e então escuto o som costumeiro de zumbi gruindo, aqueles gemidos me arrepiam um pouco.

Decido voltar, dou a volta na árvore para retornar e então tropeço, quando caio a lanterna escapa enquanto cai ilumina de relance o rosto de um zumbi que mastigava uma galinha no chão, me arrasto um pouco, confuso tentando ficar de pé, ele solta a galinha e se arrasta em minha direção.

─Droga! Eu tateio a cintura em busca de minha pistola, enquanto tento me afastar daquela mão nojenta que se esforça em me alcançar, confusa entre se arrastar e me pegar, saco a arma, minhas mãos tremem um pouco, faço mira e disparo!

O disparo é preciso e o zumbi cai no mesmo instante, me ponho de pé, as pernas tremulas, os olhos fixos no corpo a minha frente, tento controlar minha respiração, o disparo com certeza despertou toda vila e estou mais encrencado que nunca, pego minha lanterna e observo o corpo a minha frente, não tem o braço e nem a perna esquerda, a outra perna parece enroscada em uma corda ou algo assim ele está preso a árvore como se fosse um bicho de estimação, tem penas de galinha e carcaças delas a sua volta.

─Nick! Minha mãe grita e eu olho para ela, atrás dela vem meu pai, Glenn e Rick, Megan está com eles, todos param diante de mim e daquela cena chocante.

─Não fui eu! Digo quando todos os olhares recaem sobre as carcaças – Juro que não, eu...

Minha mãe me abraça, tremia muito e não esperava por um abraço nessa hora, mas retribuo grato, só não sei se vou convence-los que não fui eu.

─O que aconteceu aqui Nick? Rick me pergunta, Meu pai e Glenn olham em volta, apontam as lanternas está tudo limpo.

─Ratinho o que aconteceu? Finalmente meu pai se aproxima.

─Fugi de casa para ir ao encontro de vocês! Aviso de cabeça baixa, um pouco arrependido.

─Essa parte eu já contei! Megan me avisa.

─Obrigado irmãzinha! Resmungo, minha mãe me dá aquele olhar de mãe brava que ela deve ter treinado desde a infância – Estava indo, juro que estava, não tinha nenhuma intensão de me meter em confusão, então vi alguém saltando para dentro, me escondi, estava escuro, mas sabia que não era zumbi, a pessoa sumiu no meio da noite e fui até o muro, tinha umas caixas como degraus, subi e passei para o lado de cá.

─Vimos isso também! Minha mãe avisa.

─Andei um pouco, nem sabia o que estava procurando, ouvi gemidos, circundei a árvore para voltar e cai, acho que tropecei nessa corda! Aponto onde o zumbi estava preso, vi o zumbi comendo a galinha, me arrastei para longe ele veio em minha direção e eu atirei, não o prendi aqui, não trouxe a galinha eu juro!

─Sabemos disso! Megan me diz me surpreendendo – Aliás sei bem quem fez isso!

─Megan... – Glenn tenta dizer algo, mas minha irmã está furiosa, puxou a mamãe quando fica brava.

─Isso não lembra ratos nas cercas? Ela grita – A mesma porcaria de antes chega dessa droga, Lizzie não é mais uma criança!

─São quatro carcaças, alguém está mesmo alimentando essa coisa! Meu pai diz olhando em volta.

─Como Lizzie prenderia o zumbi na árvore sozinha? Rick questiona.

─Ele não tem metade dos membros, devia estar se arrastando, além disso a Mika faz tudo que ela manda, pode ter ajudado! Megan grita.

─Só o que sei é que não fui eu e a pessoa que vi tinha os cabelos compridos, acho que pode ser a Lizzie! Aviso meio na dúvida se fiz bem ou não, acusar pessoas sem provas não parece muito legal, mas alimentar zumbis também não.

─Que se dane, vou dar uma lição naquela ordinária! Megan avisa antes de correr de volta para o muro por onde todos vieram.

Todos ficamos um minuto em dúvida do que fazer, vai ser uma confusão daquelas e nem quero ver o que vai acontecer comigo depois, um ano pensando no que fiz sentado na cama, acho que dessa vez nem meu pai me tira de lá.

─Vamos! Papai me puxa e me ponho a caminhar com todos de volta, estão cheios de pressa, Megan foi em direção a casa de Lizzie e vai ser um show.

Notas finais
E então, me digam o que acham o que esperam e sei que devem estar loucos para ver o que Megan vai aprontar, vou tentar postar amanhã. beijos