Fim dos tempos 2

5 Capítulo 5 - Voltando para casa


Notas iniciais
Olá queridos, desculpe a demora, não vai mais acontecer, fiquei doente e atazei tudo, mas estou de volta e volto a postar mais vezes prometo!

Pov – Carl

Não gosto disso, de encontrar essas pessoas, do olhar do nosso grupo, de como encheram os olhos com a ideia de se unir a um grupo mais forte, maior, não confio em ninguém, não depois de tudo que passamos, mesmo no nosso grupo só confio na minha família.

A noite cai de uma vez, agora que não temos mais as luzes artificiais das ruas tudo fica ainda mais assustador, não fosse a lanterna dos nossos carros seria impossível enxergar qualquer coisa.

−Pensativo Carl? Meu pai me pergunta me fazendo desviar os olhos da estrada.

−Detestei a ideia, não devíamos ter nos aproximado, foi um risco! Aviso – Deixamos tudo que importa em casa e se ela e aquelas pessoas tivessem nos prendido, Beth, Judy...

−Megan! Meu pai me corta.

−Não é errado me preocupar com ela.

Ele concorda com um movimento de cabeça e volta sua atenção para a estrada, faço o mesmo.

−O conselho vai decidir o que fazer sobre isso.

−Minha opinião é esquecer o encontro e seguir como sempre foi, é mais seguro.

Ele não responde, não faço questão de prolongar o assunto, me acomodo no carro, Michonne boceja no banco de trás, está entediada, ela gosta de ação e isso não tivemos até agora.

Mais meia hora de estrada, meu pai faz sinal para pararmos, Daryl diminui e para logo a nossa frente.

−Reabastecer! Diz apenas quando descemos todos.

−Certo! Daryl responde abrindo o porta malas do carro, ficamos todos de guarda em volta dos carros.

−Merda! Katie diz atenta – Vamos embora! Ela não esconde a pressa nem a tensão, não sei como faz isso, mas o fato é que tem uma percepção incrível e nunca errou – Vamos de uma vez, é uma horda!

Meu pai termina apressado, tampa o galão enquanto entravamos todos nos carros quando dá a partida uma multidão de mortos saídos da beira da estrada começa a dominar a pista, andam lado a lado, como um pequeno exército organizado, vão tomando metros e metros da estrada ao mesmo tempo.

−Meu Deus! Meu pai diz acelerando logo atrás de Daryl que como ele saia em disparada, fico com os olhos vidrados na estrada, olhando aqueles corpos desesperados por nossa carne.

Alguns ainda chegam a tocar na lataria do carro, na frente Daryl precisa atropelar alguns, quando passamos por cima dos corpos o carro trepida, só consigo pensar em Megan quero voltar para casa e sentir seu perfume mais uma vez.

Uns minutos depois estamos livres, os carros diminuem a velocidade, ficamos mudos por um tempo, se não tivéssemos Katie e seus talentos teríamos perdido alguém agora, com certeza, quem sabe todos.

−A escuridão é perigosa, não podemos ver de onde eles vem.

Michonne comenta e concordamos, todos atentos aos movimentos a nossa volta, rezando para chegar logo, se não tivéssemos parado para conhecer a tal comunidade não estaríamos na estrada uma hora dessas, nem quero pensar em como minha linda está assustado, no medo que todos devem estar sentindo, combinamos de voltar antes da noite cair e ela já vai longe.

Não paramos mais até chegarmos em casa, Glenn e Maggie abrem os portões assim que nossos carros se aproximam, fico aliviado e posso ver que eles também.

Megan está de pé abraçada a Matt, os olhos azuis estão cheios de lágrimas e medo, posso notar ainda dentro do carro, desço e ela corre para meus braços, fico surpreso, é sempre Daryl quem ganha o primeiro abraço, pela primeira vez sou eu quem ela quer abraçar.

−Que medo que senti! Me diz apertada a mim a voz embargada.

−Estamos de volta linda, falei que estaríamos.

−Está bem? Ela se afasta um pouco para me olhar me investiga procurando por um sinal de ferimento, eu não resisto a dar um beijo naqueles lábios rosados que tanto amo, mesmo que isso incomode Daryl.

−Muito bem, todos estamos! Ela sorri e me solta correndo para o pai, ele a abraça, depois a mãe faz o mesmo.

−O que viram, como foi tudo? Glenn pergunta.

−Vamos descansar e amanhã conto tudo! Meu pai responde abraçado a Beth, Judy em seu colo, com as mãozinhas envolvendo seu pescoço num abraço apertado.

Nunca falamos sobre ela, sobre Shane e minha mãe, mas hoje revendo o passado posso entender o que estava acontecendo a minha volta e o amor que meu pai tem por minha irmã me enche de orgulho, ele ama Judith sem questionar o que quer que seja, apenas ama a filha.

−Vamos todos dormir um pouco, é tarde estamos acordando todos! Daryl diz com Matt no colo e Nick a seu lado, Megan caminha para mim.

−Eu entro logo papai! Ela avisa segurando minha mão, ele não esconde o desagrado, arranca risos de Katie e Beth, desvio os olhos e então caminho com Megan para mais longe, nos sentamos perto da horta, ela se recosta em mim.

−Nunca fiquei tão tensa, quando anoiteceu foi horrível, Jimmy nos obrigou a ficar na casa dele e isso me deu mais medo ainda, como se fosse uma sentença.

−Ele é muito protetor, gosto de saber o quanto posso confiar no cuidado dele! Ela me olha com um sorriso doce no rosto, ergue uma sobrancelha.

−Quer que eu cresça, mas às vezes me trata como meu pai! Ela diz e a puxo de volta para meus braços.

−Acho que me pareço mais com ele do que gostaria!

−São dois malucos! Ela ri e beijo Megan, senti muito a falta dela, e tive muito medo também.

−Está bem, ficou tudo bem aqui?

−Sim, mas temos que conversar, é sobre Lizzie! De novo isso, lá vem ela com aquele ciúme.

−O que tem ela?

−Ficou me provocando, disse coisas.

−Que coisas? Pergunto impaciente.

−Esquece, sempre acha que sou louca e que a Lizzie é só uma menina tola querendo se aproximar.

Megan se levanta e segue em direção a casa, reviro os olhos decidindo se vou atrás dela ou se deixo para amanhã, bufo e me levanto.

−Megan! Eu a chamo.

−Boa noite Carl! Ela não me olha, apresso o passo e a alcanço, seguro seu braço com delicadeza e faço com que se vire para mim.

−Espera, quero ouvir o que tem a dizer, não gosto de dormir brigado com você!

−Eu sei que não enxerga, mas Lizzie é dissimulada, ela me provoca de modo sutil, faz insinuações! Megan reclama de braços cruzados, me olha brava e fica tão linda assim.

−Se ela faz mesmo isso fique longe dela, não dê espaço, eu não sei o que realmente posso fazer!

−Nada! Ela diz me empurrando, está muito irritada, parece às vezes que tem mesmo o sangue Dixon, não escondo o riso mesmo sabendo que isso sempre a irrita ainda mais.

−Linda! Uso um tom leve, quem sabe amoleço seu coração – O que quer de mim?

−Que pare de rir e fique longe de Lizzie, ou vai acabar no meio de uma bela confusão!

−Quando me viu indo atrás de lizzie?

−Quando a afastou como devia?

Certo, como Daryl diz elas estão sempre certas, é preciso escolher se aceito isso e sigo em frente ou se brigo horas até que ela me convença que sou um monstro.

−Vou fazer o que me pede, prometo! Ela sorri vitoriosa, que se dane, gosto de vê-la assim, então ela me abraça e nem nos lembramos mais que brigamos – Te amo.

−Também amo você!

−Agora vá descansar, amanhã vamos ter reunião do conselho.

Megan faz bico, eu a beijo mais uma vez, se aceitasse ser minha agora poderíamos estar seguindo para nossa casa e não teríamos que nos separar.

−Boa noite amor! Ela diz carinhosa – Vou correr que meus irmãos devem estar na cama da mamãe já!

−E você está louca para fazer o mesmo.

−Tenho que aproveita − Seguimos os dois de mãos dadas até a porta dela, eu a beijo longamente, podia ficar ali para sempre, mas ela me afasta delicada, sorri depois me beija de novo.

−Até amanhã! Me viro e sigo para casa, Beth servia meu pai e sorri quando entro.

−Com fome? Me estende um prato, eu pego e me sento com todos.

−Que acha de tudo que aconteceu?

−Pai sabe o que acho, por mim esquecemos isso.

−Certo deixa esse assunto para reunião, matou as saudades de Megan?

−Um pouco! Admito, nunca é realmente suficiente, sempre falta alguma coisa.

Beth passa a mão pelos meus cabelos, Judith esfrega os olhos com sono, foi acordada no meio da noite e está cansada, meu pai a pega no colo, avisa que vai leva-la para cama e ficamos eu e Beth.

−O que acha da Lizzie? Eu pergunto, Beth me olha assustada, os olhos arregalados.

−Carl! Ralha comigo e acabo rindo.

−Calma, apenas quero saber se acha que ela provoca a Megan, ou se por um acaso é só ciúme dela.

−É ciúme, mas com fundamento, Lizzie não esconde que se interessa por você, não sei se por você ou por que quer irritar a sua namorada.

−E eu que não tenho nada com isso sofro as consequências.

Reclamo e Beth sorri compreensiva, se senta diante de mim e toma um gole de água.

−Megan puxou um pouco o pai, ela é insegura, tem medo de perder você, sabe como tudo foi difícil para ela, Lizzie de algum jeito se aproveita disso, o que precisa fazer é impor algum limite.

−Farei isso!

−Ótimo, agora pare de se preocupar e vá dormir um pouco que logo amanhece.

Obedeço, me atiro na cama assim que entro no quarto, só então me dou conta do cansaço e no instante seguinte estou dormindo profundamente.

A reunião do conselho começa com meu pai contando aos outros do nosso encontro com Karina, nenhuma explicação vai fazer jus ao estilo imponente daquela mulher.

−Fazer negócio não seria má ideia! Beth diz sentada ao lado do meu pai – É tudo tão precário aqui.

−E arriscar uma nova invasão, depois de tudo que passamos, do quão difícil foi construir esse lugar.

−Carl, talvez seja mais vantajoso, não podemos obrigar essas pessoas a viver aqui se podem quem sabe encontrar uma chance melhor.

Tommy é sozinho, não tem nada a perder, seu julgamento não é válido para mim.

−Para você é mais fácil! Eu digo sem resistir – Não tem nada a perder.

−Está sendo injusto Carl! Katie me acusa – Tommy está conosco a cinco anos, faz parte da família, ele tem sim muito a perder.

−Pode ser, mas se for ter uma votação eu sou contra, quero que tudo fique como está!

−Sou a favor de uma investigação, acho que eu e Tommy podemos seguir até a comunidade deles, ficar um tempo e depois decidir! Gina pede – É uma escolha, quem sabe com o tempo isso seja mais claro.

−Arriscariam? Daryl pergunta, não gosto da ideia, e se de algum modo acabarem sendo forçados a dizer onde estamos.

−Sim, com certeza e acredite – Tommy me encara – Eu morreria antes de dizer nossa localização.

−Certo, nesse caso vamos organizar isso! Meu pai diz decidido, sinto que minha opinião não é o bastante, ainda há muito que fazer para um dia quem sabe eu ganhe a confiança e o respeito desse grupo.

−Mas vou sozinho! Tommy diz decidido.

−Não, eu vou com certeza, de modo algum vai sozinho, isso nem existe!

−Gina, acho mais seguro eu...

−Desista! Ela diz decidida, fico impaciente, cruzo os braços no peito e me encosto na cadeira, olho para Matt que lia sentado num canto despreocupado, me lembro de quando Nick era daquele tamanho e vivíamos na prisão e eu acreditava que tudo podia ficar bem.

−Certo, então Gina vai com você! Daryl decide e me volto para eles – Vão amanhã e terão vinte dias, depois disso se não voltarem vamos atrás.

−Nada feito Daryl, vamos e vamos tentar voltar nesse prazo, caso não dê certo, se não voltarmos vocês seguem a vida! Tommy exige e eu concordo, depois ficam os detalhes técnicos, me distraio mais uma vez e quando enfim a reunião termina me sinto grato.

Deixo a casa de Megan depois de um leve beijo, caminho em direção aos nossos muros, é hora de render Sasha e tomar a guarda, Lizzie se aproxima de mim.

−Como foi nas ruas Carl Ela me pergunta, involuntariamente olho em direção a casa de Megan, ela nota e sorri – Com medo?

−Não, o que quer? Me irrito um pouco.

−Saber como foram as coisas.

−Glenn e Maggie não te contaram?

−Sóporque moro lá não quer dizer que eu saiba de tudo, não somos assim tão ligados.

−Achei que eram como pais! Eu me surpreendo.

−Essa bobagem de papai e mamãe como sua namorada?

−Sim!

−Talvez para Mika, eu não, mas então correu tudo bem, viram muitos zumbis?

−Sim! Respondo caminhando para o muro, ela me segue e reviro os olhos, talvez tenha que ser mais claro com ela.

−Daryl não devia ter feito aquilo com a senhora Smith, matar a velha.

−Ele não matou! Eu paro encarando Lizzie – Ela teve uma morte natural e depois disso ele apenas fez o que era preciso.

−Não acho, podia ter aberto os portões e deixado ela seguir seu caminho, eu faria isso!

−Você deve ter problemas, queria que deixássemos um zumbi a solta, tem um lado escuro dentro de você que não entendo!

−Não! Ela me diz sorridente, posso notar seu cinismo – Pois devia, você também tem essa escuridão, finge que não, vive essa fantasia de reconstruir com o resto do grupo, mas sabemos que não acredita nisso, é tão obscuro quanto eu, não admite por que tem medo de perder sua namorada.

−Não sabe o que está falando, não me conhece e em a Megan, na verdade espero mesmo que fique longe de nós dois!

Ela me dá as costas, caminha lentamente de volta para casa, fico paralisado sem saber bem o que pensar.

−Um dia vai me dar razão! Ela grita antes de sumir da minha visão sigo para minha tarefa pensativo.

Não sei até que ponto está errada, tem algo em mim, algo que não sei explicar, uma leve indiferença, talvez uma frieza que realmente escondo, algo que nem mesmo Megan talvez enxergue, não gosto de pensar nisso, simplesmente não gosto.

Notas finais
Espero que tenham gostado, novos rumos estão surgindo, aos poucos as coisas vão começar a acontecer. beijos