Fim dos tempos 2
6 Capitulo 6 - Estrada
Notas iniciais
Pov – Daryl
−Pensei que seria bom partir logo cedo amanhã! Tommy me diz ainda sentado no sofá da sala – Mas definitivamente levar Gina é um problema, não quero ela comigo.
−Tommy desculpe, mas sou um péssimo conselheiro quanto a isso, jamais consegui controlar a Katie, ela sempre fez o que quis.
−Mas levaria ela com você? Tommy me pergunta.
−A pergunta é ela me deixaria ir? Rimos os dois – Katie e eu somos uma coisa só, não nos separamos, principalmente por um tempo longo como esse.
−Katie é sua mulher, eu e Gina...
−Gosta dela? Katie diz entrando e se sentando do meu lado.
−Lá vem você com isso de novo! Tommy resmunga se ajeitando no sofá – Eu e Gina não somos nada, nem queremos ser, pelo menos eu não quero, vim até aqui sozinho, é assim que quero continuar.
−Conheço esse filme! Katie diz se encostando em mim – Daryl era assim, mas fisguei ele.
−Desiste! Tommy é mais fechado que eu, ninguém pode negar que é um grande guerreiro, mas é péssimo no convívio com pessoas, apenas Katie e Maggie conseguem invadir seu espaço, mas elas são um caso à parte.
−Mamãe! Matt entra correndo, paralisa quando vê Tommy, fica mudo – Eu...
−Que foi filho? Minha pequena pergunta sorrindo da cara tensa que ele faz ao ver Tommy, as crianças contam histórias sobre ele, o temem quase tanto quanto os zumbis, claro que Nick tem muita culpa nisso, é ele quem espalha histórias sobre Tommy, seu objetivo é simplesmente assustar as crianças.
−Vou ficar cm a Judy na Beth! Ele avisa com os olhos grudados em Tommy que fecha a cara e cruza os braços no peito.
−Vá, encontro você em breve! Katie avisa e ele concorda com um movimento de cabeça, depois some para fora tão rápido quanto sua entrada.
−Você não devia ser tão mal assim com eles! Minha pequena reclama com Tommy que ri.
−Essa é minha única diversão, e devia reclamar com seu filho, é ele quem coloca na cabeça deles essas histórias sobre mim.
−Sabemos disso! Eu o lembro – Mas dá corda.
−A última é que eu posso ser um tipo diferente de zumbi, uma nova espécie, que vivo de carne humana, mas um zumbi moderno, super desenvolvido.
−Meu filho é um espanto!
−Ele se diverte com isso tanto quanto eu.
Rimos todos e então Tommy se levanta, sigo com ele em direção a porta.
−Mas na verdade ele inventa tantas histórias que no fim acaba ele mesmo acreditando e tem tanto medo de mim quanto os outros.
Tommy para na porta, Katie do meu lado, apertamos as mãos.
−Fique pronto, eu e Katie vamos acompanhar vocês uma parte do caminho amanhã.
−Daryl eu realmente não quero levar Gina!
−Desculpe amigo, isso é com vocês, se conseguir convencê-la a ficar.
−Seria muito mal se a deixasse para trás Tommy, ela gosta de você.
Katie e essa mania sem fim de unir casais, Tommy acena concordando e depois nos deixa, entramos os dois, estamos sozinhos, ela se senta no meu colo no sofá.
−Nunca desiste de formar casais?
−Amor, você me faz tão feliz, quero que os outros tenham isso!
−Eu sei pequena, mas não funciona com todos! Ela me beija – E minha ratinha, onde está?
−Na oficina, sozinha pelo que sei, precisa ir falar com o Jimmy amor, ele está ficando cada dia mais assustado com essa gravidez da Mary, se sente culpado, morre de medo de algo dar errado.
−Pequena eu também morro de medo, não sei o que posso dizer para ajudar o Jimmy.
−Apenas passe um tempo com ele, deixe que se abra, sabe como você é importante para ele.
−Vou fazer isso! Ela me beija, se recosta em mim e ficamos assim um pouco, silenciosos, a visita a comunidade de Katrina me vem à mente – O que vamos fazer se for seguro, arriscaria ir?
−Não sei, as crianças estão bem aqui, somos donos de nossas escolhas, não sei amor, me dá medo, gosto que fiquem assim, soltos e seguros.
−Eu também! Penso em Megan – E o mini xerife?
−Amor, deixe os dois, eles se entendem.
−Morar com ele pequena, sozinhos os dois, não sei, e se der errado, eu sei que já falamos sobre isso, mas...
−Ela ainda vai ser sua filha, ainda vai te amar, mas vai construir a própria história, Daryl mesmo num mundo como o que tínhamos antes ter alguém para dividir a vida era importante, agora isso faz toda diferença.
−Eu sei, sei o quanto ter você comigo fez diferença, toda diferença, não teria seguido em frente se não tivesse você e depois eles, mas ainda assim tenho medo de ela ser infeliz.
−Ninguém está livre disso! Ela ri e me beija – Calma, ele ainda vem fazer o pedido oficial.
−Detesto pedidos oficiais, detesto mais ainda que não me deixa colocar regras.
−Era mesmo só o que faltava, não se atreva, sabe que ela as obedeceria cegamente.
−Hum! Ela me belisca – Ai, odeio quando faz isso, me irrita tanto!
−Sabe que é essa a intensão! Ela me beija e se levanta – Vou atrás dos meus filhos, te amo.
Katie me deixa só, olho em volta, gosto de ter uma casa e segurança, mas ainda é estranho demais, mesmo tanto tempo depois, e quando estou sozinho isso fica ainda mais evidente, pego minha besta e me sento para inspeciona-la, amanhã vamos sair e quero que ela esteja em ordem, é a terceira besta desde que o apocalipse começou, felizmente ainda me resta uma e a de Katie que ela quase nunca usa, está praticamente nova e vai ficar para Matt, ninguém gosta mais dessa arma do que ele.
−Oi! Nick entra um tempo depois, ergo o olhar, escondo um sorriso, lá vem, conheço meus filhos como a palma da minha mão e esse olhar quer dizer alguma coisa – Ocupado?
−Não! Aponto um lugar ao meu lado com o olhar ele se senta – Tudo bem?
Nick dá de ombros, me observa trabalhar, dou um tempo até que esteja pronto para falar, demora uns minutos, sou paciente, ao menos com eles.
−Sou muito imaturo não é?
−Acha isso?
−Não papai, vocês acham, meu trabalho na horta é prova disso e tem o fato de eu ser o único garoto de doze anos que não está armado.
−É o único garoto de doze anos.
−Engraçado! Ele diz abatido – Carl na minha idade...
−Cuidava da horta na prisão.
−Vamos papai, seja honesto, ele era um cara pronto, sabia se defender.
−Também sabe Nick, conhece todas as armas, já matou um zumbi e confio a vida do seu irmão a você.
Ele faz uma careta, se acomoda no sofá.
−Confia papai? Diz com desdém – E o que quer que eu faça quando um zumbi aparecer, dou um susto nele?
−Quer uma arma é isso?
−Sim, quero.
Ele me pede, acho que no fundo está certo, tem todo direito de se defender. De proteger a família e a si mesmo.
−Vou falar com a mamãe.
−Papai eu tenho a mãe mais brava do mundo, de todos os mundos, ela vai dizer não! Ele me faz rir, mesmo sabendo que para ele aquilo é muito sério – Acho que os maridos é que deviam mandar nas esposas e não ao contrario como aqui em casa.
−Acha isso pequeno Merle! Afago seus cabelos, ele me faz uma careta – Só o que posso prometer é que vou falar com a mamãe.
−Certo, é um começo, papai tem outra coisa.
−Manda ratinho! Eu peço sem muito ânimo, não sou bom com isso, minha pequena é que resolve os conflitos, aconselha e acalma meus ratinhos.
−Amy! Ele diz e a ideia já me apavora – Bom é sobre namorar, quando vou ter idade?
−Não sei, quer namorar com ela? Pergunto e ele sorri.
−Não estou falando de mãos dadas papai, eu já ando de mãos dadas com a Amy desde sempre, não preciso pedir ao Jimmy para fazer isso.
−Primeiro é diferente, se quer namorar a Amy tem sim que falar com o Jimmy, ele é seu melhor amigo não é?
−Depois de você.
−Quer que ele fique triste?
−Nunca!
−Nesse caso fale com ele antes, e me diga, fala com ela sobre isso?
−Um pouco! Ele me conta – Mas nunca fiz nada, sempre me comporto!
−Que acha de falar sobre isso com a mamãe?
Ele concorda com a cabeça depois pega uma flecha, gira nos dedos, sabe usar a besta muito bem, mas prefere armas como facas e machados, Megan assim como a mãe atira facas e Matt é completamente apaixonado pela besta.
−Papai você é bom em defender a gente, de tudo, dos mortos, dos vivos, da mamãe, mas é péssimo nessas coisas de namoro.
−Já sua mãe é ótima! Eu tento anima-lo – vamos, tenho que fazer a guarda do portão você vem comigo, quer andar armado não quer, então tem que trabalhar para isso.
Deixamos a casa e sigo para nossos muros com ele, Entrego uma pistola a Nick assim que nos posicionamos, sei que ele não vai usar, nunca usamos armas aqui porque zumbis nunca se aproximam o bastante, Nick também sabe, mas mesmo assim fica orgulhoso e eu também.
Quando anoitece voltamos para casa, a família está reunida, comemos juntos o que Alice chama de ensopado de coelho, para nós é meleca cozida, mas sempre penso que podia ser pior e engulo de bom humor.
As crianças correm para nossa cama, ficam até dormir, Megan felizmente vai sozinha para a própria cama, eles estão cada dia mais pesados, levo os dois, primeiro Matt depois Nick, só então fico sozinho com minha pequena, ela se aconchega em meus braços.
−Vamos leva-los até uma parte do caminho e voltar, depois pensei em marcar um encontro, não sei, não acho seguro simplesmente esperar que voltem.
−Amor vamos ficar em alerta, mas acho que é mais seguro esperar.
−Ok, de todo modo sabemos onde estarão, se não voltarem pensamos melhor.
Adormecemos como de costume, enroscados um no outro, pela manhã saímos todos juntos, meus ratinhos estão todos de bico, detestam quando saímos.
Nos despedimos com abraços e beijos, Jimmy como de costume me promete cuidar deles, Carl faz o mesmo, Rick faz muitas recomendações a Tommy e Gina, ela finalmente venceu, e mesmo a contra gosto Tommy aceitou leva-la.
−Verifiquei os carros ontem à noite está tudo certo! Megan me diz depois de mais um abraço.
Partimos em dois carros, Tommy e Gina vão no carro que estávamos no encontro com Katrina, a ideia é dizer que deixaram o grupo decididos a se juntar a eles.
Seguimos o carro de Tommy vai na frente, dirigimos por duas horas a estrada está tranquila, paramos os carros no acostamento e descemos, é hora de nos despedirmos, aperto a mão de Tommy enquanto Gina e Katie se abraçam longamente, falam baixo uma no ouvido da outra depois se separam emocionadas, eles entraram para a família logo de cara, e Gina principalmente sempre se deu muito bem com Maggie e Katie. Assim como elas eu e Tommy sempre nos entendemos.
−Boa sorte, sejam cuidadosos.
Assistimos os dois voltarem para o carro e pegarem mais uma vez a estrada, entramos no nosso carro, giro a chave e nada acontece, volto a girar depois de olhar para Katie muito tenso.
−Nada! Vou dar uma olhada, desço e ela faz o mesmo, a arma na mão atenta a tudo enquanto levanto o capô do carro em busca de uma resposta, meus conhecimentos por mecânica não são grande coisa, olho e olho e não vejo nada, ao menos nada que me chame a atenção.
Chuto o carro irritado, estamos sozinhos no meio de lugar nenhum, a duas horas de carro de casa, a pé vai demorar um tempo para chegarmos, olho para Katie, volto para o carro, tento mais uma vez, nada, nenhum sinal de vida.
−Amor! Minha pequena se aproxima – temos que ir, não dá para fazer nada e acho que tem muitos a nossa volta.
−Merda! Desço do carro e caminho até o porta malas, pego a mochila que sempre carregamos, uma muda de roupa, isqueiro, água e curativos, o essencial para uns dias na rua, coloco nas costas e deixo o capô aberto – Vamos! Pegamos a estrada a pé, andamos bem pelo centro.
−Vamos demorar pelo menos umas quatro horas de caminhada para chegar em casa.
−No mínimo! Eu respondo atento a tudo com a besta na mão.
−Tem muitos zumbis, me dá arrepios pensar! Minha pequena dá um passo para mais perto de mim, continuamos nosso caminho.
Meia hora depois zumbis surgem na estrada, cinco deles caminhando em nossa direção, a aparência decrepita de sempre.
−Quer pegar a floresta? Eu pergunto, podíamos seguir pela floresta sem precisar passar por eles.
−Não, lá sinto que está pior, vamos por aqui, ao menos por enquanto, são apenas cinco, eu dou conta com as facas.
−Vá em frente! Digo sorrindo, adoro como ela é boa nisso, como nunca erra.
Nos aproximamos o suficiente e então Katie atira suas facas derrubando um por um em um minuto, fico na retaguarda, ela sorri quando o último cai e seguimos para buscar as facas, então um zumbi surge vindo da floresta.
−Droga! Katie paralisa um segundo, me olha assustada – Vamos sair daqui.
O zumbi que saia da floresta agora está muito perto, acerto a besta, outros começam a surgir, vindos de todos os lados, pela frente, por trás, saindo da floresta, caminhamos apressados e sem alternativa seguimos em direção a floresta, entramos juntos, Katie logo atrás de mim, um zumbi surge.
Eu acerto uma flecha, mas outro salta de trás de uma árvore, Katie o segura empurra para longe e acerta uma faca em sua testa, retira a faca a tempo de me ajudar com outros dois que surgem como que caídos do céu.
Finalmente o ambiente se acalma, vejo apenas um zumbi ao longe, puxo minha pequena pela mão e seguimos pela floresta, o dia está quente a floresta fica cada vez mais abafada, sinto gotas de suor escorrer por minha testa, minha pequena também está atenta e cansada.
−Acho que estamos ficando velhos! Ela diz sorrindo.
−Muito! Eu respondo, caminhamos um tempo em silencio.
−Preciso de água — Ela me diz parando, retiro a mochila das costas – Acho que devíamos voltar para estrada amor, tem zumbis para todos os lados.
−Eu sei, mas ficamos mais visíveis na estrada.
Ela dá uns goles na garrafa de água, devolve na mochila e voltamos a caminhar, Katie para um segundo paro com ela, sei o quanto reconhece a floresta, talvez mais do que eu, faz sinal me apontando o norte, olho e não vejo nada, até que sinto a vegetação se mexer, e uns minutos depois o som de passos arrastados pisando nas folhas secas, seguimos silenciosos na direção oposta.
Acabamos por nos afastar mais do nosso caminho inicial. Sei que vamos ganhar mais uma hora de caminhada, Katie tropeça e quando vejo está caída, se arrasta para trás só então noto um zumbi cortado ao meio, apenas braços e troco, uma de suas mãos agarrava a bota de Katie, ela chuta a cabeça, várias vezes, usa toda sua força e então a cabeça explode num som conhecido de ossos se quebrando a mão que a segurava afrouxa e ela fica de pé.
−Está bem pequena?
−Sim, senti o cheiro, mas não deu tempo de me afastar.
−Vamos, devia ter me deixado acertá-lo com a besta, ficou chutando, achei que poderia acerta-la.
−Não foi grande coisa! Ela diz enquanto seguimos em frente, pegamos mais uma vez a estrada, lá a visão a nossa volta é muito melhor e ficamos mais seguros.
−Minha ratinha vai ficar arrasada!
Minha pequena me olha sem entender, passo minha mão pelo cabelo arrumo a mochila nas costas.
−Porque amor?
−Vai se sentir culpada por conta do carro, o que será que aconteceu?
−Não sei, mas vamos chegar bem e ela vai ficar feliz, não se preocupe.
Andamos sem descanso por mais uma hora, depois paramos mais uma vez, nos sentamos na beira da estrada, bebemos água, temos mais uma hora pela frente, só depois disso vamos chegar em casa.
−Ás vezes quando estamos assim, sozinhos na floresta ou na estrada eu me lembro do começo de tudo isso, dos meus dias sozinha, depois de nós dois nos conhecendo, do galpão, Lori, T-dog, me dá uma saudade estranha.
−Eu sei, mesmo sabendo que somos mais felizes agora, mas acho que entendo.
−É saudade do que achei que aconteceria, saudade da cura que não veio, saudade da esperança.
Olho para Katie, ela tem os olhos marejados, toma mais um gole de água.
−Mesmo assim não trocaria toda essa esperança pelo que temos hoje, nossos ratinhos.
Ela me sorri, os olhos verdes brilham reluzentes, me beija ficando de pé.
−Vamos amor, seus ratinhos o esperam, melhor não demorarmos.
Me levanto também, recolhemos nossas coisas, e seguimos de volta para casa.
−Gosto do oceano de azul sem fim, detesto o mar nebuloso! Ela me diz apertando minha mão, sei que está falando do meu olhar, de como ele denuncia meu estado de espirito, não sei se mais alguém reconhece isso, mas minha pequena é minha melhor parte, sabe de mim mais do que eu.
−Mas ele está aqui, ao menos quando estamos assim, longe deles, e quando eu sei que você corre risco.
−Vamos ficar bem amor, sempre ficamos.
Continuamos nossa caminhada de volta para casa, vamos chegar, sem dúvida vamos chegar, meus filhos estão lá e prometi que voltaria, detesto estar de novo na estrada.
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