Fim dos tempos 2
7 Capitulo 7 - Aventurando-se
Notas iniciais
Pov – Megan
−Jimmy, você não acha que o papai e a mamãe estão demorando muito? Pergunto desparafusando uma peça no carro a minha frente, gosto desses velhos utilitários.
−Não quero pensar, mas sim, acho que já passaram um pouco do limite! Jimmy me diz parando seu trabalho e me encarando.
−Acho que vou falar com o Rick! Aviso me afastando do carro, tropeço em uma chave de fenda no chão, abaixo confusa, nunca uso essa ferramenta – Veio aqui ontem depois que terminei os carros?
−Claro que não, não consigo deixar a Mary sozinha em casa muito tempo, depois que terminamos os carros corri para casa.
−Estranho! Digo em voz alta, mas é só um pensamento, se tem uma coisa que eu aprendi com Jimmy foi deixar tudo arrumado – Depois falamos.
−Ei, o que acha que aconteceu aqui?
−Não sei, talvez uma impressão, acha que alguém viria aqui? Ele dá de ombros sem uma ideia formada.
Deixo Jimmy sozinho e vou para casa de Rick, Carl está sentado na sala distraindo Judith, ele me sorri, sento a seu lado e dou um selinho nele.
−Oi linda, o que faz aqui?
−Onde está seu pai?
−Pai? Carl grita e Rick surge vido da cozinha.
−Já sei Megan, estava agora mesmo me preparando para reunir o grupo, vamos atrás deles, não se preocupe.
Sabia que Rick jamais deixaria minha mãe e meu pai na mão.
−Obrigada Rick! Meus irmãos entram correndo, já sei que pensaram o mesmo que eu, em seguida Michonne chega.
−Mich cadê minha mãe e meu pai? Matt se aproxima dela tenso, logo Beth está segurando sua mão protetora como sempre só consegue que ele tenha uma crise de choro.
−Sem pânico! Rick pede — Vamos atrás deles, eu, Michonne...
−E nós! Glenn avisa entrando com Maggie a seu lado.
Sinto um alivio percorrer meu corpo só então percebo o quanto aperto a mão de Carl, essa é minha família, essas pessoas jamais abandonariam um dos nossos.
Sigo com eles até o portão, dois carros partem, e levo meus irmãos para casa de Jimmy, agora só ele pode acalmar Nick e Matt.
Logo Matt está sentado no colo de Jimmy, Nick grudado nele ao lado de Amy, eu ando de um lado para outro, Carl podia ter ficado comigo, mas como sempre é o primeiro a sair para as ruas.
−Megan a mamãe e o papai são muito fortes, acho que não precisamos ficar assim com tanto medo! Nick diz não sei se querendo me acalmar ou se acredita mesmo nisso.
−É mesmo, meu pai é muito forte e minha mãe é mais ainda! Matt diz encostado em Jimmy.
−Ótimo, nesse caso não vamos nos preocupar, que tal jogar cartas? Jimmy convida, eles me olham, nego com a cabeça, nem pensar que tenho cabeça para isso.
Duas horas depois, cansada de andar de um lado para outro, sigo para fora, nesse momento Jimmy está com eles e sei que estão melhores assim, me sento na varanda de Jimmy, os olhos fixos nas grades do portão.
−Preocupada? Lizzie me assusta, me viro e dou de cara com aquele sorriso suave e assustador que ela sempre me lança – O que foi, papai e mamãe não voltaram?
−Não é dá sua conta! Respondo desviando meus olhos de sua direção.
−Nossa, está mesmo com medo, não devia, todo mundo morre, todo mundo sempre morreu, agora é até melhor...
−Lizzie eu não estou com a menor vontade de dar atenção as suas teorias ridículas!
Então os carros se aproximam e vejo Sasha correr para abrir o portão, saio correndo, ainda escuto a porta de Jimmy se abrir e os passos apressados dos meus irmãos em meu encalço, os carros param, fico tentando enxergar dentro deles, o coração aos saltos, nem imagino o que fazer se não estiverem lá dentro.
A porta se abre e minha mãe é a primeira a descer, logo depois vem meu pai, me sinto relaxar, uma onda de tranquilidade me invade e me sinto bem, como quando era criança e eles chegavam das ruas, corro para eles, Matt ainda chega primeiro, acho que minhas pernas estão bambas demais.
Estamos todos falando ao mesmo tempo, investigando os dois, abraçando e beijando, respondendo perguntas sobre estarmos bem, se comemos.
−O que afinal aconteceu? Pergunto quando caminhávamos para dentro, papai e mamãe se olham – Tommy e Gina...
−Estão bem, ao menos acreditamos nisso, deixamos os dois na estrada, e... Bom ratinha, quando voltamos para o carro ele não funcionou! Meu pai me diz e fico confusa, não fiz nenhum curso, mas acho que todo esse tempo fazendo isso me deu alguma noção das coisas – Não faz essa cara eu sei que não é culpa sua! Meu pai me diz sério, completamente preocupado com minhas reações.
−Só me explica uma coisa, não funcionou mesmo?
−Não querida, virei a chave e nada!
−E como foi papai, matou muitos zumbis! Matt tira a atenção dele que se distrai com meu irmão, a ideia de que o carro não funcionou fica em minha mente, mas não é o momento para questionar isso, o dia está acabando, todos estão cansados e meus irmãos ansiosos, querendo atenção, vamos primeiro para casa de Beth, ela como sempre deixou comida pronta.
Mamãe conta tudo, cada detalhe de como foi lá fora, depois vamos para casa e meus irmãos se deitam com eles, fico esperando todos dormirem.
Matt demora mais para dormir, grudado na mamãe, perguntando e perguntando, quando adormece meu pai o coloca na cama, ficamos apenas nós três.
−Eu sei que está se sentindo culpada, mas não é culpa sua, os carros estão velhos, você nunca fez nenhum curso e...
−Mamãe, eu não errei, sei disso, e não estava sozinha, Jimmy me ajudou na revisão.
−Não pense mais nisso! Papai me diz e reviro os olhos – Estamos em casa, vivos e muito bem.
−Eu sei, onde encontraram vocês?
−Na estrada, procuramos seguir pela estrada por que sabíamos que logo viriam nos encontrar.
−O carro ficou muito longe?
−Como está preocupada com isso! Meu pai me puxa para ele – Deixa de ser boba, estamos bem.
−Entendi isso, mas me diz, estavam muito longe?
−Duas horas ao sul!
Eu me encolho um pouco, não vou ficar muito aqui, quero deixar que namorem um pouco, sei que devem estar loucos para isso, demorei para entender porque mamãe sentia tanta falta da torre e depois quando chegamos aqui, quando nos estabelecemos eles costumavam fechar a porta do quarto até aprendermos que não podíamos entrar sem bater.
−Mamãe, eu vou embora, vou deixar vocês dormirem.
Beijo os dois, e depois de recomendarem não me preocupar deixo o quarto, sigo para cama e mal prego os olhos, não foi uma falha minha, muito menos uma coincidência tola, alguém fez alguma coisa, sabotagem, sei que foi isso, mas como posso ter certeza se o carro ficou na estrada?
Pela manhã sigo para oficina pensativa, alguém sabotou o carro e pode realmente tentar de novo, alguém que quer destruir minha família, ou talvez todos da vila, preciso ter certeza e só tem uma coisa a fazer.
Preciso ir até o carro e verificar o que realmente aconteceu, claro que meu pai e minha mãe nunca me deixariam fazer isso, nem mesmo vão acreditar em mim se não tiver certeza.
Decido ir até lá, posso sair sem ser vista, pegar um dos carros que ficam estacionados do lado de fora, vou até lá e faço uma vistoria, que perigo pode ter, se um zumbi aparecer entro no carro e volto para casa, depois não é como se não soubesse o que fazer tenho minhas facas, atiro quase tão bem quanto a mamãe.
Arrumo meu cinto de facas, pego minha mochila e coloco algumas ferramentas, uma garrafa de água e sigo em direção ao portão, ninguém vai estranhar se sair, entre o portão e a rua temos um mundo de proteção, valas cercas e estacas, é raro um zumbi conseguir chegar até nós, então quando preciso ir até um dos carros ninguém estranha.
Somos um grupo muito preparado, temos dois carros posicionados nas duas saídas, eles estão preparados para uma emergência, tem suprimentos e armas, além de combustível.
Michonne está mais uma vez de guarda, sorrio para ela, finjo uma despreocupação que estou longe de sentir.
−Oi Mich! Ela para diante do portão – Vou no carro lá da frente, quero fazer uma verificação, fiquei preocupada depois que o carro do meu pai falhou.
−Certo, fique atenta! Ela me alerta, apenas afirmo com a cabeça mostrando meu cinto de facas.
Passo pelo portão e sigo em direção ao carro, tudo está tranquilo, me sento no volante, já dirigi algumas vezes, meu pai me ensinou, na teoria aprendi com Jimmy, mas meu pai nos preparou para tudo, me deixou pronta para viver sozinha se um dia fosse preciso, não que confie em mim para qualquer coisa que não seja ficar na oficina segura e longe dos zumbis.
Giro a chave depois de respirar fundo, olho no retrovisor, vai ser uma guerra quando descobrirem, mas preciso fazer isso.
Dou partida e pego a estrada uns minutos depois, meu coração batendo fora do ritmo quase todo tempo, nunca fiquei um minuto sozinha desde que o apocalipse começou, essa é a primeira vez que não tem alguém me protegendo com a própria vida se for o caso.
Depois de duas horas de estrada começo a prestar atenção diminuo a velocidade, procurando pelo carro, não vi mais do que meia dúzia de zumbis pela estrada.
Vejo o carro finalmente, está parado fechado e intacto, nada de zumbis em volta ou próximo, estaciono e pego minhas ferramentas, confiro o cinto de facas, tudo em ordem, desço deixando a porta aberta para o caso de uma fuga.
É absolutamente assustador estar ali sozinha, minhas mãos estão suando um pouco, admiro ainda mais minha mãe ao me lembrar que ela viveu sozinha por um ano até se encontrar com meu pai, não acho que sobreviveria mais que uns dias, não sei viver sozinha.
Carl vai me matar, na verdade ele vai ter que entrar na fila, eu penso quando levanto o capô do carro, dou uma olhada básica, a princípio não tem nada demais, ergo a cabeça e prendo a respiração uns segundos, tentando ouvir a estrada morta, nada, mas não sou minha mãe, não posso ter certeza se estou mesmo sozinha de qualquer modo só me resta prestar atenção no meu trabalho.
Acho que o problema está nas velas, me dobro de novo para dentro do motor, mexo nas velas e imediatamente percebo que estão danificadas, não estavam assim, fiz questão de conferir antes de entregar o carro, é claro que alguém mexeu, não acho que tenha sido obra de alguém que realmente entende de carros, mas foi danificado isso está claro.
Ouço o som mais do que próprio de zumbis, ergo a cabeça e alguns zumbis saiam da floresta a minha volta, os mais próximos, já erguiam os braços em minha direção, solto as ferramentas no chão, reprimo um grito de pavor, pego a primeira faca e atiro, o zumbi tomba, acerto a segunda, mais zumbis se aproximavam vinham de todos os lados, atiro mais duas facas, derrubo mais dois, só resta uma faca, são cindo zumbis e mais alguns saindo da floresta de todos os lados, ao todo pelo menos uma dúzia, acerto a última faca enquanto caminho para meu carro.
Entro fechando a porta um segundo antes de ser alcançada dois tocam os vidros tentando me pegar, quando me dou conta estou cercada.
−Meu deus o que eu faço? Giro a chave e dou partida, o carro acelera e atropelo os zumbis a minha frente, dou marcha ré e então o carro atola sobre alguns corpos, não acredito nisso, estou cercada, não posso descer do carro, não posso dirigir para longe, ninguém sabe onde estou, logo eles vão conseguir arrebentar os vidros, virar o carro se mais deles chegarem então acabou.
Aperto a pistola na mão, olho em volta, são dez zumbis, posso abrir o vidro um pouco e matar um por um conforme forem se aproximando, mas eles podem se juntar forçar o vidro e me pegar antes de eu conseguir me livrar de todos.
Só consigo pensar nas pessoas que amo, na decepção, nos riscos que vão correr atrás de mim, na dor deles quando encontrarem o carro e meus restos, a adrenalina me domina de um jeito que não posso sequer chorar, é um jeito bem estupido de morrer.
Pov – Carl
−Carl! Michonne me grita do portão, parece bem tensa, corro a seu encontro.
−Zumbis? Pergunto tenso já empunhando minha arma.
−Não, Megan, ela foi lá fora, disse que iria verificar os carros, estava demorando e sai para ver o que aconteceu, ela saiu, pegou um carro e saiu, vamos temos que ir atrás dela!
−Está louca Mich, Megan não...
−Vamos logo Carl! Michonne me puxa, Lizzie estava de longe nos olhando, aquele olhar dela cada dia me assusta mais – Lizzie! Mich a chama ela é lenta ao caminhar em minha direção mesmo percebendo nosso desespero.
−Sim?
−Megan saiu, estamos indo atrás dela, avise Daryl e arrume alguém para ficar de vigia!
Corremos para fora, Michonne entra no carro do lado do motorista me sento a seu lado sem saber bem o que pensar, o que pode ter passado na cabeça de Megan, onde ela pode ter ido?
−O que acha que aconteceu, para que lado Carl? Mich me diz quando chegamos na estrada, fico mudo, pensando nas razões de Megan, de repente um lampejo.
−O carro! Grito como se tivesse uma luz – Para o sul, vamos em direção ao carro de Daryl, Megan não aceitou que o carro falhou, foi até lá!
−Claro, é isso! Michonne diz acelerando, ela dirige rápido, minha mente trabalha alucinada, coisas horríveis se formando em minha mente, não pode ser não pode, ela é minha garota, minha e eu a amo, não vou perder Megan, não agora, não por conta de sua estupidez, não acredito que fez uma tolice dessas, não acredito.
Uma hora e meia de estrada, o coração batendo frenético, aperto a arma na mão, tremo, olhando a estrada assustado.
−Droga! Grito – Que estupidez!
−Ela está bem, fique calmo! Michonne tenta me tranquilizar, é impossível, passo a mão pelos cabelos, não pode ser, definitivamente ela não pode ter sido tão infantil, fugir sozinha numa aventura sem noção como essa.
−Ali! Grito vendo o carro cercado de zumbis, Michonne breca e salto do carro no mesmo instante, ela faz o mesmo já com a espada na mão – Ei! Grito e alguns se viram, começo a atirar, que se dane o barulho, quero chegar logo até ela, Michonne devolve a espada nas costas, e pega a arma, me ajuda a atirar, eles vão caindo, quando são só quatro caminho com Michonne, ela corta a cabeça de dois ao mesmo tempo, eu acerto o cabo da arma em um e acerto o outro que cai, piso em sua cabeça e então eu a vejo descendo do carro, minha garota, minha linda e perfeita namorada.
−Carl! Ela corre para mim com o rosto coberto por lágrimas, está tremendo e eu a abraço – Desculpe!
−Vamos sair daqui, logo isso vai ficar um inferno! Michonne avisa e realmente mais zumbis surgiam.
−Minhas coisas! Megan se solta de mim corre de volta para o carro, mas o que afinal deu nela hoje, correr riscos por conta de ferramentas, ela retira as facas das cabeças dos zumbis, eu pego a sua mochila e depois a puxo pela mão, voltamos para o carro, Michonne já está derrubando mais zumbis, me solto de Megan para acertar mais um que se aproxima de nós, depois Megan tem que fazer o mesmo, ela enfia uma faca no olho de um zumbi e então entramos no carro.
Deixamos o local e vejo o olhar assustado de Megan, ela fica em silencio, treme um pouco no banco de trás, queria ir até lá e abraça-la, mas no momento precisamos sair dali, o carro ganha velocidade e nos afastamos dali, olho para Megan, ela tremia muito, os olhos fixos na estrada, os braços em volta do próprio corpo, como um abraço de proteção.
−Atenção se encontramos com Daryl na estrada, ele deve estar a caminho! Aviso Michonne e ela afirma, então Megan cai no choro, claro que sim, a ideia de que o pai e a mãe estão atrás dela a apavora, aposto que Katie vai deixar Megan de castigo por mil anos e dessa vez tenho que concordar que ela bem merece.
−Se virou muito bem! Michonne diz um pouco depois, Megan se controla um pouco, olhamos os dois para ela que estava concentrada na estrada.
−Eu? Megan diz por entre seus soluços.
−Sim, você mesma, acertou alguns, tentou sair sozinha e não fosse o carro atolar sobre os zumbis teria voltado, para uma primeira vez até que se deu bem.
Ela não diz nada, nem eu, até por que realmente acho que Michonne só quer agrada-la e acalmar Megan.
Chegamos de volta sem encontrar com Daryl, acho muito estranho, espero que não tenha escolhido ir para o outro lado.
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