Fim dos tempos 2

45 Capítulo 45 - Ainda em luta


Notas iniciais
Oi gente, mil desculpas pela demora, muito trabalho apenas isso, estou tentando me organizar para não demorar tanto, mas acho que o próximo só na terça, sobre a outra fic, quem acompanha, não posso prometer hoje, mas se der amanhã eu posto, sinto muito mesmo, sei que é chato esperar, mas acreditem é mais chato ainda para mim que adoro escrever e estou super sem tempo.

Pov – Michonne

─Vamos! É só isso que sabe fazer? – Katrina me desafia quando desvia mais uma vez de minha katana, eu meneio a cabeça, ergo a espada mais uma vez, ela é grande e sabe lutar, tem boa defesa, no fundo gosto que seja uma adversária a altura – Sua vaca idiota, acha mesmo que pode me pegar?

Katrina gira e sinto o peso de sua bota no meu rosto antes que pudesse me defender, tonteio, fecho os olhos um segundo enquanto dou dois passos para trás, mas então eu os abro, sinto o sangue quente escorrer por meu rosto, acho que chega de brincar.

Dessa vez uso meu punho pesado para acertar seu rosto enquanto a katana faz um corte profundo em seu braço, ela grita com uma mão sobre o ferimento, se dobra um pouco.

─Não vai me vencer, é uma ordinária que se acha muito esperta por que tem uma merda de uma espada! – Reclama e então um zumbi se aproxima dela, quando está a um passo de morde-la eu corto sua cabeça que voa pelos ares, e cai a alguns metros de nós, Katrina me olha incrédula.

─Detesto perder qualquer coisa para eles! – Explico e então avanço sobre ela, mas Katrina se defende com um facão, me impede de feri-la os metais se chocam e o barulho é tão medieval, esse mundo é agora tão medieval, ela se ergue e quando está de pé é mesmo um gigante, a cabeça raspada, as botas pesadas, a expressão de fúria, tudo nela é assustador, mas não para mim, ela não pode e não vai me vencer.

─Vou adorar cortar umas cabeças com essa sua espada quando acabar com você, talvez a sua seja a primeira! – Me ameaça, mas não me intimida, acerto um chute em seu rosto quando avança sobre mim, caímos as duas com a força do golpe, agora ela sangra tanto quanto eu, adoro ver isso.

─Cadela! – Grita pulando sobre mim, rolamos no chão, ela ainda me acerta uma vez antes que consiga empurra-la para longe e me erguer, pego de novo a arma que havia rolado para longe – Perde muito sua arma, mas não se preocupe, vou ser mais cuidadosa! – Ela diz antes de cuspir um jato de sangue, cambaleia um pouco, balança a cabeça para recobrar os sentidos, estou tão cansada quanto ela, tão esgotada que assim como ela tenho dificuldades em lutar, respiramos um pouco enquanto nos encaramos.

O corte no meu rosto sangra muito, o liquido quente escorre e sinto o gosto na boca, conheço isso, não é a primeira vez, passo o dorso da mão para limpar, então com uma visão mais limpa, seguro minha katana erguendo-a, me concentro no que tenho que fazer, tem zumbis vindo, meus amigos estão lutando de todos os modos e essa pequena batalha já durou demais.

─Cansada? ─ Ela ri apertando o facão que carrega, ela o arruma mais, assim como eu decidida, é um grande momento, não posso errar o alvo, não dessa vez – Para mim também já chega, Carol deve estar precisando de mim.

─Carol está morta! – Digo e vejo seus olhos cintilarem de medo e raiva, ela fecha a cara enquanto ergue a arma avançando sobre mim – E você fala demais! – Digo antes de passar minha katana por seu pescoço num corte perfeito, a cabeça pende para o lado e então o gigante desaba diante de mim se estatelando no chão aos meus pés, exatamente onde sabia que estaria.

Balanço a espada para limpar o sangue, dou as costas a ela, não é tempo de comemorar minha pequena vitória, continuo meu trabalho, não se ouve mais muitos tiros, mas temos zumbis de todos os lados, ninguém luta com menos de dois, e eu saio cortando cabeças e braços sem pensar muito, apenas diminuindo a vantagem daqueles imundos.

As coisas estão difíceis, vejo Glenn e Maggie de costas um para outro lutando enquanto se protegiam, Carl correndo em direção a Rick que puxava Beth para algum lugar, ela parece ferida, fico tensa, Tommy lutava com muitos, com aquele jeito poderoso com que luta, usando todos os membros derrubando zumbis com chutes, cortando cabeças e furando cérebros com sua faca e uma foice curta, mas ele está completamente cercado e parto correndo em sua direção, no caminho noto Daryl e Katie se juntarem ao grupo também lutando, zumbis ainda entravam porque nossos portões estavam destruídos e o som dos tiros e bomba os tinha atraído, tínhamos agora um número maior do que podíamos conter, outros membros do nosso grupo também lutavam, mas passo por alguns corpos conhecidos, pelo menos meia dúzia de moradores tinham sido atacados por zumbis ou mortos a tiros.

Me aproximo de Tommy, ele me vê, acerta mais um zumbi e empurra outro para longe, fura a cabeça do mais próximo e se volta a tempo de acertar o zumbi empurrado a um segundo.

─Não preciso de ajuda! – Grita por sobre o ombro.

─Cala a boca!

Não estou em condições de brigar, só quero tentar acabar logo com aquilo, devo ter pelo menos uma maldita costela quebrada, além das escoriações e o corte no rosto.

─Está ferida, eu dou conta! – Ele fica ainda mais frenético, odeio que tentem me poupar, proteger, nem me dou ao trabalho de responder e apenas me junto a ele na matança.

Pov – Megan

Finalmente a bruxa está morta, teve o que mereceu e é pena que seus seguidores não tenham assistido, meu pai e minha mãe voltaram para a luta, os tiros diminuíram e fica claro que não tem mais bombas, mas acontece que meia dúzia de zumbis viram a rua e se ali era seguro contra sobreviventes armados não podia garantir o mesmo se um grupo de zumbis nos cercassem seria um problema.

─Jimmy temos que tirar todos daqui!

─Eu sei, vamos levar todos para a casa do Jeff! – Olho para o lado, cinco metros e eles estariam mais seguros dentro da casa, podiam subir e ficar no quarto enquanto eu e Jimmy nos juntávamos a luta.

─Nick você e Liv vão ficar lá dentro com todas as crianças e a Mary, eu e o Jimmy vamos nos juntar a luta, acho que os portões devem ter caído, tem muitos zumbis aqui dentro.

─Vamos! – Ele concorda, Mary se ergue com o bebê no colo, Liv ainda segurava Judy que não conseguia parar de chorar.

Enquanto corremos eu e Jimmy derrubamos os zumbis que caminhavam em nossa direção, entramos sem problemas na casa, vou na frente até o andar de cima, o quarto tinha tranca e isso era bom, entramos com todos.

─Venho busca-los quando acabar! – Aviso e caminho para janela.

─Onde vai? – Jimmy me pergunta.

─Vou pelo telhado Jimmy, ver como estão as coisas, minha mãe veio por ele e foi assim que surpreendeu Carol então dá para chegar na frente por aqui, você desce e fica na porta, não deixa juntar muitos, mas quando sua munição acabar se junta a Mary.

─Está certo, cuidado! – Jimmy deixa o quarto espero que tranquem a porta e saio pela janela, não é difícil chegar no telhado, nem atravessar para minha casa e depois olhar nossa rua, todos lutavam, Carl matava zumbis, Rick parecia acomodar Beth em um carro, meu coração dispara, meus pais estão matando zumbis, mas não parece ter mais sobreviventes do grupo de Carol, de qualquer modo zumbis ainda entravam pela frente, os portões estavam destruídos e eles vinham em sucessão, olho todo cenário procurando uma forma de ajudar.

Vejo o caminhão, ele podia fechar a entrada, os zumbis ainda viriam por baixo, mas em menor número e tudo seria muito mais fácil, posso chegar até o caminhão sem tocar o solo, descer pelo muro correr até o caminhão saltar por cima dele, entro pela janela aberta e manobro o caminhão até os portões, no caminho ainda posso atropelar uma meia dúzia desses infelizes.

Assim como minha mãe sou boa com facas e melhor ainda em caminhar por sobre superfícies complicadas, em um minuto já estou nos muros, vejo um grupo de zumbis surgindo ao longe, essa droga vai dar muito trabalho se continuarem entrando assim, nosso grupo vai acabar esgotado, me concentro e corro pelo muro, não é difícil e logo estou na frente do caminhão.

─Megan! – Carl grita tentando se aproximar.

─Vou fechar a entrada com o caminhão.

Um tiro passa por mim e só posso ficar parada, perplexa, foi a um milímetro.

─Vai, te dou cobertura! – Carl grita quando mudava a direção de sua mira e atirava, ainda tínhamos algum inimigo entre nós, mas só quero chegar a cabine do caminhão e salto sem muito esforço, o barulho chama atenção do meu pai que vai ter um ataque cardíaco quando me vir, mas preciso ajudar, me abaixo e um zumbi toca a lataria tentando me alcançar, pego minha faca e enfio em sua cabeça, estou sobre ele e o movimento é fácil e seguro, me abaixo e como o vidro está aberto apenas escorrego para dentro.

Me sento ao volante e quando procurava as chaves na ignição uma mão toca minha perna, grito e olho, mas não era um zumbi, um homem encolhido me apontava a arma.

─É você mesma quem vai me tirar daqui! – Diz com a arma encostada em minha perna – Dirige para fora desse lugar ou estouro seu joelho.

─Calma! – Tento parecer tranquila, ele tremia e sei que está prestes a fazer uma tolice – Vou tirar você daqui, não se preocupe.

Ligo o motor que ronca, passo a marcha ré e olho pelos retrovisores, acelero e o caminhão pega velocidade, não tenho a menor intensão de sair da vila com aquele imbecil, o que quero é fechar a passagem e impedir que mais zumbis entrem e então dar um jeito no infeliz encolhido em meus calcanhares.

Sinto os baques a cada corpo que atropelo, temos um bom espaço para manobrar, mas posso seguir em linha reta de ré e chegar onde quero.

─O que está fazendo? Manobre para sairmos daqui! – ele grita comigo – Vai garota, quer perder uma maldita perna?

─Não sei dirigir isso, vou te ajudar a chegar nos portões e foge correndo!

─Vai é morrer sua infeliz, eu não vou me atirar em meio aos zumbis, vamos sair daqui, aprende a manobrar! – A arma se aperta contra minha perna, estremeço com o frio metal, me lembro de um dia já ter estado assim, de refém, que se dane, não vou sair com ele, não vou arriscar a vida de ninguém e sei que ele vai simplesmente me matar e fugir, se vamos morrer vamos morrer juntos.

─Não sei! – Aviso diminuindo a velocidade, ele se ergue, esquece dos inimigos a sua volta, vem para o banco e encosta a arma na minha cabeça.

─Acho que vai aprender bem rapidinho, manobre e me tire daqui! – Ele diz quando paro o caminhão, não vou me render, não tem nada que ele possa fazer.

─É do meu jeito ou de jeito nenhum! – Aviso ─ Se atirar morremos os dois, se fizer do meu jeito tem ainda uma chance.

─Acha que não faço, acha que não posso matar você? – Ele grita a arma se afsta de mim um segundo e então escuto um barulho de disparo e a cabeça do cara pende com um baque e muito sangue espirrado em mim e em todo painel, olho para frente e Carl está diante do caminhão com a arma erguida, quero descer e me atirar em seus braços, mas apenas empurro o corpo para o lado e continuo a dar ré, o caminhão tampa a passagem de mais zumbis, eles começam a bater no vidro aberto da janela lateral a da frente está arrebentada por conta do tiro, estão frenéticos tentando me alcançar e saco minha pistola, ficar ali os distraia, enquanto tentavam me pegar não pensavam em passar por baixo e começam a se aglomerar, quando um deles começava a conseguir subir eu apenas disparava e quando caia levava mais alguns com eles, posso ficar aqui até que eles resolvam o problema dentro da vila e então pegamos os de fora.

─Não sai daí ratinha! – Ouço a voz do meu pai, não vou sair, ele sabe, mas não desvio meus olhos do vidro do carona, não quero me distrair um segundo, assim como não quero ver o que se passa dentro da vila, tenho medo de reconhecer um dos meus pelo chão. Penso em Beth, mais um zumbi passa por sobre os outros, se enrosca no vidro a cabeça toda para dentro, sem cabelos a pele se soltando, atiro e ele despenca.

Os sons de luta vão diminuindo, não sei bem se estamos vencendo ou sucumbindo, mas é bom que de qualquer modo aquilo logo acabe.

─Maggie atrás de você! – Ouço a voz de Rick, meu coração palpita.

─Abaixa! – Agora é a voz de minha mãe e espero que tenha uma faca ainda.

As coisas continuam tensas até que finalmente a porta do caminhão se abre e Carl me puxa, olho em volta e há muito tempo não vejo tantos corpos espalhados pelo chão.

─Carl! – Eu digo me apertando a ele, nem me importo com todo aquele sangue espalhado em sua roupa.

─Acabou! – Ele diz me acolhendo.

─Meus pais? – Pergunto com medo.

Então ergo meu olhar e os dois caminhavam tão sujos quanto Carl, me afasto dele para abraça-los, mas meu pai me puxa para longe quando um zumbi começa a se arrastar por baixo do caminhão, minha mãe pisa em sua cabeça e é só mais um cérebro explodindo a nossa volta.

─Carl leva ela de volta com as crianças, traz o Nick e a Liv, vamos concentrar os feridos no velho posto! – Meu pai diz sem muito tempo a perder, obedeço porque só quero que todos fiquem bem – te amo ratinha, foi a salvadora da pátria! – Meu pai me diz quando me afasto, ainda não posso sorrir, não sei como as coisas estão, se sobrevivemos, o que sei é que Beth deve estar muito ferida, que minha mãe tem um corte profundo no braço que sangra bastante e que meus irmãos estão seguros.

Quando viramos a rua Jimmy está de pé, a sua volta pelo menos uns dez zumbis caídos, ele parece como todos muito cansado, quando me vê sinto seu alivio.

─Vencemos Jimmy! – Carl diz confiante – Nick, Liv! – Grita antes mesmo de chegarmos a porta, então todos surgem e abraço Matt, meu pequeno sorri despreocupado.

─Nossa família está viva? – Me pergunta e nem sei se posso dizer que sim.

─Vamos ficar bem, o papai e a mamãe estão bem!

─E minha mãe, cadê a mamãe Carl? – Judy pergunta e ele parece não saber o que dizer.

─Agora vão voltar todos para dentro com a Megan e a Mary, logo vai ver a mamãe! – Ele diz a ela que obedece.

─Vou ajudar com os corpos e os feridos! – Jimmy avisa.

─Vamos Liv! – Nick assume o controle – Vai preparando os primeiros socorros eu te ajudo na triagem e vamos ver o que podemos fazer juntos!

O dois correm e queria muito sorrir, Nick sempre deu sinais de que seriam os doentes sua grande preocupação, quando pequeno lia para eles, adorava assistir Hershel costurando e trocando curativos, se tínhamos alguém ferido então lá estava ele cercando a pessoa de atenção, agora apesar de ser um menino era o mais perto de um médico que poderíamos ter.

Carl me beija de leve, me faz um carinho.

─Vou ajudar linda, cuida de tudo aqui, a Beth tomou um tiro, acho que foi no ombro, mas foi tanto sangue que realmente não sei.

─Vem me dar notícias!

Ele concorda e some para a frente da vila enquanto entro fechando a porta atrás de mim, que todos fiquem bem, a guerra ainda não acabou, agora temos que mais uma vez lutar pela vida, e rezar por pequenos milagres.

Notas finais
Me digam o que acharam e mais uma vez desculpem a demora, de qualquer modo é só mais uma semana dessa confusão depois minha vida volta ao normal. Beijos e espero muito que tenham gostado.