Fim dos tempos 2

46 Capítulo 46 - Um novo talento


Notas iniciais
Oi gente, desculpa a demora nas atualizações, prometo que semana que vem tudo volta ao normal, aqui mais um capítulo que esero que gostem.

Pov – Nick

Chegamos ao que que até a morte de Lauren era nosso posto médico, me lembro dela e de Bob, de tudo que aprendi com eles de tanto observar, e o que aprendi antes disso com Hershel, claro que naquele tempo era só um menino pequeno que ficava em volta dele chorando enquanto assistia ele costurar, hora meu pai, hora minha mãe, tinha sempre um dos dois com problemas, quando perdi o dedo não vi nada, nunca olhei para nada, só fazia me esconder no ombro do meu pai ou minha mãe enquanto ele cuidava do ferimento, mas foi isso que me fez ficar curioso e preocupado com doentes e feridos, só eu sei do medo que tive, da dor que senti, desde aqueles dias eu desejo ajudar as pessoas a se protegerem da dor e do medo que dá quando algo assim acontece.

Liv me olha de olhos arregalados, colocou sobre a mesa lateral tudo que temos de remédios e curativos, lavamos as mãos do dois, nem olhei muito do lado de fora, com medo do que veria, ainda tem gente lá fora tentando conter uns poucos zumbis e consertar os portões.

Então Rick entra com Beth no colo, justo Beth, é mais difícil quando se trata de alguém que amo tanto, ele a coloca na cama que nos serve desde sempre como maca, mas que nunca realmente usamos.

─Foi um tiro, no ombro, mas ela apagou um pouco depois, perdeu muito sangue, ainda está perdendo! – Rick está apavorado, Liv corta a blusa com uma tesoura, na verdade o tiro pegou no mesmo lugar que Carl tomou uma vez, clavícula nos olhamos, seus olhos me dizem que não sabe o que fazer, eu sei, já li sobre isso vi o Hershel cuidar do Carl.

─Me ajuda a ver se a bala atravessou! – Peço apressado, eles movem um pouco Beth, não tem perfuração, a bala está ainda nela, é preciso retirá-la – Chama a Maggie, ela vai precisar de sangue! – Digo com meu tom mais urgente ─ Liv pressiona aqui para estancar de vez o ferimento! – Liv começa a pressionar usando as gazes que tínhamos.

─Estou aqui Nick! – Maggie estava numa enorme crise de choro – Ela vai viver não é? Vão ajudar, eu confio nos dois!

─Senta Maggie, vocês tem o mesmo tipo de sangue?

─Sim!

─Nick, sabe como fazer isso? – Rick me pergunta.

─Sei, vamos Liv, cuida da transfusão, eu vou precisar de todos vocês segurando a Beth para retirar a bala, ela pode acordar com a dor e se debater.

Rick que apertava sua mão se posiciona, meu pai e Glenn o ajudam a segura-la.

─Vai ficar tudo bem meu amor, eu sei que vai, não se preocupe! – fazia muito tempo que não via Rick tão desesperado, isso me dá mais medo de errar, mas Liv ainda é muito insegura e mal consegue enfiar as agulhas de tanto que treme, o sangramento diminui e pego uma boa pinça, ela tem um nome, eu devia me lembrar por que li sobre seu uso num dos livros de Bob, mas não é hora para isso, me posiciono e respiro fundo, olho um instante para meu pai, buscando coragem, ele me encara e parece tão orgulhoso que sinto como se pudesse realizar um transplante de coração.

Começo o trabalho, nessas horas é bom ter uma visão boa como a minha, retiro o primeiro pedaço, o maior de todos, Beth se contorce um pouco, mas eles a mantem firme, depois, tem um visível, bem menor, eu o retiro, esse é mais difícil, ela deve ter sentido mais e abre os olhos, vejo seu desespero e mais uma vez só quero que fique bem.

─A Judy está segura! – Não sei se ela está me ouvindo, entendendo, mas sei que se estiver é isso que mais a preocupa – O Rick e o Carl também, suas irmãs, toda nossa família, e você logo fica boa!

Ela me olha mais um instante depois procura com os olhos pela sala, vê Rick e parece ficar tranquila, fecha os olhos de novo e volto para meu trabalho, falta apenas mais um pequeno pedaço, o menor de todos, não está muito longe, mas está impregnado no meio de sua carne.

─Segurem bem firme! – Peço depois de confirmar se tudo ia bem com a transfusão, eles a apertam mais, Maggie ainda chora, Carl está de pé na porta, minha mãe a seu lado, me debruço mais uma vez sobre o corpo de Beth, quando a pinça toca sua carne ela grita e eles precisam fazer muita força para contê-la, não paro até acabar de uma vez com aquilo – Pronto! – Digo aliviado, ainda sangra, talvez tenha sido um pequeno vaso, eu penso em cauterizar, mas não sei se posso fazer isso, então mantenho a pressão no local rezando para o sangue parar, isso dura cinco longos minutos e então finalmente o sangue é contido.

─E agora? – Rick me questiona, Liv está do meu lado, nos olhamos mais uma vez.

─Não temos os antibióticos para o caso de uma infecção, acho que só podemos fechar e torcer.

Ela diz desanimada, me lembro de todo tempo que trabalhei na horta, das plantas medicinais que Bob e Jeff andavam cultivando.

─Não. Podemos tentar as plantas do Bob, cadê o Jeff papai, preciso dele aqui! – Todos se olham e já sei o que significa.

─Jeff morreu filho! – Meu pai me diz abatido, trabalhar com Jeff me aproximou muito dele, mas não é hora de me abater, é hora de salvar Beth.

─Tudo bem, eu sei quais são, vou buscar enquanto a Liv faz a sutura. Consegue Liv?

─Eu estou tremendo muito Nick! – Ela diz e aceito isso, pego as agulhas e a linha, temos um bom estoque disso, quando acabar será para sempre, não tem mais fábricas, fico pensando se não devíamos aprender novos métodos, quando isso acabar vou pensar nisso.

Começo a sutura, faço o melhor que posso, não quero deixar uma marca muito feia em Beth, quando termino deixo Liv de olho na transfusão, não pode demorar mais muito tempo ou Maggie pode passar mal.

─Vou com você ratinho, ainda não está limpo!

─O Tommy está lá fora, ele me acompanha, segura a Beth, ela ainda não pode se mexer, e tem mais gente precisando de ajuda — Digo olhando para minha mãe que segurava um pano sujo de sangue no braço ferido, preciso ser rápido.

Tommy vem prontamente quando aceno da porta.

─Vamos ali na horta comigo?

Ele afirma e saímos caminhando lado a lado, Tommy vai prestando atenção em tudo, Steve está no chão e quando passamos se mexe, mas agora é um zumbi, Tommy se abaixa e enfia uma faca em sua têmpora, chegamos a horta, tem um zumbi de pé, Tommy não é tão gentil dessa vez, era um dos homens de Carol ele o derruba e então vejo as plantas que preciso, não temos certeza alguma, mas é uma esperança.

─Liv está indo bem?

─Muito! Ela vai ser uma boa médica.

─Bom! – Ele diz, estranhamente não sinto mais medo dele, parece que cresci tudo de uma vez em apenas algumas semanas e não sei muito se gosto disso, gostava de ser um menino.

Voltamos apressados, ele me deixa na porta segue para o trabalho junto com os outros e eu entro, depois de lavar bem as folhas coloco sobre o ferimento.

─É uma experiência apenas, Jeff dizia que isso era usado pelos índios, Bob acreditava muito nessas plantas, elas ajudam a cicatrizar e protegem de infecções, desculpe Rick, é só o que posso fazer.

─Fez muito Nick, obrigado!

Liv retira a agulha de Maggie, Beth permanece imóvel, não tem febre, mas está pálida, não tem mais nada a fazer por ela, apenas esperar.

─Fecha o curativo na Beth Liv, vou olhar os outros.

Ela concorda, eu sigo primeiro para minha mãe, ela me beija apertado na bochecha e acaba com minha postura de médico adulto, bagunça meu cabelo e não posso nem arrumar por que minhas mãos estão limpas, reviro os olhos e fico feliz por Amy não estar ali e me ver todo bagunçado.

─Papai, pressiona isso direito um pouco para parar de sangrar, eu já venho dar uns pontos, família remendada, como diria Hershel! – Eles sorriem tristes.

─Ele deve estar louco de orgulho de você agora ratinho! – Meu pai diz emocionado – Eu estou!

Sorrio sem jeito, Michonne está ali também, caminho para ela.

─Nem vem Nick, estou ótima.

─Dá para ver, quem olha nem diz que veio de uma guerra! – Brinco porque ela tem um inchaço no rosto do lado direito e um corte no nariz outro no canto da boca, arranhões pelo corpo – Liv vai limpar para você e fazer um ponto falso no seu nariz, só para garantir.

─Está certo doutor rato!

─Vai me pagar com aulas de Katana!

─Nem pensar, fico devendo!

Rimos, quero só deixar as pessoas mais calmas um pouco, aprendi isso com o Bob, ele sempre dizia que o mais importante era manter as pessoas longe do pânico e dar esperança, isso era metade do trabalho, para os dois casos, ou curava ou no caso de não ter cura levava a uma morte menos sofrida, ele me dizia que saber perder era importante para quem salvava vidas, nunca fez tanto sentido como agora, tem mais meia dúzia de pessoas para serem atendidos e espero poder ajudar.

─Oi Nick! – Teddy sorri, ele era um cara legal e meio recluso, a gente não o via muito na vila, tinha apenas a senhora Riggs que convivia com ele, mas eu a vi caída perto da horta.

─E então Teddy, o que é isso? – Pergunto olhando para seu braço, ele pressionava um ferimento com a mão direita.

─Foi um corte! – Teddy me mostra a abertura, aquilo não foi um corte, foi um arranhão é visível, três dedos desceram arrancando a pele.

─Bom Teddy, foi um corte grande mesmo, vou colocar umas folhas daquelas que eu trouxe, depois de limpar para não infeccionar e vai ficar deitado lá em cima num dos quartos, precisamos ficar de olho se não infecciona.

─Posso fazer isso em casa Nick.

Ele tem medo que descubra que foi um zumbi, sabe o que vai acontecer, não quer uma bala na cabeça e sei que ninguém aqui vai fazer isso, mas o medo cria tantas coisas.

─Na sua casa não podemos acompanhar o ferimento.

Olho para meu pai, ele entende meu olhar, pressionava ainda o ferimento de minha mãe, mas sabe o que aconteceu.

─Mich, leva o Teddy lá para cima, o Nick vai de vez em quando vê-lo! – Ela aceita e Teddy não tem coragem de se negar quando Michonne e sua espada se posicionam a seu lado.

─Já vou lá Teddy, confie! – Ele concorda e sobe, acho que a febre não tardaria.

Mais ninguém grave, só escoriações e depois de limpar todos e dispensar os feridos chego finalmente a minha mãe, Rick e Carl estavam ao lado de Beth, Maggie estava sentada chorando baixinho nos braços de Glenn, minha mãe tinha os olhos marejados, mas se mantinha firme.

─Mães pelo visto não tem nenhuma prioridade não é doutor?

─Não mamãe, isso seria anti ético! – Eu brinco e ela sorri por entre as suas lágrimas – Beth é tão forte mamãe, ela vai ficar bem, queria dizer que tenho certeza disso, mas não tenho, apenas acredito e desejo, faça a mesma coisa.

─Por um acaso não viu meu ratinho que só faz bobagem e vive em encrenca? Ele morava ai nesse corpo, mas agora não tenho certeza.

─Ainda sou eu mamãe, espere e verá uma bobagem já, já!

Termino seu curativo, ela me abraça e depois meu pai, olhamos juntos para Beth, ela parecia dormir apenas.

─Teddy vai morrer, ele sabe e sabe que eu sei, não sei o que fazer!

─Isso é com a gente filho, vamos cuidar para que tudo seja mais fácil para ele. Só não vai sozinho lá, vou ajudar lá fora, sua mãe fica aqui até Beth estar bem e vai com você se precisar subir.

─Vou junto ajudar, Maggie e Katie ficam juntas esperando a Beth acordar – Glenn anuncia se levantando, minha mãe e Maggie se abraçam olhando Beth dormir, Carl e Rick também, então me aproximo de Liv.

─Sabe muito mais do que eu Nick.

─Sou apenas mais curioso e intrometido que você, começou agora, mas cuido da vida dos outros desde muito pequeno, vivia grudado nos doentes na prisão, e aqui também, de tanto perturbar acabei aprendendo, mas só quando tive que fazer o parto da Mary que me dei conta do quanto eu sabia.

─Acha que a Beth vai conseguir?

─Sim, não foi um ferimento profundo, tiramos a bala, contivemos o sangue, fechamos, não tem porque dar errado, ela tomou sangue, vai ficar boa, acho que agora só está mesmo se recuperando.

Uma hora depois subo com minha mãe para o quarto onde Teddy tinha sido acomodado, ele já dava sinais de febre, olho o ferimento, seco sua testa e ofereço água, digo palavras reconfortantes, ele se deita e o deixamos fechando a porta em seguida.

─Ele não vai ter muito tempo mamãe, não queria que estivesse sozinho quando acontecer! ─Digo quando chegamos de volta na sala onde Beth repousava.

─Fico com ele – Jay me diz surgindo na sala – Liv pode ficar comigo, ela o ampara e quando acontecer eu faço!

─Quero fazer isso! – Ela diz, assim como eu sente necessidade de ajudar e os dois sobem, me sento com minha mãe e Maggie.

─Porque ela não acorda Nick?

─O Hershel sempre dizia que o corpo se protegia da dor, isso pode ser só um modo de fazer isso, ou sono e cansaço, ela perdeu sangue, teve picos de estresse, pode ser isso.

─Não vou perder você meu amor, precisa ficar bem! – Rick diz acariciando seu rosto, ele sempre fica firme quando algo dá errado, mas agora nem parece enxergar nada, só vê Beth, nem perguntou como as coisas estão.

Mais meia hora e então Beth se move e depois abre os olhos lentamente, se acostuma com a claridade, olha para Rick, tenta sorrir e acaba com uma careta de dor, não tem analgésicos, só nossa coragem de enfrentar dores e nossa vontade de viver.

─Judith?

─Acordou meu amor, ela está bem, todos estamos, descanse, dói alguma coisa?

─Acho que tudo, Nick? – Me aproximo ─ Obrigada! Eu vi você trabalhando.

─Vai ficar bem, você vai ver, precisa só descansar, o Rick fica com você aqui hoje, amanhã vai ficar lá na sua casa e logo vai estar bem, mas a dor eu sinto muito, não tem nada que posso fazer.

─Posso aguentar!

Então lá estavam minha mãe e Maggie chorando e falando todas ao mesmo tempo deixando a pobre Beth louca mas esquecida da dor, Carl nos deixa para buscar as crianças e Megan, eu continuo ali, vez ou outro olho em direção as escadas, com pena de Teddy, me lembro mais uma vez de Jeff, suspiro e então me sento de novo, num misto de orgulho por ter feito algo e medo de não ter sido o bastante.

─O Carl estava atirando em um cara, não viu que um zumbi vinha por trás dele, me ergui para atirar e então senti o baque, começou a sangrar muito o Rick me tirou do meio do tiroteio, me colocou num carro até ai estava consciente, mas então as coisas pioraram ele me deixou, ouvi ele gritar qualquer coisa para a Maggie, Katie mandando ela abaixar e fiquei tão nervosa, apaguei.

─Era um zumbi nas minhas costas, Rick gritou e uma daquelas facas voadoras da Katie me protegeu.

─Que bom! Preciso dormir um pouco! – Ela fecha os olhos, parece bem, agora é uma questão de tempo, Jay e Liv ainda estão lá em cima, quero subir, mas sei que é bom que fiquem sozinhos um pouco, sei que se gostam e acho que nesses momentos precisamos disso, das pessoas que gostamos por perto.

Megan chega com os outros, Judy corre para a mãe e Amy me abraça, aquilo sim me conforta, mas de um modo diferente, não é mais o abraço da minha melhor amiga, é agora o abraço de uma garota e sinto que logo vou precisar ter uma conversa com o Jimmy, quem sabe meu pai não me acompanha?

Vamos os dois para perto da janela, Amy quer olhar as coisas lá fora, a vila está toda destruída, temos muitos mortos, quase metade do grupo, sinto medo de não podermos mais nos reerguer, esse lugar era como um pedaço do céu para mim, até Carol voltar eu achava que nada podia nos destruir, nem mesmo aquela horda gigante fez tanto estrago quando a visita de Carol. Suspiro e olho para Amy.

─Vai ficar tudo como era ratinho, você vai ver!

Concordo com um movimento de cabeça, quero muito acreditar nisso, preciso, sem essa esperança não sei onde podemos ir.

Notas finais
Comentem quero saber o que estão achando. beijos e obrigada!!!