Fim dos tempos 2

37 Capítulo 37 - Despertar


Notas iniciais
Oi gente! Então vamos as explicações, primeiro perdão pela morte da Lauren! Mas é o apocalipse! Vamos ter vários Povs de pessoas diferentes, contando momentos parecidos, por que quero contar a história em detalhes, se fosse em terceira pessoa seria mais fácil, mas não é então vamos explorar todos os angulos, espero que não se importem. Quem sabe deixam suas opiniões.

Pov – Tommy

─Nunca mais vamos chegar em casa? – Katie diz quando mais uma vez precisamos parar na estrada, carros e destroços no meio da pequena estrada secundária nos impedindo a passagem.

─Calma pequena, vamos chegar, eles estão bem.

Daryl tenta acalma-la, depois de saberem que Carol era a líder ela simplesmente se desesperou, não sei quase nada dessa história, não quero perguntar ainda, mas já entendi que é um problema e dos grandes.

Descemos todos, a cena é deprimente, três carros batidos no meio da estrada, foi um acidente grande e um dos carros pegou fogo, dentro dele tem um corpo carbonizado, mas mesmo assim a boca abre e fecha, um ruído fraco sai de sua garganta.

Michonne enfia a espada em sua cabeça, acho que mais por pena que qualquer outra coisa, ela é sempre forte e concentrada, já saímos juntos algumas vezes, gosto de trabalhar com ela porque é econômica em tudo, na conversa, nos movimentos, ela assim como eu não ficou nesse mundo à toa, lutou para estar aqui.

Vamos como de costume, empurrando os carros, tem peças espalhadas por todos os lados, restos de corpos e manchas de sangue, vai levar meia hora só para desobstruir a estrada.

─Que merda de cheiro horrível! – Eu reclamo quando entro em um dos carros para baixar o freio de mão, Jay me olha e vejo que o rapaz estava desacostumado com as ruas.

Do lado direito da estrada tem um pequeno barranco uns quatro metros em direção ao solo, terra e mato, mas se empurrarmos os carros naquela direção vão fazer muito barulho e empurrar para o outro lado dá ainda mais trabalho, Katie então segue para o meio da rua, a meio quilometro a estrada tinha uma bifurcação, tínhamos que pegar a direita e então seria uma reta só de pelo menos mais uma hora e estaríamos na vila, a esquerda a estrada ficava menor e mais acidentada, ladeada por árvores.

─Falta muito ai? Acho péssima ideia ficarmos aqui, acho que aquela horda gigante que passamos pode estar por perto! – Ela avisa e nos olhamos, seria possível que tivessem pegado a pequena estradinha de terra.

─Vamos logo então! – Rick pede e Jay se posiciona a seu lado para empurrarem um carro, Daryl ajudava Katie com o outro e eu e Michonne nos afastamos mais para baixo com o último carro.

Então os zumbis começam a sair do nada de dentro da floresta, a princípio não notam nenhum de nós, paralisamos, eu e Michonne longe do resto do grupo, nos encaramos todos, então ela puxa a espada, encaro Rick um pouco mais a frente, faço sinal para irem de carro, ele concorda, também com um sinal, eu os vejo se moverem sorrateiros até o carro e então eu e Michonne nos afastamos.

Nossos pés os mais leves possível, teríamos que correr muito se quiséssemos nos livrar e ainda assim seria um problema.

Assim que o motor ronca os zumbis percebem e começa o frenesi, eles todos se movimentam em direção ao carro, Rick acelera sumindo na estrada, em silêncio eu e Mich atravessamos a estrada, descemos o barranco aos tropeços e corremos sem sermos notados.

─Mas que grande merda! – Resmungo — Vamos caminhar umas duas horas para chegar.

─Pela mata chegamos junto com eles, vamos no sentido da igreja, já andei por aqui!

─Acho estranho isso, essa sua mania de andar sozinha.

─Gosto de solidão às vezes, mas você também gosta.

─Sou anti social, já você é diferente, convive bem com todos.

─Me deram uma família quando não tinha mais nada Tommy, nem esperança, me aceitaram de braços abertos.

─Comigo não foi diferente! – Vamos caminhando por entre as árvores, tranquilos e despreocupados, zumbis no caminho não seria um grande problema, não para nós dois.

─Vamos aproveitar que estamos juntos e ver aquela construção ao lado da igreja, quero ter certeza que está mesmo abandonada.

─Fui com Daryl e Katie há dois meses, estava vazia.

─Eu sei, mas se vamos passar na frente não custa garantir, depois do que o Nick aprontou andando por aí, fiquei mais atenta ainda!

─Adoro o garoto não é?

Ela faz careta, pula um tronco de árvore, depois sorri, é uma mulher impressionante.

─Nick é um grande cara de pau, me tortura dia e noite querendo aulas com a espada, mas não leva jeito para ela.

─Eu já te vi expulsando ele da sua casa.

─Não é de verdade, ele sabe!

Chegamos a construção, era uma velha fabrica, mas em algum momento parte dela desabou, as ruinas eram um bom lugar para se esconder, zumbis de vez em quando ficavam presos entre os escombros, além disso era só uma mistura de tijolos e mato.

Entramos por uma abertura na lateral, estamos a meia hora de casa, Michonne podia deixar isso para um outro momento, mas enfim já estávamos mesmo aqui, então era melhor olhar de uma vez, pego uma de minhas facas presas ao sobretudo, ela me olha de lado, sempre achavam o sobretudo um exagero e talvez fosse, mas era prático, escondia bem minhas armas e me protegia de possíveis arranhões.

Escuto um gemido insistente logo que entramos e vamos na direção do som, eu na frente porque ela podia ser durona o quanto quisesse, mas para mim ainda era uma garota.

Depois de uns passos, eu a escuto praguejar, pedras rolam o chão estremece e quando me viro Michonne está presa sob algumas pedras com metade de uma perna afundada e o resto do corpo caído, o braço sangra todo ralado, mas ela mantém a espada firme.

─Estou indo! – Dou meia volta, dois passos e mais pedras rolam sobre ela, paro na mesma hora – Porra! Desculpe, está bem?

─Atrás de você! – Ela diz e um zumbi tentava me alcançar, eu o acerto com a faca, ele tomba e mais pedras rolam se acomodando e afundando mais um pouco Michonne.

Dou a volta com o máximo de cuidado, ela está irritada, não com medo, nem dor, apenas irritada porque Michonne não gosta de precisar das pessoas, começo o trabalho de retirar as pedras enquanto ela segura a espada e protege o ambiente com o olhar.

Num dos movimentos sinto algo frio, atiro a pedra para longe com um arrepio e uma mão se move.

─Sinto muito Mich, mas acho que está sobre um zumbi, então vamos ser pacientes.

─Porra nenhuma, vai logo com isso Tommy! – Ela reclama começando a me ajudar, então a perna fica mais liberada, me afasto um pouco para lhe oferecer a mão e puxa-la de lá.

─Pronta? – pergunto com a mão estendida, ela segura depois de bufar de má vontade, estou gostando de ver Michonne irritada e acabo sorrindo.

─Não acho que seja engraçado! – Ela avisa quando com um movimento firme e com excesso de força eu a puxo de lá, Michonne estava sem força e então se desequilibra, assim como eu que estava mal posicionado e vamos juntos para o chão, ela por baixo e eu sobre ela.

Michonne tem as duas mãos espalmadas no meu peito, os olhos fixos nos meus, os dois imóveis, sinto meu corpo colado ao seu e devia sair dali, não sou esse tipo de cara que se entrega a esse tipo de sensação física, mas acontece que todo meu corpo reage a ela.

─Está bem? – Pergunto sem me mover.

─Se estivesse por cima estaria melhor.

Pisco, as palavras tem duplo sentido e nem imaginava que ela sequer podia brincar com isso – Vamos Tommy saia daí! – Me ordeno mentalmente e mesmo assim ignoro, ela bem que podia me ajudar me empurrando para longe.

Eu abro a boca para dizer alguma coisa, mas fecho em seguida, e então para minha surpresa e a dela eu beijo Michonne, eu que nunca fui desses arroubos beijo Michonne, um beijo urgente, cheio de um desejo que não conhecia, exigente e forte, ela corresponde de modo intenso, me levando para outro lugar.

Nos damos conta da idiotice que estamos fazendo ao mesmo tempo e pulamos um para cada lado, um segundo depois estamos de pé, tento parecer normal, organizar as ideias e a respiração.

─O braço? – Pergunto, comento, nem sei, ele está bem ralado e tem sangue.

─Não é nada, basta lavar – Nos encaramos, que situação absurda, preciso dizer alguma coisa, talvez me desculpar embora não tenha beijado sozinho.

─Não vai acontecer de novo! – É tudo que posso dizer, ela afirma, muda e séria, a coisa mais estranha do mundo, meu coração ainda bate fora do ritmo quando nos colocamos a caminhar, agora completamente em silencio.

Que merda foi essa? Eu não entendo o que fiz, porque fiz, desde quando virei um homem que se complica com mulheres, a culpa é da Gina, eu estava bem na minha vida de abstinência, ela mudou isso, e depois veio Lauren e andava pensando nisso, em como nos entendíamos bem e agora beijo Michonne, eu não ela, eu na hora mais estranha do mundo.

Estava pensando a respeito disso quando Michonne paralisa puxando a espada, será que é uma reação retardada e agora ela vai me cortar a cabeça?

Michonne coloca o indicador na boca me pedindo silencio quando já abria a boca para me desculpar, fico em alerta imediatamente, começo a caminhar com meu facão na mão, noto um burburinho, apresso o passo, estamos perto demais da prisão, não podem ser zumbis, eles costumam ficar presos nas armadilhas antes de começarem a caminhar por essa região.

Eu vejo então Alguém ajoelhado sobre um corpo, parece um zumbi se alimentando, mas então quando forço a visão sei que é Liv e o corpo é Lauren.

─Obrigada por tudo Lauren, sinto muito! – Eu a escuto dizer, ela faz um movimento acertando Lauren, não sei o que aconteceu, nem como, mas algo grave mudou a ordem das coisas.

─Liv! – Eu chamo antes de chegar perto, é quase um lamento, ela demora a me encarar, os olhos estão vermelhos, o rosto marcado, Liv está rasgada, machucada e transtornada, me olha, mas não se move.

─É tarde! – Diz tremula, com a voz esganiçada.

─O que aconteceu? – Michonne está atenta a nossa volta, procurando por inimigos, eu estou apenas preocupado com Liv, me ajoelho a seu lado, quero tocar nela, mas ela me afasta.

─Eu mato quem se aproxima, melhor ficar longe, não vê?

─O que aconteceu aqui? – Sei que não foi ela, mas quem e porque é o que quero saber.

─Tom, Katrina... acharam a gente, eu e Lauren... eles... reféns, Carol, não sei explicar, não entendo de onde vem esse ódio dela, quem ela é.

─Mais alguém? – Pergunto olhando para o corpo de Lauren.

─Não, ela foi embora, mas ele... Tom.

─Foi aquele maldito que fez isso? – Me encho de ódio, algo se transforma dentro de mim, ele vai morrer nem que seja a última coisa que eu faça e vai saber porque eu o matei.

─Ela está amarrada! – Liv diz e com um movimento pego a faca, solto a corda que a prendia.

─Pronto, vou levar você para casa e depois venho buscar Lauren, vamos dar um enterro a ela.

─Não consegui ajudar, ela está morta e não quero mais ser assim, se vou morrer quero que seja com honra, lutando.

─Eu não vou deixar você morrer, então vem, vamos para casa.

Tento levantar Liv, ela se apressa em proteger o corpo e só então percebo as roupas rasgadas, o desgraçado fez de novo, ele não sabe, mas agora eu sei onde encontra-lo e não vai ser um encontro bonito de se ver.

Tiro o sobretudo, cubro Liv e a ajudo a ficar de pé, Michonne me olha e nem imagino o que aquele olhar quer dizer, mas ela me conta.

─Vou com você! – Me diz se aproximando de Liv para ajudá-la a andar.

─Obrigado! – Ainda não me decidi se quero companhia, mas agradeço do mesmo modo.

─Mary estava tendo o bebê, não sei o que aconteceu, Carol deu um prazo, diz que volta em três semanas, vou lutar quando ela voltar, não vou fugir, não vou me esconder, vou lutar, eles mataram Gina e Lauren, vou lutar por elas.

─Todos nós vamos, Carol deve estar cheia de rancor, Rick a expulsou do grupo há muito tempo, nunca pensei sobre isso, se estava certo ou não, somos unidos, e aceitei a decisão dele, mas isso agora não importa, se ela vem vamos estar prontos.

Michonne diz enquanto andamos em direção aos portões, eu podia carregar Liv, mas ela falou sobre honra, lutar e ser corajosa, que comece assim então, ficando de pé e caminhando não importa o tamanho da dor que carregue.

Eu não sabia que ela era tão importante para mim até vê-la destruída ao lado do corpo de Lauren, não sabia que Lauren tinha ganho tanto espaço até vê-la inerte, não sei como lidar com isso, Liv é só uma garota e se tivesse tido alguma sorte seria como Megan, teria olhos brilhantes e um sorriso fácil, mesmo no meio do fim dos tempos, mas ela não teve, e agora está ferida de um jeito que não posso aceitar, não consegui protege-la como deveria, como Daryl e Katie protegeram seus filhos.

Eu a trouxe comigo, prometi a Gina, mas não consegui cumprir minha promessa.

─As pessoas a minha volta sempre morrem.

─Não é você Liv, eu não tenho ninguém, o Tommy não tem ninguém, estamos todos no mesmo barco, todos sabemos como é perder, mas isso não significa afastar os vivos, já fiz muito isso e acredite, não se pode ir muito longe assim, então erga a cabeça, é inocente, todos somos.

─Megan foi tão forte, se vissem como enfrento Carol de cabeça erguida.

─Pelo que entendi era você e não ela com uma arma na cabeça, assim é mais fácil – Tento anima-la mesmo sabendo que Megan era mesmo muito forte e ela era mesmo muito frágil.

─Ela me protegeu, tinham zumbis que eles trouxeram e ela os derrubou.

Vejo uma pequena confusão no portão, é o resto do grupo chegando, se encontram com Glenn e Maggie e todos estão agitados, a guerra ainda nem começou, não precisam ficar assim tão agitados, é melhor poupar as energias para a hora da batalha.

Nem mesmo Daryl que é meu melhor amigo sabe, mas quando se trata de matar eu sou mestre, as teorias de Nick sempre estiveram muito perto da verdade de quem eu sou, ou era, eu tinha feito o monstro dormir, talvez ele tenha que despertar.

Notas finais
O próximo sai acho que só na quinta-feira, se der tempo posto antes. Beijo