Fim dos tempos 2

29 Capítulo 29 - Se adaptando


Notas iniciais
Olá pessoas queridas, nem acredito que estamos de volta, achei que ficaria meio maluca, só agora me dei conta que me viciei em vocês! Aqui está mais um capítulo, espero que gostem, tem mais prontos e vou postar rápido por que ando cheia de saudade.

Pov – Liv

Esse lugar tem me parecido tão perfeito que parece sonho, quando o vi cercado de zumbis achei que não se manteria de pé, mas a primeira coisa que descobri sobre esse lugar é que é feito de pessoas fortes, como o Nick mesmo disse, imortais.

Claro que não confio cem por cento em ninguém, sei bem do que as pessoas são capazes depois que o mundo acabou.

Megan parece ser muito gentil, me deu roupas e foi muito carinhosa comigo, isso não é comum, tem sido aliás uma boa amiga.

Eu termino de prender os cabelos sentada diante de um espelho, coisa que jamais achei que faria de novo, me dá saudade da minha mãe, ela era sempre tão esperançosa, jurava que um lugar como esse existia, com pessoas como essas, mas não teve tempo, ninguém tem mais muito tempo, por isso não quero ficar muito esperançosa.

Sei muito bem que quando menos esperar algo dá errado, um infeliz qualquer mostra as garras e acaba com os sonhos de uma tola adolescente, abro a porta do quarto com cuidado, sempre tenho trancado, Tommy foi bom para mim, tem sido todo tempo, mas não sei o quanto posso confiar nele, me dá medo.

Há três dias estou ajudando a doutora Lauren, ela tem me ensinado muito e é bom ter um proposito, um motivo para seguir em frente, faz muito tempo desde que o mundo entrou em colapso, nos primeiros anos só sobrevivíamos, depois ficou um pouco mais fácil, todo mundo que sobrou sabia como se defender, mas então as pessoas mudaram, deixaram de lado comportamentos básicos que aprendemos desde a infância, educação, respeito aos mais velhos, as crianças em primeiro lugar.

A lei agora é a do mais forte e nem sempre o mais forte é o mais justo, normalmente não é, o egoísmo é comportamento básico e constante.

Chego a sala, está limpa e organizada do jeito que deixei, Tommy não usa nada além do próprio quarto e o banheiro, só entra para dormir, vive achando algo para fazer, acho que é o jeito dele lidar com isso tudo, se ocupar, nunca parar, mal o conheço, mas tenho a impressão que se um dia ele tiver que parar vai enlouquecer.

─Vou sair por um tempo, fazer uma ronda para saber como as coisas estão lá fora – Tommy diz surgindo do nada na sala quando eu passava.

─Tenho que ir junto? – Eu pergunto já preocupada.

─Claro que não, já disse que aqui crianças não vão lá fora, não sem pular o muro as escondidas como aquele grande paspalho do Nick.

─Então eu vou para a casa da doutora Lauren continuar com as minhas aulas.

─Parece que está gostando, a vila anda bem moderna, já temos até faculdade de medicina! – Ele diz e não sei se está brincando ou sendo irônico, nunca fui boa em decifrar pessoas.

─Acha errado? – Eu pergunto com medo de ser proibida.

─Não, não acho nada, pode fazer como bem entender, é dona da sua vida.

─E posso fazer o que quiser?

─Pode! – Ele dá de ombros, não pareço ser importante para ele, mas desde que minha mãe morreu eu não sou importante para ninguém – Desde que não saia lá fora, não mexa nas armas, não fique por aí sozinha à noite, não se meta em confusão por aí e nunca de trela para as aventuras do Nick.

─Eu só estava pensando em cozinhar.

─Ah! – Ele me olha um minuto – Nesse caso pode, mas cuidado com esse fogão, sabe usar um fogão a lenha?

─Eu pensei em pedir para alguém me ensinar.

Ele faz um gesto despreocupado, é como dizer que tudo bem, depois caminha para a porta, usa um sobretudo preto, tem armas presas em todo forro. Os cabelos longos, as armas, a barba por fazer, tudo lembra um vilão de cinema, é um pouco assustador de se ver, mas as vezes parece que é apenas um modo de esconder um bom coração, de qualquer modo eu realmente não conheço as pessoas.

Fico sozinha. Para quem pode fazer o que quiser minha lista de não é bem desproporcional, não posso negar que me dá um certo alivio saber que de algum jeito alguém está tentando cuidar de mim, olho em volta pensando se um dia aquele lugar seria um lar para mim e não apenas um teto seguro, rumo para a casa de Lauren, ela tem sido um amor comigo e é bom ter companhia durante o dia.

─Oi querida, entre! – Ela convida depois de me abrir a porta – Não precisa bater quando chegar, está em casa aqui.

─Obrigada! – Respondo quando passo por ela entrando na sala.

─Acho que hoje vou te dar uns livros para ler, não é muito, eu os tenho guardado há dois anos, mas vai ser bom para você se familiarizar, criar dúvidas, não vai entender muito a princípio, mas depois melhora, anote as dúvidas e depois me pergunta combinado?

─Claro, posso ficar aqui na sala? – Pergunto pegando o livro.

─Sem problemas, é que a Katie pediu para deixarmos ela fazer uma pequena reunião feminina aqui, elas estão vindo para cá, então por isso cancelamos as aulas e mais uma coisa Liv, quando alguém se ferir, quando eu tiver um paciente seja dia ou noite quero que fique por perto para aprender, esse é o melhor jeito de exercitar.

─Tudo bem doutora.

─Já disse para me chamar de Lauren! – Ela sorri e então a porta se abre, Maggie, Beth e Katie entram juntas.

─Bom dia! ─ Dizem todas ao mesmo tempo – Caramba esquecemos de bater, desculpe Lauren, não conservamos esse costume e nos esquecemos que nem todos são assim – Katie é muito alegre, todas elas são. Elas não têm aquela amargura comum a todos nós, são felizes e isso me parece muito estranho, há anos não via gente feliz.

─Tudo bem, sentem, fiquem a vontade, Liv pode ficar aqui? Ela vai só ler...

─Claro que pode! – Maggie diz sorrindo – É que estamos preparando o casamento da Megan e do Carl e não pode ser na casa de nenhuma de nós, em todos os lugares temos olheiros que vão acabar espalhando nossos planos por ai, ou colocando mil defeitos.

─É, Megan disse que podemos organizar tudo e todas estamos sonhando com esse dia há muito tempo, não vamos deixar aqueles maridos e filhos estragarem nada! – Beth garante.

─Minha ratinha vai casar, nossa nem acredito, estou tão feliz!

Elas se sentam, me sorriem, acenam e depois me ignoram, eu realmente queria ficar concentrada no livro, mas elas ficam conversando e acho a conversa tão sul real em se tratando de um apocalipse que não consigo deixar de prestar atenção nelas.

─Lauren senta com a gente, quem sabe tem ideias boas para nos ajudar! – Beth convida e Lauren obedece com um sorriso suave, no fundo ela parece tão espantada quanto eu.

─Vamos lá, Maggie você escreve! – Katie entrega a ela papel e caneta.

─Tudo bem, mas a Beth tem mais cara de secretária, ela é muito mais organizada! – Maggie diz e então Beth toma o papel e a caneta de sua mão.

─Me dá isso aqui que vão confundir tudo, conheço minhas irmãs! – Beth sorri e abre o caderno – Primeiro ponto, se vamos ter uma cerimônia precisamos de alguém para realizar a mesma, agora me digam quem?

As três ficam silenciosas, baixam a cabeça um instante, dá para ver que a alegria some, estão do nada chorando, apertam as mãos, uma consolando a outra.

─O papai que devia estar aqui para realizar isso, eu sei! – Maggie diz, elas respiram, secam as lágrimas.

─Sim, Hershel tinha que estar, mas não está e temos que arrumar alguém que o represente – Katie diz quando todas parecem se recuperar – Pensei no Glenn, o que acham?

─Que ele vai dizer não! – Maggie comunica.

─Mas e se dissermos que é um modo de homenagear o Hershel, acho que o Glenn era o mais próximo dele, era como seu filho mais protegido! – Katie diz e fico com um pouco de vontade de conhecer o homem que parece ter conseguido reunir tantas pessoas que o amavam.

─Talvez assim ele aceite, não seria uma mentira, ele tem mesmo esse sentimento e acho que nós também, além disso, é só para dizer umas palavras e o Rick é o pai do noivo, não é boa ideia, o Daryl seria péssimo no papel, ia aproveitar para ameaçar o noivo! – Beth diz rindo – O Tommy é um ogro!

─Certo, falo com ele, podemos escrever umas palavras para ele dizer – Todas concordam – Mas vou esperar para dizer um dia antes, assim ele fica sem opção.

─Bem pensado! – Katie comenta, elas são divertidas – Um vestido, queria tanto ver minha filha num vestido de noiva, acha que podemos fazer um?

─A senhora Smith seria perfeita para isso! – Beth lamenta.

─Mas não podemos mais contar com ela, aliás vamos deixar os mortos fora do casamento! – Maggie diz impaciente – Na minha casa tem um baú com umas roupas antigas, deve ter algo lá, podemos reformar, Beth é a mais prendada, vai comigo e fica responsável por tudo.

─Não uso um vestido desde que estava gravida do Matt, Daryl ficava tão animado, bons tempos, ainda hoje sinto saudades da Torre – Ela suspira e as outras duas riem – Mas em fim, você cuida disso Beth?

─Claro, vou adorar fazer isso – Beth fica anotando tudo e eu não consigo parar de prestar atenção nelas, é incrível, nem parece que o mundo acabou por aqui – Onde vai ser?

─Na rua, todo mundo empresta as cadeiras, as mesas e fazemos tudo lá fora, além disso, podemos pedir ao Jeff para conseguir umas flores para enfeitar.

─Katie eu acho que isso vai ser um problema, flores não são nosso forte! – Beth diz com alguma tristeza.

─Isso é verdade, mas para um buque alguém vai ter que conseguir, acho que posso dar uma andada com o Daryl pela floresta, conseguir umas flores, depois fazemos um arranjo.

─E comida, Música, Bebida? – Maggie pergunta e dessa vez eu nem disfarço, quero saber sobre isso.

─Meninas acho que estamos indo longe demais ─ Beth avisa – bebidas podemos resolver, tem umas garrafas de vinho lá em casa, quando a gente chegou, se lembram que tinha uma adega numa das casas e por causa do Bob o Rick guardou tudo, deve ter umas dez garrafas, mas não sei se ainda estão bons.

─Não tem nada bom nessa vida, mas é só para um brinde.

─E comida?

─Aí acho que não tem muito o que fazer!

─Gente tudo isso é bobagem, o que importa é a cerimonia, isso sim é que é importante, depois fazemos um brinde e está perfeito, só quero mesmo dar a eles esse momento, e ao Daryl também.

─Esse seu marido é tão antiquado!

─Maggie ele leva muito a sério essa coisa de família, sabe disso, e a Megan é a ratinha do papai, já está sendo difícil para ele saber que a filha vai morar a meia quadra dele.

─O Daryl é ridículo! – Maggie ri – E a casa está em ordem?

─Vou lá com a Megan olhar tudo, e viram que lindo que ele deu o anel que o Daryl me deu quando me pediu, fiquei tão emocionada, ela também toda vez que olho para ela Megan está olhando aquele dedo.

─O Daryl que te pediu?

─Sim, foi lindo, depois da Megan contar para ele a primeira coisa que ele fez foi me pedir, disse que o mini xerife não sabia fazer nada direito!

─E você Lauren, está só nos ouvindo o que acha?

─Acho que são malucas, que essa vila é absurdamente diferente de tudo que já vivi depois do apocalipse, e fico feliz de estar aqui, contem comigo para o que for preciso, e com a Liv, não é Liv?

─Sim, claro, vou adorar ajudar vocês, eu gostei muito da Megan e do Carl também, eles tem sido ótimos comigo.

─Obrigada, e o Tommy, aquele carrancudo, está cuidando bem de você? – Katie pergunta e fico muda um segundo – Não ligue para aquela cara de mal, ele tem um coração de ouro e está tentando superar a perda de Gina.

─Ele é bom sim, na verdade eu quase não o vejo, só entra para dormir, resmunga um boa noite e some, mas eu entendo, sou meio que uma intrusa e só posso ficar grata por ele me receber.

─Nada disso, Tommy precisa de alguém para cuidar dele, quem fazia isso era a Gina, ela o enfrentava e obrigava ele a fazer as coisas do jeito dela.

─Estou bem e não acho que possa fazer como a Gina, mas ele tem sido meu protetor desde que o conheci.

─Quantos anos tem? – Beth me pergunta.

─Fiz dezesseis a pouco tempo.

─Um bebê! – Maggie diz segurando minha mão ─ E linda, vai se entender bem com a gente, agora temos que ir, nada de contar o que combinamos aqui, até lá tenho certeza que vamos ter ótimas ideias.

Elas deixam a casa do mesmo jeito que chegaram, como um furacão, Lauren me olha sorrindo.

─Tommy é bom mesmo Liv? – Me questiona – Sabe que pode contar comigo e ser honesta, ele é bem estranho, meio grosseiro até.

─Não é – Eu defendo Tommy – É um homem bom, cuidou de mim, depois que soube o que me aconteceu cuidou mesmo, não me deixou para trás por mais difícil que tenha sido me salvar, sou um peso morto Lauren, as coisas não foram fáceis, mesmo assim me trouxe até aqui e me deu um teto, perdeu alguém muito especial, não conheceu Gina, mas ela se parecia muito com essas três e ele deve estar sofrendo muito, ainda que não demonstre.

─Está bem! – Lauren sorri – Volte para seu livro, depois falamos mais.

Passo o dia com Lauren, no fim da tarde volto para casa, desde que cheguei todos os dias alguém leva comida para mim e Tommy, Beth, Maggie ou uma das crianças, mas todos tem comida, é tudo dividido e quero preparar eu mesma a comida, incomodar o menos possível procuro Beth que me orienta como fazer e faço o jantar, ensopado de coelho e legumes, fica saboroso, o fogão é fácil de usar e rápido também, fico esperando Tommy.

─Isso é cheiro de comida? – Tommy me pergunta assim que entra, concordo com um movimento de cabeça – E foi você que fez?

─Foi, estava esperando você, disse que podia fazer o que quisesse então convidei a Lauren.

─Você espera sua amiga doutora, eu vou comer – Ele dá uns passos para a cozinha quando ouvimos uma leve batida na porta.

─É ela! – Digo feliz, assim ele não tem escolha senão espera-la, Tommy revira os olhos de má vontade, eles definitivamente não se dão, abro apressada, ela me sorri gentil – Entre Lauren, estávamos te esperando – É uma grande mentira e não olho para Tommy por que sei que está me recriminando, mas Lauren olha e depois me sorri.

─Ao menos você estava! – Ela me diz enquanto fecho a porta.

─Vamos, eu dirigi mais de uma hora, estamos bem de novo, poucos zumbis, nenhuma horda na região e achei um bom lugar para prepararmos, acho até mais seguro que o galpão – Eu coloco um prato diante dele na mesa, percebo que ele ignora Lauren, ela parece fazer o mesmo, sirvo os dois, agora um pouco arrependida de tentar aproxima-los – Isso está com uma cara ótima.

─Obrigada! – Fico tímida, me sento com um prato diante de mim e penso que seria bom se pudéssemos ser amigos os três, Lauren parece tão sozinha quanto eu, Tommy também, embora no caso dele acho que seja por opção – Tommy, se Katrina nos encontrar, quer dizer se descobrirem esse lugar, não podemos vencer, podemos?

─Não sei, o que vimos foi muito entra e sai, contei pelo menos uns cinquenta homens diferentes, mas não acho que podemos ser encontrados.

─Eles têm batedores que vivem disso, de procurar pessoas.

─Vamos ter que torcer então, o líder de Katrina não deve ter ficado muito feliz quando descobriu nossa partida, eles devem estar mais interessados em se proteger de um possível ataque nosso.

Tommy vai falando enquanto come, eu o olho um momento, Katie pareceu gostar muito dele, mas a doutora parece não confiar nada nele, fico em dúvida qual opinião é mais acertada.

─É uma mulher.

─Quem. Do que está falando? ─ Tommy questiona interessado.

─O grupo de Katrina, é uma mulher quem manda em tudo, pelo menos eu acho.

Tommy, me olha um instante, empurra o prato vazia para longe, se encosta na cadeira e fixa os olhos em mim, Lauren continua em silencio, comendo suavemente acho que apenas para destoar da pressa de Tommy.

─De onde tirou isso?

─É só uma suposição, eu... quando aquele... Tom, ele tinha muito medo que Katrina descobrisse o que ele fazia comigo, me ameaçava dizendo que se o chefe descobrisse iria mata-lo, mas antes ele me matava, pensei que apenas uma mulher faria isso.

─Eu também faria, todos os homens daqui da vila fariam.

─Mas são pessoas boas, não roubam, saqueiam, matam, é natural que não concordem com... com isso – É difícil falar sobre algo tão constrangedor assim com ele, me sinto envergonhada e evito o tempo todo olhar para ele – Aquelas pessoas não tem nenhum sentimento por seres humanos, porque o líder se importaria? A menos que fosse uma mulher, então algo assim teria um peso diferente, uma mulher não aceitaria que seus homens fizessem isso, além disso Katrina tem muito poder, um homem não daria tanto poder a ela, confiaria em outro homem.

─Se é uma mulher então está bem furiosa, alguém mexeu com ela, provocou, não deve ser alguém que se quer como inimigo – Lauren se pronuncia e dessa vez Tommy a encara.

─Porque acha isso?

─Homens fazem esse tipo de coisa por poder, posição, psicopatia, falta de caráter, coisas assim, mas mulheres, bom quando uma mulher vai tão longe, fica tão fria e implacável então ela quer vingança, no caso dela isso é raiva, de uma ou mais pessoas, está descontando no que sobrou da humanidade, mas seu ódio é direcionado.

─E acha isso bom ou ruim doutora? – Tommy pergunta.

─Se nos encontrar acho péssimo, deve estar cega.

─Mas não vai, tem que proteger seu grupo, a comunidade que deve ser distante do lugar onde ficamos e mais protegida, lá sim eles devem ter se preocupado.

─Não acho que é longe Tommy! – Eu aviso, observei muitas coisas no tempo que fiquei lá.

─O que sabe sobre isso menina? – Tommy se arruma na cadeira agora com toda sua atenção voltada para mim.

─São só suposições, quando fomos encontrados, sabe que não estava sozinha não é?

─Sei.

─Achei que sabia. Na verdade entre os nossos tinha um cara, ele entendia muito de rastrear e tínhamos visto um carro, uma caminhonete com suprimentos passar no meio da noite levando suprimentos para algum lugar, antes de amanhecer, mais ou menos umas duas horas depois a mesma caminhonete passou, mas agora vazia, ele achou que tinha um grupo por perto, no dia seguinte Tom nos achou e disse que tinha um lugar que seriamos bem vindos, aceitamos e fomos com ele, mas pegou o sentido contrário na hora o Jim, o cara que rastreava, perguntou sobre a caminhonete e o sentido oposto, Tom desconversou, mas o Jim não amanheceu o dia seguinte e depois dele foi um por um até só restar eu.

─E porque não mataram você? – Lauren me questiona e desvio o olhar, Tommy sabe porque olha feio para ela advertindo que o assunto não é apropriado, ela percebe e se cala.

─Saberia achar esse lugar no mapa, o lugar em que foram encontrados, para que lado foram levados e que caminho tomou a caminhonete?

─Não estudei muito, mas qualquer idiota pode se localizar num mapa, eu acho.

─Diz isso para Katie e perde uma possível amiga! – Ele diz se levantando – Vou falar sobre isso com o conselho, quem sabe depois dessa droga de casamento posso dar umas voltas por lá, tentar achar essa comunidade, Daryl é bom nisso, pode ir comigo.

─E eu vou precisar ir? – Não queria ser tão covarde, mas sou.

─Você só vai precisar usar o dedinho para apontar a direção. Boa noite.

Tommy deixa a cozinha e some rápido, Lauren me olha sorrindo.

─Talvez eu esteja errada sobre esse grosseirão, mas o tempo dirá, melhor eu ir, descanse Liv, nos vemos amanhã, Boa noite.

Eu a levo até a porta e fico me perguntando se falei demais, se nos coloquei em perigo, se coloquei Tommy em perigo, mas fiz o que achei certo, dei finalmente todas as possíveis informações que tinha, o resto é com eles e torço para ficarmos todos bem, Lauren me deixa e me tranco mais uma vez no quarto.

─Liv! – Ouço meu nome e sigo até a janela – Liv! Ah, está ai, desce um pouco aqui, vamos lá em casa jogar baralho.

Nick me pede parado na calçada com Amy e dois pequenos, suspiro e aceno mandando que esperem um segundo.

Tommy disse que não devia ficar por aí à noite, será que ficaria bravo se fosse com eles jogar o tal jogo? O jeito é perguntar, bato em sua porta um pouco tensa, ele abre de péssimo humor.

─Fala.

─Nick está lá em baixo me convidando para jogar um pouco com eles na casa dele, posso ir?

─Está me pedindo? – Ele franze a testa.

─Disse que eu podia fazer o que quisesse, mas também disse que não podia ficar por aí à noite.

─Vai! – Ele diz irritado – Que raiva que sinto da Gina ter morrido! – Resmunga quando batia a porta na minha cara, eu também sinto.

A casa de Nick é alegre, as pessoas são felizes, nos sentamos para jogar na sala em volta da mesa de jantar, Judy e Matt logo se cansam, acabam adormecendo na sala, Daryl leva Judy para casa, ela nem acorda, são mesmo uma família muito próxima, quando volta carrega o filho pequeno para cama, depois se senta com Katie no sofá e ficam conversando baixinho.

Megan e Carl estão sentados lado a lado e noto claramente que ele e Nick perdem uma partida ou outra de propósito apenas para deixa-la ganhar, trocam olhares cumplices, rimos e brincamos e me sinto tão feliz que nem vejo o tempo passar, durante todo jogo me esqueço do apocalipse, do medo e da saudade que ás vezes sinto da minha mãe.

─Oi Tommy! – Me assusto um pouco quando a porta da sala se abre sem aviso, então vejo Tommy de pé no meio da sala, primeiro ele me olha, depois encara Daryl e Katie ainda abraçados no sofá – Senta.

Katie convida, ele nega com a cabeça, me olha de novo e fico nervosa, a partida estava na metade e não sei o que fazer.

─Vim buscar a Liv, ela tem medo de tudo achei que ficaria... Sei lá, com medo de voltar, já é tarde.

─Eu ia mandar os meninos levarem ela, mas já que está aqui senta e espera acabar a partida.

Daryl diz e ele se senta, eles começam uma conversa amena e assim que a partida termina e Nick vence eu me ponho de pé, não quero criar problemas nem atrapalhar a vida de ninguém.

─Estou pronta – Digo me aproximando um pouco corada.

─Vamos, até amanhã, precisamos discutir umas coisas na reunião do conselho – Ele diz antes de sairmos, vamos caminhando um ao lado do outro.

─Desculpe! – Peço com um pouco de medo.

─Não estou bravo menina, só fui te buscar mesmo, é bom que brinque com as outras crianças.

Crianças? Eu penso, não sei quando se fica adulto nessa vila, mas pelo visto demora muito e fico feliz, porque não tenho nenhuma pressa.

Notas finais
Acho que para comemorar todo mundo devia comentar para matarmos a saudade. Beijos.