Fim dos tempos 2

20 Capítulo 20 - Horda


Notas iniciais
Espero que gostem, quinta posto mais um.

Pov – Katie

Fico na porta de casa abraçada a Daryl a espera de Megan senti que algo não ia bem, sabia disso, quase fui atrás, mas ela estava com Daryl e Carl então eu sabia que no fundo estava segura.

─Não podemos deixar ela aqui trancada para sempre pequena, a qualquer momento as coisas se complicam e ela nem sabe se defender.

─Está certo amor, sei disso, gostei que isso não te fez recuar.

─Não, só me deu mais certeza de que ela precisa ficar pronta.

─Estou achando esse meu marido bem moderno, deixou ela ir sozinha verificar as valas com o namorado, mas é muita confiança! Daryl me morde o lábio, provocador, por mim posso esperar minha ratinha chegar e correr para nossa cama, claro que preciso despejar minha prole em algum lugar, mas família é para isso mesmo.

─Estou achando minha pequena cheia de planos! Ele diz me beijando de novo.

─Está achando certo! Eu brinco – Deixa nossa ratinha voltar de lá de fora.

─Quero saber é quando eu vou sair lá fora! Nick resmunga sentado no degrau.

─Quando alcançar a cabeça de um zumbi sem precisar de um banquinho! Matt responde impaciente e ganha um olhar matador do irmão.

─Tenho certeza que você é adotado, fala a verdade mamãe, aquele bebê que nasceu lá na prisão é outro, você é muito mal humorado, não parece com ninguém da nossa família.

─Nick você é meio chato sabia, o papai não vai deixar nenhum dos dois ir lá fora até sermos grandes e você sempre acaba metendo a gente em encrenca.

─Viu como é mal humorado, não custa tentar!

Eu e Daryl nos olhamos, Matt é simplesmente a cópia do pai, Nick sabe disso e só por isso pode brincar assim.

─E esse Brian? Eu pergunto a Daryl, o homem está conversando com Lauren a alguns metros.

─Não sei, definitivamente vamos ficar de olho, é o que nos resta, e contar com esse seu sexto sentido infalível.

─Já disse que eu te amo? Eu pergunto, ganho mais um beijo, outra leve mordida, sim estamos namorando no portão como jamais achei que poderíamos fazer um dia.

─Vagamente, mas quando sonha demonstra! Rimos os dois nos lembrando dos velhos tempos – Vou lá dentro enquanto espera nossa ratinha.

Daryl me beija e entra sendo seguido pelos filhos, Matt vai se sentar para limpar suas flechas, Nick vai desandar a falar e Daryl simplesmente adora isso, as pequenas certezas que a segurança da vila nos trouxe.

Megan surge de mãos dadas com Carl, as vezes sou pega desprevenida e me assusto quando os vejo assim caminhando, ainda fico esperando que aquelas duas crianças que um dia foram surja diante de mim e quando os vejo adultos me causa um certo choque.

Eu a abraço forte, minha linda menininha, que se dane que cresceu, é ainda meu bebê, todos são.

─Foi tudo bem mamãe, eu juro! Ela diz quando eu a esmago um pouco com meu excesso de amor.

─Seu pai me disse, se arranhou quando caiu, machucou, quer ver o Bob?

─Mamãe está parecendo o papai.

Eu a afasto um pouco, só para poder olhar em seus olhos, ela está certa, mas fiquei mesmo assustada, se estivesse com eles seria diferente, mas acontece que não estava e detesto não estar no meio da ação.

─Desculpa filha, eu sei, dá próxima vez quero ir também.

─Ai sim fico completamente inútil, você, o papai, o Carl e a Michonne, nem vou precisar andar, acho que nem respirar será necessário.

─Isso! Eu digo fingindo magoa – Pisa no coração da mamãe aqui! Rimos as duas, olho para Carl.

─Ele te deu muitas ordens? Pergunto e ele revira os olhos.

─Quando não faz isso? Agora parece que fui matriculado no curso de sobrevivência dos Dixons, como a Megan falou e pior a minha revelia.

─Então aproveite e aprenda o máximo que puder, aliás os dois.

Olho para Megan ela sorri, os olhos brilham, são os olhos lindos do pai. Por mais estranho que pareça.

As coisas estavam bem, tudo parecia bem, então eu os sinto, simplesmente sinto, meu coração dá um salto, olho para Megan, ela segura minha mão notando minha palidez.

─Chame seu pai, chame Rick, todos, rápido! Eu peço me afastando deles e correndo para os muros, temos um posto de observação, não é grande coisa, feito com madeira é apenas o lugar onde observamos a movimentação, discreto o bastante para não chamar a atenção de quem possa por ventura um dia passar por perto.

Subo em meio minuto, então eu os vejo se aproximarem, é um mar deles, a maior quantidade que já vi, nossas valas e estacas, toda segurança que montamos não é o bastante para todos eles.

Quando desço todos corriam para fora, avisados por Megan e Carl, armados e assustados, nos reunimos no meio da rua, próximos ao portão.

─É a maior horda que já vi! Aviso tremendo.

Rick sobe para olhar, volta irritado, caminha até Brian que estava reunido com todos nós, sem pensar tira a colt que carrega, aponta para a cabeça de Brian.

─Me responda porque meu quintal está cheio de zumbis? Não vou perguntar de novo.

A ameaça é feita em voz baixa e firme, não dá espaço para mentiras, Brian treme, as pessoas começam a sair de duas casas, tensas ao perceberem a movimentação.

─Eu... Eu sinto muito! Ele diz e Rick aperta mais a arma em sua testa, vejo Glenn correr para o ponto de observação na quina de nosso muro – Saímos daqui eu e Mary e por alguma razão ficamos brigando o tempo todo, por tudo, então a alguns quilômetros demos de cara com uma horda.

─Essa horda que agora quer invadir nossa casa? Ele tem aquele olhar que reconheço em todos nós, é o monstro que nos habita precisando ser contido.

─Acho que sim, eu dei um cavalo de pau, fiquei em choque, acelerei para fugir, foi assustador, fiquei fora do controle, bati o carro num poste.

─Mary morreu? Rick questiona.

─Não, não, nós saímos do carro bem, mas o barulho foi grande, alertou a horda, deve ter juntado mais, corremos uns metros, um quilometro no máximo então tinha um carro entramos nele, felizmente ele ainda funcionava e corremos um pouco, até chegarmos onde nos encontraram.

Brian olha para Daryl, mas Daryl caminha de um lado para o outro, está furioso.

─Mary ficou louca, desci um instante, ela queria vir para cá, eu queria seguir viagem, ela ficou sozinha no carro, deu tiros no painel, não sei o que deu nela, foi um surto então ela atirou na própria cabeça, caiu sobre o volante, disparou a buzina, eu corri até lá, joguei o corpo dela para fora do carro, fiquei sem saber o que fazer, então seu grupo chegou.

─Porque não nos disse que uma horda estava a caminho, podíamos ter evitado o barulho, quem sabe atraído todos para longe?

Os primeiros zumbis começam a chegar a nossos portões, as coisas aconteceram e saber os motivos não resolve nada.

─Fiquei com medo, achei que me mandariam ir embora, eu tinha acabado de dar mais um tiro para salvar a menina, iriam ficar furiosos.

─Reze para sairmos dessa! Rick diz baixando a arma.

Glenn volta muito tenso, caminha para nós e só então vejo meus filhos ao lado do pai, o ambiente pesado, há muito não nos víamos assim num momento tão tenso.

─Jeff, pegue nosso caminhão, coloque no portão, os muros são firmes, mas o portão não pode conte-los se decidirem se juntar todos nele.

Jeff corre obediente, então isso era alguma coisa, não muita, nem os muros eu podia garantir que suportariam uma quantidade como aquela.

─Eles estão se espalhando pelo muro, as valas estão cheias, agora eles parecem passar por cima dos que caíram nelas – Glenn comunica sem esconder o medo – O mesmo está acontecendo com as estacas.

─Certo, precisamos de silencio.

Daryl avisa para Rick, sim não podemos chamar mais atenção de todos eles, quem sabe eles se dispersam.

─Vocês tem muitas armas, munição, podem derrubar pelo menos metade deles, pelos muros! Brian diz.

─E chamar quatro vezes mais – Daryl responde furioso, se fosse Brian manteria a boca fechada.

─Nick, Megan e Carl, Amy e Judy, Matt também, a casa amarela está vazia, levem os animais para lá, deixem eles lá dentro, os coelhos e galinhas, quem puder ajude as crianças.

As crianças obedecem de imediato as ordens de Rick, Jeff se aproxima com o caminhão, homens o ajudam a manobrar até que a carroceria do caminhão fique encostada.

─Quero que todos vão para suas casas, façam uma mochila apenas com o essencial, e fiquem dentro de casa em silencio, com suas armas é claro! Rick ordena – Se precisarmos fugir vamos pelos muros dos fundos, todos conhecem nosso destino.

A três anos preparamos um ponto de encontro, depois do que passamos perdidos e separados decidimos que nunca mais se repetiria, agora temos um lugar seguro, com suprimentos e segurança pronto para nos receber a alguns quilômetros dali, não é suficiente para todos, mas se for o caso damos um jeito.

─Bob e Lauren, recolham os remédios, aprontem tudo por garantia! Os dois me olham sérios – Eu sei, mas não podemos arriscar perder o que nos resta de remédios e matéria cirúrgico!

─Está certa Katie, vem Lauren! Os dois se afastam, toda comunidade corria de um lado para outro obedecendo ordens.

─Acho que devemos ficar sob alerta! Daryl diz — Se conseguirem passar não virão de uma vez e podemos ir derrubando um por um.

─Você tem razão! Rick concorda – Vamos fazer rondas pelos muros, garantir que estão seguros.

─Sabem que podemos ficar presos aqui por muito tempo não é? Glenn nos lembra e sim isso é bem possível.

─Sim, mas temos suprimentos para um bom tempo, não estamos desesperados ainda, só temos que manter os portões e os muros seguros.

Rick é um bom líder nesses momentos, tem sangue frio para tomar decisões, as crianças voltam correndo, Jimmy está com Mary a seu lado, ela treme um pouco, me aproximo dela, sei que é um momento delicado, ela está gravida de seis meses, ainda é cedo para o bebê e então ela precisa de repouso.

─Mary eu preciso de você agora, pode ser?

─Claro Katie! Ela diz segurando minha mão, está com as suas frias e tremulas.

─Pode ficar na minha casa com as crianças, eu vou ficar aqui para o caso dos portões precisarem ser contidos.

─Eu fico! Ela avisa, se sentir útil e responsável vai acalma-la.

─Jimmy vá até sua casa, faça uma mala para vocês, e vá encontrar a Mary lá em casa, crianças vão com a Mary lá para casa, Carl fica aqui e Megan ajuda o Jimmy e vai ficar com eles.

Todos se movimentam de imediato. Beth se aproxima de mim com Maggie a seu lado, nos abraçamos as três, todas tensas, não vai ser fácil.

─Vou arrumar umas coisas e ficar com as crianças e a Mary! Beth diz e concordamos, ela sabe que eu e Maggie não temos cabeça para essas coisas, precisamos estar no meio da ação e isso não é mais importante do que manter as pessoas tranquilas, já Beth é perfeita para isso, é tranquila e esperançosa, sabe criar isso nas pessoas, ela vai até Rick o beija de leve toca seu rosto faz aquele olhar confiante e o acalma um pouco dá para sentir isso, depois também segue para longe.

Então ficamos apenas nós, os soldados do apocalipse, Sasha e Daryl vão distribuindo as armas que foram buscar, agora o silencio parece reinar, pelo menos do lado de dentro da vila, lá fora é aquele velho coro desafinado dos mortos, há muito não os ouvíamos, mas nunca realmente esquecemos.

Ficamos todos armados e silenciosos, olhando para os portões, a cada uma hora um grupo de cinco dá uma volta pelos muros da vila, verificando se tudo está seguro, não sei como vai ser isso, mas se entrarem portas e armas não serão o bastante.

Um grupo volta da ronda, Sasha os coordenava, ela nos olha firme.

─Acho que é tarde para tentar sair, eles tomaram os muros de traz também.

─Eles estão acalmando o silencio está ajudando, se não forçarem o portão estamos bem, o número no portão não é grande.

Rick garante, mas se forçarem o portão então acabou, o caminhão pode conte-los por um tempo, talvez diminuir o número de zumbis entrando, mas por quanto tempo podemos resistir mesmo matando todos que entrarem? Eles são uma quantidade arrasadora.

─Se um grupo pudesse sair, tentar leva-los para longe! Glenn diz enquanto tira e põe o boné como de costume.

─Glenn não inventa, nada de ideias bizarras! Maggie pede assustada, estamos sentados na calçada, um do lado do outro com armas nas mãos, as horas ficam lentas e penso em meus filhos vez por outra olho para minha casinha tão segura e amada, sempre tem um deles olhando pelas cortinas.

─Vamos fazer turnos, não podemos ficar todos aqui, se for preciso agir seremos um grupo cansado e sonolento.

─Daryl está certo! Rick diz – Comecem por vocês dois, vão ver as crianças e a Mary, e acho que o Bob pode montar um posto de emergência lá.

Concordamos ficando de pé, Bob e Lauren seguem para cumprir as ordens de Rick e eu e Daryl vamos para casa, meus filhos correm para nossos braços assim que entramos.

─Como está Mary? Daryl pergunta se sentando a seu lado, ela sorri de modo triste, Matt corre para o colo do pai.

─Estamos bem! Jimmy responde e caminha para mim – Katie a Mary não aguenta se tivermos que fugir.

Ele sussurra, eu concordo com a cabeça, não quero pensar nisso ainda, não vamos deixar a vila, não agora, sinto falta de Tommy e Gina, os dois são sempre cheios de ideias além de muito fortes.

─Não vai ser preciso Jimmy, vamos ter fé!

─Mamãe posso ficar um pouco lá fora com o Carl? Megan me pede.

─Sim, mas no caso de problemas quero que volte, não tente fazer nada, é mais útil aqui, protegendo as crianças.

Ela afirma e deixa a casa, Daryl me puxa para seus braços, nos sentamos com os pequenos a nossa volta, Beth está com Judy no colo, trocamos um longo olhar, já passamos por tanto, vamos superar mais isso, eu sei que sim.

─Estou com medo! Confesso a única pessoa para quem eu poderia admitir isso, Daryl me envolve mais.

─Você não desiste, eu não desisto! Ele sussurra em meu ouvido e de algum modo eu sei que vamos sair dessa.

Notas finais
Comentem!!! Beijos