Fim dos tempos 2

21 Capitulo 21 - Fuga, despedida e susto


Notas iniciais
Olá pessoas, as coisas vão demorar uns capitulos para se resolverem, eu não sei se consigo postar antes de domingo, mas domingo posto no fim do dia.

Pov – Tommy

─Sei o que está pensando, que isso não devia ter acontecido de novo! Gina me diz ainda deitada em meu peito.

─Não estou pensando nisso, acho que é como diz, estamos aqui e isso não precisa ser um problema.

─Bom menino! Ela me beija, eu a envolvo, gosto de Gina, muito mais do que deveria, mas somos antes de tudo amigos, realmente amigos, e isso é o mais importante.

─Não vão nos levar, esses caras, Katrina, estamos mortos Gina, eles não confiam em nenhum de nós, a aproximação com Liv piorou tudo.

─Porque acha isso?

─Os últimos acontecimentos, aqueles caras saquearam e mataram, Katrina sabe que entendemos isso, sabe também o que acontece com Liv e que ela nos contou, quando me ofereceu o lugar de Tom, aquilo foi para me ludibriar, vão nos matar antes de chegarmos a tal comunidade, acredite.

─Então temos que ir embora antes.

─Não tem como sair daqui, simplesmente não tem, vamos ter que esperar uma oportunidade lá fora.

─Na primeira chance.

─Avise a Liv, mande que fique pronta o tempo todo, na primeira chance deixamos essa gente e temos que ficar prontos na vila, se nos encontrarem...

─talvez a gente tenha que encontrar eles primeiro, não acha, acabar com isso?

─Não, só temos que seguir nossa vida, estamos muito longe da nossa vila, seria muita falta de sorte se nos encontrassem.

─Quem tem sorte hoje em dia?

Rimos os dois, já amanhecia, ela me beija mais uma vez, talvez isso possa virar alguma coisa quando voltarmos para casa.

O café da manhã é farto, fico angustiado de saber que na verdade me alimento do sangue de inocentes, mas não podemos levantar suspeitas, depois nos reunimos em torno de Katrina para as ordens do dia.

─Estão alimentados e felizes! Ela diz com os braços abertos e aquela postura de soberana que tanto me intriga, se pudesse ficaria mais, descobriria mais, mas isso implicaria em algo maior e mais grave, quem sabe a minha vida ou a de Gina.

─Foi um café como nos velhos tempos! Tom diz a seu lado, os dois trocam um olhar cumplice.

─Vamos ter uma última missão e depois esse grupo será finalmente levado para casa, sim, vão finalmente para o que muito em breve vão gostar de chamar de casa!

Ela conquista as pessoas, os assusta também, mas causa acima de tudo um sentimento de poder, é isso que as pessoas enxergam, o poder de Katrina e quero me livrar dele, quero deixar esse lugar de uma vez e apenas torcer para que um dia encontrem gente mais poderosa.

As pessoas se dispersam, então ela se aproxima de nós, vem com Tom a seu lado, sorri daquele jeito extenso, Tom encara Liv que se encolhe um pouco, meu ódio fica quase visível, vivo a alguns anos cercado de crianças e adolescentes sonhadores, não posso ver uma menina sendo abusada sem pensar que poderia ser um dos meus.

─Vocês vão com o grupo do Tom, será uma busca em uma cidade próxima, queremos levar o máximo de suprimentos possível para nosso grupo.

─Será muito bom! Gina comenta.

─Podemos nos preparar então? Eu digo encarando Tom – Deixei o restante das minhas armas com você.

─Claro, vamos sair bem armados hoje! Tom avisa.

─Vou me preparar! Liv diz num fio de voz.

─Não, você não vai hoje! Tom se apressa e ganha um olhar de ódio de Katrina.

─Os três Tom, acho que deixei isso bem claro! Katrina é imperativa, Tom, assente e então ela volta a me encarar – São impressionantes Tommy – Ela olha para Gina – Os dois são! Então nos dá as costas.

─Fiquem prontos, saímos em meia hora! Tom avisa de péssimo humor.

─É hoje — Eu digo a Gina, ela concorda e passa o braço por sobre o ombro de Liv.

─Vai Liv, pegue suas coisas, apenas o que for imprescindível para você, vamos dar um jeito de ir embora.

Partimos em três carros, são dez homens e nós três, conheço bem esses caras, vão nos levar a algum lugar perigo, nos fazer trabalhar para eles e então na hora de voltar vão nos matar, temos que aproveitar o momento mais tenso que tiver para fazer o que é preciso.

Tom liderava o pequeno comboio nós três íamos com ele, Liv torcia os dedos muito tensa, se não fosse o tempo todo assim provavelmente alguém desconfiaria.

Chegamos a uma cidade morta, como todas por que já passamos, entramos em ruas destruídas, carros batidos, enferrujados, prédios vazios, descascados, escombros, restos humanos, esqueletos e zumbis, muitos, caminhando a esmo, são tantos que sabia que não era por acaso.

─O que pretende? Pergunto a Tom, ele dá de ombros diminuindo um pouco, logo alguns zumbis começam a se encostar no carro, fico atento, Tom ri descontraído, acelera um pouco, reduz, brinca com os zumbis.

─Vamos naquela loja grande no próximo quarteirão, entramos, pegamos, saímos.

─Tem muitos zumbis nos entornos, acha uma boa ideia ficar parado aqui, o carro pode ficar cercado.

─Mas não vamos ficar com os carros parados, paro na porta vocês três saltam, o Doug ali atrás desce com vocês, ficamos dando umas voltas, depois voltamos quando tiverem terminado, carregamos os carros e vamos para casa.

─Doug me parece apenas um menino, chegou depois da gente e nunca saiu.

─O garoto deve ter uns vinte anos, cresceu nessa merda! Tom diz firme, começamos a ficar cercados, Liv dá um grito de susto quando um zumbi bate no vidro do carro, o braço despenca com o impacto, eles estão se dissolvendo cada dia mais.

Ainda rindo Tom acelera, atropela meia dúzia e então para na frente da loja, é grande, algo me diz que não vamos encontrar muita coisa, na verdade não vamos procurar nada, quando voltarem não vão nos encontrar.

─Divirtam-se! Ele ri – Principalmente você Liv!

Eu abro a porta, chuto um zumbi que se aproximava, alguns começam a caminhar em nossa direção, então Gina desce, precisa puxar Liv que empaca com medo de descer.

O rapaz vem logo atrás, acerta a cabeça de um zumbi com uma machadinha e corre até nós, nunca trocamos mais do que duas ou três palavras.

─Vamos ficar passando! Tom anuncia e então acelera para longe, um zumbi sai da loja, Gina usa seu facão.

─Vamos entrar? Doug pergunta.

─Garoto porque achaque está aqui? Eu digo caminhando para dentro com o restante andando atrás de mim.

─Busca por suprimentos não é? Ele diz e dá uns paços para pegar um zumbi usa mais uma vez a machadinha – Faço isso desde pequeno!

─Certo, mas acredite, eles não te querem de volta, vai morrer antes de voltar àquele lugar.

─Como descobriram? Ele pergunta, entramos na loja, ou no que restou dela, vamos caminhando próximos uns dos outros – Seria por conta da briga com Tom?

─Não sabemos de briga alguma, mas sabemos que ele nos quer morto, não pode ser diferente com você! Paramos um instante, Gina aponta o fundo da loja, uma porta fazia barulho, era arranhada, vamos em silencio na direção dela, era dupla e mãos podres tentavam passar seus dedos por ela.

─Muitos! Gina avisa – A porta vai ceder! Ela diz baixo e sei que sim é hora de uma decisão, ando até os fundos da loja, uma porta dá para rua de trás, chamos todos com um sinal.

Os carros passam atropelando zumbis, escutamos eles cantarem pneus quando fazem a curva.

─Doug quer tentar a sorte com esse grupo fique nós vamos partir! Eu aviso.

─Eu dei um soco em um cara ontem, ele estava provocando, falando sobre saquear e matar.

─Pode contar sua história depois! Gina pede.

─Tommy! Liv se assusta com dois zumbis que se aproximam, eu e Gina nos colocamos a sua frente, Gina acerta a cabeça de um deles, parte seu cérebro, os restos espirram em Liv, ela tenta correr e Doug a segura.

─Calma menina! Ele grita zumbis começam a sair de todos os lados, a porta sede um pouco mais.

─Temos que ir! Eu digo tenso.

─Vai ou não garoto? Gina pergunta.

─Vou! Ele responde acertando um zumbi e chutando outro.

─Viram uma igreja a três quarteirões? Gina pergunta – Vamos para lá, mas separados, juntos vamos chamar atenção de Tom e seu grupo.

─Nem pensar Gina! Eu digo derrubando mais um.

─Tommy! Liv empurra um zumbi acerta sua faca nele que fica presa ela não serve para essa vida.

─Você vai com a Liv, pela rua do lado, eu e Doug vamos pela de traz, nos encontramos na igreja, ficamos até amanhecer, eles vão nos procurar e então desistir, achar que morremos, é o melhor.

─Gina! Eu tento rebater, mas ela puxa Doug pela camisa e corre, Liv aperta meu braço – Merda! Empurro outro zumbi, e puxo Liv – fica perto de mim e corre.

Pegamos a rua que Gina nos orientou, corremos vou acertando zumbis e limpando o caminho para Liv, então escuto o barulho dos carros vindo, puxo Liv e nos escondemos atrás de um carro zumbis vindo dos dois lados da calçada.

─Vamos morrer Tommy! Ela me diz chorando, faço sinal para ficar calada, ela aperta meu braço, os carros passam acelerando mais uma vez, um zumbi cai sobre mim – Tommy! Eu puxo a faca, empurro o zumbi e o acerto.

─Vem! Continuamos a correr, parece que a igreja fica a cada paço mais distante, temos que chegar antes do carro passar mais uma vez, finalmente chegamos, subo uma pequena escada a porta está trancada chuto, quem tranca igrejas no meio dessa merda toda, é muito firme, não abre, pelo o machado.

─Tommy! Mais zumbis se aproximavam, mais do que eu podia conter sozinho.

─Vem! Ela me segue dou a volta e encontro uma porta lateral, está encostada apenas e eu entro, Liv logo atrás de mim, a igreja está vazia, apenas dois corpos caídos em bancos, só então respiro, Gina ainda não chegou, começo a me preocupar, Tom pode ter encontrado eles, Doug pode não ser confiável, mal conhecemos o garoto.

─Tommy! Liv me chama, um zumbi se aproxima e é a coisa mais bizarra que já vi, veste roupas paroquiais, está caminhando em nossa direção com a longa bata e ainda conserva a cruz no peito, isso não deve ser pecado, penso quando o acerto.

─Pronto, acabou! Aviso, nos sentamos no chão.

─Como vamos sair daqui? Ela me pergunta.

─Uma coisa de cada vez! Eu aviso tentando controlar a respiração, o tempo corre – Chega! Eu digo uns dez minutos depois, pego minha pistola e entrego a Liv que arregala os olhos – Vou atrás da Gina, você fica aqui e nos espera se ela chegar não deixe sair.

─Deixa eu ir junto! Ela começa a chorar.

─Liv eu vou voltar... eu... – A porta se abre com violência e nos viramos apontando nossas armas, mas é Doug, carregando Gina – Merda! Eu corro, pego ela de seus braços e a coloco no chão.

─Calma Tommy! Ela me diz e então eu vejo a mordida no braço na altura do ombro.

─Não Gina, não, me dá sua machadinha Doug – Peço apressado – Vamos conseguir Gina, só preciso...

─Não! Ela pede – É tarde, isso foi a dez minutos, já se espalhou.

─Droga, droga! Não Gina eu não posso voltar sem você.

─Desculpe, a Katie vai ficar uma fera comigo!

Eu a abraço, ela se recosta em mim, Liv chorava e Gina segura sua mão, Doug se afasta, verifica as portas e depois se senta distante.

─Leva a Liv para eles, promete? Ela pede, Gina sempre foi forte, mas agora vejo suas lágrimas rolarem enquanto o sangue vai se esvaindo e a deixando fraca – Eles vão saber cuidar dela – Ela olha para Liv – Não se preocupe, Tommy é um carrancudo mal humorado, mas tem bom coração e vai te proteger.

─Gina! Liv a abraça, as duas choram – Obrigada!

─Tommy, não me prometeu, vai leva-la não é?

─Vou – Aperto sua mão, ela sorri por entre as lágrimas – Gina, eu não acredito nisso, porque foi fazer essa loucura?

─Essa foi só mais uma de tantas que já fiz, sabe disso, esteve em muitas delas.

─Sim, e foi muito bom.

─Esse mundo é... ele cansa ás vezes, mas é bom, eu não queria que tivesse sido assim, achei que... –Ela fecha os olhos, estremece um pouco aperta mais a minha mão – Achei que seria uma morte triunfal, emblemática, mas é só mais uma morte, do jeito que foi com todos os outros, uma mordida qualquer num momento de distração.

─Salvando alguém! Eu digo – Fez isso por todos nós, por Liv não foi, então ai está a grandeza! Ela sorri, um lindo sorriso de Gina, e então seus olhos vão se fechando, Liv desata a chorar compulsivamente, eu fico imóvel, num misto de dor e raiva, perdi Gina, não estava preparado para isso, por muito tempo achei que ela imortal, Gina e seu facão, a pequena matadora de zumbis.

Eu a arrumo no chão, acaricio seu rosto antes de por fim a tudo, eu beijo seus lábios, não é uma vida que se possa abrir mão de nada, me arrependo de todo tempo que perdemos.

─Sinto muito Gina! Então com um movimento preciso enfio minha faca em sua têmpora.

Depois me afasto dela, Liv não se move, continua ali, assistindo a morte de Gina, me sento com Doug.

─O carro já passou umas duas vezes, logo vai escurecer e eles vão embora, acho que não é boa ideia esperar amanhecer, eles podem voltar.

─Está certo! Doug me diz – Tem para onde ir?

─Uma coisa de cada vez! Eu digo sem confiar totalmente nele.

─Por mim tudo bem! Ele responde dando de ombros – Fiquei sozinho meses até aqueles caras me acharem.

Ficamos em silencio, os gemidos do lado de fora vão diminuindo a noite vai caindo e vamos nos acalmando, se sairmos à noite chego a vila no meio da tarde de amanhã, vai ser difícil encarar Katie e Maggie, mas é assim que as coisas são, elas estão acostumadas.

─O carro vinha vindo, entramos com tudo em uma loja para nos esconder e então ela foi mordida, não esperava, derrubei ele mas era tarde, só pude carrega-la até aqui, o tempo todo ela ficou forte, me pediu para traze-la até você para se despedir, eram casados a muito tempo? Ele pergunta e penso um pouco a respeito, era como se fossemos, lutamos muitas batalhas juntos, dividimos muitas dores e angustias, Gina era o mais próximo que eu tinha de família.

─Cinco anos! Eu respondo.

A noite nos domina, me ergo finalmente, Liv não chorava mais, recolhemos nossas coisas e caminhamos para fora, seguimos tentando carros e é claro que não encontramos nada, alguns zumbis começam a aparecer e decidimos deixar a cidade e seguir a pé.

Pegamos a estrada secundaria, a anos não faço isso, Doug encontra um carro parado na beira da estrada, parece em bom estado e então abro o capô.

─Não está aqui a muitos dias, sabe fazer ligação direta? Doug afirma – Vai lá eu dou uma olhada aqui, ele tenta, nada, mexo em alguns fios, me lembro de Megan e Jimmy o dia inteiro em nossa oficina, vão gostar dessa belezinha bem conservada o carro da sinal, fico aliviado, fiz uma promessa a Gina e vou cumprir, vou levar Liv para nossa vila.

Pegamos a estrada gasolina não vai ser problema, tem um galão e meio no porta-malas.

Liv vai sentada no banco de trás encolhida e silenciosa, Doug do meu lado, os olhos fixos na estrada, dirijo até amanhecer, e então a estrada está bloqueada por três carros batidos.

Descemos os dois, Liv fica no carro, olhamos de longe parece calmo, seguimos até os carros depois de uma troca de olhares, solto o freio de um, Doug faz o mesmo, afastamos os carros, depois tiramos o último, voltamos para o carro e seguimos viagem.

O dia vai ficando claro, um sol leve começa a nos aquecer, pego a secundaria que nos levaria a vila.

─Horda! Doug grita apontando e eu paro paralisado de choque, a vila está cercada, a maior horda que já vi, os muros o portão tudo tomado, dou ré me afasto um pouco.

─Me Deus! Eu desço e subo no capô.

─O que está fazendo Tommy?

─Aquela é minha casa Tommy, minha família está lá dentro! Digo de cima do carro, olho com mais atenção, eles devem ter reforçado o portão, mas o número é muito grande, os zumbis se aglomeram, sobem uns por cima dos outros, alguns alcançam os muros, caem por sobre os outros, um cai para dentro – Porra! O que eu vou fazer, preciso pensar em algo.

─Temos que ir embora! Doug diz.

─Nada disso! Eu respondo – Vamos pensar em alguma coisa.

Vejo que o portão começa a ceder um pouco, se não me engano um zumbi consegue passar para dentro, se for assim, um por um eles podem contê-los, mas uma hora aquilo vai ceder e então acabou.

Olho para a torre da igreja, fica a dois quilômetros, posso tocar o sino, eles vão seguir para lá, pelo menos uma parte deles, quem sabe posso ir até nosso esconderijo, tem pólvora lá, posso explodir o lugar, o sino de um lado a explosão do outro, vai confundi-los, afastar boa parte deles, os que ficarem podem ser contidos.

Mas agora preciso convencer Liv e Doug a me ajudarem.

Notas finais
E então? Eu sei que queriam saber como estão as coisas na vila, mas no próximo vamos saber. Beijos