Fim dos tempos 2
22 Capitulo 22 - Arriscando
Notas iniciais
Pov – Nick
Pelo que entendi mais zumbis chegaram durante a noite, estamos cercados e não sei como isso pode acabar, o grupo agora está todos alerta, não tem mais ninguém revezando o sono como ontem.
Mary está muito abatida, Jimmy não sai do lado dela, mas isso não diminui o medo de nenhum de nós, se tivermos que fugir ela não vai conseguir com essa barriga de seis meses.
Um centro de emergência foi montado na minha sala, minha casa é a maior, Lauren ficou de plantão por causa de Mary, já Bob se juntou ao resto do grupo lá fora, nossa família está toda aqui, todos que não estão de plantão lá fora.
O primeiro zumbi caiu para o lado de dentro dos muros no meio da madrugada, a queda fez com que se espatifasse e a cabeça explodiu, ninguém precisou fazer nada.
Eles ficam se atropelando, passando uns por cima dos outros, acaba que um ou outro acaba caindo para dentro, o portão ainda parece resistir bem e só nos resta ficar aqui, presos em casa, evitando barulhos.
─Acha que vamos ter que voltar para as ruas ratinho? Amy me pergunta, estamos os dois sozinhos no quarto olhando pela janela o movimento nos fundos da vila.
─Não sei Amy, temos que evitar isso a todo custo, se acontecer sua mãe vai ter problemas.
─Olha! Ela me aponta os muros, mais um zumbi cai para dentro, ela aperta meu braço – Cadê a ronda para pegar ele? O zumbi tenta se erguer, mas as pernas simplesmente se soltam do resto do corpo e ele fica ali, tentando se arrastar.
─Estão todos concentrados na frente, a maioria está lá.
─Sei disso, mas aquela coisa pode morder alguém desprevenido.
─Todos estão trancados nas casas Amy, não se preocupe, o número de zumbis aqui nos fundos está um pouco menor não acha? Ela concorda – Acho que eles estão se juntando na frente.
─Isso é ruim?
─Péssimo, quanto mais lá na frente mais riscos corremos.
─Acha isso mesmo? Amy aperta mais o meu braço, vai ficar roxo se ela continuar assim.
─Acho, acho que podem conseguir derrubar o portão ou começar a cair para dentro pelos muros.
─Que vai acontecer?
─Amy, se lembra daquela história que o Glenn e o Rick sempre contam sobre atravessar Atlanta lambuzados de zumbis?
─Lembro e lembro como acabou, a chuva lavou eles e quase morreram.
─Mas hoje não vai chover, além disso a Mich, ela andou tanto por ai no meio de hordas de zumbis apenas caminhando com dois deles.
─O que quer com tudo isso ratinho?
─O sino da igreja, posso chegar lá Amy, sou rápido, se passar pelo muro eu chego lá, toco o sino, eles se dispersam.
─Acha mesmo que pode afastar todos?
─Não, mas uma boa quantidade e isso pode dar tempo do grupo limpar um pouco, mesmo que voltem depois, além disso quando estão caminhando eles acabam se perdendo, se separando, eu sei que consigo.
─É mas seu pai nunca vai deixar você fazer isso.
─Ele não precisa saber, apenas eu e você.
─Quer que eu vá com você?
─De jeito nenhum, quero que fique e me dê cobertura, não deixe que descubram que eu fui.
─Ratinho! Amy diz quase como um gemido.
─Escuta meu plano, saio pela janela, Megan já fez isso, não seria problema, acerto minha faca naquele zumbi ali que mal se mexe, arrasto ele para aquele canto, vê, ali mesmo que a ronda passar...
─Vão te ver, estão olhando tudo.
─Então vamos torcer para não passarem, olhe – Tiro do bolso o par de luvas cirúrgicas que peguei nas coisas de Bob na sala – Eu vou usar isso, não vai ter risco nenhum, me meleco bem, pulo o muro, olha ali, está vendo aquele canto, quase não tem zumbi, depois passo por eles, levo minha pistola e minha faca, para uma emergência.
─Se tiver que dar um tiro no meio dessa horda já vai estar morto, não tem bala para todos.
─Então vamos torcer para eu não precisar fazer isso!
─Tem muita coisa que vai depender da nossa torcida! Ela reclama, mas é um bom plano.
─Continuando, eu me livro da horda, olha Amy, passando dos muros, dois metros para longe quase não tem zumbi, então é só me distanciar e quando estiver longe o bastante eu corro até a igreja.
─E como acha que está a igreja?
─Limpa, sabe disso, dessa vez não vamos ter que torcer, eles trancaram depois de limpar, sempre passam por lá, já até dormiram lá mais de uma vez.
─Mas e depois como volta?
─Voltar? Agora ela me pegou – Bom eu penso nisso na volta, qualquer coisa volto do mesmo jeito.
─Certo, não sei se pode dar certo, mas eu te ajudo, vou com você lá em baixo, fico de olho enquanto se lambuza e sai, depois volto pela janela e fico aqui, mas e quando o sino da igreja tocar, vão querer saber quem tocou.
─Amy eu preciso de umas duas horas, duas e meia, depois se não estiver de volta, bom, então eles não vão precisar me matar.
─Cala a boca idiota! Ela fica brava, mas então fecha a porta do quarto, nos olhamos e descemos pela janela, tudo muito fácil, eu corro até o zumbi, acerto minha faca em seu olho, depois Amy me ajuda a arrasta-lo para um canto, nos olhamos um tempo para aquela coisa e o cheiro é insuportável, me abaixo decidido, pego minha faca, Amy se afasta para olhar se alguém vem vindo.
Abro a barriga do zumbi, não é muito difícil, o cheiro é ainda pior, um sangue quase negro começa a se espalhar, me sinto enjoar, tenho engulhos, mas fico firme, espalho tudo pelas roupas, muito, braços, pernas, peito e até no rosto, mas com cuidado, pego os intestinos, eles estão se soltando, mas penduro no pescoço como Glenn disse que fez e então Amy volta.
─Esse cheiro nunca mais vai te abandonar ratinho!
─Será? A ideia me assusta um pouco, mas Glenn não cheira a zumbi, nem o Rick.
─Tem certeza? Ela me pergunta e apenas afirmo.
─Devia ter te abraçado antes, agora é apenas tchau, cuida de todos ai, se minha mãe... Não, não tenho nada a dizer, digo tudo na volta, essa coisa de despedida é para os que não tem certeza.
─Melhor assim.
Olho para Amy mais uma vez, se não puder voltar se for a última vez que vejo uma pessoas viva então que bom que é ela, minha melhor amiga e futura qualquer coisa mais séria quando tivermos idade.
─Eu vou indo – Ela concorda – O que pode ser pior que ajudar na horta? Eu pergunto.
─Não sei!
─Tomara que minha mãe também não saiba, nem sei que castigo ela vai me dar na volta.
Eu sigo para o muro, as pernas tremendo um pouco, coloco dois caixotes, um sobre o outro, olho pela última vez para Amy, e então subo, me sento no muro, passo as pernas para o lado de lá, fico olhando se algum deles me nota, se sentem algum cheiro ou desejo por mim, continuam na metódica tentativa de passar pelos muros arranhando e arranhando, pulo juntando tudo que tenho de coragem nem isso chama a atenção deles.
Sem alternativas eu começo a andar, aperto tanto a pistola que chega a doer minha mão, mas não consigo evitar, passo ao lado deles, tentando não esbarrar em zumbis, vou andando e evitando olha-los.
Eles vão diminuindo, até que preciso desviar de um ou outro, acho que demoro pelo menos dez minutos para sair do meio deles, só consigo pensar se minha mãe e meu pai vão me perdoar um dia.
Quando os zumbis estão mais distantes me atrevo a olhar para trás, não consigo ver Amy, mas sei que no ponto onde estou ela pode me ver, então olho na direção que ela estaria, e depois começo a caminhar, depois de uns minutos vou ficando tenso, com medo, um zumbi ou outro está passando, não dou atenção e então me ponho a correr, avisto a igreja, fico feliz só de pensar que meu plano pode dar certo.
Estava a alguns metros da igreja quando vejo Tommy, nada pode me deixar mais feliz, diminuo o passo, esgotado demais, foi pelo menos meia hora de corrida, mal me aguento de pé, ele me vê, fica pálido, eu diminuo mais o passo, Tommy passa a mão pelo rosto, baixa a cabeça, não parece nada feliz em me ver e então ele ergue a pistola em minha direção.
─Tommy! Eu grito.
─Nick? Ele baixa a arma, sorri e vejo que ficou aliviado – Meu Deus Nick eu quase fiz... Nick, nossa! Tommy vem até mim apressado – O que faz aqui, cadê todos, aconteceu, a vila caiu? Meus Deus pensei que era um zumbi, nossa achei que tinha se transformado, nossa pensei que se algo assim tivesse te acontecido...
─Desculpa, não entendi que estava me confundindo comum zumbi, eu fugi.
─O que? Ele se espanta.
─Tive uma ideia, resolvi tentar tocar o sino da igreja, me melequei todo e passei por eles, deu certo.
─Pensei o mesmo, estou feliz que está aqui, vai me ajudar num plano, vamos resolver isso, os zumbis já estão conseguindo entrar aos poucos.
─Acho que sim.
─Certo, vem comigo! Vamos até o carro onde tem dois jovens, um rapaz e uma moça, mas nada de Gina.
─E a Gina? Eu pergunto e então ele me olha, não é preciso dizer nada, sinto uma tristeza me consumir, nunca paramos de perder nossos amigos, eu fiz certo em tentar salvar as pessoas.
─Esse é o Nick – Ele me apresenta aos dois – Nick esses são Liv e Doug, agora vamos ao plano antes que seja tarde, Nick sabe chegar ao nosso esconderijo número um, não sabe?
─Aquele galpão com suprimentos?
─Esse – Eu afirmo – Ótimo, vai de carro com os dois até lá, vão explodir o lugar, depois vão pegar o carro e correr para o número três, se lembra a casa do sobrevivencialista, a que tem o porão.
─Sim!
─Vão ficar lá até alguém ir busca-los, ou...
─Certo Tommy e você? Nem deixo ele terminar, tudo vai dar certo.
─Vou tocar o sino e depois quando eles se dispersarem vou para a vila, aviso seu pai, ajudo a matar todos e vamos te buscar.
─Acha que vai dar certo? Ele parece estar tratando de um ninho de ratos e não de uma horda de zumbis.
─É o que temos, com o sino e a explosão vamos afastar muitos.
─Como vai chegar a vila com todos aqueles zumbis vindo?
─Nick, sou eu, o Tommy, eu me viro – Ele me olha – Nossa sua mãe vai me matar quando souber que te coloquei nessa.
─Não se preocupe, ela vai estar acabando comigo e não vai ter tempo, mas e se vierem mais?
─Virão, mas vão seguir para a explosão, ou para a igreja, vamos pegar o que pudermos e depois manter silencio uns dias, esperar que se dispersem, sei lá Nick, uma coisa de cada vez, são bons quilômetros de distância.
─Então vamos de uma vez, as coisas estão esquentando lá dentro.
─Doug, pode cuidar dos dois? O garoto afirma.
─Tommy eu não posso ficar com você?
─Não Liv, você vai estar mais segura com eles eu vou estar sozinho, e sem carro, agora vão.
─Só uma coisa, como vamos explodir tudo? Doug me pergunta.
─Sabe Doug, esse garoto é dinamite pura, se ele não puder explodir um galpão ninguém mais pode, um dia vai saber quem são os pais dele e vai entender.
Não nego que isso me deixa orgulhoso, mas logo Tommy faz aquele ar severo que deixava a gente sempre meio com medo e me faz um sinal para ir, então pegamos o carro, vou ensinando o caminho, atrasamos um pouco por que temos que desviar de um grupo de zumbis.
Chegamos ao galpão mostro a entrada, Doug arrebenta as correntes e entramos, a moça é muito assustada, ela fica o tempo todo tremendo.
─Garoto você fede! Doug me diz e dou de ombros – Andou mesmo no meio daquela horda?
─Não. Eram menos, vim pelos fundos.
─Ótimo, e agora?
─Vamos levar umas caixas para o carro primeiro, tem armas aqui que não podemos abrir mão, Liv, aqui, isso é pólvora, não é muito, mas vai espalhando pelos cantos.
Ela concorda e eu e Doug levamos duas caixas para o carro, são pesadas, mas vale a pena, depois voltamos para dentro, pego duas granadas de mão, se minha mãe me vê com isso.
─Sabe usar? Pergunto a Doug – É só puxar o pino e atirar, não demora, atiro uma e você a outra.
─Combinado! Liv olha assustada – Liv vai para o carro.
Meia dúzia de zumbis começam a aparecer.
─Dou um jeito neles! Doug diz muito confiante.
─Não precisa eles estão longe.
─É melhor garantir – Ele sai andando com sua machadinha na mão, não acredito que o garoto vai escolher justo agora para mostrar para a menina como ele é forte.
Me preparo para fazer o que vim fazer, minha família me espera, não sei se Tommy já fez a parte dele, estamos longe demais para ouvir os sinos da igreja.
─Calma Liv! Eu digo quando vejo Doug derrubar o primeiro zumbi, mas este vinha um pouco mais à frente, os outros é que seriam um problema, ele então dá alguns passos, a granada no bolso, balanço a cabeça em negação, mais um zumbi vem do lado oposto, Liv não parece ser o tipo que mata zumbis, pego a pistola, não vou me arriscar com facas, ainda não tenho força nem altura para isso – Doug! Ele empurra um dos zumbis, acerta outro e quando se vira para pegar um outro dois avançam sobre ele, sem alternativa eu atiro, derrubo um, mas ele acaba mordido, uma mordida no braço com a machadinha que cai, outra na perna do zumbi que ele mesmo empurrou.
Liv começa a gritar junto com ele, ela de pânico, ele de dor, Doug cai e toma outra mordida, consegue se arrastar um pouco, lutando ainda.
─Sabe dirigir? Grito para Liv tentando fazer mira, mas estou longe demais.
─Sei! Ela grita.
─Vai ligando o carro!
─Nick! Ela grita me viro e o zumbi que vinha caminhando agora está perto dela, eu atiro ele cai e me volto para Doug, ele se arrastava, empurrando os zumbis lutando, consegue se desvencilhar, está com várias mordidas.
─Vão! Ele diz com os olhos fixos no galpão – Atira logo essa merda garoto! fico em dúvida, mas ele está ferido demais, não tem mais chance, não acredito na sua estupidez, não acredito na minha estupidez, meu pai vai me matar, depois da minha mãe é claro, sinto falta da segurança da vila, me dá medo e uma angustia, insuportável, eu devia estar perto deles, se algo der errado é com eles que eu devia estar.
─Nick! Liv grita, sigo apressado para a porta do carro, ainda vejo Doug entrar correndo aos tropeços no galpão, solto o pino da granada e uso toda minha força para atira-la o mais perto possível, entro no carro correndo e então a primeira explosão acontece, Liv se encolhe um pouco, depois acelera, então vem a segunda explosão e penso que ele conseguiu.
─Pega a estrada a direita Liv! Ela obedece, chora compulsivamente enquanto dirige, fico com medo de ela deixar o carro morrer ou qualquer coisa do gênero, mas ela dirige bem e vou dando as coordenadas, de vez em quando olho em direção ao incêndio rezando para ter dado certo, a fumaça preta sobe em rolos poluindo o ar e chamando atenção dos zumbis que vejo saindo da floresta.
─Falta muito? Ela pergunta.
─Não, pega aqui a direita de novo na estradinha de terra! Ela me olha assustada, mas obedece, entramos e então lá esta a casa que meu pai e Rick encontraram um pouco antes de chegarmos a vila, eles descobriram que havia um porão todo preparado para um apocalipse, com segurança, lanternas e tudo mais.
Liv para o carro e olho um instante antes de descermos, depois corro em direção a casa com Liv logo atrás de mim, abro a porta com a arma na mão, está limpa, de vez em quando eles vem conferir.
Abro o porão, um alçapão no meio da sala, ela me olha tensa.
─Eles mantem tudo seguro, não tenha medo! Descemos os dois e fecho depois de acender a lanterna, nos sentamos em silencio – Com sede? Ela afirma, pego uma garrafa de água e entrego para ela.
─Obrigada! Ela fica tímida.
─Vai ficar tudo bem! Acalmo a garota – Meus pais vem buscar a gente quando tudo acabar. Quantos anos tem?
─Dezesseis, e você?
─Doze! Ela me olha espantada.
─Caramba, você é uma criança, seu pai vai mesmo te matar.
Só o que quero é que todos fiquem bem para poderem ficar furiosos comigo, nada além disso.
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