Fim dos tempos 2
18 Capítulo 18 - Desvendando mistérios
Notas iniciais
Pov – Tommy
─Isso não devia ter acontecido! Eu digo pela manhã enquanto me visto, Gina ainda está na cama, nua e despreocupada, me olha com ar entediado, como se minhas palavras não tivessem nenhuma importância – Estou falando sério Gina!
─Já ouvi Tommy, não sou surda, apenas acho isso uma grande tolice, estamos dividindo a cama a duas semanas é natural que acontecesse uma noite dessas!
─Não, não é natural, somos amigos, e não quero me envolver com ninguém, nada, essa coisa de sentimentos, as pessoas morrem não quero me apegar a ninguém.
─Deixa de ser ridículo! Ela me diz se levantando, pega as roupas pelo chão, foi uma loucura a noite que passamos, devo admitir – Estamos aqui porque?
─Para descobrir quem é essa gente e o que querem, se são um risco para nossa comunidade.
─Exato! Ela veste a calça, fico grato, Gina tem curvas generosas – Porque se arriscou? Ela me pergunta, mas é apenas retórica – Porque se importa com aquelas pessoas, porque Daryl e Rick são como irmãos para você, por que apesar de fingir muito bem, adora aquelas crianças! Ela veste a blusa, agora sim estamos de igual para igual a vantagem sobre mim estava gritante – Como vê não pode fugir de sentimentos!
─Certo Gina, mas estamos no meio de algo aqui, não quero me distrair!
─Mas eu quero! Ela diz prendendo os cabelos num rabo de cavalo – Aliás é tudo que quero, não pense que estou falando de namoro ou algo do tipo, não quero você na minha vida, gosto de ser livre, estou falando de sexo, puro e simples, bom e natural.
─Mas eu não sou assim, acho bem ridículo aliás, essa sua coisa de sexo sem compromisso!
─Vá a merda Tommy! Ela encerra o assunto – E aí, acha que vão nos levar afinal para a tal sede?
─Deram um prazo, cumprimos nossa parte, saímos as ruas, ajudamos em tudo que foi preciso, acho que somos de confiança agora.
─Espero, já cansei desse lugar e quero ir para casa.
─E a Liv, como vão as coisas com a garota?
─Ainda não consegui tirar nada dela, mas ela sabe de algo, vejo pelo modo como teme tudo e todos!
─É só uma garota sozinha, talvez não saiba realmente de coisa alguma, pode ser só medo.
─Não é! Gina diz definitiva – E aliás se não fosse nós dois já estaria morta, se um dia sair sem a gente ela não volta!
─Então não deixamos que saia sem a gente e quando formos levamos a garota.
─Vamos! Gina me chama, a rotina é bem rígida, o café é servido bem cedo, depois cada um recebe as tarefas do dia, no nosso caso é sempre sair para as ruas, depois quando voltamos temos o resto do dia livres, mas nem sempre precisamos sair, como hoje, pelo visto vamos ficar livres o dia todo e para mim isso se traduz em tédio, queria muito poder voltar para vila, me preocupa como as coisas estão por lá.
Depois do café me sento com Gina e Liv, a garota virou a sombra de Gina, se pudesse acho que dormiria em nosso quarto, ela parece assustada, perdida e sozinha, não importa quantos dias passem está sempre assim.
─Acho que está perto de irem embora! Liv diz sentada ao lado de Gina.
─E você? Pergunto – Vai junto?
─Não sei Tommy um dia antes de chegarem um grupo foi e eu fiquei, então não sei dizer.
─Posso tentar falar com Katrina! Me ofereço, sei que estou arriscando, mas por algum motivo não quero deixar a garota, ela parece sempre tão desesperada.
─Não, eu não quero causar problemas! Ela diz tensa, dou de ombros, definitivamente eu também não quero problemas.
─O que vai fazer hoje? Gina pergunta a ela.
─Katrina não me deu nenhuma ordem hoje, acho que nada.
Então avisto Tom, o pau mandado da rainha Katrina, ele nos vê, caminha em nossa direção, estava bom demais para ser verdade.
─Tom! Eu o cumprimento, ele sorri, troca um olhar com Liv, ela não esconde a tensão, sim, tem coisa aí, muita coisa, vou descobrir.
─Tommy, Gina! Ele diz e então acena para uma senhora que passa com as crianças, com alguns ele assume um ar gentil, é tão obvio e falso, me dá vontade de rir.
─Parece que o dia vai ser leve hoje.
─Não para todos! Ele diz – Vou sair, mas vocês ficam, não vamos precisar de nenhum dos dois – Ele olha para Liv mais uma vez – Nenhum dos três.
Tom se afasta segue em direção ao carro, alguns poucos homens seguem com ele, entram muito armados, os portões se fecham assim que deixam o lugar, fico ali, com cara de idiota, entediado e sozinho, Gina já sumiu com Liv e deve estar agora de papo por ai.
Me recosto no banco, é bom ter de volta todas as minhas armas, caminho até meu carro estacionado ao lado de outros tantos, está ali desde que chegamos, eu me sento no volante, dou partida, acelero um pouco, é bom que ele esteja pronto, talvez algum dia eu precise dele, e é bom que esteja em perfeitas condições.
─Pensando em partir? Olho para o lado e lá está Katrina de pé, me encarando com seu sorriso cínico, esse jogo de gato e rato não combina comigo, gosto das coisas as claras.
─Não, estava apenas testando o carro, faz dias que está parado.
Eu desço do carro, ela ainda fica uns centímetros mais alto que eu, me encosto no carro, agora ela não anda mais cercada de seus seguranças, não acho que precise, acho mesmo que é o tipo destruidora, capaz de derrubar uma boa quantidade de zumbis antes que sinta os braços doerem, e gente, Bom gente com certeza não é com certeza um problema para ela.
─Está quase na hora de seguirem para nosso grupo, finalmente vão conhecer nossa comunidade, isso é claro se ainda quiserem.
─Queremos, com certeza queremos, será muito bom, eu espero, me diga Katrina, Liv, ela vai junto?
Katrina ergue uma sobrancelha, me olha me analisando, buscando algo nos meus olhos.
─Ela está pronta, não vejo porque não possa ir, notei que se aproximaram muito.
─Minha mulher, Gina é muito sentimental, se apegou a garota, estou sempre dizendo a ela para não fazer isso, afinal morrer hoje em dia é a coisa mais fácil, mas Gina não resiste.
─Maternal! Katrina me diz, depois simplesmente me dá as costas, caminha para longe, fico mais uma vez sozinho.
Na hora do almoço encontro mais uma vez Gina, a comida é mais escassa de costume, mas não estranho nem me importo, dias ruins não é novidade para mim, nem para Gina, assim como não deve ser para ninguém.
O dia chega ao fim, nada de Tom e o grupo que saiu, temos mais uma refeição, ninguém parece demonstrar qualquer preocupação, Katrina ri e desfila por entre os moradores como a rainha que acha que é.
Vamos para nosso quarto, me deito ainda tenso, queria ter perguntado por Tom, mas não perguntei, Gina está silenciosa, olha para o teto e nem parece me notar a seu lado, nunca vou entender essa mulher.
─Não resisti e perguntei a Katrina se Liv vai conosco para a comunidade, ela disse que sim, mas não me convenceu, eu dei a desculpa que você é muito maternal e se apegou a jovem.
─Tudo bem, talvez eu seja mesmo maternal.
─O que foi? Eu sabia que sexo iria criar um problema entre a gente.
─Nada Tommy, só estou... Eu não quero conversar com você, além disso me preocupo mesmo com a Liv, é uma boa menina e me Lembra a Megan, me da saudade das crianças, da Katie, fico pensando se estão bem, se estão seguros, se essa gente pode fazer mal a eles.
─Eu entendo, ela deve ter mais ou menos a idade da Megan, vai ser bom quando voltarmos, Katrina falou em nos levar para a comunidade finalmente.
─Falei com ela hoje, acho que ela agora confia em nós o bastante – Ela se vira para mim, me olha encolhida na cama de solteiro que dividimos e que ontem pareceu até grande demais, mas que merda, por que fico lembrando disso toda hora? – Acha que o Tom teve problemas, não voltou.
─O que me parece é que Katrina não está nem um pouco preocupada, e não por acaso não fomos convidados hoje.
─Sim isso eu percebi.
─Esse Tom, não gosto nada dele, de como olha para a Liv, acho que precisa realmente pressionar a menina, ela tem que dizer o que sabe e se devemos ou não seguir até a tal comunidade antes que nos enfiemos em algo muito grande.
─Amanhã farei isso.
Gina me diz e depois simplesmente me dá as costas, nem um boa noite recebo, mulheres, nunca vou entender essa raça.
Acordo com uma confusão do lado de fora ainda não amanheceu eu e Gina nos colocamos prontos em um segundo, faço sinal para ela que fica atrás de mim, com uma pistola na mão abro a porta, saio com cuidado, lá fora Tom e seus homens estavam de volta.
Não estavam sozinhos, mais três carros estavam parados, um ao lado do outro, os faróis acesos, eles descem e todo o grupo de sobreviventes que vivia no lugar estava ali, assistindo a chegada agitada deles, Katrina estava de pé de frente para os carros, ao seu lado seus seguranças.
─Como foi? Ela pergunta.
─Como sempre! Responde Tom, apenas uma baixa.
Dois homens retiram de dentro de um dos carros um homem ferido, ele tinha uma faixa no ombro, sangue seco pelas roupas.
─E o Jill aqui ficou ferido!
─Levem ele para a senhora Jackson! Katrina ordena.
─Muita resistência? Ela pergunta.
─Nada demais! Ele responde e então um de seus homens abre a porta de um dos carros, um homem encapuzado e amarrado é retirado, noto que tem algo errado pelo modo como se comporta, tem sangue nas roupas, parece mesmo que vejo um buraco em seu peito, não é possível, eu penso – Trouxemos mais um guarda para nossos muros.
─Tirem o capuz! Ela ordena, o homem obedece, e como eu imaginava é um zumbi, ele geme, tenta pegar o homem morde o ar frenético – Pode leva-lo! Ela diz imperativa como de costume – O responsável?
─Ele mesmo! Tom responde com um sorriso, sei que tem um código ai e para mim ele quis dizer o líder, eu e Gina nos olhamos, não por acaso isso aconteceu hoje, não por acaso não pudemos ir, esse é sem dúvida nosso último teste, Katrina sabe que não somos idiotas que não vamos acreditar que isso foi alguma briga de rua, algum encontro infeliz, esse grupo saiu com uma missão definida.
Então os homens começam a tirar as coisas dos carros, armas, comida, munição, algumas coisas estão sujas de sangue, ficamos assim como todos apenas assistindo os homens de Katrina descarregando os carros, as coisas são levadas para as salas internas, a casa de Katrina é onde ficam as armas e as coisas mais importantes.
─Acho que isso é uma boa amostra de como estão seguros conosco e do que acontece com quem tenta destruir nosso grupo, então voltem para suas camas, amanhã vão ser agraciados com uma bela refeição, os dias ruins se foram.
Ela diz em voz alta as pessoas começam a se dispersar, então ela segue até nós, eu e Gina colocamos a máscara da gratidão.
─Seus homens tiveram um grande dia pelo que posso notar! Eu digo e ela sorri – Gosto de dias assim, teria gostado de estar com eles.
─Olha que posso acreditar nisso, quem sabe não está na hora de Tom se aposentar? Sorrio, será que Katrina confia em mim a este ponto? Não, ainda não, apenas quer encher meus olhos com a ideia, me deixar ganancioso, isso deveria fechar meus olhos para seus desmandos.
─Não seria de modo algum uma decisão ruim! Eu digo ela sorri, acena para Gina, tem uma certa tensão ente elas, Gina não é boa em esconder como se sente e nesse momento está enojada.
─Voltem para cama.
Eu pego a mãe de Gina, é bom que pensei que somos afinal um casal, vamos para nosso quarto, temos muito que conversar, decidir, acho que ficou claro quem são, agora a questão é, sair e voltar para casa?
Tentar acabar com esse grupo não seria inteligente, são muitos homens, já vi pelo menos cinquenta rostos diferentes, todos homens armados, soldados de Katrina, ou talvez de alguém ainda mais poderoso.
Escuto uma batida leve na porta, Gina segue até lá, Pego minha pistola, é horrível viver assim.
Liv entra assustada, estranho que tenha vindo nos ver no meio da noite, ela abraça Gina, parece chorar.
─O que foi Liv? Gina pergunta puxando a garota para cama as duas se sentam.
─Não gosto desse lugar, essas pessoas não são o que parecem, tem gente muito ruim aqui, essa Katrina, esse Tom e o Líder deles, nossa eu...
─Líder? Me intrometo – Que Líder?
─Eu ouvi uma conversa nos primeiros dias aqui, tem um homem que lidera as coisas, Tom fica indo e vindo traz notícias e ordens, eles atacam outros grupos, parece que hoje em dia tem muitas comunidades por aí, muita gente se estabeleceu, principalmente no norte, o frio ajuda.
─E eles atacam esses grupos e roubam? Gina questiona.
─Roubar? Ela arregala os olhos – Se fosse só isso, mas é pior, eles destroem tudo, matam todos, levam tudo que é valioso.
─Eles sabem que ouviu isso?
─Estou viva ainda, então não! Ela conta, faz sentido – Katrina diz que ele, o chefe não gosta de concorrência, não quer gente construindo nada, eles tem rastreadores, gente que sai por aí só caçando comunidades.
─E quando encontram...
─Então fazem o que viram, não quero fazer parte disso.
─Liv, preciso que prometa que vai continuar agindo como sempre, eu e o Tommy vamos pensar numa maneira de resolver as coisas.
─Se forem embora podem me levar? Ela pede, sinto pena, é apenas uma menina.
─Vá para cama agora, descanse e fique tranquila, não deixe que notem seu medo!
Gina a abraça e ela se levanta, caminha para porta, está muito assustada, mas a noite está acabando, as coisas estão complicadas e não é bom arriscar.
─Liv! Eu chamo intrigado, ela me olha – Se eles não sabem que os ouviu, por que Tom te olha daquela maneira, ele sabe que o teme, usa isso contra você, porque?
Liv não responde, olha para o chão, morde o lábio, depois seus olhos seguem para a proteção do olhar doce de Gina.
─Ele visitou meu quarto duas vezes.
Que porra de lugar é esse? Fico furioso, me ergo com vontade me matar o infeliz, ela volta a chorar, Gina a abraça mais uma vez, ela se encosta nela, demora a se acalmar, depois quando se recompõe nos deixa.
Gina se senta ao meu lado, está angustiada, eu a abraço, não sou esse tipo de cara que fica consolando mulheres, mas é Gina, então eu a abraço, ela se encosta em meu ombro.
─Se acalma Gina, precisamos pensar em como sair dessa!
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