Fim dos tempos 2

19 Capitulo 19 - Primeira aula


Notas iniciais
Olá pessoas, não é dos maiores, mas de agora em diante a história relamente começa a ficar tensa, mas prometo não esquecer do romance.

Pov – Carl

Eu e Daryl sempre estivemos do mesmo lado quando o assunto era a segurança de Megan, mas acho que algo deu errado, talvez ele só queira me punir por conta do que aconteceu.

Não esperava Megan no meu quarto no meio da noite como aconteceu, isso nunca sequer me passou pela cabeça, é claro que gostei, mais do que isso, nem sei se tive alguma vez na vida uma noite como a de ontem.

Estava feliz, esperançoso de ela se sentir finalmente pronta e quem sabe falar com ele, mas então ela caminha ao lado do pai toda armada e pronta para fazer a ronda com a gente, nem acreditei, mas não seria eu a dizer não, se o plano dele era me ver brigando com ela se deu mal.

Eu olho para ela caminhando na minha frente ao lado do pai e de Mich, é tão perfeita, Daryl está com a besta em punho, sei que estou sendo injusto, ele nunca foi realmente um empecilho para nosso namoro, colocou suas regras, mas nunca fez nada para nos atrapalhar, até me ajudou, mais de uma vez, com seus conselhos, ninguém conhece Megan mais do que ele.

─Vamos pelo norte, damos a volta na vila por lá, assim olhamos as valas! Daryl diz apontando na direção que quer ir.

─É sempre assim que fazem dão a volta na vila?

─Sim, mas hoje vamos aproveitar e caminhar pela floresta um pouco, se lembra ainda Carl? Daryl me pergunta, durante um tempo eu, ele e Katie fazíamos isso, me lembro de como era, dele tentando me ensinar a usar a besta, mas acabou que as coisas se complicaram e então quando finalmente chegamos aqui e tudo ficou bem, eu já não tinha muita vontade de aprender.

─Me lembro.

─Ótimo, está na hora de voltarmos a trabalhar juntos, de verdade, nem sempre é sobre matar zumbis, sabe disso!

─Meu pai te mandou, é aquela coisa de ter o gatilho rápido? Daryl com essa história de me ensinar só pode ser coisa do meu pai.

─Não, até acho que falhei em não falar com ele sobre isso, é sobre ser um futuro líder, sobre casar com minha filha, sobre enxergar além, abrir os olhos, mas não fechar os outros sentidos.

─Isso é coisa de caçador! Eu respondo, na verdade eu sei que sempre que alguém quer me ensinar algo fico relutante, é da minha personalidade.

─Acho que devemos ouvir meu pai! Megan me diz.

─Também acho! Michonne concorda, sempre levo em conta o que ela diz, somos amigos, acho que ela é a melhor amiga que tenho.

─Vamos em frente! Daryl tem aquele jeito calado dele, sei que vai ficar me dando conselhos e fingindo que não está fazendo isso, vou prestar o máximo de atenção, saímos um pouco do percurso habitual, nada que devesse ser um problema, mas como estamos com Megan eu naturalmente fico tenso.

Estamos próximos da estrada, não gosto de estar aqui, tudo pode acontecer, zumbis, pessoas, quem sabe o que nos espera.

Andamos um pouco pelo acostamento e então vemos um carro que não estava lá antes, nos aproximamos, estamos atentos.

─Que acha Carl? Daryl me pergunta.

─Que temos que ver o que tem nesse carro! Eu respondo seguindo na frente.

─Tem certeza? Megan me diz parando – Acho que tem mais zumbis que o normal.

Olho em volta não vejo nenhum zumbi, ela olha para o pai que ergue a besta, Michonne pega a espada.

Guardo minha pistola e pego meu facão, não ando muito com esse tipo de arma, apenas nas ruas porque tiros não são boa ideia.

─Onde Megan? Michonne pergunta e ela aponta para além do carro.

─Minha mãe sempre me ensinou, talvez eu esteja errada.

Mas então meia dúzia de zumbis começam a sair da floresta, eles deviam vir em nossa direção, mas se interessam mais pelo carro, ficam batendo no vidro tentando entrar.

─Que porra é essa? Me pergunto — Tem alguém no carro?

Michonne parte na frente em direção a eles, seguimos seus passos, meu coração a mil, agora Daryl me olha, sem palavras decidimos que Megan é a prioridade e nos fechamos em sua frente, posso sentir sua revolta mesmo sem olhar para ela.

Quando chegamos Michonne já tinha derrubado dois, Daryl atira uma flecha e o terceiro cai, os outros vem em nossa direção, é um número mínimo, Mich corta duas cabeças ao mesmo tempo e Daryl acerta sua flecha no último.

Fico aliviado por estar tudo bem, estamos a alguns metros do carro, dou o primeiro passo para ir em direção ele a porta já se abria quando escuto Michonne praguejar.

─Merda! Ela diz, olhamos primeiro para ela, depois para a direção que ela olhava e zumbis caminhavam para nós, talvez vinte deles, vindos do lado oposto do carro, alguns pela esquerda.

Quero apenas deixar Megan bem, segura, ela pega suas facas na cintura, eu a recrimino com o olhar.

─Não temos saída! Me diz e está certa, correr para longe só significa ficar ainda mais longe de casa, e mais perto dos perigos que nos cercam.

─Vai ratinha, você começa! É assim quando Katie está, primeiro suas facas voadoras, depois as flechas então a espada e as facas, e por último se for desesperador, os tiros.

Ela atira suas facas, erra uma vez, mas acerta todas as outras, mas errar uma faca não é seu maior erro, no meio da tensão ela acaba por atirar todas as facas, devia ficar com uma para sua segurança.

Daryl atira suas flechas, Michonne parte ao meu lado para pegar os que agora ficam mais próximos, tento me concentrar em evitar que se aproximem de Megan.

─Aqui ratinha! Daryl atira sua faca para ela e vira a besta, vai usar o cabo, não é a primeira vez que faço isso, apenas Megan não está a acostumada, mas é a primeira vez que ela está conosco e acho que todos ficamos mais tensos, Megan se afasta um pouco do combate, apenas permanece com a faca na mão.

─Papai! Ela grita, derrubo um zumbi e me viro, um zumbi avança sobre ela, Megan cai ele está próximo, Daryl armava a besta, Michonne cuidava de dois e só posso sacar a pistola, mas um tiro ecoa e derruba o zumbi, é um tiro certeiro, olhamos e lá está Brian de pé na porta do carro.

Me viro de volta para pegar mais um zumbi, sinto ele a um centímetro de mim, Megan se ergue e Daryl e Michonne derrubam os dois que restavam.

Imediatamente aponto minha arma para Brian, não sei o que faz aqui, não sei porque está sozinho, onde está Mary a mãe do garotinho que Lizzie matou, afinal ela partiu com ele.

─Carl! Daryl adverte.

─O que ele faz aqui? Pergunto – Não vou baixar a arma! Daryl não retruca, passa por mim e segue até Brian, estende a mão e não entendo aquilo.

─Obrigado, salvou minha filha, nunca serei grato o bastante.

─Estava tentando voltar, se não tivessem aparecido acho que não poderia descer do carro.

─Onde Mary está?

Daryl pergunta, Megan me olha, caminha para mim, segura minha arma, assim como Daryl está grata e acabo baixando a guarda, detesto isso, talvez seja o lado obscuro que Lizzie me disse, o monstro que mora dentro de mim querendo sair.

─Mary não suportou, ela desistiu, se matou, não faz nem quatro horas, eu a deixei no carro que me deram e fui em busca de algo para comermos, quando voltei encontrei ela morta, um tiro na cabeça.

─Sinto muito! Megan diz – Obrigada! Ele dá de ombros.

─Nunca teria atirado em você!

─Então decidiu voltar? Daryl pergunta — Trocou de carro?

─O tiro de Mary chamou zumbis, só me restou correr para longe e então achei esse carro, pensei que sozinho não vou durar muito, lembrei do lugar que construíram, que Lauren está lá e decidi voltar, o carro parou de funcionar, eu pretendia descer e caminhar, mas vi os zumbis vindo, depois vocês lutaram e já sabem o final.

─Não foi mandado embora, então pode voltar, mas é bom que esteja sendo honesto.

─Daryl? Ele tenta confirmar, Daryl faz que sim – Salvei sua filha, não precisava, estava armado e poderia ter atirado em todos vocês e nem saberia o que aconteceu, estavam lutando e eu no carro.

─Vamos! Daryl diz por fim, acho realmente bom, não quero Megan aqui fora, era para ser uma volta segura no nosso perímetro, mas terminou com zumbis e esse cara que não confio de volta entre nós.

Ele nota meu desagrado, acho que todos notam, sempre sou avesso a novos membros, claro que já errei muito, como quando Gina e Tommy chegaram no grupo, demorei a confiar neles, mas não acho isso errado, é seguro, muito mais seguro não baixar a guarda para estranhos.

Recolhemos as facas de Megan, as flechas de Daryl e começamos a voltar.

─Sabe que errou? Daryl pergunta a Megan.

─Sim, devia ter ficado com uma faca, me empolguei, estava com medo e pressa, atirei todas como se isso fosse derrubar os zumbis, e além disso errei uma, mas quando eles caminham para nós é diferente.

─Isso ratinha, mas já os enfrentou quando fugiu de carro.

─Eu sei, sabe que o fato de estar sozinha foi o que me fez me concentrar.

─Ótimo, então esqueça que estamos com você e da próxima vez pense que precisa se defender, não confie que sempre vamos te defender.

Ela sorri em gratidão, depois segura minha mão e continuamos a caminhar, me lembro do dia que fugiu para ver um carro quebrado na estrada, depois de sua aventura escalando minha janela, acabo sorrindo involuntariamente.

─Carl Grimes rindo depois dos momentos de tenção que passamos, o que pode ter provocado isso? Ela me pergunta e passo meu braço por seu ombro, estamos andando mais atrás.

─Você, o que anda tomando? Quero um pouco! Ela ri –Sim senhora, foge, escala paredes no meio da noite, quem é você, o que fez com a minha namorada?

─Bobo! Ela sorri – Quero meu espaço, mas vou tomar mais cuidado, achei que estava mais pronta, mas não, a teoria é uma coisa, prática é outra.

─O que deu no seu pai? Falo baixo porque ele está logo a nossa frente.

─Seja o que for estou bem contente.

─Já eu...

─Não faça isso Carl, não pode cuidar de mim, quer e fico feliz, mas não pode, não tem controle sobre o que acontece, então não me coloque numa redoma, eles chegam e arrebentam tudo, só vai conseguir nos matar.

─Não posso me esquecer que é filha da Katie! Ela sorri orgulhosa – Vai contar o que aconteceu?

─Adoraria não contar, mas meu pai nunca guardaria um segredo dela, ele logo se entrega, fica todo confuso, mete os pés pelas mãos e já sei como termina, então é melhor dizer o que aconteceu.

─Tem razão! Concordo com ela, estamos mais perto do portão então diminuímos mais ainda os passos, agora esse campo é realmente tranquilo.

─Vão ver as valas! Daryl diz por sobre o ombro, arregalamos os olhos os dois, e seguimos obedientes, é muito para mim esse nível de confiança, mesmo sabendo que não tem quase nenhum risco agora.

Ficamos sozinhos, caminhamos um do lado do outro, olhando em todas as direções.

─Linda o que seu pai quis dizer sobre casar?

─Exatamente o que disse, que vai se casar comigo, eu ia te contar, mas então aconteceu um monte de coisas, meu pai quer um pedido formal e uma cerimônia!

─Sabia que ele faria isso comigo! Reclamo – Com todos a nossa volta?

─Sei lá! Respondo – Acho que tipo casamento na torre.

─E vai obedecer? Eu questiono, ela me encara, não parece tão feliz agora.

─Eu não, você vai, afinal é você que tem que pedir, mas podemos continuar como estamos, essa é uma decisão sua afinal!

É isso, estou encrencado, feri seus sentimentos, ela dá uns passos na frente, suspiro, mulheres são mesmo uma complicação e essa então é uma das grandes, foi criada por Katie, Maggie e depois de um tempo Gina, as mais feministas do apocalipse, sei bem como é aquele negócio de tardes de meninas, ficam reunidas trocando dicas de como nos aprisionar, e fazem de um jeito que a gente gosta, chega a querer jogar a maldita chave fora.

─Me espera linda, eu vou fazer o pedido! Ela sorri vitoriosa.

Chegamos as valas, quatro zumbis estão lá, considerando que estamos a dois dias sem checar é um número mínimo, pode esperar mais para serem queimados e recolhidos.

Voltamos agora de mãos dadas, no caminho tem um zumbi preso nas estacas ele geme se contorce, é tão deprimente, um dia foi uma pessoa, talvez tenha se casado, tido filhos, sonhado os sonhos que eu ainda tento sonhar.

─Me deixa fazer! Megan segura meu braço quando puxo minha faca, devolvo a faca ao cinto, ela pega uma das suas e atira, acerta bem o olho, é igual a mãe, ás vezes duvido que não é mesmo filha de sangue.

Eu pego sua faca de volta e agora caminhamos para casa.

─Não gosto desse Brian, ele apontou uma arma para você, não é confiável!

─Sabe amor! Ela me olha – Acho que tem uma coisa importante que as vezes se esquece, pessoas boas fazem coisas ruins.

─Acho que posso me encaixar nessa categoria.

─Eu acho que o que precisa é parar de procurar desculpas, fazemos o que é preciso, isso não nos classifica em bons ou ruins e devia esquecer as tolices que Lizzie te disse, ela está morta, eu não a quero mais entre nós, ela achava que tinha um lado obscuro, pois bem você o tem, assim como eu ou qualquer um de nós, se vai deixa-lo te dominar ou não é uma escolha sua.

─Lizzie nunca esteve entre nós, mas acho que está certa.

─Se fosse o monstro que acredita ser nem estaria se questionando.

Eu a faço parar, estamos sozinhos, no momento seguros e quero um beijo, ela nota, sorri e me envolve o pescoço, eu a amo, e se preciso pedir a Daryl então farei isso, nos beijamos, mas o pedido vai ficar para outro dia, agora me contento com esse beijo, e com as memorias da noite que tivemos.

─Quando vai dormir comigo de novo?

─Quando fizer o pedido espertinho! Ela diz me puxando pela mão e então Beth nos abre o portão, gosto de vê-la assim, fazendo coisas que antes tinha medo, agora sai lá fora, cuida da segurança e ainda assim é a mesma Beth de sempre.

─Tem sopa de legumes sobre o fogão! Nos avisa – E Megan se prepare para um forte e doloroso abraço, sua mãe já sabe o que aconteceu.

Nos olhamos e seguimos para dentro enquanto Beth fechava os portões, parece que esse foi só o primeiro dia do curso intensivo de sobrevivência Daryl Dixon.

Notas finais
E então? me digam o que acharam. beijos