Fim dos tempos 2

43 Capitulo 43 - A visão do inimigo


Notas iniciais
Oi gente, mais um, espero que gostem o próximo deve sair na quinta, no máximo sexta, ando trabalhando muito.

Pov – Carol

─Tom já partiu, levou alguns homens com ele e mandei voltar em sete dias, assim ficamos mais perto do prazo que deu.

Katrina invada minha sala sem bater, a única pessoa que se atreve a fazer isso, me irrita tanto quanto qualquer outro, mas me contenho, preciso de Katrina, de sua força física e do poder de persuasão que sua presença provoca, quando Katrina caminha pelas ruas de Horizonte as pessoas se sentem protegidas e seguras.

─Ótimo, vamos ver se aquele idiota não faz nenhuma tolice até precisarmos dele de novo.

─Tom é mesmo um idiota, tive que mandar os melhores soldados com ele, apenas quem tinha treinamento.

─Imaginei que faria isso, ele matou mesmo aquelas duas coisinhas?

─Garantiu que sim! – Katrina se senta na cadeira diante de mim, não dá sinais de que pretende me deixar sozinha, me ergo e caminho até a janela, olho para as ruas movimentadas, um velho está sentado diante de uma porta fumando um cigarro tranquilo, balanço a cabeça, essa gente tem mesmo muito que me agradecer, não fosse eu e o que tive que fazer estariam mortos, ou vivendo uma vida medíocre de medo e solidão.

Ninguém quer saber quanto custa aquela segurança, o que é preciso ser feito, mas estão seguros, tem comida na mesa e isso é o que importa, essa foi uma lição que Phillip Blake me ensinou, encha os olhos dos seus seguidores e eles não vão querer saber de mais nada, não vai ser contestado, nunca vai ser.

Foi o que primeiro notei quando as pessoas de Woodbury chegaram a antiga prisão, eles nunca sonharam que seu Governador não era confiável, que fazia coisas das quais eles sentiriam nojo.

─Os homens que saíram atrás de Jay já voltaram?

─Sim, nada dele! – Ela responde prontamente – O garoto evaporou.

─Garoto estúpido, deve estar agora nas entranhas de algum zumbi, ingrato! – Eu fico muda, volto a me concentrar nas ruas de Horizonte, na tranquilidade cega daquelas pessoas.

─Está tudo bem? Sinto que anda muito preocupada – Katrina surge atrás de mim, coloca uma mão em meu ombro e me viro, ela sorri, me afasto, não gosto de sentir seu toque, suas pequenas e nem sempre sutis investidas, ela nunca se atreveu a ser direta, mas nós duas sabemos o que ela espera em troca de tamanha dedicação.

─Tudo bem Katrina, aquelas pessoas não são de modo algum pareô para nosso grupo, mas gostaria que circulasse por ai, conversasse com os membros, escolhesse você mesma os homens que estão prontos para a luta, pode fazer isso agora?

─Claro, nos vemos no jantar, gosto de quando posso ficar um tempo aqui em Horizonte, longe do posto.

─Achei que adorasse ser a rainha! – Sorrio, um sorriso estudado que não sei se ela se dá conta, mas sorri de volta.

─Nem sempre, não o tempo todo e muito menos se pudesse escolher! – Katrina deixa a sala e volto para minha cadeira, alguns papeis estão sobre a mesa, anotações feitas por Gonsalez enquanto estive fora, comida, água, zumbis, problemas internos, empurro tudo para longe, não quero pensar nisso agora.

Minha mente segue para o passado, para aquela família maldita que destruiu meus sonhos, Daryl, o único homem que realmente amei, eu o tinha nas mãos, foi ele que sofreu comigo a perda de Sophia, que caçou minha filha como se fosse dele, me deu seu ombro e me protegeu, foi ele quem me salvou quando aquela porcaria de fazenda caiu e fiquei sozinha, tudo estava bem até aquela mulher chegar.

Foi só ele colocar seus olhos nela e tudo mudou, bastou ela caminhar daquele modo imponente e ele estava rendido, um dia depois ela tinha todo grupo a seus pés, ela sim se comportando como a rainha de um reino caído, todos cegos dizendo amém a todos os seus desmandos, suas ideias.

Ele podia estar aqui agora, reinando ao meu lado, sendo o senhor desse lugar, era um homem duro e decidido, mas se rendeu a ela e ficou fraco, um cachorrinho sem vontade própria.

O papai cuidadoso de dois ratos, sim nisso eles estavam certos, eram dois ratos, nada além disso, cresceram e são agora tão imponentes como aquela vadia estúpida, acham mesmo que tem o sangue Dixon, mas eles não tem, e não me importo com eles, vão morrer de qualquer modo.

Já o pequeno é diferente, aquele sim eu quero, o que saiu de suas entranhas, o que tem a mistura do sangue dos meus inimigos, é ele que quero sob minha faca, é por ele que Daryl Dixon vai se ajoelhar, se render e aquela vadia vai assistir, e então quando os dois estiverem mortos vou presenciar sua dor, e só então ela vai morrer, não antes, de modo algum antes.

Não ligo a mínima para quantos vão cair, planejei isso minha vida toda, por isso construí esse império, essa fortaleza.

─Você me paga Katie, vou fazê-la se lembrar do tapa que me deu, de todas as ofensas, do seu olhar superior cada vez que desfilava com Daryl diante de mim, você vai pagar.

Me lembro de Rick, o fraco e atormentado Rick Grimes, tão tolo com seus sonhos de construir um mundo melhor, do dia que me mandou embora depois de tudo que fiz por ele, por seus filhos, eu matei aquelas pessoas, fiz isso e não me arrependo, fiz por todos nós, pelos filhos dele que ele me acusou de ter medo que convivessem comigo.

Eu podia tê-lo matado, estávamos sozinhos e eu podia ter feito isso, voltado para o grupo e ninguém jamais saberia o que aconteceu, mas não fiz, quando olhava para aquele homem tolo que achava que podia me dar as costas só o que pensei foi que um dia eu teria minha vingança.

O dia chegou, ninguém nunca vai saber o que foi para mim estar de novo diante deles, assistir seus olhares de surpresa, foi mesmo uma pena não poder encontrar com meus inimigos de verdade, mas mesmo assim foi grande e principalmente depois de ver que ainda são os mesmos, que vivem do mesmo modo, que mesmo depois de tanto tempo e perdas eles ainda buscam viver como se o mundo ainda estivesse vivo.

Nenhuma grande perda, nenhuma morte importante, apenas coadjuvantes na épica história dos sobreviventes da prisão, como se Deus tivesse feito um acordo com eles, mas agora eu estou aqui e vou deixar as coisas mais em pé de igualdade, vão sentir na carne o que é perder um filho, um lar.

Um dia me mandaram embora, não me deram a chance de me defender, sequer me deram ouvidos, ninguém para questionar as escolhas de Rick, bom, os que viverem vão conhecer a dor de ser expulso de casa.

Se tem uma coisa que simplesmente sei, é que vão estar lá quando eu chegar, nenhum deles vai fugir, vão me esperar certos de que podem me vencer, ou morrer tentando e ainda vão achar alguma glória nisso, tolos hipócritas!

Finalmente a vingança! Sorrio tranquila, meu dia está chegando, o dia do reencontro com Daryl Dixon e sua família de mentira.

Deixo meus pensamentos de lado e me entrego ao trabalho, dar ordens era meu trabalho, manter aquelas pessoas sob minhas rédeas, nada muito difícil, resolvo os problemas do dia, caminho por meu reino com o sorriso estampado no rosto, aceno aqui e ali, meus tolos súditos acenam de volta, sorriem.

Katrina reúne os homens, vinte e seis no total, um número mais do que suficiente para todas as armas que temos, toda munição que consegui juntar durante os anos em que pilhei cada pequeno acampamento.

─Carol! – Ela me chama e me aproximo – Esses são os homens que lutarão conosco.

─Só posso agradecer a todos, as famílias de Horizonte agradecem o esforço, vão lutar contra inimigos rasteiros, gente da pior espécie, que não respeita regras, mas vamos vencer e manter nosso grupo forte e unido, me arrisquei indo até eles, consegui um prazo, uma promessa, temos alguns dias antes que venham até nós e por isso vamos nos preparar, então Katrina, nossa grande guerreira vai treinar todos que precisarem, não se sintam envergonhados de pedir ajuda.

─Senhora Petelie, para onde vamos, bem, eles tem crianças lá? Idosos?

─Gwen, é esse seu nome não é? – Pergunto para a jovem de cabelos encaracolados e rosto assustado que me olha atenta, ela afirma – Acredite, eles virão e matarão todos, então isso não deve fazer diferença, não é fácil manter um lugar como esse – Faço um gesto amplo, mostro com as mãos o que temos – Esse lugar foi construído a custa de sangue de muitos homens, agora não podemos deixar que alguém nos tome nossa casa, então apenas lute por esse lugar, não pense no tamanho ou idade dos inimigos.

─Certo! – Ela afirma pouco convencida, odeio gente fraca, simplesmente me da asco dos covardes.

─Mas ir até lá e lutar é uma honra que não deve ser utilizada por fracos nem covardes, então lutar é uma escolha! – Eu mexo com os brios daqueles homens e mulheres, desse modo nenhum deles se recusaria a ir, todos se sentem privilegiados e tenho dificuldade de esconder meu desprezo por sua mais completa burrice, não é à toa que caímos, que os mortos dominaram tudo, é um mundo de tolos que só enxerga o que lhes interessa.

Durante uma semana assisto de minha janela katrina treinar um por um dos nossos soldados, todas as noites sou obrigada a jantar em companhia dela, do seu olhar submisso que não combina nada com sua aparência forte, depois arrumo um modo de me ver livre dela e sigo para minha casa, a menor de todas, não sem querer, parecer humilde emociona os inocentes.

Humildade não é virtude como as pessoas parecem achar, é simplesmente fraqueza de quem não compreende sua real importância e valor, mas posso fingir, sempre posso, aprendi com os melhores.

─Problemas! – katrina invade minha sala numa manhã que parecia comum e tranquila, respiro buscando calma, encaro aquela mulher gigante que fica ainda maior quando para diante de minha cadeira com sua expressão preocupada.

─O que?

─Uma horda estava a caminho, Jim veio comunicar, chegou ontem bem tarde e não quis te acordar, então mandei o grupo de sempre, afastaram a horda, mas perdemos quatro homens, pelo que entendi uma desatenção, discutiram no meio do trabalho e perdemos quatro.

─Afastamos a horda não foi? – Eu questiono impaciente sem enxergar onde estava afinal o problema.

─Sim, mas Carol perdemos quatro homens, é um número razoável considerando que estamos indo para uma guerra.

─Temos vinte dois aqui e mais doze com Tom, não se preocupe, estamos indo em direção a covardes, vão se encolher e fugir, acredite eu mesma vi acontecer.

─Se está certa disso... Tom deve mandar alguém em dois dias, o que vamos dizer?

─Que fiquem em alerta, saímos daqui no dia marcado, vamos para o posto e de lá seguimos viagem para aquela maldita vila.

─Nesse caso, acho que vou tranquilizar o grupo, talvez você devesse fazer isso, eles confiam em suas palavras! – Ela me pede e respiro fundo.

–Vamos, vamos acalmar os homens.

Não é muito difícil de convencê-los, basta elogiar sua força e coragem e logo estão pedindo por sangue e guerra, então volto para minha cela, o rosto de Daryl e Katie tem me acompanhado dia e noite, não paro de pensar no meu momento final, no ápice de minha doce vingança, tenho dificuldades para dormir, e assim é na noite seguinte, então o dia transcorre lento, passamos o tempo todo a espera de Tom ou um de seus homens, mas ninguém aparece, nem sinal dele ou o que quer que seja, me irrito, o idiota era incapaz de cumprir uma ordem simples, não importa quanto tempo a guerra duraria, se nossos inimigos conseguiriam ou não matar Tom, mas ele não voltaria, eu mesma daria um jeito nele na volta.

─O que quer fazer? – Katrina me pergunta quando nos reunimos no portão.

─Pegue meia dúzia de homens, vamos até lá, quero ir pessoalmente dar uma boa lição em Tom, ele vai aprender de uma vez por todas.

Deixamos Horizonte uma hora depois, sigo furiosa durante todo caminho, aquele idiota vai estar sentado em uma cadeira estúpida olhando para lugar nenhum simplesmente porque não sabe fazer contas, vai dizer qualquer tolice e se desculpar e vou ter que aceitar por que sem ele e seus homens a guerra se torna um problema muito mais complicado.

Os portões estão fechados, mas não tem nenhum segurança, Katrina desce do carro para abri-lo, os zumbis continuam em suas correntes gemendo famintos como de costume.

O carro avança e nem preciso descer para entender o que aconteceu, tem corpos para todos os lados, o cheiro de podre me invade as narinas e mesmo depois de tantos anos sinto náuseas, coloco meu lenço no nariz quando desço do carro, caminho pelo lugar.

─Desgraçados! – Katrina pragueja – Malditos!

─Michonne! – Digo parando diante da cabeça de um dos nossos homens, a cabeça estava transformada e abria e fechava a boca – Katrina! – Ordeno com um olhar e ela se ajoelha para dar fim aquilo.

─Viu o corpo de Tom?

─Não! – Ela responde.

─Vamos entrar, recolher nossas armas no porão e adiantar a guerra, voltamos a Horizonte pegamos nossos homens e partimos hoje mesmo!

Eu odeio aquela gente, mas confesso que não esperava por isso, nunca achei que os idiotas começariam nada, esperava que fossem ficar armados guardando seus portões cheios de medo e palavras vazias de encorajamento, mas finalmente se moveram.

Quando entro na sala da casa de Katrina, nosso pequeno quartel general, a surpresa me domina e compreendo que finalmente eles se renderam a esse mundo e não são mais os mesmos, lá está Tom, amarrado a uma cadeira, transformado em zumbi, o corpo coberto de manchas secas de sangue, uma pasta podre e viscosa está sob a cadeira, o monstro fica se movendo, desejando nossa carne e patinando nos próprios fluidos.

─Foi torturado! – Katrina constata – Arrancaram uma parte do seu couro cabeludo, tem vários cortes.

─Estúpido e despreparado, e esses eram nossos melhores homens? – Eu a condeno, Katrina não me responde, caminho com minha faca em mãos, enfio eu mesma naquela cabeça que sempre foi oca e sem vida, um palhaço de circo, é isso que ele é.

─Acha que nos entregou?

─Não fomos atacados, duvido! – Suspiro – Vamos, tenho pressa, desça com alguém e pegue nossas armas, os explosivos estavam todos aqui não?

─Sim, eu disse a ele para proteger as armas.

Katrina pega dois homens e desce em direção ao porão.

─Maldição! – grita e sei o que aconteceu, odeio ainda mais aquela gente, cada um deles, vão conhecer minha fúria muito antes do que esperam.

─Levaram? – Pergunto quando Katrina surge mais uma vez diante de mim com o rosto lívido de ódio e de certo modo medo, ela odeia me desapontar, afirma e balanço a cabeça.

─Vamos, acabamos com isso hoje!

A viagem de volta a horizonte é feita em alta velocidade e muito silencio, fico repassando todos os planos na cabeça, teríamos que adaptar algumas coisas, tínhamos muito menos homens do que esperava e menos armas também, além disso agora eles estavam mais armados e o trunfo que era os explosivos pertencia a Rick e seu maldito grupo, mas eu venceria, sem dúvida eu venceria, eles não tinham tanto ódio crescendo e sendo alimentado dentro deles, mas eu sim.

Partimos de Horizonte no início da noite, procuro parecer firme e tranquila, mas não estava, eu tinha sede e meus homens não podiam perceber isso. Chegaríamos ao amanhecer e era assim que seria, pegaríamos o velho grupo da prisão descansando, eu tinha certeza que teriam um ou dois homens de vigia enquanto o resto dormia com suas famílias cheias de crianças inúteis, quando se dessem conta já estaríamos com metade do serviço pronto, então era só encontrar os Dixons e dar a eles o que mereciam.

Katrina para o carro de modo brusco quando nos aproximamos da vila, dezenas de zumbis cercavam os muros, os malditos não paravam de nos surpreender.

─O que vamos fazer? – Ela pergunta.

─Matar Katrina, foi isso que viemos fazer aqui, matar zumbis, entrar e matar os sobreviventes!

─Como vai convencer esses homens?

─Estou farta! – Grito furiosa – Vai ser simples, vou matar qualquer um que se recusar, vou entrar lá Katrina e vou ter minha vingança!

Notas finais
Gostaram? Estou mega curiosa para saber. Beijos