Fim dos tempos 2
14 Capitulo 14 - Soluções
Notas iniciais
Pov – Rick
Ela vai ficar bem, Judy lutou pela vida mais de uma vez, superou os meses na estrada ainda na barriga da mãe, venceu o parto traumático, depois foi a luta por comida, então acabamos na estrada e ela passou frio e fome muitas vezes quando era ainda apenas um bebê.
Tenho certeza que é forte o bastante para superar isso, preciso ter esperanças, não me resta outra escolha, Beth está a seu lado, os olhos grudados na menina que dorme agora com um ar mais tranquilo.
─Vou procurar o tal Brian, sabe onde me encontrar se precisar de alguma coisa, o Carl e a Megan estão na sala! Beth ergue o olhar e me sorri daquele jeito doce que ela tem e que nada parece afetar.
─Cuidado e paciência! Ela me diz e concordo com um movimento de cabeça, tenho exercitado muito essas duas coisas desde que o mundo acabou.
Sigo para casa onde Brian está, eles estavam bem animados com o lugar, arrumando tudo, limpando e tentando se adaptar e então isso, é inexplicável, entro sem bater, Brian está sentado no sofá, as mãos escondem o rosto, que ele ergue quando me vê.
Phill e Emmet estão de pé cada um de um lado da sala, os braços cruzados no peito encarando o homem.
─Finalmente, o que vai ser, vai me matar como fizeram com o Andy?
─Claro que não! Eu aviso.
─Então porque os capangas?
─Não são capangas, são homens da comunidade, gente boa e honesta, estão aqui para garantir a sua segurança e a nossa.
─E onde estavam quando o pequeno foi assassinado brutalmente? Ele pergunta se arrumando no sofá, assume uma postura inquisidora, me sento diante dele, o encaro firme, estou sem paciência, mas me lembro das palavras de Beth e busco meu auto controle.
─Esses homens estavam ocupados com seus afazeres, ninguém achou que algo assim pudesse acontecer.
─Não? Ele me encara duvidando, está certo, de algum modo nós imaginamos que Lizzie pudesse fazer alguma loucura.
─Minha filha está ferida, também foi quase morta, não haja como se nada de ruim tivesse acontecido ao nosso grupo.
─Ao que parece ela está viva enquanto o Andy está sendo enterrado nesse momento.
─Quer ir até lá? Pergunto – Participar da cerimônia?
─Não, eu não iria ainda que estivesse livre, o que não parece ser o caso.
Ficamos em silencio nos encarando um instante, medindo forças, me recosto na cadeira, faço um sinal pedindo a Emmet e Phill para saírem, eles deixam a casa e Brian me encara com um sorriso no rosto.
─Confiante! Ele diz.
─Tenho uma pistola! Toco o coldre e ele concorda.
─Espero que eu ainda tenha uma!
─Pode estar certo disso, não somos ladrões, nem assassinos, tínhamos uma garota que enlouqueceu, ficou sozinha por um descuido e fez o que fez, demos sorte de Megan e Nick terem chegado a tempo e impedido um show de carnificina ainda mais grotesco.
─Os garotos andam bem armados por aqui! Ele diz cruzando os braços no peito.
─Tem filhos, já teve?
─Não! Brian responde.
─Meu filho teve muito pouco tempo antes do apocalipse, era bem pequeno quando a infecção se espalhou, minha filha nasceu no meio de toda essa confusão, o que esperava que fizéssemos? Pergunto, ele apenas me olha sem nada dizer – Como vê só nos restou treinar e armar nossas crianças, não estivemos sempre aqui, protegidos por esses muros, já estivemos lá fora, por muito tempo aliás, já assistimos nossa casa cair mais de uma vez, com pequenas crianças a nossa volta.
─E agora eles se sentem prontos para matar?
─Sim, se for preciso, escute, pode escolher, aceitar o modo como vivemos, entender que foi uma fatalidade, ficar e conviver com isso e mais tudo que sei que já viu por ai e simplesmente engole porque não tem escolha, ou pode pegar suas coisas e partir, ninguém vai impedi-lo, pelo contrário, vou te dar um carro, suprimentos e combustível, é uma chance de tentar lá fora, mais do que tivemos muitas vezes, mais do que você tinha quando chegou aqui.
─É uma boa oferta, e Maria e Lauren?
─São tão livres quanto você.
─E acha que acredito nisso? Ele se levanta e fico alerta – Depois de como deixaram meu rosto?
Brian tinha um olho inchado e vermelho, uma ferida no canto da boca, e algumas escoriações.
─Acredite, está muito bem para quem apontou uma arma para a filha de Daryl Dixon.
─Não pretendia atirar, queria apenas que alguém me dissesse a verdade.
─Ninguém pagaria para ver! Aviso ficando assim como ele de pé – Então o que vai ser, enfrentar as ruas mais uma vez ou ficar e aceitar o que aconteceu?
─Se ficar vou ter minha arma de volta?
─Se ficar o tempo vai dizer, mas não temos zumbis aqui dentro, sabe disso e numa emergência não ficaria desarmado, mas depois de apontar uma arma para uma menina não espera que entregue a sua arma assim apenas porque me deu sua palavra, é um novo mundo com novas regras.
─Suas regras! Ele me diz parando logo a minha frente, meneio a cabeça.
─Parece que sim! Ficamos mais uma vez calados medindo forças – Vou deixa-lo pensando, espere Lauren e Maria voltarem então podem decidir juntos o que querem fazer, Emmet e Phill vão estar do lado de fora, se precisar de algo é só pedir.
Deixo a casa, Maria caminhava amparada por Lauren, eu as espero chegar, as duas me olham sem esconder a dor, Maria se solta de Lauren e entra, a loira fica parada diante de mim, parece abatida, mas não esconde o quanto é forte.
─Falou com ele? Ela me pergunta, afirmo com um movimento de cabeça – E então?
─Dei uma escolha, podem partir ou ficar, ninguém aqui é prisioneiro, ofereci suprimentos e um carro com combustível caso queiram seguir em frente, está nas mãos de vocês, se ficarem serão bem vindos, foi uma fatalidade, nada além disso.
─Ele já decidiu?
─Acho que quer conversar com vocês antes!
─Eu vou ficar! Lauren me avisa – Não aguentaria as ruas, não depois de chegar aqui, ter uma cama, comida e pessoas, não, definitivamente não posso mais, vou ficar independente da decisão dos dois.
─É bem vinda!
─Obrigada, sou médica e posso pagar com meus conhecimentos, posso fazer todo tipo de trabalho também, apenas não quero estar de novo lá fora.
─Por enquanto apenas descanse, cuide de seus amigos, quando essa crise passar vamos ver o que acontece.
Volto para casa, o dia chegando ao fim, encontro Carl ainda no sofá, Megan a seu lado, me sento com os dois.
─Está bem? Carl afirma com um movimento de cabeça – E você? Megan dá de ombros, suspira.
─Não tive escolha Rick?
─Eu sei, salvou Judy, você e o Nick e não foi a primeira vez! Eu me lembro da invasão de zumbis quando fomos limpar o bloco A, e as duas vezes foi por culpa de Lizzie.
─Gosto da Mika, mas acho que ela nunca vai me perdoar, como vai ser agora para ela?
─Ela tem a Maggie, vamos esperar e ver como reage, não se culpe Megan.
─Eu estou tentando! Ela me diz se abraçando a Carl que está silencioso.
─Preocupado com a sua irmã?
─Também, e um pouco irritado por não ter me dado conta que algo estava errado, vi a Mika passando com as crianças para casa dela, depois vi o Nick indo para lá e simplesmente não pensei que algo pudesse estar errado, ouvi os tiros e demorei para entender o que era, achei que era algo nos muros, fui até lá e só depois percebi a movimentação na casa da Maggie.
─Carl acho que com tantas coisas a nossa volta não vejo porque se irritar com isso, vou deixar vocês ai e ficar com a Beth.
─O que ficou decidido afinal? Carl me questiona.
─Eles vão pensar se querem ficar ou partir.
Subo as escadas, Beth está deitada com Judy que dormia, me sento ao lado de minha filha, tão pequena e frágil.
─Correu tudo bem com o Brian, ele vai decidir se quer partir ou ficar.
─Acho que vão embora, eu não ficaria se fosse Maria, não poderia! Ela diz acariciando o rosto de Judith, concordo com um movimento de cabeça.
─Como ela está?
─Ainda não acordou e eu não sei se está com dor ou não.
─Posso ficar com ela se quiser fazer qualquer coisa.
─Não consigo sair daqui! Ela me diz sei que não pode, Beth ama Judy profundamente, de um jeito que só as mães sabem amar, acho que esse foi o maior presente que a vida me deu, depois de tudo que me tirou, alguém como Beth, alguém capaz de amar assim, por inteiro e sem medo das consequências.
Judy abre os olhos, me olha e então procura por Beth.
─Mamãe! Ela chama e Beth sorri.
─Aqui anjo!
─Minha barriga está doendo! Ela diz com a mão sobre o curativo – E meu braço.
─Já vai passar.
─Cadê o Matt?
─Com a Katie e o Daryl! Beth avisa – Daqui a pouco ele vem brincar um pouco com você, está com fome?
─Não, só com sono, e o Carl?
─Já vai subir, precisa ficar bem quietinha para sarar logo.
─Papai a Lizzie é muito má! Judy avisa a Rick que segura sua mão.
─Já acabou filha, agora é só descansar um pouco e logo está boa.
─Eu vou dormir aqui? Sorrimos os dois.
─Sim, vai ser tipo a família Dixon! Brinco e ela sorri.
Deixo Beth com Judy e vou preparar algo para ela comer por que sei que não vai arredar pé dali, Megan sobe para ver Judy e se despedir, depois Carl a leva em casa, ela resmunga um pouco, mas meu filho está se sentindo irritado por que foi ela e não ele a fazer o que era preciso.
Ele volta para dentro e se senta comigo.
─Acho uma droga que a Megan tenha que ir embora, queria que ela pudesse ficar aqui, passar a noite comigo.
─Carl eu não me importaria sabe disso, mas já o Daryl...
─Eu sei, vou ver minha irmã e dormir.
Tenho uma péssima noite de sono, o tempo todo acordando preocupado com Judy, pela manhã ela está corada e sorridente, levo ela para sala a pedido de Beth, assim ela pode cuidar dela e das coisas da casa, saio logo em seguida decidido a resolver de uma vez a questão com Brian.
Assim que me aproximo da casa a porta se abre, ele e Maria saem com suas mochilas nas costas, Lauren está com eles, mas parece apenas se despedir, me aproximo.
─Decidimos partir, Maria não quer ficar e não vejo nada que me interesse nesse lugar, Lauren vai ficar, quer arriscar.
─Não é um risco, está mesmo decidida Maria?
─É inacreditável que tenha coragem de me perguntar isso? Ela diz cheia de fúria – Lutei dia e noite para manter meu filho vivo, ele nasceu no meio dessa coisa toda, foi como um milagre e a cada dia e então justo aqui, quando me descuidei e achei seguro ele foi tirado de mim, não vou ficar e Brian decidiu não me deixar sozinha.
─Se preferem! Não vou insistir, na verdade eu pessoalmente prefiro que vão embora, seria preocupante tê-los por perto sempre com medo de uma vingança.
─Preferimos! Maria diz com a voz embargada.
Aceno aceitando a decisão, deixo o pequeno grupo reunido e vou até a oficina onde Megan já estava envolvida no trabalho, ela me olha e caminha até o painel onde algumas chaves de carros ficavam penduradas, pega uma e caminha até mim.
─Está em boas condições e tem o tanque cheio.
Pego a chave e deixo a oficina, Sasha se aproxima com duas sacolas, traz comida e algum remédio, ganha um abraço de Maria.
─Obrigada, você foi muito gentil!
Acompanho os dois até os portões, Jeff está de guarda e assim que me aproximo ele os abre, segue comigo até lá fora, o carro está estacionado próximo a saída, nenhum agradecimento ou palavras de incentivo, eles apenas entram no carro e seguem em frente, fico uns minutos parado ali, observando o carro sumir na estrada a minha frente, depois Jeff me dá um tapa gentil no ombro.
─Um problema a menos Rick! Me diz e nem isso pode me deixar mais tranquilo.
Entramos e Daryl vem ao meu encontro, caminha com a besta nas costas se o conheço bem vai andar assim por pelo menos um mês, não tem ninguém mais desconfiado que ele no grupo.
─E se voltarem, e se tentarem uma emboscada? Daryl questiona olhando para os portões que Jeff fechava.
─São dois, apenas isso, vamos esperar para ver! Acalmo Daryl ou tento.
─Vamos esperar prontos, seria bom uma reunião do conselho, em quatro dias Tommy tem que estar de volta, o que vamos fazer se não voltarem?
─Acho que Tommy fez uma escolha, não sei se podemos arriscar nossa segurança indo atrás dele.
─E a Maggie e o Glenn, os viu hoje? Ele diz olhando em direção a casa deles.
─Não, mas acho boa ideia irmos até lá saber da Mika, ela deve estar arrasada e a Megan está muito preocupada.
─Eu sei, Katie foi para sua casa com o Matt, estão preocupados com a bravinha, vamos ver Maggie e Glenn e depois vou até lá.
Seguimos os dois em direção a casa, seria bom que Mika conseguisse recomeçar, seria perfeito, mas duvido que ela consiga as duas sempre foram especialmente unidas.
Nossa vida parece uma eterna busca por soluções de problemas, nunca é só amanhecer e seguir em frente, tem sempre uma coisa no caminho, um problema, uma perda, uma dor, dia após dia, ano após ano.
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