Fim dos tempos 2

57 Capítulo 57 - Viagem no tempo


Notas iniciais
Oi gente, desculpem, prometi para ontem mas não deu tempo, aqui está, espero que gostem.

Pov – Megan

Caminho apressada, uns minutos depois um zumbi surge por entre as árvores, eu o acerto de longe, não quero me aproximar demais, olho esperando para ter certeza que estava sozinho, nada se move e caminho até ele, me abaixo e já ia retirar a faca quando penso em meu pai.

Aquela seria uma boa pista, ele e mamãe conhecem minhas facas, Carl também, ainda me sobravam seis e decido seguir deixando aquela ali.

Ando por mais um tempo, escuto apenas meus passos por sobre as folhas secas, as botas pesadas faziam um barulhinho que vez por outra me davam a impressão de passos atrás de mim, uma de minhas facas fica firme em minha mão, aperto tanto que meus dedos doem, mas preciso ficar atenta.

A noite está escura, a floresta fechada e mal posso enxergar o céu pelas copas das arvores, mas não paro, nem poderia, me dá calafrios só de pensar em ficar ali, parada e sozinha.

Toda aquela solidão me faz pensar em minha mãe, no quanto foi corajosa e forte, passou um ano quase todo assim, até encontrar meu pai viveu completamente sozinha na floresta, dias sem fim, tudo por conta de uma promessa que fez ao pai.

Bom eu também fiz as minhas promessas e não vou desistir, vou deixar minha mente aberta para o que me cerca e seguir em frente, a noite é um perigo ainda maior, então os ouvidos precisam ficar atentos, mais do que os olhos.

Caminho por mais um tempo, agora começo a me preocupar, faz mais de três horas, devia ter chegado a horizonte, ao menos perto de algo me lembrasse a cidade, mas nada, é apenas mato e escuridão.

Outro zumbi surge, eles se tornaram tão horrivelmente assustadores que nem os mais fantásticos pesadelos poderiam recriar algo assim. É ou um dia foi uma mulher, usa uma saia longa, tem apenas alguns fios longos e escuros espalhados pela cabeça, faltam partes dela, metade da boca, uma orelha, um pedaço do nariz, a pele se descola e se pode ver carne podre, meu coração batia alucinado, atiro minha faca, ela acerta sua testa e o zumbi tomba, o barulho é alto, ou talvez seja apenas reflexo do silencio, dou uns passos para ela, mas então os sons da floresta me mandam me afastar rápido e obedeço.

São meus instintos que devem me guiar, minha mãe já falou tanto sobre isso, apresso o passo, a noite cada vez mais escura e dolorida, meus pés estavam começando a inchar de tanto andar, eu não tinha mais muita certeza se estava mesmo seguindo para o norte, talvez fosse apenas medo, quem sabe não era assim tão tarde, eu podia estar só assustada demais e por isso o tempo parecia maior do que realmente era.

Quando começava a ficar otimista de novo dou de cara com um rio, nunca passei por ele, sei disso, não tinha nenhum rio entre o casebre que acabei e horizonte, me afastei do caminho, estou oficialmente perdida na mata.

Olho para o céu, não sei nada sobre ele, não reconheço estrelas, para onde as constelações apontam ou o que significam, para mim são apenas pontinhos brilhantes no céu, só servem como espectadoras de declarações românticas de casais apaixonados.

Passo a mão pelo rosto, as gotas de suor se misturam com as lágrimas, mas não posso fraquejar, sou Megan Dixon, eu decido como morrer e não vai ser aqui, nem sozinha e perdida.

Sigo até a beira do rio, uns goles de agua e lavar o rosto vão me acalmar, me refazer e então eu continuo, preciso caminhar até amanhecer, então vou saber me direcionar e voltar para casa.

Passo agua no rosto, na nuca, bebo uns goles e respiro fundo, puxo o ar com força para me acalmar e então ele traz junto o cheiro de morte, tão forte e presente que só uma horda poderia ser a responsável, paraliso de imediato, meu coração falha antes de acelerar alucinado, os primeiros zumbis começam a mover os galhos de arvores a alguns metros, logo vão me ver, não posso correr deles para sempre, se me virem não vão descansar, não vão parar e uma hora eu vou sucumbir, mergulho, não tem outra alternativa, nado por baixo da água até o meio do rio, a correnteza é quase inexistente, me seguro num tronco de arvore, afundo deixando apenas a boca e o nariz para fora, as pontas dos dedos agarrando firme o tronco frondoso que boiava.

Só o que vejo é a lua cheia e brilhante no céu, fecho meus olhos, procuro não me mover, apenas os pés balançando frenéticos e os dedos firmes segurando o tronco, os ouvidos submersos abafam um pouco o som da morte, mas ainda assim posso ouvi-los caminhar, são lentos, famintos, e são muitos.

Fecho os olhos, tento controlar a respiração e o medo, se me notarem estou morta e não precisa ser todos, basta que um fique curioso e caminhe para mim, então todos virão e o outro lado da margem é só um barranco sem condições de ser escalado.

Procuro pensar nas coisas boas, nos dias felizes do passado, quando Carl me ensinou a nadar nesse mesmo rio, a quilômetros dali, nos dias em que perdidos acampamos na margem do rio por quatro dias, com minha mãe por perto não há o que temer, ela os sente e sempre dá tempo de irmos embora.

Meu pai ficava na margem, olhos fixos em todos nós, Carl riu muito quando disse que não sabia nadar, então decidiu me ensinar e aprendi logo, quando tivemos que partir às pressas eu era uma boa nadadora.

Meus dedos começar a doer, não vou me entregar, me lembro do casamento, aquele dia perfeito e feliz, meu vestido de noiva agora pendurado em meu guarda-roupa a espera de uma próxima noiva, quem sabe Amy, quando Nick tiver idade, os olhos emocionados do papai, mamãe sorrindo, e ele, meu amor, Carl ali de pé, me esperando, anos de espera e ainda assim ali, feliz, depois nossa noite perfeita, inesquecível.

─Guarde tudo na memória para os dias ruins – Foi o que minha mãe me disse, esse era definitivamente um dia ruim.

Os dedos começam a ceder, cravo mais fundo no tronco, penso que poderia ter uma câimbra, os olhos ardem, os ombros queimam, sinto frio, os pulmões fazem mais força para puxar o ar, me mantenho ali, abro os olhos, de novo apenas a lua como paisagem, linda, clara e penso que Carl podia estar olhando para ela, pensando em mim enquanto caminhava em minha busca, não vou morrer, eu posso aguentar, o som começa a diminuir, me encho de esperança, não me atrevo a olhar, não ainda, volto a fechar meus olhos, o vaso voador, a lingerie magica, a noite perfeita e todas as outras que vieram depois dela, com outras novidades.

O passeio de carro, só eu e ele, num lindo dia de sol, foi ontem? Um pouco mais? Não sei direito, a dor me domina, meus dedos adormecem, meu cérebro trabalha dobrado em busca de alguma solução, nada, apenas a espera sem fim, então o som parece sumir, ainda não posso olhar, o pescoço dói, mas aguento, boiando e admirando a lua, depois quando nada mais me resta, quando as forças se vão por completo e uma das mãos escapa eu me atrevo a olhar, não tem mais nada ali, nenhum zumbi, nado para a beira do rio, saio da agua e uma rajada de vento me faz estremecer, a madrugada domina, sorrio por entre o medo e a dor, está mais perto do dia que da noite, isso é bom.

Volto a caminhar, já não tenho certeza se ainda estou sendo rastreada, já andei tanto, mas deixo a jaqueta que está molhada ali, na beira do rio, quem sabe não serve como uma pista para meu pai?

O céu já não estava mais escuro depois de um tempo e então uma casa surge, dois andares no meio de uma clareira, olho para ela e penso que precisava descansar, não sabia quando teria de novo essa chance antes de achar Horizonte ou um novo abrigo, umas horas até o dia ficar realmente claro e eu podia seguir em frente me apoiando no sol e sua direção constante.

Dou a volta na casa, a faca em uma mão, a pistola na outra, depois da horda de zumbis fiquei ainda mais atenta, vejo a calha, subia por toda parede lateral, ficava ao lado de uma janela no andar de cima e podia entrar por ali, ter certeza que estava limpa, abrir a porta era uma ideia muito ruim, sozinha e sem saber o que encontrar podia ser uma sentença de morte, guardo minhas armas, as mão estão ainda um pouco duras e dormentes, mas eu sei que consigo, as roupas molhadas grudam no corpo e atrapalham e tudo fica mais difícil, chego a janela, passo a mão para afastar a poeira, é um quarto, não tem nada ali e ergo a vidraça.

Confirmo para ter certeza antes de saltar para dentro, minha garganta fecha um pouco por conta do mofo, o nariz arde e coça, aperto a faca de novo na mão, saio do quarto, nada no corredor a outra porta está fechada e decido que era melhor que ficasse assim, antes de descer a escada olho para baixo, apuro os ouvidos, nada, então me arrisco.

Desço os degraus em silencio, caminho para sala, está tudo revirado, úmido e o cheiro de madeira molhada e terra me confunde, não escuto nem vejo nada até o som de uma cadeira arrastando me faz virar num sobressalto quando um zumbi surge esbarrando nos móveis a alguns centímetros de mim, seguro seu pescoço enquanto tento acerta-lo, a faca escorrega de minha mão agora não tão firme, caímos os dois sobre uma mezinha de centro de vidro, o vidro estilhaça e sinto um caco cortar meu braço esmo assim não deixo que se aproxime enquanto luto por outra faca, acerto sua têmpora e o jogo para longe, gastei todas as minhas forças ali, naquela pequena luta, me arrasto para parede, o braço sangra um pouco, tiro o pedaço de vidro, dez centímetros de corte no máximo, não é nada demais, pego a pistola e miro a porta, é só um pouco de descanso até ter forças de voltar a lutar.

Carl nunca me perdoaria se desistisse, meu pai, minha mãe, meus irmãos, eu vou conseguir, papai é o maior rastreador que existe, mamãe está com ele, eles vão conseguir, eu vou conseguir, só preciso fechar meus olhos um instante e descansar, depois tudo vai ficar bem.

Pov – Daryl

Não paramos de andar, vou rastreando sem perder um passo sequer, eles não se preocuparam em esconder o caminho, então paro, ali as coisas mudam um pouco, são dois momentos diferentes.

─Esperem – Peço me afastando um pouco em sentido contrario, uns metros mais a frente num caminho oposto vejo um zumbi caído, me aproximo e lá está a faca de Megan, ela deixou ali como um aviso, mas se foi naquela direção se perdeu, por ai não chegaria a Horizonte, volto para o grupo.

─A faca dela! – Carl diz assustada pegando a arma de minha mão – O que isso quer dizer, eles mudaram de direção? Vamos, eu quero achar...

─Calma! – Katie diz séria – Ela se libertou? Fugiu? Ou eles se dividiram?

─Não sei dizer, mas temos dois caminhos agora, acho que vamos nos dividir, um grupo segue com as pessoas de Horizonte em busca desse lugar que pode ser o esconderijo, eu continuo rastreando em direção a que Megan pode ter seguido.

─Vou com Tommy e Mich para a tal cabana, vocês seguem os rastros – Rick determina.

─Vou com o Daryl! – Carl comunica – Acho que ele está certo, Megan foi para lá e quero estar com ela.

─Não é melhor ficarmos juntos filho?

─É minha mulher pai, não abriria mão de caçar Beth, abriria? Megan é minha vida, sem ela eu... – O garoto fica com a voz presa, Rick sabe do quanto Carl e Megan se amam e afirma.

─Faça isso, vá com o Daryl e ajudo aqui o grupo, nos encontramos em casa.

─Senhor Dixon, não acho boa ideia seguir nessa direção – Um dos homens de horizonte avisa titubeante – Bem é que afastamos uma horda bem grande nessa direção a algumas horas, pode ser que dê de cara com eles, ou a menina pode ter...

─Então vou ser mais rápido que essa horda e buscar minha filha, vão! – Dou as costas a todos e Katie e Carl me seguem determinados.

Vamos caminhando atentos, mas agora apressados, a noite seguia alta, Megan está sozinha no meio dessa escuridão toda, minha ratinha, linda e delicada, não consigo seguir em frente sem ela, Megan é meu norte, Carl tem a respiração ofegante, num misto de raiva e terror, Katie é sempre uma fortaleza, o queixo está sempre erguido, determinada ela caminha firme, nos empresta esperança, quando só temos medo.

─Minha filha não é tola, pode ser um pouco perdida como a mamãe, mas não é tola, está por ai e está bem! – Ela nos desafia.

Então mais um corpo e mais uma faca, agora são apenas cinco facas, uma horda de zumbis pelo caminho e cinco facas, que diferença faria se focem dez, vinte, ainda não seria o bastante, seguimos mais para dentro da floresta.

Amanhecia quando chegamos ao rio, deixo a besta cair ao lado do meu corpo quando o cenário se apresenta diante dos meus olhos, os de Katie se enchem de lágrimas, Carl nos encara cheio de dor.

─O que? O que foi? – Pergunta confuso.

─A horda, passou por aqui, não faz muito, veja a bagunça, as marcas tantos que não daria para contar.

─A meu Deus, não, ela não...

Meu peito se fecha, sou tomado por uma angustia sem fim, não consigo olhar para ele, não consigo olhar para minha pequena, deixei minha menininha sair, sabia de todos os perigos e deixei que fosse.

─A culpa é minha, não fiquei de olho nela como devia, confiaram Megan a mim e eu...

─O que diabos deu em vocês dois? – Katie grita nos despertando, nem se importa com o barulho – Estão vendo restos? Alguém parece ter sido devorado? Onde está o sangue? Minha filha está viva! Nunca mais se atrevam a chorar sua morte! – Ela se afasta de nós, segue em direção ao rio e nos olha erguendo uma peça de roupa – Veem? É a blusa dela, ainda está molhada, isso foi um aviso, vamos, estamos perto!

Volto a erguer a besta, não sou nada sem minha pequena, é ela que sempre me faz seguir em frente, minha melhor parte.

Quase uma hora depois chegamos a uma casa, paramos, vejo algumas pegadas, sei que é ela, nos olhamos, quase posso sorrir, minha filha está ali dentro, eu sei, simplesmente sei que está e corremos para porta, chuto enquanto Carl ergue a pistola e invadimos o lugar, lá está ela, sentada num canto, encolhida com uma pistola nas mãos, parece um bichinho assustado.

Tem vidros pelo chão e um zumbi abatido, corremos os três, o braço sangra, ela nos olha um pouco confusa, sorri, vejo o braço, meu coração se dilacera, meu cérebro parece me abandonar e meu corpo não responde, trocamos um olhar desesperado.

─Sabia que me achava papai! – Ela diz quando Carl a abraça chorando, Katie também chora, demoro a reagir, minha ratinha, ela lutou, matou o zumbi, mas foi pega.

─Meu bebê! – Katie diz chorando, toca sua testa – Ainda não tem febre, podemos tentar, não vamos desistir.

─Temos que fazer! – Carl diz entre lagrimas, Megan nos olhava confusa – Não vou perder você linda, não vou, aguente está bem, a faca Katie, seguramos e você faz.

─O que? O que vocês querem fazer?

─O braço ratinha, eu sei que é triste, mas não vamos desistir, Horizonte está perto, funcionou com o Hershel pode...

─Vidro! Foi o vidro, não foi o zumbi, não é uma mordida, não vão cortar meu braço.

O mundo volta a fazer sentido numa onda de alegria que me invade me deixando um segundo tonto, agora sim Katie tem uma crise de choro, como não via há muito tempo, Carl está com minha ratinha em seus braços e ela nos olha tão confusa que só sinto vontade de rir, beijo sua testa enquanto ainda envolvo Katie.

─Pronto pequena está tudo bem, vamos para casa.

─ir para casa é bom, estou com muito frio.

Carl tira a jaqueta, ajuda Megan a vestir, antes Katie dá uma olhada no braço, corta um pedaço da própria blusa, amarra no corte, fico de pé, minha filha ali, os olhos azuis vivos me encarando, os cabelos molhados, as botas pesadas e o cansaço visível.

─Já estivemos assim não é Carl? – Ele me olha, depois olha para Katie e sorri, um dia estivemos diante de minha pequena encolhida numa cabana no meio da mata, molhada e sozinha, assustada como um bichinho, fomos nós dois quem decidimos não deixa-la para trás, é como viajar no tempo.

─Sim Daryl, já estivemos aqui, mas dessa vez, você carrega a mochila e eu carrego a garota.

─É um bom jeito! – Digo enquanto ele ergue Megan nos braços e saio na frente protegendo os dois.

Katie de um lado, eu do outro, o dia claro, a floresta segura e silenciosa, vamos para casa isso é o que importa.

─Eu posso andar lindo, meus pés devem estar cheios de bolhas, mas posso andar.

─Gosto de bolhas, não tem nada errado com elas! – Digo piscando para minha garota que me sorri de volta – Era um bom jeito de ter mamãe em meus braços, quando ela não era ainda minha e precisava de desculpas para ficar perto dela e sentir seu cheiro de flores.

─Também gosto delas! – Carl diz beijando Megan, ela sorri, se encosta nele e fecha os olhos, foi uma grande guerreira como a mãe, são as garotas Dixons são fantásticas.

─Espera! – Megan pede – Me põe no chão lindo – Carl obedece sem entender – Eu fui sequestrada, mas eles... papai não podem machuca-los, temos que achar aquelas pessoas, eles estão apenas desesperados, tem um bebê e crianças, precisam de ajuda... me levem até lá...

─Linda essa hora meu pai já esteve lá, com Mich e Tommy e algumas pessoas de Horizonte.

─Não, será que eles...

─Os caras sequestraram você, teve que fugir, se perdeu e podia estar morta, quer clemencia? – Carl não esconde a raiva.

─Pare de falar como se fosse uma espécie de juiz, eles estavam desesperados, o bebê... Lindo me escuta, o bebê é tão fraquinho que nem sei se pode sobreviver mais muito tempo, a mãe é uma menina, pelo que entendi foi abusada pelo Tom, como a Liv, ficou grávida, teve o bebê, são dois homens apenas, para cuidar de um monte de mulheres e crianças.

Carl nota seu desespero, respira para se acalmar, passa a mão por seu rosto, a abraça.

─Linda, não tem mais nada que possamos fazer, meu pai e os outros já os encontraram, não sei dizer o que fizeram, mas seja lá o que for já está feito, vamos para Horizonte e então descobrimos o que aconteceu.

─O Rick estava junto ratinha, sabe como o xerife é bom, não deixaria nada acontecer com crianças – Já o Tommy eu não sei se pode ser controlado antes que tenha acabado com tudo, não que fosse capaz de ferir crianças, mas homens adultos que sequestram um dos nossos, bom isso é outra história, mas não diria a ela, não até que estivesse em segurança.

─Me prometam que vamos ajuda-los, se estiverem lá ainda.

─Claro que vamos filha, quando foi que deixamos crianças para trás?

Katie promete e eu sabia que cumpriria, não sei se posso conviver com alguém que se atreveu a tentar ferir minha filha, mas em horizonte eles podiam ficar, voltamos a caminhar, finalmente as coisas mais claras, no caminho Megan nos conta tudo, desde o momento do sequestro até nosso encontro, ouvimos tudo arrepiados e duas horas depois Horizonte surge diante de nós.

─Mas que burra que eu sou, estava pertinho e me enfiei no meio do mato cada vez mais para longe, nunca chegaria aqui.

─Filha você é a cara da mamãe, em tudo! – Minha pequena sorri – Esse negócio de mapas e direção, sei lá, não serve para nada, para isso temos marido.

─Só para isso pequena?

─Não amor, olha que digo para que mais na frente da sua ratinha! – Passo meu braço por seu ombro trazendo mais para perto agora que estamos seguros, ela me beija, só quero chegar logo na vila, por mim nem entrava seguia direto para casa, para reunir meus ratinhos todos a minha volta como gosto que seja.

─Quero que saibam que não vou me desculpar e não estou arrependida, saí atrás de uma criança e faria de novo.

─sabemos ratinha.

─E não tem nada de bronca nem castigo, sou adulta!

─Também sabemos ratinha, agora isso é com você e seu marido.

─Eu! – Carl resmunga – Eu sou um pobre coitado que recebe vasos na cabeça, ai de mim abrir a boca para contestar.

─Bem feito, estava tudo indo muito bem, você que foi bater na minha porta para fazer pedidos! – Digo rindo, Carl revira os olhos e finalmente os portões de horizonte se abrem para nos receber.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Adorei relembrar um pouco o começo da fic. beijos