Fim dos tempos 2
40 Capítulo 40 - A primeira batalha
Notas iniciais
Pov – Katie
─Detesto ter que deixá-los! ─ Eu digo deitada nos braços de Daryl, meus pequenos na nossa cama, era ali que ficam quando sabíamos que estávamos perto de algo grande, sempre pensava que se fosse a última vez que deixaria a eles uma boa recordação, uma lágrima teimosa escorre e Daryl a seca com cuidado.
─Eu amo você, a vida que me deu e nossos filhos, os dois que estão aqui e a filha ingrata que nos trocou pelo mini xerife! – Ele sorri e me beija – Não queria lutar, não queria que você lutasse, mas essa guerra é mais nossa que dos outros, somos nós que Carol quer destruir, preciso que fique mais forte que todas as outras vezes, mais atenta, não tem espaço para erros pequena, e quando ela chegar, quando estivermos finalmente frente a frente, então quero que seja a mamãe Katie, porque essa é invencível e pequena... – Ele me olha firme, depois de muito tempo o mar nebuloso está de volta – Ela não vai poupar nosso filhos, nenhum deles, ela quer nossos ratinhos tanto quanto nos quer.
─Eu vou matar Carol, eu – Digo com toda convicção – Não você, nem mais ninguém, eu vou fazer, por que é a mim que ela quer, sou eu quem ela vai atacar primeiro e eu vou destruir aquela mulher de uma vez por todas, não vou dar chance que se erga de novo, nem mesmo como um desses mortos.
É uma promessa, ele nota minha determinação, não vai contra ela, apenas afirma, preciso ficar mesmo mais atenta que nunca, ela me quer morta, ele me quer viva, vai tentar ficar à frente de nós duas, colocar sua vida em risco e não vou permitir.
─Mas não vai ser dessa vez, dessa vez vamos pegar seus soldados e depois voltar para casa.
─Ótimo! – Eu beijo Daryl – Vamos, não demora para amanhecer, temos que nos preparar.
Me levanto da cama, caminho até a janela para olhar para o céu que começava a perder seu tom mais escuro, respiro o ar da madrugada, busco alguma energia, me debruço na janela para sentir a brisa e olho para a esquina, não pretendia ver nada, era só mesmo para sentir o ar do novo dia, mas vejo Tommy saindo da casa de Mich, pisco, abro e fecho a boca, ele terminava de vestir o sobretudo.
Tommy nunca tira o sobretudo, porque estava saindo da casa de Mich no meio da madrugada e se vestindo?
─Amor o que sabe sobre Mich e Tommy? – Eu pergunto e Daryl paralisa fechando a camisa, já sei que sabe mais do que eu.
─Nada! – Diz rápido e sem me encarar, típico movimento Daryl não sei mentir Dixon.
─Vamos, me conta!
─Eles se beijaram, mas só sei isso! – Diz entregando o jogo, eu sorrio, teria gritado de felicidade se não fosse acordar meus filhos e se não estivesse tão preocupada com a guerra que viria.
─Acha pouco? Isso é... Vai Daryl me diz, como foi, onde estavam, quem beijou quem? Me conta tudo.
─Pequena isso é tudo! – Ele diz confuso – Acha que ficamos contando esse tipo de detalhe? Ele só disse que se beijaram, se disse mais não prestamos atenção, ficamos espantados.
─Ficamos?
─Eu e o Rick!
─Quer dizer que o Rick também sabe disso? Detesto esse corporativismo masculino, vocês são... Acho uma droga como se protegem, guardam segredos.
─Está parecendo o ratinho separando as pessoas por gênero, não é nada disso, na verdade o problema é, ou melhor, são, você e Maggie, isso sim, nada nem mesmo uma guerra muda essa mania que vocês tem de se meterem na vida amorosa de todos.
─Somos românticas amor! – Eu digo passando meus braços por seus ombros e o puxando para um beijo, ele corresponde, me envolve – Vai descobrir mais? – Peço com aquele olharzinho pidão que funciona há anos.
─Pequena esse olharzinho devia ser proibido! – Ganho uma mordida no lábio inferior e isso sim devia ser proibido se não vamos para cama – Se ele contar alguma coisa eu te conto, mas não vou perguntar!
─Nesse caso... Eu pergunto! – Ele ri, me beija de novo e vou me arrumar, me visto, me calço, prendo os cabelos numa longa trança enquanto Daryl está deitado olhando seus ratinhos dormirem, ele poderia ficar ali para sempre, me dá pena que tenhamos que fazer de novo.
─Não quero ir sem me despedir! – Ele me diz e concordo, também não quero, ele beija Nick, mexe em seu cabelo e nosso adolescente abre os olhos.
─Já? – Pergunta.
─Sim filho.
─Vou descer para me despedir! – Ele afasta as cobertas e se levanta, logo arruma os cabelos.
Daryl faz o mesmo com Matt, dá um beijo no filho, depois mexe em seus cabelos e Matt apenas afasta sua mão, ele ri, seu cabelo não era nem de longe algo que o preocupasse.
─Ei mini ratinho, abre os olhos só um pouquinho! – Daryl pede e de novo me vejo em lágrimas, Matt abre os olhos, nos vê prontos e se senta na cama.
─Vocês já tem que ir?
─Sim!
─Vou dar tchau lá no portão! – Ele fica de pé como o irmão.
Descemos e quando chegamos na sala Jimmy está lá com Amy e Mary que carregava o bebê, Jimmy ainda lembra um garoto, ainda tem tanto medo de nos perder quanto meus ratinhos.
─Eu cuido deles, sabem que faço o que for preciso, eles são meus irmãos, mesmo minha irmã preguiçosa que prefere o Carl! – Jimmy brinca, ele e Daryl são a pedra nos sapatos dos recém casados.
─Eu sei Jimmy! – Daryl aperta o ombro do irmão mais novo, aposta todas as fichas na vida longa de Jimmy depois que perdeu Merle – Mas são muitos agora, mantenha meu sobrinho seguro! – Ele beija a cabeça do bebê – Quando voltar quero um nome, não deixe que eles continuem nessa briga por nomes.
─Está certo!
─Eu acho que como médico eu devia escolher! – Nick diz me abraçando – Não acha mamãe?
─Acho que devia ser gentil e apoiar a Amy na escolha do nome! – Eu digo a ele e os olhos do meu pequeno ou não tão pequeno ratinho, brilham.
─Vamos amor! – chamo Daryl, então abraço Nick – Filho...
─Eu sei, prometo não fazer tolices.
─Ótimo! – Abraço e beijo Nick, ele segue para Daryl.
─Tenho uma coisa para conversar papai, mas vou deixar para a volta, assim se esforça mais.
Daryl abraça Nick, beija o filho, bagunça seus cabelos, ganha um olhar torto e depois pega Matt no colo, sinto uma certa inveja, meu pequeno já é grande demais para mim e não posso mais pega-lo assim sem ficar com os braços doloridos.
─Obedece o Jimmy, cuida dos pequenos e espera o papai!
─Eu estou bem papai, não tenho medo, confio nos dois e traz as flechas que sou eu que vou limpar.
─Sim mini ratinho, eu faço isso, agora vai lá dar um beijo na mamãe! – Daryl o beija, ele resmunga um pouco, desce do colo do pai e caminha uns passos para mim.
─Vocês adoram beijar! – Reclama.
Depois de me despedir do meu pedacinho de Daryl com mais beijos, abraços e recomendações, saímos para a rua, o grupo começa a se reunir e minha ratinha corre para nós, está chorando e sei que adoraria seguir conosco, mas nesse ponto Daryl e Carl são unidos como siameses e ela não tem como vencê-los.
Se despedir do pai é sempre mais difícil para qualquer um deles, adoro como isso o deixa emocionado e orgulhoso mesmo depois de tanto tempo, eles se abraçam, ele promete cuidar de mim e de Carl, como sempre fez, ela acredita, confia, como sempre fez.
Beth beija Rick e então vejo Michonne caminhar para o carro, sorrio e ela me olha confusa, então seu olhar segue para Daryl e depois para Tommy que se aproximava com Liv e Jay, então Tommy encara Daryl que dá de ombros.
─Avisei! – Meu marido se defende.
─Fraco! – Tommy o acusa e é hora de partir, a última despedida é de Megan e Carl.
Ela o abraça, se esconde nos braços de Carl, chora, ele beija seus cabelos com olhos tristes, vive sua luta pessoal, enfrentar a vida ou apenas proteger sua mulher, sei como é, Daryl fez isso a vida toda.
Os dois se beijam, ela acaricia seu rosto, quer pedir para que ele fique, mas sabe que não pode, que isso o magoaria, que ele precisava disso.
─Amo você linda, sabe disso, amo desde sempre e vou voltar.
─Precisa, porque eu só sei viver com você, sempre foi assim. Te amo!
Mais um longo beijo, nos deixando entre penalizados e emocionados, Mich revira os olhos, acha um exagero, me olha quando eu continuava sorrindo para ela.
─Nem pensar! – me diz num aviso, claro que vou ignorar, ela entra no carro, puxo Daryl e Maggie para irmos com ela, Glenn vem também – Ah não! Vou no carro do romance?
─Prefere ir com o Tommy? ─ Pergunto quando Daryl dava partida e ele deixa o carro morrer de nervoso.
─Mentira? – Maggie se anima, Daryl parte e dou um último olhar para minha casa com minha família abraçada, ele faz o mesmo olhando pelo retrovisor, então deixamos a vila e pegamos a estrada num carro logo atrás de Rick.
─Me contem? – Maggie pergunta depois de alguns minutos de silencio.
─Mich a Maggie é minha irmã, fizemos votos de nunca guardarmos segredo uma da outra.
─Quando? – Glenn pergunta confuso, é um coreano inocente mesmo.
─Vão a merda, as duas! – Mich diz é como um sim.
─Mich e Tommy se beijaram – Maggie me olha espantada e Mich me recrimina com o olhar – O Tommy que espalhou! – Me defendo.
─Ele não espalhou, deixou escapar para mim e o Rick. – Daryl defende o amigo.
─Então foi você que espalhou seu grande boca aberta! – Michonne ralha com ele – Não foi nada, não vai ser nada, apenas...
─O que ele fazia saindo da sua casa agora a pouco? Vi da minha janela – Eu pergunto.
─Então é isso que a vila virou, uma dessas cidades de interior que as pessoas – Ela aponta de mim para Maggie – Fofocam da vida alheia em suas janelas? É isso que estamos indo salvar? Parem o carro que quero descer.
─Primeiro conta, depois desce! – Maggie brinca.
─Já mandei vocês a merda?
─Já, agora abre o bico.
─Na volta! – ela tenta, não a culpo por tentar.
─Uma conversa de garotas? – Maggie questiona.
─Não gosto de garotas e não se atrevam a se empenharem em me ajudar, não quero um homem na minha vida.
─Devia querer, te dou uma lista de vantagens! – Eu digo para convence-la.
─Obrigado pequena.
─De nada amor, você é perfeito.
─Viu? É disso que estou falando, mais do que isso, é disso que estou fugindo e a conversa está encerrada.
─Chata! – Eu e Maggie dizemos juntas nos arrumando nos bancos, Glenn e Daryl riem, Michonne faz careta e decido deixar aquilo para a volta, agora estávamos caminhando para uma pequena guerra, era bom manter o foco.
O resto da viagem é feita no mais completo silencio, deixamos os carros num lugar seguro e distante, no caminho contrário que fariam quando voltassem de Horizonte, se Jay estivesse mesmo certo.
Seguimos a pé, a ideia era invadir de uma vez, pela lateral, quem sabe pulando os muros, Tommy conhecia o lugar, achava que aquele pequeno espaço quase no fim dos muros laterais eram como um ponto cego, principalmente para poucos homens.
─É o seguinte, estamos bem perto dos dormitórios, vamos saltar um por um, vão ver uma parede e se estiver do mesmo jeito, umas caixas, um ou dois latões de lixo, dá para se esconder ali até todos estarmos dentro.
─Ok Tommy, pessoal, vamos evitar barulho e tomar cuidado, nem todos são soldados, pode haver gente que está aqui esperando para ir a tal comunidade, então se puderem não ferir inocentes será bom.
Rick avisa, o plano era não atirar mesmo lá dentro, queríamos pegar os homens com minhas facas e a besta, seria bom evitar zumbis, e nunca se sabe o quão perto Tom pode estar, evitar barulho era o melhor.
Mich e Tommy prendem as corretes de dois dos zumbis mais próximos de um modo que ainda ficassem ali, mas não pudessem nos alcançar, então começa uma pequena discussão para saber quem pularia primeiro e resolvo o problema escalando o muro enquanto discutiam.
─Pequena teimosa! – Daryl resmunga baixo quando me vê já lá em cima, eu olho para dentro, vejo um homem armado no portão da frente olhando por uma fresta, na porta da casa que um dia estivemos, tem outro sentado fumando um cigarro distraído, uma mulher lê um livro sentada em uma cadeira no sol e parece ser só isso, ao menos lá fora.
Faço sinais para eles dando as indicações e depois salto silenciosa, me escondo imediatamente atrás de uma lata de lixo e no segundo seguinte Daryl está do meu lado, não esconde a revolta, ele me conhece, sabe que não sou o tipo que fica esperando decisões no par ou ímpar.
Então em um minuto o grupo estava todo ali, mas definitivamente não se esconde tanta gente assim e o melhor é agir logo, a besta de Daryl tem um bom alcance e chegaria ao cara do portão, mas chamaria atenção dos outros antes que pudéssemos pegar mais algum.
─Estão vendo o carro ali? – Sussurro, vou até ele, dali acerto com a faca no palhaço com o cigarro ao mesmo tempo que o Daryl, então a gente vê no que dá. Dou de ombros, o plano era tão ruim que parecia coisa do Nick, mas era o que tínhamos.
─Merda pequena! – Daryl reclama – Tommy vai com ela e Rick...
─Dou cobertura! – Rick ergue o rifle de longo alcance.
Caminho abaixada com Tommy a minha frente e me preparo com as facas na mão, faço um movimento avisando a Daryl e então atiramos ao mesmo tempo, acerto minha faca no exato instante que o cara parece me notar e ele cai junto com o cara do portão que tem uma flecha atravessando sua cabeça.
─Socorro! – A mulher que lia na cadeira grita quando os dois homens caem ao mesmo tempo – Ataque!
Ela corre para dentro quando um homem armado corre para fora e Daryl o acerta, ele cai com a flechada nas costas, nem sabe o que o atingiu a arma voa para longe e a mulher pega apontando em nossa direção, ela atira e Emma dispara acertando seu peito, a mulher cai e tudo parece silenciar.
Não acho que ela fosse problema, mas agora era tarde e não condeno Emma, todo mundo quer ficar vivo e voltar para casa.
─Será que era só isso? – Me pergunto achando tudo muito fácil, ninguém se move num primeiro momento, depois começamos as buscas cuidadosos, um dando proteção ao outro, vamos primeiro aos dormitórios, tudo vazio, nada de sobreviventes, chegamos a cozinha, era grande e a porta estava entre aberta.
Carl está na frente e Daryl faz sinal para ele esperar, olha em volta, estamos reunidos atrás da parede então ele atira uma pedra que encontra e uma rajada de tiros.
─Vão embora! – Uma voz feminina diz assustada – Estamos armados.
─Estão cercados, não queremos ferir ninguém, saiam e ficarão vivos.
─Vão embora, não vou sair.
─Nesse caso vai morrer ai, temos granadas, saia de mãos para o alto é seu último aviso! – Rick grita e depois de uns minutos uma mulher surge com uma arma na mão e logo atrás dela uma menina de no máximo dez anos que chorava desconsolada.
Carl recolhe sua arma, Maggie sorri para a garotinha, que se encolhe atrás da mulher.
─Quem são vocês, o que querem?
─Nós fazemos as perguntas senhora? – Rick diz muito educado, tem mais alguém aqui?
Ela da uma olhada para os corpos no chão, depois nega com um movimento de cabeça.
─Não, por favor, não machuquem Jane, ela...
─Fique tranquila, estão seguras conosco, sabe que esse grupo não é confiável?
─Eu... Sim, mas depois que entrei vi que não podia sair, a menina já estava quando cheguei, venho cuidando dela na última semana, ela não fala muito, mas a família morreu.
─Quer sair? Vamos pegar os caras que cuidam desse lugar, eles vão chegar e vamos matar todos, pode se esconder, esperar acabar e seguir conosco, ou pode pegar a criança e deixar esse lugar enquanto é tempo.
Tommy avisa, a mulher nos olha, olha para a menina.
─Se sair me entregam a arma? – Pergunta.
─Quer ir embora? – Eu fico pensando na menina na rua nos dias de hoje e não gosto disso, mas o que podemos prometer a ela se não sangue e morte?
─Sim! – Ela diz ávida – Já queria ter ido antes.
─Vamos abrir e pode ir, se quer ganhar a estrada vá, mas a pé, não pode levar nada que deixe o ambiente diferente.
─Posso me virar! – Ela diz e então Daryl ergue a besta para acompanha-la até o portão, ela olha para a criança com ela, depois quando ameaça andar a menina a segue, ela para, olha para ela e depois para nós – Como eu disse ela não é minha.
─Vai deixa-la? – Maggie diz irritada.
─Vou, mal a conheço! – Ela encara a criança – tenho que ir Jane, você fica, se cuida.
─Se cuida sua vaca? – Maggie pega a mulher pelo pescoço – Devia atirar você aos zumbis!
─Maggie! – Glenn a detêm, a mulher olha assustada – Pode ir, ficamos com a criança.
Daryl e Tommy acompanham a mulher, abrem uma fresta do portão depois de pegar as chaves com o morto no chão, devolvem sua arma e ela parte, então nos reunimos, Maggie segurava a mão da menina, parecia tocada com a solidão e o abandono da criança.
─Vamos nos dividir e se esconder, assim que chegarem começamos a atirar, não deem tempo para dúvidas, espere apenas que desçam dos carros, sabem que vão estranhar o fato de ninguém lhes abrir o portão.
Rick diz e concordamos, começamos a nos dividir, mas Tommy nos interrompe.
─Tom é meu! – Ele pede e ninguém discute, sigo com Daryl para um dos dormitórios, nos encolhemos com apenas uma fresta da pequena janela aberta, Michonne se junta a Tommy, Maggie fica com Glenn e a garotinha no lugar mais seguro, Rick e Carl se escondem na casa de Katrina, não havia mais nada a fazer se não esperar e isso sim é que era um inferno.
─O que acha que o Nick quer conversar? – Daryl me sussurra e o olho espantada.
─Está mesmo pensando em algo assim? – Ele meneia a cabeça, sorrio – Garotas eu acho, Amy para ser mais exata.
─Coitado do Jimmy! – Ele diz realmente tocado, acho que pensa que todos os pais do mundo se comportavam como ele, mas Jimmy era diferente.
Anoitecia quando finalmente ouvimos o barulho de carros, aperto a arma na mão sem esconder minha tensão, olho para Daryl, como eu o amo, como ele é importante para mim, tento sorrir, está escuro, mas posso ver seus olhos preocupados.
─Cuidado pequena.
Concordo, ficamos um segundo nos olhando, ele toca meu rosto, está com as mãos frias e meu coração se aperta, só quero voltar para meus filhos, só quero que ele volte.
─Você não desiste, eu não desisto! – Sorrimos, aquilo sempre foi o bastante para os dois e então o portão começa a abrir e nos concentramos.
Dois carros entram, estão cheios de homens que começam a descer, conto dez deles, mas posso estar errada já que não tenho uma visão exata.
─Jim! – Um dos homens grita – Teddy! Onde se enfiaram esses dois? Jim! Teddy!
─Tom, tem algo errado! – Um dos homens diz e então os disparos começam, eu e Daryl estamos bem protegidos de tiros e nos juntamos aos atiradores, os homens vão caindo, correndo, tentando pegar armas nos carros, mas os tiros vem de todas as direções e sei que eles não tem chance, vejo Tom, ele está tentando correr em direção a casa de Katrina, penso em atirar, mas me lembro das palavras de Tommy e acerto o cara ao lado, uma bala atravessa a perna de Tom, ele se dobra, tenta se erguer e então vejo Tommy vindo por trás dele e o desarmando, paro de assistir o que ele está fazendo para atirar em tudo que puder e desse modo protege-lo.
─Merda Tommy! – Daryl reclama atirando também, um tiro vem em nossa direção e acerta a janela, nos abaixamos por reflexo, olho para Daryl ele me faz sinal para ficar abaixada, ergue mais uma vez a arma e dispara escuto vidros dos carros se quebrando, balas ricocheteando na lataria e por fim os tiros cessam.
─Acho que pegamos todos! – Eu digo a Daryl.
─Calma! – Ele me pede quando eu pensava em me erguer, me encolho de novo, Emma que estava próxima em outro dos quartos, sai e é atingida, os tiros recomeçam, vem de trás de um dos carros, alguém puxa Emma de volta para dentro, Michonne sai de seu esconderijo com a katana na mão, vai se esgueirando aqui e ali, se esquivando, rolando, vamos disparando para ocupar o homem que ainda parecia de pé e então lá está ela, vejo Mich erguer a espada que depois desce com força, uma cabeça salta e cai como uma bola de futebol, finalmente acabou.
Começamos a sair de nossos esconderijos, vejo corpos pelo pátio, então nos reagrupamos, Emma está bem, apenas um tiro de raspão na perna, o homem estava ferido e não pôde fazer boa mira.
─Cadê o Tommy? – Daryl pergunta olhando em volta.
─Na casa de Katrina com Tom! – Rick avisa, seguimos para lá.
Tom está sentado em uma cadeira, amarrado e com o nariz sangrando, Tommy nem mesmo nos olha, mantem os olhos fixos em Tom.
─Tommy...
─Carreguem os carros com o que tem no porão, depois podem ir.
─Tommy o que pretende fazer? – Rick pergunta cauteloso.
─Fazer nosso amigo aqui cantar! – Ele responde firme.
─Não vou abrir minha boca, sei que vão me matar de qualquer modo, vão para o inferno!
─Vai falar Tom, o que sabe e o que não sabe, vai fazer isso e vai sorrir em gratidão quando eu acabar com você! – Tommy diz a um centímetro do seu ouvido, até eu estremeço.
Mich abre o porão quando o encontramos, uma pequena porta atrás de um armário, ela desce primeiro com a espada, Carl quer ajudar e vai logo atrás dela, ficamos os outros ali, aguardando, depois ela assobia e Rick e Daryl descem, eu suspiro, Maggie me olha agora não só ela abraçava a menina como a menina retribuía o carinho envolvendo sua cintura, bela hora para aumentar a família eu penso descendo atrás dos outros.
Dois zumbis estavam caídos, sem cabeça, método Michonne de solucionar contra tempos.
Tem algumas caixas com armas e munição, granadas também estão encaixotadas, algumas roupas como as que Glenn e Maggie usavam no passado, uma quantidade muito maior do que esperávamos e começamos a subir com as caixas, Carl segue com Glenn para buscar os carros, quando finalmente terminamos Tommy continuava no mesmo lugar, de pé encarando Tom, os braços cruzados e os olhos frios.
─Já terminamos Tommy.
─Ótimo, boa viagem de volta, encontro vocês em casa, diga a Liv que estou bem!
─Está comendo a minha garotinha? – Tom diz num momento de coragem que acho que vai se arrepender amargamente, Tommy dá outro soco em seu nariz, a cadeira pende para o lado, quando volta Tom está tonto.
─Diga a Liv que nunca estive melhor.
Sabíamos que ele não iria até fazer o que queria e que não faria enquanto estivéssemos ali, então depois de nos encararmos deixamos a casa e seguimos para os carros.
─Vou ficar – Michonne diz a Rick, paramos todos – Vão de uma vez, eu vou com o Tommy, fico para dar cobertura e leva-lo se ele passar dos limites.
─Cuidado! – Rick pede antes de entrar no carro, aceno e ela fecha o portão enquanto nos afastávamos.
Só espero que valha a pena para Tommy, que voltem em segurança e que não demorem, me encosto em Daryl que dirigia um dos carros, Emma estava conosco, tinha uma faixa na perna que alguém providenciou, além dela, Glenn, Maggie e a pequena criança, Jane, que seja bem-vinda e que tenha mais sorte conosco.
─Deu tudo certo afinal! – Glenn suspira.
─Foi apenas a primeira batalha! – Daryl diz com os olhos fixos na estrada, aquilo era só o começo.
Fale com o autor