Fim dos tempos 2
4 Capítulo 4 - Novos rumos
Notas iniciais
Pov – Daryl
Deixar meus filhos já foi mais fácil, agora a ideia é mais assustadora que nunca, mesmo que zumbis não sejam mais tão apavorantes quanto antes, ainda assim os perigos são muitos e sair ainda é uma loteria.
Pegamos a estrada, Katie está ao meu lado, Tommy e Gina no banco de trás, no carro da frente Rick segue com Carl, Michonne e Sasha.
Em casa eu sei que Glenn e Maggie podem cuidar de tudo junto com Beth e Bob, mas mesmo assim meus ratinhos ficam sem mim e a mãe, Jimmy está lá com eles, e ainda hoje sei que morreria pelos irmãos, que vai cuidar deles, que se não voltarmos logo vai ficar com todos três em seus calcanhares, minha mente vai para o passado, para quando essa família se formou, nos bons tempos da prisão.
Agora tudo é diferente, minha menininha pensa em se casar, devia estar apenas feliz por estarmos ainda todos aqui e podermos assistir a isso, mas me dá medo de perde-la, sempre tive esse medo, desde o começo, me apegar me assustava porque achava que podia perde-los, aprendi a amar com Katie e agora preciso aprender com ela a deixar livre, isso ainda me custa um pouco, sou possessivo ao estremo com todos os quatro, eles sabem disso, e talvez por conta do apocalipse isso não é assim um problema, mas vai se tornar se não deixar que cresçam.
−Ela só vai quando estiver mesmo pronta e nesse dia você também vai estar! Minha pequena me diz e sorrio, ela sempre sabe desvendar minha mente e meus medos.
−Quero que seja feliz, mas ainda quero que diminua! Eu brinco.
−Ela também quer diminuir às vezes! Katie ri comigo – Mas não pode e então o melhor é não tornar isso um problema.
−Sempre tão sensata!
−Sempre tão apaixonado pelos seus! Ela rebate, sim eu não sabia amar, quando aprendi, aprendi a amar por inteiro e demais.
−Acho que um dia só vai nos restar o Nick! Katie brinca – Amy não vai aguentar ele muito tempo! Ela ri – Aquele pequeno esperto!
−Espertinho demais! Eu digo rindo – Ninguém se dá tão bem quanto ele, só apronta, definitivamente só vive em confusão.
−Matt parece você, espero que a Judy seja paciente, como eu fui!
−Acha mesmo que um dia vão se apaixonar? Daryl questiona – Eles cresceram tão próximos.
−Não sei, talvez um dia descubram que são como irmãos, quem sabe?
−Quem sabe! Ficamos de novo em silencio, a estrada ganha mais uma via, se alarga, só o que vemos é a lembrança dos dias de caos, restos do que um dia foi o nosso mundo.
Não sobrou nada, comida, remédios, nada, só destruição, silencio e morte. Nos aproximamos de uma cidade, entramos nas ruas devastadas, edifícios em pleno processo de destruição, envelhecidos, com suas paredes descascadas e cheias de umidade, carros enferrujando, corpos em estado avançado de decomposição e eles, os mortos que caminham, poucos, mas ainda assim assustadores.
O tempo, a ação da natureza tudo contribuiu para que fossem hoje ainda mais assustadores, faltam lhes partes, pele, membros, fedem ainda mais, e são mais lentos que nunca.
Passamos pela cidade sem parar em lugar nenhum, não há mais nada que nos interesse, ao menos não o que chamamos de gêneros de primeira necessidade, às vezes saímos em busca de material de construção, ferramentas, roupas, apenas isso, e quase nunca.
−São tão nojentos! Gina comenta no banco de trás – às vezes me pergunto se não restou mais ninguém.
−Claro que sim! Tommy responde – Estão por ai, escondidos, assim como nós, tentando a sorte talvez.
−Reconstruindo! Katie comenta – Seria tolice achar que fomos os únicos a chegar até aqui.
−Resta saber que tipo de pessoas se tornaram, afinal já vimos de tudo por ai! Eu os lembro.
−Sim, já vimos de tudo, canibais, assassinos, monstros mais demoníacos que esses coitados! Tommy diz e um mundo de momentos difíceis me invade a mente – Mas vencemos não foi, todos os que tentaram, os que ainda vão tentar.
−Porque Tommy, porque você nunca desiste? Gina o questiona – Quer dizer, esteve sozinho desde o começo, eu só fui ficar mesmo sozinha quando já estávamos no grupo, então me senti em família ainda, mas você não, quando entrou para o grupo estava sozinho a muito tempo.
−Decidi desde o primeiro dia que Deus não iria conseguir me usar nessa vingança idiota, vou ficar de pé Gina, não importa o que me custe!
Tommy é parte importante do grupo, sempre gostei dele e fui eu quem insistiu para que o deixassem ficar, a cara de mal dele assustava, mas de algum modo sempre achei que era o tipo confiável e ele realmente provou que sim.
Estamos a três horas na estrada a cidade ficou para trás, mais rodovias nos cercam e ainda assim nada a nossa volta, nem vivo nem morto, apenas o vazio assustador, vez por outra vemos um zumbi perdido, nada além disso.
Rick dá seta e paramos, está mesmo na hora de comer algo e abastecer, pensar se seguimos em frente, se voltamos para casa.
Descemos todos, a baixo de nós um vale que um dia foi um campo de golfe, agora é só grama crescida. Sasha pega o binóculo, vasculha o ambiente enquanto vamos conversando e reabastecendo.
−Para que lado? Rick pergunta com um mapa sobre o capô, olho para Katie me lembrando do nosso começo, dela nos falando da prisão, foi a mil anos, mas ela ainda lida com um mapa com a mesma destreza que antes, aquilo para ela são apenas linhas desconectas e sem sentido.
−Devíamos seguir para...
−Perdidos? Uma voz nos chama atenção, nos viramos todos armados, um homem está a uma distância segura, parece estar sozinho, mas não me engana, ninguém aborda um grupo de desconhecidos hoje em dia assim despreocupado.
−Quem é você? Rick pergunta ao homem, ele é jovem, tem uma pistola na cintura e um machado descansando na mão, parece tranquilo, tranquilo demais eu penso olhando a nossa volta.
−Fiquem calmos, sou de paz, apenas queria saber se estão bem, se precisam de ajuda.
−Estamos bem e também somos de paz! Rick responde, eu e Tommy estamos agora cada um a seu lado, Katie está ao lado de Carl e seu gatilho rápido, mas o garoto anda aprendendo, nem mesmo desembainhou sua arma.
−Meu nome é Tom, vivo na região, vocês tem abrigo?
−Não, estamos de passagem...
−Preferimos as ruas! Katie corta Rick, ela está certa, nada de dar dicas de que temos um lugar seguro – A muito tempo decidimos pelas ruas, um dia em cada lugar.
−Puxa! Ele se aproxima, não consigo ver mais ninguém – Gostam de aventura pelo que percebi.
−Talvez, ou apenas queremos ficar vivos! Rick responde – E você, vive aqui sozinho, tem um grupo?
−Quem afinal vive sozinho? O homem responde se encostando no carro, tira um cigarro do bolso, oferece e Tommy é o único a aceitar, minha pequena me mata se eu aceitar, ela odeia cigarro – Vivo com um grupo, do outro lado do campo de golfe!
Ele aponta o outro lado do vale, não dá para ver muito, nos olhamos um tanto tensos.
−Muitas pessoas? Eu pergunto baixando a besta.
−Dezesseis no momento, talvez queira ir até lá e conhecer nossa líder.
−Não queremos ficar parados num lugar! Rick continua – Estamos apenas seguindo em frente.
−Como quiserem, vi que estavam indecisos, seguir para o sul é tolice, já fomos bem longe, não tem muito por lá, só mordedores mesmo.
−Obrigado pela dica! Tommy agradece – Anda sempre por ai sozinho?
−Ele não está sozinho! Katie diz e Tom ergue uma sobrancelha.
−Está certa, vim sozinho apenas para deixá-los tranquilos, mas tenho alguns homens bem escondidos para o caso de uma emergência, se vê de tudo hoje em dia.
−Sim! Rick comenta – Aborda todos os que encontra?
−Olha cara, viver sozinho nesse mundo é tolice, quanto mais gente melhor, então sim abordo todos, essa é a nossa política, quem quiser abrigo e segurança é bem-vindo, claro todo mundo acaba trabalhando um pouco, mas o ideal é reunir o máximo de gente possível.
−Boa política, mas e se a pessoa não quer ficar?
−Que pegue a estrada! Ele aponta a imensidão a nossa volta – Cada um sabe o que faz, porque não vem conosco, apenas conhecer o lugar depois seguem seu caminho, somos de bem! Ele diz e sinto alguma firmeza nas palavras do homem, nos olhamos um instante.
−Certo, vamos conhecer esse lugar! Rick decide, o homem sorri.
−Ok! Assobia e uns minutos depois um carro com mais um homem e uma mulher surge na estrada – Apenas nos sigam.
Ele entra no carro e fazemos o mesmo, pegamos uma estrada lateral, e depois de meia hora nos deparamos com um tipo de vila como a nossa, menor e bem cercada por muros altos, zumbis presos a correntes em toda volta do muro nos chama a atenção, eu olho para Katie.
−Alerta pequena, sempre alerta! Eu peço e ela afirma, um portão de aço se abre, entramos de carro e paramos num pátio.
Antes de descer armo minha besta e Katie arruma seu cinto, nunca se sabe, o portão se fecha logo atrás de nós e descemos dos carros, nos juntamos em uma semi formação, é automático.
O lugar não era grande coisa, não havia nada que nos fizesse acreditar que ali viviam pessoas, sem plantação, animais, apenas pessoas nos olhando meio confusos, vejo uma mulher com duas crianças na idade de Matt, isso me tranquiliza um pouco.
−Katrina virá recebe-los! Tom nos diz sumindo despreocupado para dentro de uma das pequenas casas, o lugar tinha sido claramente transformado, era sem dúvida um pequeno forte, com postos de observação e homens armados.
−O que acha? Rick me pergunta.
−Não sei, não acho que seja um lugar permanente! Eu respondo.
−Aqui é como um posto! Katie diz ao nosso lado – Deve ser aqui que recrutam pessoas, mas com certeza levam para outro lugar.
−Vamos apenas esperar para ver.
−Pai, acho que aquela deve ser Katrina! Carl nos chama atenção, uma mulher surge saída da última porta, caminha com dois homens a seu lado, deve ter uns dois metros de altura, acho que nunca vi uma mulher tão alta, é negra e usa a cabeça raspada, anda como se estivesse num palácio, esse mundo maluco criou figuras excêntricas.
−Boa tarde! Ela para diante de nós – Ainda se diz boa tarde? Ri despreocupada.
−É a líder desse grupo? Gina pergunta e quando as comparo tenho dificuldade em conter o riso, nunca vi mulher mais alta que katrina nem mais baixa que Gina.
−Sou a rainha deles! Ela diz num gesto largo – São bem-vindos, que tal água?
−Temos água e comida, não se preocupe! Rick avisa.
−Como preferirem, então gostam da estrada, escolha interessante! Ela diz nos estudando, enquanto fazíamos o mesmo, Katie olhava em volta.
−Os zumbis acorrentados! Minha pequena a encara.
−Segurança, o som e o cheiro deles esconde nossos barulhos e cheiros, afasta zumbis, ao menos evitamos hordas, eu sei que não é uma visão agradável.
−Definitivamente não é! Eu digo parando ao lado de minha mulher.
−Querem conhecer melhor o lugar? Ela oferece, os homens a seu lado nos encarando – É claro que seria mais gentil deixarem as armas aqui.
−Estamos bem! Rick responde – Como Tom deve ter dito não vimemos para ficar.
−Como quiserem, vivos são sempre muito bem vindos, mas se querem partir...
−Acho que sim! Gina responde.
−Logo vai anoitecer, tem lugar definido para passarem a noite?
−Costumamos dirigir por toda noite! Carl se pronuncia meio impaciente – E acho que chega de conversa, podemos ir?
−Voltar para casa é sempre bom! Ela diz e Katie me olha, não esconde sua preocupação – Vamos lá pessoal, sejamos honestos, não querem mesmo que acredite que limpos e alimentados como estão vivem nas ruas!
−Se vamos ser honestos talvez possa nos dizer a verdade sobre esse pequeno posto de recrutamento! Katie a desafia, acabo sorrindo, nada intimida minha pequena – Vamos lá Katrina, não acha mesmo que acreditamos que vivem aqui, olhe em volta, onde está a comida?
−Certo, tem razão, este é um posto apenas, ninguém vai direto para o grupo, não podemos arriscar.
−Ninguém pode!
−Somos uma comunidade grade, temos muitas pessoas, criamos uma comunidade auto suficiente, mas isso nem sempre é bem visto, durante um tempo sofremos com ataques internos, então criamos esse posto, recrutamos sim as pessoas, depois de um prazo, quando decidimos que são confiáveis levamos para comunidade.
−Sabemos como pode ser isso.
Rick diz se encostando no carro tomando uma atitude despreocupada.
−Temos tudo que precisamos e zumbis deixaram de ser nosso problema, pelo menos na maior parte do tempo, recrutamos pessoas por que precisamos disso para nos manter, podem se juntar a nós se quiserem.
−E o que faríamos? Michonne pergunta caminhando até a mulher – Serviríamos a seu rei? Ela pergunta com a mão ainda na espada – Não quer mesmo que acreditamos que é a rainha quando nem mesmo fica na comunidade, comanda seus súditos por e-mail?
−De todos que já recebemos aqui nenhum grupo foi mais observador que vocês, nem tão forte, seriam muito úteis.
−Para? Katie pergunta.
−Temos muito a construir ainda, os planos para o lugar são grandiosos, temos muros para serem construídos, trabalho com aço, fazemos armas – Ela explica — E além disso a plantação a segurança, as buscas e rondas, trabalho é o que não falta, assim que se tornam de confiança e são levados para comunidade eles escolhem onde se encaixam.
As pessoas perdem o interesse por nós, voltam a seus afazeres, apenas os dois homens permanecem ao lado da mulher, Katrina mantinha um tom tranquilo, talvez estivesse mesmo, afinal estávamos trancados e pelo visto eram um grupo muito bem armado.
−Não estamos mesmo interessados, nosso objetivo é unicamente seguir em frente! Rick comunica, a mulher dá de ombros.
−Se estão mesmo decididos, não vamos impedir, não queremos inimigos, já vencemos alguns, nosso interesse é viver em paz.
−O nosso também!
−Quem sabe vocês tem interesse em fazer negócios? Ela diz – Quem sabe o que produzem, talvez possamos fazer trocas.
−Não temos nada a oferecer! Michonne avisa, eu não sei muito o que pensar, a ideia de que são um grupo forte e seguro é atrativa e preocupante, tê-los como inimigos não é uma boa ideia, não depois de tudo, mas perder a chance de viver melhor também não é uma boa ideia nos dias de hoje.
Ela sussurra no ouvido de um dos homens ele chama o outro e os dois se afastam, nos juntamos mais.
−Pronto, agora podem ficar mais tranquilos, isso é só um jeito de impor respeito, agora que tal comerem uma fatia de pão e uma xicara de chá?
Ninguém diz nada, ela nos dá as costas e caminha, seguimos atrás dela, ninguém abre mão das armas, ela nos leva até uma sala com sofás e uma mesa, uma mulher de meia idade entra com canecas de chá e pão caseiro, deixa tudo na mesa e se retira.
−Sirvam-se! Ela oferece, Tommy é o primeiro a se servir, Katie pega a xicara dá uns goles e depois acabo fazendo o mesmo, Rick me olha com a caneca na mão, Carl e Michonne de pé próximos a porta, desconfiados como de costume, o dia chegava ao fim.
−Katrina somos gratos pela hospitalidade, mas realmente precisamos ir.
Rick fica de pé, agora era a hora da verdade, se sairíamos ou não, ela sente o clima tenso e se ergue, caminha na nossa frente até os grandes portões.
−Podem ir, sabe onde nos encontrar, precisam entender apenas uma coisa, serão bem vindo se quiserem se juntar a nós, se a intenção for pilhar então nem tentem, estamos muito preparados, não viram nada ainda.
−Pode ficar tranquila sobre isso! Rick comunica quando entravamos nos carros, a mulher faz um sinal e os portões são abertos, sinto um alivio sem fim quando simplesmente ganhamos a estrada, meu carro vai na frente, Rick me segue bem de perto com sempre fazemos.
−Amor, não segue direto para casa, quem garante que não estamos sendo seguidos! Katie me diz assim que pegamos a estrada, mudo imediatamente minha rota, ela tem razão, o dia vai chegando ao fim, detesto estar na estrada à noite, vamos chegar no meio da noite em casa, as crianças vão estar assustadas a nossa espera.
Ficamos todos em silencio, acho que cada um digerindo os últimos acontecimentos, decidindo se tomamos a decisão certa abrindo mão de fazer parte de um novo grupo.
−Katrina é ainda mais impressionante que Michonne! Minha pequena me diz.
−Pequena ela é um gigante! Eu rio – Acreditou nela?
−Quase cem por cento, mas quem pode ter certeza, nunca vamos saber.
−Ou vamos, quem sabe não volto para lá, digo que me separei do grupo e fico um tempo no lugar, quem sabe saber sobre o que se trata.
Tommy era um homem corajoso, mas já tentamos isso uma vez e Jimmy quase morreu, nego com um movimento de cabeça.
−Acho melhor fazermos uma reunião do concelho antes!
−Eu concordo, além disso se for eu vou junto! Gina diz decidida, Katie sorri e já posso ver ela e Maggie conspirando para formar um novo casal.
−O que importa é que estamos voltando para casa, tudo que quero é abraçar meus ratinhos! Minha pequena me sorri – Sabia que eu te amo, e que estava com um pouco de saudade disso!
−Eu sei que sim, adora uma aventura! Ela me beija concordando, se encosta em mim, volto minha atenção a estrada, a noite caindo rápido.
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